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Capítulo 5 de 23
Emmanuel — parte 3 de 21
Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
encarnados que a ele assistem, com sinceridade e fervor, mas também para os desencarnados, que aspiram à própria transformação. Todos os santuários, em seus atos públicos, estão repletos de almas necessitadas que a eles comparecem, sem o veículo denso, sequiosas de reconforto. Os expositores da boa palavra podem ser comparados a técnicos eletricistas, desligando “tomadas mentais”, através dos princípios libertadores que distribuem na esfera do pensamento. Sorriu bem-humorado e prosseguiu: – Em razão disso, as entidades vampirizantes operam contra eles, muitas vezes envolvendo-lhes os ouvintes em fluidos entorpecentes, conduzindo esses últimos ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação. Observando os irmãos retardados que se abeiravam da mesa num quase semicírculo, tive a idéia de usar o psicoscópio, de modo a examiná-los devidamente, ao que Áulus informou, prestimoso: – Não será preciso. Bastará uma análise atenta para a colheita de resultados interessantes, de vez que os nossos amigos estampam no próprio corpo perispiritual os sofrimentos de que são portadores.
Notei que o Assistente não desejava alongar a conversação, decerto preparando-se para colaborar nos trabalhos próximos e, por esse motivo, aproveitei os instantes à nossa frente, especificando observações, junto aos companheiros menos felizes que se uniam estreitamente uns aos outros, entre a angústia e a expectação. Pareciam envolvidos em grande nuvem ovalada, qual nevoeiro cinza-escuro, espesso e móvel, agitado por estranhas formações. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 36
Reparei o conjunto, notando que alguns deles se mostravam enfermos, como se estivessem ainda na carne. Membros lesados, mutilações, paralisias e ulcerações diversas eram perceptíveis a rápido olhar. Talvez porque Hilário e eu nos demorássemos em atencioso exame, na posição de aprendizes em aula, um dos colaboradores espirituais da reunião acercou-se de nós e falou, cordial: – Nossos irmãos sofredores trazem consigo, individualmente, o estigma dos erros deliberados a que se entregaram. A doença, como resultante de desequilíbrio moral, sobrevive no perispírito, alimentada pelos pensamentos que a geraram, quando esses pensamentos persistem depois da morte do corpo físico. – Mas, adquirem melhoras positivas em reunião de intercâmbio? – indagou Hilário, espantadiço. – Sim – esclareceu o interlocutor –, assimilam idéias novas com que passam a trabalhar, ainda que vagarosamente, melhorando a visão interior e estruturando, assim, novos destinos. A renovação mental é a renovação da vida. Meditei na ilusão dos que julgam na morte livre passagem da alma, em demanda do céu ou do inferno, como lugares determinados de alegria e padecimento...
Quão raros na Terra se capacitam de que trazemos conosco os sinais de nossos pensamentos, de nossas atividades e de nossas obras, e o túmulo nada mais faz que o banho revelador das imagens que escondemos no mundo, sob as vestes da carne!... A consciência é um núcleo de forças, em torno do qual gravitam os bens e os males gerados por ela mesma e, ali, estávamos defrontados por vasta fileira de almas, sofrendo nos purgatórios diferenciados que lhes eram característicos. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 37
