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Capítulo 11 de 23

Emmanuel — parte 9 de 21

Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Imaginar é criar. E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos receber. Quem apenas mentalize angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma outras imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento? Um viciado entre os santos não lhes reconheceria a pureza, de vez que, em se alimentando das próprias emanações, nada conseguiria enxergar senão as próprias sombras. Quem vive a procurar pedras na estrada, certamente não encontrará apenas calhaus subservientes. Quem se detenha indefinidamente na medição de lama está ameaçado de afogamento no lodo. O viajante fascinado pelos sarçais, à beira do caminho, sofre o risco de enlouquecer entre os espinheiros do mato inculto. Vigiemos o pensamento, purificando-o no trabalho incessante do bem, para que arrojemos de nós a grilheta capaz de acorrentarnos a obscuros processos de vida inferior.

É da forja viva da idéia que saem as asas dos anjos e as algemas dos condenados. Pelo pensamento, escravizamo-nos a troncos de suplício infernal, sentenciando-nos, por vezes, a séculos de peregrinação nos trilhos da dor e da morte. A mediunidade torturada não é senão o enlace de almas comprometidas em aflitivas provações, nos lances do reajuste. E, para abreviar o tormento que flagela de mil modos a consciência reencarnada ou desencarnada, quando nas grades expiató- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 112

rias, é imprescindível atender à renovação mental, único meio de recuperação da harmonia. Satisfazer-se alguém com o rótulo, em matéria religiosa, sem qualquer esforço de sublimação interior, é tão perigoso para a alma quanto deter uma designação honorifica entre os homens com menosprezo pela responsabilidade que ela impõe. Títulos de fé não constituem meras palavras, acobertando-nos deficiências e fraquezas. Expressam deveres de melhoria a que não nos será lícito fugir, sem agravo de obrigações. Em nossos círculos de trabalho, desse modo, não nos bastará o ato de crer e convencer. Ninguém é realmente espírita à altura desse nome, tão-só porque haja conseguido a cura de uma escabiose renitente, com o amparo de entidades amigas, e se decida, por isso, a aceitar a intervenção do Além-Túmulo na sua existência; e ninguém é médium, na elevada conceituação do termo, somente porque se faça órgão de comunicação entre criaturas visíveis e invisíveis.

Para conquistar a posição de trabalho a que nos destinamos, de conformidade com os princípios superiores que nos enaltecem o roteiro, é necessário concretizar-lhes a essência em nossa estrada, por intermédio do testemunho de nossa conversão ao amor santificante. Não bastará, portanto, meditar a grandeza de nosso idealismo superior. É preciso substancializar-lhe a excelsitude em nossas manifestações de cada dia. Os grandes artistas sabem colocar a centelha do gênio numa simples pincelada, num reduzido bloco de mármore ou na mais ingênua composição musical. As almas realmente convertidas ao Cristo lhe refletem a beleza nos mínimos gestos de cada hora, seja na emissão de uma frase curta, na ignorada cooperação em favor Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 113

dos semelhantes ou na renúncia silenciosa que a apreciação terrestre não chega a conhecer. Nossos pensamentos geram nossos atos e nossos atos geram pensamentos nos outros. Inspiremos simpatia e elevação, nobreza e bondade, junto de nós, para que não nos falte amanhã o precioso pão da alegria. Convicção de imortalidade, sem altura de espírito que lhe corresponda, será projeção de luz no deserto. Mediação entre dois planos diferentes, sem elevação de nível moral, é estagnação na inutilidade. O pensamento é tão significativo na mediunidade, quanto o leito é importante para o rio. Ponde as águas puras sobre um leito de lama pútrida e não tereis senão a escura corrente da viciação. Indubitavelmente, divinas mensagens descerão do Céu à Terra. Entretanto, para isso, é imperioso construir canalização adequada. Jesus espera pela formação de mensageiros humanos capazes de projetar no mundo as maravilhas do seu Reino. Para atingir esse aprimoramento ideal é imprescindível que o detentor de faculdades psíquicas não se detenha no simples intercâmbio.

