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Capítulo 3 de 23
Emmanuel — parte 1 de 21
Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
Pedro Leopoldo, 3 de outubro de 1954. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 9
Estudando a mediunidade Indubitavelmente – concordava o Assistente Áulus – a mediunidade é problema dos mais sugestivos na atualidade do mundo. Aproxima-se o homem terreno da Era do Espírito, sob a luz da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria e, decerto, precisa de cooperação, a fim de que se lhe habilite o entendimento. O orientador, de feição nobre e simpática, recebera-nos, a pedido de Clarêncio, para um curso rápido de ciências mediúnicas. Especializara-se em trabalhos dessa natureza, consagrandolhes muitos anos de abnegação. Era, por isso, dentre as relações do Ministro, que se nos fizera patrono e condutor, um dos companheiros mais competentes no assunto. Áulus nos acolhera com afabilidade e doçura. Relacionando aflitivas questões da Humanidade Terrestre, pousava em nós o olhar firme e lúcido, não apenas com o interesse do irmão mais velho, mas também com a afetividade de um pai enternecido. Hilário e eu não conseguíamos disfarçar a admiração. Era um privilégio ouvi-lo discorrer sobre o tema que nos trazia até ali.
Aliavam-se nele substanciosa riqueza cultural e o mais entranhado patrimônio de amor, causando-nos satisfação o vê-lo reportar-se às necessidades humanas, com o carinho do médico benevolente e sábio que desce à condição de enfermeiro para a alegria de ajudar e salvar. Interessava-se pelas experimentações mediúnicas, desde 1779, quando conhecera Mesmer, em Paris, no estudo das céle- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 10
bres proposições lançadas a público pelo famoso magnetizador. Reencarnando no início do século passado, apreciara, de perto, as realizações de Allan Kardec, na codificação do Espiritismo, e privara com Cahagnet e Balzac, com Théophile Gautier e Victor Hugo, acabando seus dias na França, depois de vários decênios consagrados à mediunidade e ao magnetismo, nos moldes científicos da Europa. No mundo espiritual prosseguiu no mesmo rumo, observando e trabalhando em seu apostolado educativo. Dedicando-se agora a obra de espiritualização no Brasil, e isto há mais de trinta anos, comentava, otimista, as esperanças do novo campo de ação, dando-nos a conhecer a primorosa bagagem de memórias e experiências de que se fazia portador. Maravilhados ao ouvi-lo, mal lhe respondíamos a essa ou àquela indagação. – Conhecíamos, sim – informamos, respeitosos, em dado momento –, alguns aspectos do intercâmbio espiritual; todavia, o nosso desejo era amealhar mais amplas noções do assunto, com a simplicidade possível.
Em outras ocasiões, estudáramos ao de leve alguns fenômenos de psicografia, incorporação e materialização, no entanto, era isso muito pouco, à face dos múltiplos serviços que a mediunidade encerra em si mesma. O anfitrião, afável, aquiesceu em elucidar-nos. Colaborava em diversos setores de trabalho e prodigalizarnos-ia aquilo que considerava, com humildade, como sendo “alguns apontamentos”. Para começar, convidou-nos a ouvir um amigo que falaria sobre mediunidade a pequeno grupo de aprendizes encarnados e desencarnados, e em cuja palavra reconhecia oportunidade e valor. Não nos fizemos de rogados ante a obsequiosa lembrança. E, porque não havia tempo a perder, seguimo-lo, prestamente. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 11
Em vasto recinto do Ministério das Comunicações, fomos apresentados ao Instrutor Albério, que se dispunha a iniciar a palestra. Tomamos lugar entre as dezenas de companheiros que o seguiam, atentos, em muda expectação. Como tantos outros orientadores que eu conhecia, Albério assomou à tribuna, sem cerimônia, qual se nos fora simples irmão, conversando conosco em tom fraternal. – Meus amigos – falou, com segurança –, dando continuidade aos nossos estudos anteriores, precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos. Não ignoramos que o Universo, a estender-se no Infinito, por milhões e milhões de sóis, é a exteriorização do Pensamento Divino, de cuja essência partilhamos, em nossa condição de raios conscientes da Eterna Sabedoria, dentro do limite de nossa evolução espiritual. Da superestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da Mente de Deus, como os peixes e as plantas da água estão contidos no oceano imenso. Filhos do Criador, dEle herdamos a faculdade de criar e desenvolver, nutrir e transformar.