Abeiramo-nos de triste companheiro, de macilenta expressão fisionômica, e Hilário, num impulso todo humano, perguntou-lhe: – Amigo, como te chamas? – Eu? – tartamudeou o interpelado. E, num esforço tremendo e inútil para recordar-se de alguma coisa, ajuntou: – Eu não tenho nome... – Impossível!... – considerou meu colega, dominado de espanto – todos temos um nome. – Esqueci-me, esqueci-me de tudo... – comentou o infeliz, desoladoramente. – É um caso de amnésia a estudar – aclarou o companheiro da equipe de trabalho que visitávamos. – Fenômeno natural? – interrogou Hilário, perplexo. – Sim, pode ser natural, em razão de algum desequilíbrio trazido da Terra, mas é possível que o nosso amigo esteja sendo vítima de vigorosa sugestão pós-hipnótica, partida de algum perseguidor de grande poder sobre os seus recursos mnemônicos. Encontra-se ainda profundamente imantado às sensações físicas e a vida cerebral nele ainda é uma cópia das linhas sensoriais que deixou. Assim considerando, é provável esteja submetido ao império de vontades estranhas e menos dignas, às quais se teria associado no mundo. – Céus! – clamou meu colega impressionado – é possível semelhante dominação depois da morte? – Como não? a morte é continuação da vida, e na vida, que é eterna, possuímos o que buscamos. Atento aos nossos estudos da mediunidade, observei: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 38
– Se o nosso amigo desmemoriado for conduzido ao aparelho mediúnico, manifestar-se-á, acaso, assim, ignorando a identidade que lhe é própria? – Perfeitamente. E precisará de tratamento carinhoso como qualquer alienado mental comum. Exprimindo-se por algum médium que lhe dê guarida, será para qualquer doutrinador terrestre o mesmo enigma que estamos presenciando. Nesse momento, renteou conosco uma entidade em deplorável aspecto. Era um homem esguio e triste, exibindo o braço direito paralítico e ressecado. Atendendo-me ao olhar interrogativo, o companheiro, como quem não mais dispunha de tempo para o comentário fraterno, apenas me disse: – Faça uma auscultação. Repare por si mesmo. Acerquei-me do amigo sofredor. Toquei-lhe a fronte, de leve, e registrei-lhe a angústia. Nas recordações que se lhe haviam cristalizado no mundo mental, senti-lhe o drama interior. Fora musculoso estivador no cais, alcoólatra inveterado que, certa feita, de volta a casa, esbofeteou a face paterna, porque o velho genitor lhe exprobrara o procedimento. Incapaz de revidar, o ancião, cuspinhando sangue, praguejou, desapiedado: – Infame! o teu braço cruel será transformado em galho seco... Maldito sejas! Ouvindo tais palavras que se fizeram seguidas por terrível jacto de força hipnotizante, o mísero tornou à via pública, sugestionado pela maldição recebida, bebericando para esquecer. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 39
Cambaleante, foi vitimado num desastre de bonde, no qual veio a perder o braço. Sobreviveu por alguns anos, coagulando, contudo, no próprio pensamento a idéia de que a expressão paternal tivera a força de uma ordem vingativa a se lhe implantar no fundo d’alma e, por isso, ao desencarnar, recuperara o membro dantes mutilado a pender-lhe, ressecado e inerte, no corpo perispirítico. Enquanto refletia, o nosso orientador reaproximou-se de nós e, percebendo quanto se passava, informou: – É um caso de reajuste difícil, reclamando tempo e tolerância. E, afagando os ombros do paralítico, acentuou: – Nosso amigo traz a mente subjugada pelo remorso com que ambientou nele mesmo a maldição recebida. Exige muito carinho para refazer-se. Sem despreocupar-me do tema que nos prendia a atenção, inquiri: – Se esse companheiro utilizar-se da organização mediúnica, transmitirá ao receptor humano as sensações de que se acha investido? – Sim – elucidou o Assistente –, refletirá no instrumento passivo as impressões que o possuem, nos processos de imanização em que se baseiam os serviços de intercâmbio. Sorriu, bondoso, e acrescentou: – No entanto, não nos percamos agora nos casos particulares.
