Voltar ao livro Nos Domínios da Mediunidade

Capítulo 19 de 23

Emmanuel — parte 17 de 21

Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Enquanto o enfermo tremia, pálido, nosso orientador e o irmão Clementino aplicavam-lhe recursos magnéticos de auxílio, asserenando-lhe o corpo conturbado. Findo o acidente paroxístico, notamo-lo suarento e desmemoriado, qual se fora surdo às preces que Raul Silva pronunciava, implorando o socorro divino em seu favor. Decorridos alguns minutos, a calma no ambiente refazia-se completa. Abeirava-se a reunião da fase de encerramento, contudo, o rapaz que nos tomara, por último, a atenção, prosseguia apático, melancólico. Registrávamos a esperança e o encorajamento, em variados tons, em todos os presentes, menos nele, que denotava tortura e introversão. Áulus, com a tolerância habitual, dispusera-se a ouvir-nos. – Como interpretar o caso de nosso amigo? indagou Hilário, curioso. – Não lhe vimos o desdobramento e, ao que nos foi concedido verificar, não assimilou emissões fluídicas de qualquer habitante de nossa esfera...

Enquadrar-se-lhe-áo transe em algum processo mediúnico que desconhecemos? – O enigma de nosso irmão – elucidou o Assistente – é de natureza mental, considerando-se-lhe a origem pura e simples, mas está radicado à sensibilização psíquica, tanto quanto as ocorrências de ordem mediúnica. – Ainda assim – aleguei –, poderemos considerá-lo médium? – De imediato, não. Presentemente, é um enfermo que reclama cuidado assistencial, no entanto, sanada a desarmonia de que ainda é portador, poderá cultivar preciosas faculdades medianímicas, porque a moléstia, nesses casos, é fator importante de experiência. A dor em nossa vida íntima é assim como o arado na terra Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 212

inculta. Rasgando e ferindo, oferece os melhores recursos à produção. – E a doença em si? – tornou meu companheiro admirado – será do corpo ou da alma? – É desequilíbrio da alma a retratar-se no corpo – falou o instrutor, comovido. E, acariciando a fronte do moço triste, continuou: – Nosso amigo em reajuste, antes da presente imersão na carne, vagueou, por muitos anos, em desolada região de trevas. Aí foi vítima de hipnotizadores cruéis com os quais esteve na mais estreita sintonia, em razão da delinqüência viciosa a que se dedicara no mundo. Sofreu intensamente e voltou à Terra, trazendo certas deficiências no organismo perispiritual. É um histérico, segundo a justa acepção da palavra. Acolhido pelo heroísmo de um coração materno e por um pai que lhe foi associado de insânia, hoje também na travessia de amargosas provas, vem procurando a própria recuperação. Aos sete anos da nova experiência terrena, quando se lhe firmou a reencarnação, sentiu-se tomado pela desarmonia trazida do mundo espiritual e, desde então, vem lutando no laborioso processo regenerativo a que se impôs.

Algemado à perturbação em que se enleou, supõe haver nascido com o fracasso congenial. Não se acredita capaz de qualquer serviço nobre. Crê-se derrotado, antes de qualquer luta. Apraz-lhe tãosomente a solidão em que se nutre dos pensamentos enfermiços que lhe são arremessados ao espírito pelos antigos companheiros de viciação. Enfim, vive em deploráveis condições patológicas do sistema nervoso, numa crise de longo curso, a caracterizar-se por estranhas perturbações da inteligência e contraturas repentinas, que o inutilizam temporariamente para o trabalho digno. As preces terminais convidaram-nos ao silêncio. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 213