Naturalmente circunscritos nas dimensões conceptuais em que nos encontramos, embora na insignificância de nossa posição comparada à glória dos Espíritos que já atingiram a angelitude, podemos arrojar de nós a energia atuante do próprio pensamento, estabelecendo, em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que nos é particular. Cada mundo possui o campo de tensão eletromagnética que lhe é próprio, no teor de força gravítica em que se equilibra, e cada alma se envolve no circulo de forças vivas que lhe transpiram do “hálito” mental, na esfera de criaturas a que se imana, em Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 12
obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para a imortalidade. Cada planeta revoluciona na órbita que lhe é assinalada pelas leis do equilíbrio, sem ultrapassar as linhas de gravitação que lhe dizem respeito, e cada consciência evolve no grupo espiritual a cuja movimentação se subordina. Somos, pois, vastíssimo conjunto de Inteligências, sintonizadas no mesmo padrão vibratório de percepção, integrando um Todo, constituído de alguns bilhões de seres, que formam por assim dizer a Humanidade Terrestre. Compondo, assim, apenas humilde família, no infinito concerto da vida cósmica, em que cada mundo guarda somente determinada família da Humanidade Universal, conhecemos, por enquanto, simplesmente as expressões da vida que nos fala mais de perto, limitados ao degrau de conhecimento que já escalamos. Dependendo dos nossos semelhantes, em nossa trajetória para a vanguarda evolutiva, à maneira dos mundos que se deslocam no Espaço, influenciados pelos astros que os cercam, agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos.
Nossa mente é, dessarte, um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma sutil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios. A idéia é um “ser” organizado por nosso espírito, a que o pensamento dá forma e ao qual a vontade imprime movimento e direção. Do conjunto de nossas idéias resulta a nossa própria existência. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 13
O orador fez pequeno intervalo que ninguém ousou interromper e prosseguiu comentando: – Segundo é fácil de concluir, todos os seres vivos respiram na onda de psiquismo dinâmico que lhes é peculiar, dentro das dimensões que lhes são características ou na freqüência que lhes é própria. Esse psiquismo independe dos centros nervosos, de vez que, fluindo da mente, é ele que condiciona todos os fenômenos da vida orgânica em si mesma. Examinando, pois, os valores anímicos como faculdades de comunicação entre os Espíritos, qualquer que seja o plano em que se encontrem, não podemos perder de vista o mundo mental do agente e do recipiente, porquanto, em qualquer posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita às possibilidades e à coloração dos pensamentos em que vive, e a inteligência emissora jaz submetida aos limites e às interpretações dos pensamentos que é capaz de produzir.
Um hotentote desencarnado, em se comunicando com um sábio terrestre, ainda jungido ao envoltório físico, não lhe poderá oferecer noticias outras, além dos assuntos triviais em que se lhe desdobraram no mundo as experiências primitivistas, e um sábio, sem o indumento carnal, entrando em relação com o hotentote, ainda colado ao seu “habitat” africano, não conseguirá facultarlhe cooperação imediata, senão no trabalho embrionário em que se lhe encravam os interesses mentais, como sejam o auxilio a um rebanho bovino ou a cura de males do corpo denso. Por isso mesmo, o hotentote não se sentiria feliz na companhia do sábio e o sábio, a seu turno, não se demoraria com o hotentote, por falta desse alimento quase imponderável a que podemos chamar vibrações compensadas. É da Lei, que nossas maiores alegrias sejam recolhidas ao contacto daqueles que, em nos compreendendo, permutam conosco valores mentais de qualidades idênticas aos nossos, assim Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 14
como as árvores oferecem maior coeficiente de produção se colocadas entre companheiras da mesma espécie, com as quais trocam seus princípios germinativos. Em mediunidade, portanto, não podemos olvidar o problema da sintonia. Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá. Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam os característicos em que se expressem, é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais, os únicos que nos possibilitam fixar a luz que jorra para nós, das Esferas Mais Altas, através dos gênios da sabedoria e do amor que supervisionam nossas experiências. Procederam acertadamente aqueles que compararam nosso mundo mental a um espelho. Refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos outros as imagens que criamos.