Cada entidade menos equilibrada de quantas se acham reunidas aqui traz consigo inquietantes experiências. Observemos de plano mais alto. E conduziu-me à cabeceira da mesa, onde o nosso amigo Raul Silva ia começar o serviço de oração. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 40
Assimilação de correntes mentais Faltavam apenas dois minutos para as vinte horas, quando o dirigente espiritual mais responsável deu entrada no pequeno recinto. Nosso orientador articulou a apresentação. O Irmão Clementino abraçou-nos, acolhedor. A casa pertencia-nos a todos, explicou sorridente. Estivéssemos, pois, à vontade, na tarefa de que nos achávamos investidos. A essa altura, diversas entidades do nosso plano colocaram-se junto dos médiuns que estariam de serviço. Clementino avançou em direção de Raul Silva, perto de quem se postou em muda reflexão. Logo após, Áulus convidou-me ao psicoscópio e, graduandoo sob nova modalidade, recomendou-nos acurado exame. Foquei os companheiros encarnados em concentração mental, identificando-os sob aspecto diferente. Dessa vez, os veículos físicos apareciam quais se fossem correntes eletromagnéticas em elevada tensão. O sistema nervoso, os núcleos glandulares e os plexos emitiam luminescência particular. E, justapondo-se ao cérebro, a mente surgia como esfera de luz característica, oferecendo em cada companheiro determinado potencial de radiação. Assinalando-nos a curiosidade, o Assistente explicou: – Em qualquer estudo mediúnico, não podemos esquecer que a individualidade espiritual, na carne, mora na cidadela atômica do corpo, formado por recursos tomados de empréstimo ao ambi- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 41
ente do mundo. Sangue, encéfalo, nervos, ossos, pele e músculos representam materiais que se aglutinam entre si para a manifestação transitória da alma, na Terra, constituindo-lhe vestimenta temporária, segundo as condições em que a mente se acha. Nesse instante, o irmão Clementino pousou a destra na fronte do amigo que comandava a assembléia, mostrando-se-nos mais humanizado, quase obscuro. – O benfeitor espiritual que ora nos dirige – acentuou o nosso instrutor – afigura-se-nos mais pesado porque amorteceu o elevado tom vibratório em que respira habitualmente, descendo à posição de Raul, tanto quanto lhe é possível, para benefício do trabalho começante. Influencia agora a vida cerebral do condutor da casa, à maneira dum musicista emérito manobrando, respeitoso, um violino de alto valor, do qual conhece a firmeza e a harmonia. Notamos que a cabeça venerável de Clementino passou a emitir raios fulgurantes, ao mesmo tempo que o cérebro de Silva, sob os dedos do benfeitor, se nimbava de luminosidade intensa, embora diversa.
O mentor desencarnado levantou a voz comovente, suplicando a Bênção Divina com expressões que nos eram familiares, expressões essas que Silva transmitiu igualmente em alta voz, imprimindo-lhes diminutas variações. Com a emotividade que nos invadia a todos, brando silêncio se interpôs, durante rápidos minutos. Fios de luz brilhante ligavam os componentes da mesa, dando-nos a perceber que a prece os reunia mais fortemente entre si. Terminada a oração, acerquei-me de Silva. Desejava investigar mais a fundo as impressões que lhe assaltavam o campo físico, e observei-lhe, então, todo o busto, inclusive braços e mãos, sob vigorosa onda de força, a eriçar-lhe a pele, num fenômeno de doce excitação, como que “agradável calafrio”. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 42
Essa onda de força descansava sobre o plexo solar, onde se transformava em luminoso estímulo, que se estendia pelos nervos até o cérebro, do qual se derramava pela boca, em forma de palavras. Acompanhando-me a análise, o Assistente explicou: – O jacto de forças mentais do irmão Clementino atuou sobre a organização psíquica de Silva, como a corrente dirigida para a lâmpada elétrica. Apoiando-se no plexo solar, elevou-se ao sistema neuro-cerebrino, como a energia elétrica da usina emissora que, atingindo a lâmpada, se espalha no filamento incandescente, produzindo o fenômeno da luz. – E o problema da voltagem? – indaguei, curioso. – Não foi esquecido. Clementino graduou o pensamento e a expressão, de acordo com a capacidade do nosso Raul e do ambiente que o cerca, ajustando-se-lhes às possibilidades, tanto quanto o técnico de eletricidade controla a projeção de energia, segundo a rede dos elementos receptivos. E sorrindo: – Cada vaso recebe de conformidade com a estrutura que lhe é própria. Os confrontos de Áulus sugeriam belas indagações. A ligação elétrica gera luz na lâmpada. E ali?