Finda a reunião, ofereceu-se Áulus para acompanhar o rapaz doente, até a casa, medida essa que Clementino aprovou, satisfeito. O moço parecia anestesiado, inerte... Depois de meia hora, durante a qual buscamos assisti-lo nas eventualidades da via pública, atingimos singela casinha suburbana. Ao chamado insistente do rapaz, simpática velhinha veio atender. – Américo, meu filho, graças a Deus vejo-o de volta... A ternura materna vibrava, iniludível, naquela voz clara e reconfortante. E a genitora conduziu-o, sem delonga, para a intimidade doméstica, onde um rapaz embriagado desferia palavrões. Fitando-o, disse preocupada: – Márcio, infelizmente, excedeu-se de novo... E, porque reparasse a apatia do recém-chegado, ajuntou: – Mas, primeiro, tratemos de acomodar você. O moço não relutou. Deixou-se arrastar pelo carinho materno e envolveu-se nas cobertas do leito, em acanhado telheiro aos fundos. Américo dormiu sem detença, surgindo junto de nós em desdobramento natural. Não nos pressentiu, porém, nem de longe. Registrava tão-somente a perturbação mental de que se via possuído. Amedrontado, espantadiço, avançou para estreita câmara, a pequena distância, e rojou-se ao lado de um velho paralítico, choramingando: – Pai, estou sozinho! sozinho!... quem me socorre? Tenho medo! medo!... Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 214

O doente, vigilante e calmo, assinalou-lhe a presença, de algum modo, porque mostrou no semblante dolorida expressão, como se lhe estivesse ouvindo as queixas. Áulus recomendou-me auscultar a fronte pensadora do enfermo, atado ao catre limpo, e, buscando sintonizar-me com ele, escutei-lhe a mente, conversando de si para consigo: – Ó Senhor, sinto-me cercado por Espíritos inquietos... Quem estará junto de mim? Dá-me forças para compreender-te a vontade e acatar-te os desígnios... Não me abandones! Tristes são a velhice, a doença e a pobreza quando nos avizinhamos da morte!... E, sob a influência do rapaz, cujos pensamentos assimilava sem perceber, vimo-lo também dobrar a cabeça e chorar copiosamente. Fixando-os, de maneira significativa, nosso orientador esclareceu: – Achamo-nos à frente de pai e filho. Júlio, o genitor de Américo, foi acometido, faz muitos anos, de paralisia das pernas, vivendo assim amarrado à cama, onde ainda se esforça pela subsistência dos seus, em trabalhos leves. Entregue à provação e à soledade, começou a ler e a refletir com segurança.

Apreendeu a verdade da reencarnação, encontrou consolo e esperança nos ensinamentos do Espiritismo e, com isso, tem sabido marchar com resignação e fortaleza nos dias ásperos que vem atravessando... Sentindo-nos a sede de maiores informes, o instrutor prosseguiu, depois de ligeira pausa: – Sustentado pelo devotamento heróico da esposa, trouxe ao mundo cinco filhos, dos quais uma jovem que lhe foi abençoada irmã noutra vida terrestre, e os demais, inclusive Américo, são quatro rapazes de trato muito difícil. Márcio, que já conhecemos, é cliente da embriaguez, Guilherme e Benício estão consumindo a mocidade em extravagâncias noturnas, Laura que é abnegada Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 215

companheira dos pais, e o nosso Américo, o primogênito, que ainda está longe de recuperar o equilíbrio completo... – E observando o dono da casa em semelhante posição – interferiu Hilário –, somos levados a pensar nas dificuldades que se desenrolam aqui... – Indubitavelmente, a expiação do grupo doméstico sob nossa vista é rude e dolorosa... Em passado próximo, o paralítico de hoje era o dirigente de pequeno bando de malfeitores. Extremamente ambicioso, asilou-se num sítio, onde se transformou em perseguidor de viajantes desprevenidos, dedicando-se ao furto e à vadiagem... Conseguiu convencer quatro amigos a acompanhá-lo nas aventuras delituosas a que se entregou pela cobiça tiranizante, comprometendo-lhes a vida moral, e esses quatro companheiros são hoje os filhos que lhe recebem nova orientação, crivando-o de preocupações e desgostos. Desviou-os do caminho reto, agora busca recuperá-los para a estrada justa, achando-se, ele mesmo, em penosas inibições... A torturada conformação do velhinho sensibilizava-nos as fibras mais Intimas. Tivemos, contudo, nossa atenção atraída para novo fenômeno.