E, como não podemos fugir ao imperativo da atração, somente retrataremos a claridade e a beleza, se instalarmos a beleza e a claridade no espelho de nossa vida íntima. Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para a frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida em sua essência de eternidade gloriosa, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no “hoje imperecível”. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 15
Vemos a mediunidade em todos os tempos e em todos os lugares da massa humana. Missões santificantes e guerras destruidoras, tarefas nobres e obsessões pérfidas, guardam origem nos reflexos da mente individual ou coletiva, combinados com as forças sublimadas ou degradantes dos pensamentos de que se nutrem. Saibamos, assim, cultivar a educação, aprimorando-nos cada dia. Médiuns somos todos nós, nas linhas de atividade em que nos situamos. A força psíquica, nesse ou naquele teor de expressão, é peculiar a todos os seres, mas não existe aperfeiçoamento mediúnico sem acrisolamento da individualidade. É contraproducente intensificar a movimentação da energia sem disciplinar-lhe os impulsos. É perigoso possuir sem saber usar. O espelho sepultado na lama não reflete o esplendor do Sol. O lago agitado não retrata a imagem da estrela que jaz no infinito. Elevemos nosso padrão de conhecimento pelo estudo bem conduzido e apuremos a qualidade de nossa emoção pelo exercício constante das virtudes superiores, se nos propomos recolher a mensagem das Grandes Almas. Mediunidade não basta só por si.
É imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção. Albério prosseguiu ainda em seus valiosos comentários e, mais tarde, passou a responder a complicadas perguntas que lhe eram desfechadas por diversos aprendizes. Por minha vez recolhe- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 16
ra largo material de meditação e, em razão disso, em companhia de Hilário, despedi-me dos instrutores com alguns monossílabos de agradecimento, ouvindo de Áulus a promessa de reencontro para o dia seguinte. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 17
O psicoscópio Tornando ao convívio do Assistente, na noite imediata, dele recebemos o acolhimento gentil da véspera. – Creio haver traçado o nosso programa – falou, paternal. Finda a ligeira pausa em que nos registrava a atenção, prosseguiu: – Admito que devamos centralizar nossas observações em reduzido núcleo, onde melhor dispomos do fator qualidade. Temos um grupo de dez companheiros encarnados, com quatro médiuns detentores de faculdades regularmente desenvolvidas e de lastro moral respeitável. Trata-se de pequeno conjunto, a serviço de uma instituição consagrada ao nosso ideal cristianizante. Desse grupobase ser-nos-á possível alongar apontamentos e coletar anotações que se façam valiosas à nossa tarefa. Fitou-nos com bondade por um instante de silêncio e acrescentou: – Isso porque vocês pretendem especializar conhecimentos, em torno da mediunidade, apenas no círculo terrestre, de vez que em nosso campo de ação espiritual o assunto seria muito menos complexo. – Sim esclarecemos Hilário e eu –, desejávamos auxiliar, de algum modo, os irmãos encarnados, na execução de serviços em que se mostravam comprometidos. A oportunidade, por esse motivo, surgia diante de nós por verdadeira bênção. Decorridos alguns minutos de entendimento afetuoso, o orientador convidou, solícito: – Sigamos. Não há tempo a perder. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 18
Logo após, muniu-se de pequena pasta e, talvez porque nos percebesse a curiosidade, informou, paciente: – Temos aqui o nosso psicoscópio, de modo a facilitar-nos exames e estudos, sem o impositivo de acurada concentração mental. Tomei o enigmático volume, chamando a mim o agradável serviço de transportá-lo, notando, então, que na Terra o minúsculo objeto não pesaria senão alguns gramas. Espicaçado tanto quanto eu pela curiosidade, Hilário indagou sem preâmbulos: – Psicoscópio? que novo engenho vem a ser esse? – É um aparelho a que intuitivamente se referiu ilustre estudioso da fenomenologia espirítica, em fins do século passado. Destina-se à auscultação da alma, com o poder de definir-lhe as vibrações e com capacidade para efetuar diversas observações em torno da matéria – esclareceu Áulus, com leve sorriso. – Esperamos esteja, mais tarde, entre os homens. Funciona à base de eletricidade e magnetismo, utilizando-se de elementos radiantes, análogos na essência aos raios gama. É constituído por óculos de estudo, com recursos disponíveis para a microfotografia.
E, enquanto demandávamos a cidade terrestre, em que nos cabia operar, o mentor continuava, explicando: – Em nosso esforço de supervisão, podemos classificar sem dificuldade as perspectivas desse ou daquele agrupamento de serviços psíquicos que aparecem no mundo. Analisando a psicoscopia de uma personalidade ou de uma equipe de trabalhadores, é possível anotar-lhes as possibilidades e categorizar-lhes a situação. Segundo as radiações que projetam, planejamos a obra que podem realizar no tempo. Meu colega e eu não conseguíamos sopitar a surpresa. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 19
Entre assombrado e receoso, ousou Hilário inquirir: – Quer isso dizer que qualquer de nós pode ser submetido a exame dessa espécie? – Sem dúvida – considerou o nosso interlocutor bemhumorado –; decerto que estamos sujeitos às sondagens dos planos superiores tanto quanto pesquisamos agora os planos que se nos situam à retaguarda. Se o espectroscópio permite ao homem perquirir a natureza dos elementos químicos, localizados a enormes distâncias, através da onda luminosa que arrojam de si, com muito mais facilidade identificaremos os valores da individualidade humana pelos raios que emite. A moralidade, o sentimento, a educação e o caráter são claramente perceptíveis, através de ligeira inspeção. – Mas – indagou Hilário, investigador –, e na hipótese de surgirem elementos arraigados ao mal, numa formação de cooperadores do bem? de posse da ficha psicoscópica, os instrutores espirituais providenciar-lhes-ão a expulsão? – Não será preciso.