Ser-lhe-á indispensável a consagração de suas forças às mais altas formas de vida, buscando na educação de si mesmo e no serviço desinteressado a favor do próximo o material de pavimentação de sua própria senda. A comunhão com os orientadores do progresso espiritual do mundo, através do livro, nos enriquece de conhecimento, acentuando-nos o valor mental; e a plantação de bondade constante traz consigo a colheita de simpatia, sem a qual o celeiro da existência se reduz a furna de desespero e desânimo. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 114

Não basta ver, ouvir ou incorporar Espíritos desencarnados, para que alguém seja conduzido à respeitabilidade. Irmãos ignorantes ou irresponsáveis enxameiam, como é natural, todos os departamentos da Terra, em vista da posição evolutiva deficitária em que ainda se encontram as coletividades do Planeta e, muita vez, sem qualquer raiz de perversidade propriamente dita, milhares de almas, despidas do envoltório denso, praticam o vampirismo junto dos encarnados invigilantes, simplesmente no intuito de prosseguirem coladas às sensações do campo físico das quais não se sentem com suficiente coragem para se desvencilharem. Toda tarefa, para crescer, exige trabalhadores que se dediquem ao crescimento, à elevação de si mesmos. Isso é demasiado claro em todos os planos da Natureza. Não há frutos na árvore nascente. A madeira não desbastada é incapaz de servir, com eficiência, ao santuário doméstico. A areia movediça não garante a sustentação. Não se faz luz na candeia sem óleo. O carro não transita com êxito onde a picareta ainda não estruturou a estrada conveniente. Como esperardes o pensamento divino, onde o pensamento humano se perde nas mais baixas cogitações da vida?

Que mensageiro do Céu fará fulgir a mensagem celestial em nosso entendimento, quando o espelho de nossa alma jaz denegrido pelos mais inferiores dos interesses? Em vão buscaria a estrela retratar-se na lama de um charco. Amigos, pensemos no bem e executemo-lo. Tudo o que existe dentro da Natureza é a idéia exteriorizada. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 115

O Universo é a projeção da Mente Divina e a Terra, qual a conheceis em seu conteúdo político e social, é produto da Mente Humana. Civilizações e povos, culturas e experiências constituem formas de pensamento, através das quais evolvemos, incessantemente, para esferas mais altas. Atentemos, pois, para a obrigação de auto-aperfeiçoamento. Sem compreensão e sem bondade, irmanar-nos-emos aos filhos desventurados da rebeldia. Sem estudo e sem observação, demorar-nos-emos indefinidamente entre os infortunados expoentes da ignorância. Amor e sabedoria são as asas com que faremos nosso vôo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial. Escalemos o plano superior, instilando pensamentos de sublimação naqueles que nos cercam. A palavra esclarece. O exemplo arrebata. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor. Cristo é a meta de nossa renovação. Regenerando a nossa existência pelos padrões dEle, reestruturaremos a vida íntima daqueles que nos rodeiam. Meus amigos, crede!... O pensamento puro e operante é a força que nos arroja do ódio ao amor, da dor à alegria, da Terra ao Céu... Procuremos a consciência de Jesus para que a nossa consciência lhe retrate a perfeição e a beleza!... Saibamos refletir-lhe a glória e o amor, a fim de que a luz celeste se espelhe sobre as almas, como o esplendor solar se estende sobre o mundo. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 116

Comecemos nosso esforço de soerguimento espiritual desde hoje e, amanhã, teremos avançado consideravelmente no grande caminho!.. Meus amigos, meus irmãos, rogando a Jesus que nos ampare a todos, deixo-vos com um até breve. A voz da médium emudeceu. Sensibilizados, reparamos que, no alto, se apagara o jorro brilhante. Raul Silva, em prece curta, encerrou a reunião. Enlaçamos Clementino às despedidas. – Voltem sempre – convidou-nos gentil. Sim, sim, continuaríamos aprendendo. E, lado a lado com o nosso orientador, retiramo-nos, felizes, como quem sorvera a água viva da paz, na taça da alegria. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 117

Em serviço espiritual Distanciávamo-nos da instituição, quando o marido desencarnado de Dona Celina, cuja presença assinaláramos no decurso da reunião, se aproximou de nós. Demonstrava conhecer nosso orientador, porque estacou ao nosso lado e exclamou: – Meu caro Assistente, por obséquio... Áulus apresentou-nos o novo amigo: É o nosso irmão Abelardo Martins. Foi o esposo de nossa cooperadora Celina e vem-se adaptando aos nossos regimes de ação. Via-se, de pronto, que Abelardo não era uma entidade de escol. As maneiras e a voz traíam-lhe a condição espiritual de criatura ainda profundamente arraigada aos hábitos terrestres. – Meu caro Assistente – continuou, inquieto –, venho rogarlhe auxílio em favor de Libório. O socorro do grupo melhorou-lhe as disposições, mas agora é a mulher que piorou, perseguindo-o... – Conte conosco – aderiu o orientador, de boa-vontade –, contudo, é importante que Celina nos ajude. E, afagando-lhe os ombros, concluiu: – Volte à companheira e, tão logo se desligue Celina do corpo, pela influência do sono, traga-a em sua companhia, a fim de que possamos seguir todos juntos. Aguardá-los-emos no jardim próximo. O interlocutor afastou-se, contente, enquanto penetrávamos enorme praça arborizada. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 118