Uma jovem, de fisionomia nobre e calma, penetrou o quarto em Espírito, passou rente a nós sem notar-nos e, reanimando Américo, retirou-o para fora. Percebendo-nos a silenciosa indagação, o Assistente informou: – É Laura, a filha generosa, que ainda mesmo durante o sono físico não se descuida de amparar o genitor doente. – Então está domiciliada aqui mesmo? – perguntou meu colega, admirado. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 216

– Sim, dormindo em aposento próximo. E, depois de ministrar recursos vitalizantes ao enfermo em lágrimas, o Assistente acrescentou: – Quando o corpo terrestre descansa, nem sempre as almas repousam. Na maioria das ocasiões, seguem o impulso que lhes é próprio. Quem se dedica ao bem, de um modo geral continua trabalhando na sementeira e na seara do amor, e quem se emaranha no mal costuma prolongar no sono físico os pesadelos em que se enreda... – Pelo que analisamos – disse Hilário –, os fatos mediúnicos no lar são constantes... – Justo! – confirmou o orientador. – Os pensamentos daqueles que partilham o mesmo teto agem e reagem uns sobre os outros, de modo particular, através de incessantes correntes de assimilação. A influência dos encarnados entre si é habitualmente muito maior que se imagina. Muita vez, na existência carnal, os obsessores que nos espezinham estão conosco, respirando, reencarnados, o mesmo ambiente. Do mesmo modo há protetores que nos ajudam e elevam e que igualmente participam de nossas experiências de cada dia. É imprescindível compreender que, em toda a parte, acima de tudo, vivemos em espírito.

O intercâmbio de alma para alma, entre pais e filhos, cônjuges e irmãos, afeiçoados e companheiros, simpatias e desafeições, no templo familiar ou nas instituições de serviço em que nos agrupamos, é, em razão disso, a bem dizer, obrigatório e constante. Sem perceber, consumimos idéias e forças uns dos outros. Dispúnhamo-nos à retirada, quando Hilário, como quem se valia do ensejo, curiosamente indagou: – Voltando, contudo, ao caso de Américo e reconhecendo-o como portador da histeria, haverá vantagem na freqüência dele ao grupo em que outros médiuns se aperfeiçoam? Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 217

– Como não? – obtemperou o Assistente. – O progresso é obra de cooperação. Consagrando-se à disciplina e ao estudo, à meditação e à prece, ele se renovará mentalmente, apressando a própria cura, depois da qual poderá cooperar em trabalhos mediúnicos dos mais proveitosos. Todo esforço digno, por mínimo que seja, recebe invariavelmente da vida a melhor resposta. Áulus, a seguir, lembrou afazeres a distância e considerou por finda a valiosa lição. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 218

Em torno da fixação mental No caminho de volta procuramos, Hilário e eu, movimentar a conversação, no sentido de recolher da palavra de nosso orientador alguma lição a respeito da fixação mental. Muita vez, anotara o fenômeno, buscando estudá-lo, entretanto, para colaborar com o amigo, mais novo que eu nos serviços da Espiritualidade, aderi ao assunto, animando-o com o melhor interesse. Meu colega, sem disfarçar o espanto que lhe assomara à alma, desde a manifestação do estrangulador da Toscana, falou preocupado: – Sinceramente, por mais me esforce, grande é a minha dificuldade para penetrar os enigmas da cristalização do Espírito em torno de certas situações e sentimentos. Como pode a mente deter-se em determinadas impressões, demorando-se nelas, como se o tempo para ela não caminhasse? Tomemos, por exemplo, o drama de nosso infortunado companheiro, há séculos imobilizado nas idéias de vingança... Estará nessa posição lamentável, por tantos anos, sem ter reencarnado? Áulus ouviu com atenção e ponderou: – É imprescindível compreender que, depois da morte no corpo físico, prosseguimos desenvolvendo os pensamentos que cultivávamos na experiência carnal.