Se a maioria permanece empenhada na extensão do bem, a minoria encarcerada no mal distancia-se do conjunto, pouco a pouco, por ausência de afinidade. – Contudo – alegou ainda o meu companheiro –, que acontece numa instituição cujo programa elevado se degenera em desequilíbrio, induzindo-nos a reconhecer que a virtude aí não passa de bandeira fictícia, acobertando a ignorância e a perversidade? – Então, nesse caso – adiantou o interpelado, tolerante –, dispensamos qualquer regime de perseguição ou denúncia. Encarrega-se a vida de colocar-nos no lugar que nos compete. E, sorrindo, ajuntou: – Os Anjos ou Ministros da Eterna Sabedoria entregam-nos, com segurança, às forjas renovadoras do tempo e da provação. Sabe-se, atualmente, na Terra, que um grama de rádio perde a Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 20
metade do seu peso em dezesseis séculos e que um ciclotron, trabalhando com projéteis atômicos acelerados a milhões de eléctrons-volt, realiza a transmutação dos elementos químicos, de imediato. A evolução vagarosa nos milênios ou o choque brusco do sofrimento alteram-nos o panorama mental, aprimorando-lhe os valores. Essas notas arrastavam-nos a divagação noutros campos. O Assistente revelava brilhante cultura, aliada a extremas facilidades de exposição. Dispunha-me a ensaiar perguntas extra-serviço, mas, adivinhando-nos o intento, Áulus objetou: – Toda conversação nobre é instrutiva, no entanto, por agora, guardemos o espírito no trabalho a fazer. O êxito não exonera a atenção. Se cairmos numa digressão acerca da química, o horário não nos desculpará. Reajustando-se aos nossos objetivos, Hilário acentuou: – O psicoscópio, só por si, dá margem a preciosas reflexões. Imaginemos uma sociedade humana que pudesse retratar a vida interior dos seus membros... Isso economizaria grandes quotas de tempo na solução de inúmeros problemas psicológicos. – Sim – anuiu o mentor, cordial –, o futuro reserva prodígios ao senso do homem comum.
Havíamos, porém, alcançado o portão de espaçoso edifício que o Assistente nos designou como sendo o santuário que nos competia visitar e servir. – Esta é a casa espírita-cristã onde encontraremos nosso ponto básico de experiências e observações. Entramos. Atravessado largo recinto, em que estacionavam numerosas entidades menos felizes de nosso plano, o orientador esclareceu: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 21
– Vemos aqui o salão consagrado aos ensinamentos públicos. Todavia, o núcleo que buscamos jaz situado em reduto íntimo, assim como o coração dentro do corpo. Escoados alguns instantes, penetramos acanhado aposento, onde se congregava reduzida assembléia, em silenciosa concentração mental. – Nossos companheiros – elucidou o Assistente – fazem o serviço de harmonização preparatória. Quinze minutos de prece, quando não sejam de palestra ou leitura com elevadas bases morais. Sabem que não devem abordar o mundo espiritual sem a atitude nobre e digna que lhes outorgará a possibilidade de atrair companhias edificantes e, por esse motivo, não comparecem aqui sem trazer ao campo que lhes é invisível as sementes do melhor que possuem. Hilário e eu nos inclinávamos à indagação, contudo, a respeitabilidade do recinto impunha-nos silêncio. Amigos da nossa esfera ali se demoravam em oração, compelindo-nos a entranhado recolhimento. O Assistente armou o psicoscópio e, depois de ligeira análise, recomendou-nos a observação. Chegada a minha vez de usá-lo, assombraram-me as peculiaridades do aparelho.
Sem necessidade de esforço mental, notei que todas as expressões de matéria física assumiam diferente aspecto, destacando-se a matéria de nosso plano. Teto, paredes e objetos de uso corriqueiro revelavam-se formados de correntes de força, a emitirem baça claridade. Detive-me na contemplação dos companheiros encarnados que agora apareciam mais estreita-mente associados entre si, Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 22
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.