Detivemo-nos, à espera dos companheiros, e, aproveitando os minutos, Áulus se reportou à solicitação recebida. Abelardo interessava-se por Libério dos Santos, o primeiro comunicante daquela noite, que viramos amparado, por intermédio de Dona Eugênia. E, alongando explicações, informou-nos que o esposo de Dona Celina vagueara por muito tempo, em desespero. Na experiência física, fora um homem temperamental e não se resignara, de imediato, às imposições da morte. Atrabiliário e voluntarioso, desencarnara muito cedo, em razão dos excessos que lhe minaram a força orgânica. Tentou, em vão, obsidiar a esposa, cujo concurso reclamava qual se lhe fora simples serva. Reconhecendo-se incapaz de vampirizá-la, excursionou, alguns anos, no domínio das sombras, entre Espíritos rebelados e irreverentes, até que as orações da companheira, coadjuvadas pela intercessão de muitos amigos, conseguiram demovê-lo. Curvara-se, enfim, à evidência dos fatos. Reconheceu a impropriedade da intemperança mental em que se comprazia e, depois de convenientemente preparado pela assistência do grupo de amigos que acabávamos de deixar, foi admitido numa organização socorrista, em que passou a servir como vigilante de irmãos desequilibrados.

Tão logo o Assistente completou a rápida biografia, Hilário considerou, curioso: – O contacto com Abelardo suscita indagações interessantes... Continuará ele, porventura, em comunhão com a esposa? – Sim – elucidou o orientador –, o amor entre ambos tem profundas raízes no pretérito. – Apesar da diferença em que se exprimem? Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 119

– Por que não? Acaso, o Pai Celestial deixa de amar-nos, não obstante as falhas com que pautamos, ainda, a vida que nos é própria? – Realmente – concordou meu colega, um tanto desapontado –, este argumento é indiscutível. Entretanto, Abelardo religou-se à mulher? – Perfeitamente. Nela encontra valioso incentivo ao trabalho de auto-recuperação em que estagia. – Mas, na posição de Espírito desencarnado, chega a partilhar-lhe o templo doméstico? – Tanto quanto lhe é possível. Por haver descido consideravelmente à indisciplina e à perturbação, ainda sofre as conseqüências desagradáveis do desequilíbrio a que se rendeu e, por esse motivo, o lar terreno, com a ternura da esposa, é o maior paraíso que poderá receber por enquanto. Diariamente se entrega ao serviço árduo, na obra assistencial em favor de companheiros ensandecidos, mas descansa, sempre que oportuno, no jardim familiar, ao lado da companheira. Uma vez por semana, acompanha-lhe o culto íntimo de oração, é-lhe firme associado nas tarefas mediúnicas e, todas as noites em que se sentem favorecidos pelas circunstâncias, consagram-se ambos ao trabalho de auxílio aos doentes. Não foram apenas cônjuges, conforme as disposições da carne.

São infinitamente amigos e Abelardo agora procura aproveitar o tempo, a benefício do seu reajuste, sonhando receber a esposa com novos títulos de elevação, quando Celina for novamente trazida à pátria espiritual. – Isso, porém, é comum? A separação dos casais é apenas imaginária? – Um caso não faz regra – ponderou o Assistente bemhumorado. – Onde não prevalecem as afinidades do sentimento, o matrimônio terrestre é um serviço redentor e nada mais. Na maio- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 120

ria das situações, a morte do corpo somente ratifica uma separação que já existia na experiência vulgar. Nesses casos, o cônjuge que abandona o envoltório físico se retira da prova a que se submeteu, à maneira do devedor que atingiu a paz do resgate. Todavia, quando os laços da alma sobre-pairam às emoções da jornada humana, ainda mesmo que surja o segundo casamento para o cônjuge que se demora no mundo, a comunhão espiritual continua, sublime, em doce e constante permuta de vibrações e pensamentos. Hilário refletiu alguns momentos e conjecturou: – A travessia pelo túmulo impõe efetivamente ao Espírito singulares modificações... Cada viajor em sua estrada, cada coração com seu problema... – Bem-aventurados os que se renovam para o bem! – exclamou Áulus, satisfeito. – O verdadeiro amor é a sublimação em marcha, através da renúncia. Quem não puder ceder, a favor da alegria da criatura amada, sem dúvida saberá querer com entusiasmo e carinho, mas não saberá coroar-se com a glória do amor puro.