O contacto espiritual, decerto, segundo inferíamos, improvisava forças igualmente a se derramarem do cérebro e da boca de Silva, na feição de palavras e raios luminosos... O instrutor percebeu-nos a muda inquirição e apressou-se em aclarar: – A lâmpada em cujo bojo se faz luz arroja de si mesma os fotônios que são elementos vivos da Natureza a vibrarem no “espaço físico”, através dos movimentos que lhes são peculiares, e nossa alma, em cuja intimidade se processa a idéia irradiante, Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 43
lança fora de si os princípios espirituais, condensados na força ponderável e múltipla do pensamento, princípios esses com que influímos no “espaço mental”. Os mundos atuam uns sobre os outros pelas irradiações que despedem e as almas influenciam-se mutuamente, por intermédio dos agentes mentais que produzem. A palavra serena e precisa do orientador compelia-nos à meditação, embora rápida. Os claros apontamentos, em torno da energia mental, conduziam-me a preciosas reflexões. Então, o pensamento não escapava às realidades do mundo corpuscular, ponderei de mim para comigo. Assim como possuímos na Terra valiosas observações alusivas à química da matéria densa, relacionando-lhe as unidades atômicas, o campo da mente oferecia largas ensanchas ao estudo de suas combinações... Pensamentos de crueldade, revolta, tristeza, amor, compreensão, esperança ou alegria teriam natureza diferenciada, com característicos e pesos próprios, adensando a alma ou sutilizando-a, além de lhe definirem as qualidades magnéticas... A onda mental possuiria determinados coeficientes de força na concentração silenciosa, no verbo exteriorizado ou na palavra escrita...
Compreendia, desse modo, mais uma vez, e sem qualquer obscuridade, que somos naturalmente vítimas ou beneficiários de nossas próprias criações, segundo as correntes mentais que projetamos, escravizando-nos a compromissos com a retaguarda de nossas experiências ou libertando-nos para a vanguarda do progresso, conforme nossas deliberações e atividades, em harmonia ou em desarmonia com as Leis Eternas... O solilóquio, porém, não devia alongar-se. Nosso orientador, atento aos objetivos de nossa permanência na casa, chamou-me a novas observações: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 44
– Repararam na comunhão entre Clementino e Silva, no momento da prece? E, ante a nossa expectação de aprendizes, continuou: – Vimos aqui o fenômeno da perfeita assimilação de correntes mentais que preside habitualmente a quase todos os fatos mediúnicos. Para clareza de raciocínio, comparemos a organização de Silva, nosso companheiro encarnado, a um aparelho receptor, quais os que conhecemos na Terra, nos domínios da radiofonia. A emissão mental de Clementino, condensando-lhe o pensamento e a vontade, envolve Raul Silva em profusão de raios que lhe alcançam o campo interior, primeiramente pelos poros, que são miríades de antenas sobre as quais essa emissão adquire o aspecto de impressões fracas e indecisas.