E não podemos esquecer que a Lei traça princípios universais que não podemos trair. Subordinados à evolução, como avançar sem lhe acatarmos a ordem de harmonia e progresso? A idéia fixa pode operar a indefinida estagnação da vida mental no tempo. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 219

Simbolizemos o estágio da alma, na Terra, através da reencarnação, como sendo valiosa linha de frente, na batalha pelo aperfeiçoamento individual e coletivo, batalha em que o coração deve armar-se de idéias santificantes para conquistar a sublimação de si mesmo, a mais alta vitória. A mente é o soldado em luta. Ganhando denodadamente o combate em que se empenhou, tão logo seja conduzida às aferições da morte sobe verticalmente para a vanguarda, na direção da Esfera Superior, expressando-se-lhe o triunfo por elevação de nível. Entretanto, se fracassa, e semelhante perda é quase sempre a resultante da incúria ou da rebeldia, volta horizontalmente, nos acertos da morte, para a retaguarda, onde se confunde com os desajustados de toda espécie, para indeterminado período de tratamento. Em qualquer frente de luta terrestre, a retaguarda é a faixa atormentada dos neuróticos, dos loucos, dos mutilados, dos feridos e dos enfermos de toda casta.

Ante o interesse com que lhe ouvíamos a exposição, Áulus prosseguiu, depois de ligeira pausa: – Decerto, as legiões vitoriosas não se esquecem dos que permaneceram no desequilíbrio e daí vemos as missões de amor e renúncia, funcionando diligentes onde estacionam a desarmonia e a dor. – E o problema da imobilização da alma? – tornou meu colega, ávido de saber. O interpelado sorriu e considerou: – Em nossa imagem, podemos defini-la com a propriedade possível. É que o tempo, para nós, é sempre aquilo que dele fizermos. Para melhor compreensão do assunto, lembremo-nos de que as horas são invariáveis no relógio, mas não são sempre as mesmas em nossa mente. Quando felizes, não tomamos conhecimento dos minutos. Satisfazendo aos nossos ideais ou interesses mais íntimos, os dias voam céleres, ao passo que, em companhia do sofrimento e da apreensão, temos a idéia de que o tempo está Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 220

inexoravelmente parado. E quando não nos esforçamos por superar a câmara lenta da angústia, a idéia aflitiva ou obcecante nos corrói a vida mental, levando-nos à fixação. Chegados a essa fase, o tempo como que se cristaliza dentro de nós, porque passamos a gravitar, em Espírito, em torno do ponto nevrálgico de nosso desajuste. Qualquer grande perturbação interior, chame-se paixão ou desânimo, crueldade ou vingança, ciúme ou desespero, pode imobilizar-nos por tempo indefinível em suas malhas de sombra, quando nos rebelamos contra o imperativo de marcha incessante com o Sumo Bem. Analisemos ainda o nosso símbolo do combate. O relógio inflexível assinala o mesmo horário para todos, entretanto, o tempo é leve para os que triunfaram e pesado para os que perderam. Com os vencedores, os dias são felicidade e louvor e com os vencidos são amargura e lágrimas.