Depois da morte, habitualmente aprendemos, no sacrifício dos próprios sonhos, a ciência de amar, não segundo nossos desejos, mas de conformidade com a Lei do Senhor: mães obrigadas a entregar os filhinhos a provas de que necessitam, pais que se vêem compelidos a renovar projetos de proteção à família, esposas constrangidas a entregar os maridos a outras almas irmãs, esposos que são impelidos a aceitar a colaboração das segundas núpcias, no lar de que foram desalojados... Tudo isso encontramos na vizinhança da Terra. A morte é uma intimação ao entendimento fraternal... E quando lhe não aceitamos o desafio, o sofrimento é o nosso quinhão... E, com largo sorriso, ajuntou: – Quando o amor não sabe dividir-se, a felicidade não consegue multiplicar-se. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 121

A conversação prosseguia valiosa e animada, quando Abelardo e Celina chegaram até nós. Vinham reconfortados, felizes. Em companhia da esposa, o novo amigo parecia mais leve e radiante, como se lhe absorvesse a vitalidade e a alegria. Notei que Hilário, pela expressão fisionômica, trazia consigo um novo mundo de indagações a exteriorizar. Contudo, Áulus advertiu: – Sigamos! É necessário agir com presteza. A breve tempo, penetramos nebulosa região, dentro da noite. Os astros desapareceram a nossos olhos. Tive a impressão de que o piche gaseificado era o elemento preponderante naquele ambiente. Em derredor, proliferavam soluços e imprecações, mas a pequenina lâmpada que Abelardo agora empunhava, auxiliando-nos, não nos permitia enxergar senão o trilho estreito que nos cabia percorrer. Findos alguns minutos de marcha, atingimos uma construção mal iluminada, em que vários enfermos se demoravam, sob a assistência de enfermeiros atenciosos. Entramos. Áulus explicou que estávamos ali diante de um hospital de emergência, dos muitos que se estendem nas regiões purgatoriais. Tudo pobreza, necessidade, sofrimento... – Este é o meu templo atual de trabalho – disse-nos Abelardo, orgulhoso de ser ali uma peça importante na máquina de serviço. O irmão Justino, diretor da instituição, veio até nós e cumprimentou-nos. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 122

Pediu escusas por lhe não ser possível acompanhar-nos. A casa jazia repleta de psicopatas desencarnados e não poderia, dessa forma, deter-se naquele momento. Deu-nos, porém, permissão para agir com plena liberdade. A desarmonia era efetivamente tão grande no local que não pude sopitar meu espanto. Como cogitar de reajuste num meio atormentado quanto aquele? O Assistente, contudo, amparou-me, aclarando: – Importa reconhecer que este pouso é um refúgio para desesperados. Segundo a reação que apresentam, são conduzidos, de pronto, a estabelecimentos de recuperação positiva ou regressam às linhas de aflição de que procedem. Aqui apenas atravessam pequeno estágio de recuperação. Alcançáramos o leito simples em que Libério, de olhar esgazeado, se mostrava distante de qualquer interesse pela nossa presença. Enxergava-nos, impassível. Exibia o semblante dos loucos, quando transfigurados por ocultas flagelações. Um dos guardas veio até nós e comunicou a Abelardo que o doente trazido à internação denotava crescente angústia. Áulus auscultou-o, paternalmente, e, em seguida, informou: – O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda.

E’ um caso de perseguição recíproca. Os benefícios recolhidos no grupo estão agora eclipsados pelas sugestões arremessadas de longe. – Temos então aqui – aleguei – um símile perfeito do que verificamos comumente na Terra, nos setores da mediunidade tortu- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 123

rada. Médiuns existem que, aliviados dos vexames que recebem por parte de entidades inferiores, depressa como que lhes reclamam a presença, religando-se a elas automaticamente, embora o nosso mais sadio propósito de libertá-los. – Sim – aprovou o orientador –, enquanto não lhes modificamos as disposições espirituais, favorecendo-lhes a criação de novos pensamentos, jazem no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros. Temem a separação, pelos hábitos cristalizados em que se associam, segundo os princípios da afinidade, e daí surgem os impedimentos para a dupla recuperação que lhes desejamos. O doente fizera-se mais angustiado, mais pálido. Parecia registrar uma tempestade interior, pavorosa e incoercível. – Tudo indica a vizinhança da irmã que se lhe apoderou da mente. Nosso companheiro se revela mais dominado, mais aflito... Mal acabara o orientador de formular o seu prognóstico e a pobre mulher, desligada do corpo físico pela atuação do sono, apareceu à nossa frente, reclamando feroz: – Libório! Libório! por que te ausentaste? Não me abandones! Regressemos para nossa casa!

Atende, atende!... – Que vemos? – exclamou Hilário, intrigado. – Não será esta a criatura que o serviço desta noite pretende isolar das más influências? E porque o orientador respondesse de modo afirmativo, meu colega continuou: – Deus de bondade! mas não está ela interessada no reajustamento da própria saúde? não roga socorro à instituição que freqüenta? Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 124

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.