Essas impressões apoiam-se nos centros do corpo espiritual, que funcionam à guisa de condensadores, atingem, de imediato, os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se aí num átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro, onde possuímos centenas de centros motores, semelhante a milagroso teclado de eletroímãs, ligados uns aos outros e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou da palavra, considerando-se o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso altofalante. Tais estímulos se expressam ainda pelo mecanismo das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos órgãos, que trabalham na feição de guindastes e condutores, transformadores e analistas, sob o comando direto da mente. A elucidação não podia ser mais simples, contudo oferecia oportunidade a mais amplas indagações. – Temos então aqui a técnica do próprio pensamento? – perguntou Hilário, com interesse. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 45
– Não tanto – adiantou o interlocutor –; o pensamento que nos é exclusivo flui incessantemente de nosso campo cerebral, tanto quanto as ondas magnéticas e caloríficas que nos são particulares, e usamo-lo normalmente, acionando os recursos de que dispomos. – Não será, porém, tão fácil estabelecer a diferença entre a criação mental que nos pertence daquela que se nos incorpora à cabeça... – ponderou meu colega intrigado. – Sua afirmativa carece de base – exclamou o Assistente. – Qualquer pessoa que saiba manejar a própria atenção observará a mudança, de vez que o nosso pensamento vibra em certo grau de freqüência, a concretizar-se em nossa maneira especial de expressão, no círculo dos hábitos e dos pontos de vista, dos modos e do estilo que nos são peculiares.
E, bem-humorado, comentou: – Em assuntos dessa ordem, é imprescindível muito cuidado no julgar, porque, enquanto afinamos o critério pela craveira terrena, possuímos uma vida mental quase sempre parasitária, de vez que ocultamos a onda de pensamento que nos é própria, para refletir e agir com os preconceitos consagrados ou com a pragmática dos costumes preestabelecidos, que são cristalizações mentais no tempo, ou com as modas do dia e as opiniões dos afeiçoados que constituem fácil acomodação com o menor esforço. Basta, no entanto, nos afeiçoemos aos exercícios da meditação, ao estudo edificante e ao hábito de discernir para compreendermos onde se nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a assimilar. Hilário pensou alguns instantes e, estampando na fisionomia o contentamento de quem fizera importante descoberta, falou satisfeito: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 46
– Agora percebo como podem surgir fenômenos mediúnicos em comezinhas situações da vida, tanto nos feitos notáveis da genialidade, como nos dramas cotidianos... – Sim, sim... – acentuou o orientador, agora preocupado com o tempo que a nossa palestração consumia – a mediunidade é um dom inerente a todos os seres, como a faculdade de respirar, e cada criatura assimila as forças superiores ou inferiores com as quais sintoniza. Por isso mesmo, o Divino Mestre recomendounos oração e vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós, captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim, ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos, por vezes irresistíveis. E, buscando o lugar que lhe competia nos trabalhos em andamento, ajuntou: – Estudemos trabalhando. O tempo utilizado a serviço do próximo é bênção que entesouramOs, em nosso próprio favor, para sempre. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 47
Psicofonia consciente Desdobravam-se os serviços da casa, harmoniosamente. Três guardas espirituais entraram na sala, conduzindo infeliz irmão ao socorro do grupo. Era infortunado solteirão desencarnado que não guardava consciência da própria situação. Incapaz de enxergar os vigilantes que o traziam, caminhava à maneira de um surdo-cego, impelido por forças que não conseguia identificar. – É um desventurado obsessor, que acabam de remover do ambiente a que, desde muito tempo, se ajusta – informou Áulus, compadecido. – Desencarnou em plena vitalidade orgânica, depois de extenuar-se em festiva loucura. Letal intoxicação cadaverizou-lhe o corpo, quando não possuía o menor sinal de habilitação para conchegar-se às verdades do espírito. E como quem já conhecia as particularidades da prestação de socorro que, decerto, fora antecipadamente preparada, continuou explicando: – Reparem. É alguém a movimentar-se nas trevas de si mesmo, trazido ao recinto sem saber o rumo tomado pelos próprios pés, como qualquer alienado mental em estado grave.
Desenfaixando-se da veste de carne, com o pensamento enovelado a paixão por irmã nossa, hoje torturada enferma que sintonizou com ele, a ponto de retê-lo junto de si com aflições e lágrimas, passou a vampirizar-lhe o corpo. A perda do veículo físico, na deficiência espiritual em que se achava, deixou-o integralmente desarvorado, como náufrago dentro da noite. Entretanto, adaptando-se ao organismo da mulher amada que passou a obsidiar, nela encontrou Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 48
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