Quando nós não desvencilhamos dos pensamentos de flagelação e derrota, através do trabalho constante pela nossa renovação e progresso, transformamo-nos em fantasmas de aflição e desalento, mutilados em nossas melhores esperanças ou encafurnados em nossas chagas íntimas. E quando a morte nos surpreende nessas condições, acentuando-se-nos então a experiência subjetiva, se a alma não se dispõe ao esforço heróico da suprema renúncia, com facilidade emaranha-se nos problemas da fixação, atravessando anos e anos, e por vezes séculos na repetição de reminiscências desagradáveis, das quais se nutre e vive. Não se interessando por outro assunto a não ser o da própria dor, da própria ociosidade ou do próprio ódio, a criatura desencarnada, ensimesmando-se, é semelhante ao animal no sono letárgico da hibernação. Isola-se do mundo externo, vibrando tão-somente ao redor do desequilíbrio oculto em que se compraz. Nada mais ouve, nada mais vê e nada mais sente, além da esfera desvairada de si mesma. Revestia-se o assunto de imenso interesse para minhas observações pessoais. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 221

Em multas ocasiões, sondara de perto as consciências que dormitam, após a morte, quais múmias espirituais. E lembrei-as ao Assistente, que nos disse, atencioso: – Sim, a mente estacionária na deserção da Lei, durante o repouso habitual em que se imobiliza, além do túmulo, sofre angustiosos pesadelos, despertando quase sempre em plena alienação, que pode persistir por muito tempo, cultivando apaixonadamente as impressões em que julga encontrar a própria felicidade. – E qual o remédio mais adequado à situação? – inquiri, respeitoso. – Muitas dessas almas desorientadas – comentou o instrutor – por fim se entediam do mal e procuram a regeneração por si mesmas, ao passo que outras, em nossas tarefas de assistência, acordam para as novas responsabilidades que lhes competem no próprio reajuste. São os soldados feridos buscando corresponder às missões de amor que lhes visitam o pouso de restauração. Entendem o impositivo da luta dignificante a que foram chamados e, ajudando aos que os ajudam, regressam ao bom combate, em cujas linhas se acomodam com o serviço que lhes é possível desempenhar.

Outras, porém, recalcitrantes e inconformadas, são docemente constrangidas ao retorno à batalha para que se desvencilhem da prostração a que se recolheram. A experiência no corpo de carne, em posição difícil, é semelhante a um choque de longa duração, em que a alma é convidada a restabelecer-se. Para isso, tomamos o concurso de afeições do interessado que o asilam no templo familiar. – Mas, nesses casos, a reencarnação será compulsória, assim• como um ato de violência? – perguntou Hilário com atenção. – Que fazemos na Terra – disse o Assistente – quando surge um louco em nossa casa? não passamos a assumir a responsabilidade do tratamento? Aguardaremos qualquer resolução do alienado mental, no que tange às medidas indispensáveis à restauração Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 222

do seu equilíbrio? É certo que nos cabe o dever de honrar a consciência livre, capaz de decidir por si mesma nos variados problemas da luta evolutiva, entretanto, à frente do irmão irresponsável e enfermo, a nossa colaboração significa amizade fiel, ainda que essa colaboração expresse doloroso processo de reequilíbrio em seu favor. Após ligeira pausa, continuou: – A reencarnação, em tais circunstâncias, é o mesmo que conduzir o doente inerte a certa máquina de fricção para o necessário despertamento. Intimamente justaposta ao campo celular, a alma é a feliz prisioneira do equipamento físico, no qual influencia o mundo atômico e é por ele influenciada, sofrendo os atritos que lhe objetivam a recuperação. Os significativos apontamentos convidavam-nos a meditar e aprender. Impressionado, considerei: – Em virtude de semelhantes fixações, é que vemos entidades padecendo deplorável amnésia. Quando se comunicam com os irmãos encarnados, não conservam exata lembrança senão dos assuntos em que se lhes encravam as preocupações e, quando permutam impressões conosco, assemelham-se a psicósicos renitentes. – Isso mesmo. Por esse motivo, requerem habitualmente grande carinho em nosso trato pessoal. – E quando encaminhadas à reencarnação, no desajuste em que se vêem, essas criaturas tornam à realidade, de súbito? – perguntei com interesse. – Nem sempre. E imprimindo novo entono à voz, o Assistente continuou: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 223

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.