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Capítulo 14 de 23

Emmanuel — parte 12 de 21

Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

co, sujeita a certa demora entre a requisição e a resposta... Figuremos que o interessado, situado longe, desencarne e permaneça, em Espírito, como acontece em muitas ocasiões, num aposento doméstico ou em algum leito de hospital, embora já liberado do corpo físico... Num caso desses, a resposta dos benfeitores espirituais será fornecida como se fosse dedicada ao encarnado autêntico? – Isso pode ocorrer em várias circunstâncias – acrescentou o Assistente –, de vez que não nos achamos num serviço automático ou milagroso. Agimos com espírito de cooperação e boa-vontade, dependendo o êxito do auxílio mútuo, porque uma só peça não solucionará os problemas da máquina inteira. Funcionários que recolhem anotações reclamam o concurso eficiente daqueles que as transmitem.

Muita vez, a longa distância, a criatura em sofrimento é mostrada aos que se propõem socorrê-la e os samaritanos da fraternidade, em virtude do número habitualmente enorme dos aflitos, com a obrigação de ajudar, de improviso, não podem, de momento, ajuizar se estão recebendo informes acerca de um encarnado ou de um desencarnado, mormente quando não se acham laureados por vastíssima experiência. Em certas situações, os necessitados exigem auxílio intensivo em pequenina fração de minuto. Assim sendo, qualquer equívoco desse jaez é perfeitamente admissível. – Mas, isso – tornou Hilário – não seria perturbar o serviço da fé? Se fossemos nós, os encarnados, não julgaríamos tal acontecimento como sendo inútil resposta enviada a um morto? – Não, Hilário, não podemos situar a questão nestes termos. Quem busca sinceramente a fé, encontra o prêmio da compreensão clara e pacífica das coisas, sem prejudicar-se diante de contradições superficiais e aparentes. Nesse ponto do diálogo, o Assistente meditou um instante e observou: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 149

– Mas se os consulentes são exemplares de leviandade e máfé, abeirando-se do trabalho mediúnico no propósito deliberado de estabelecer a descrença e a secura espiritual, semelhantes resultados, quando se verificam, servem para eles como justa colheita dos espinhos que plantam, de vez que abusam da generosidade e da paciência dos Espíritos amigos e recolhem para si mesmos a negação e a tortura mental. Quem procura a fonte límpida, arremessando-lhe lodo à face, não pode, em seguida, obter a água pura. Hilário, satisfeito, silenciou. E porque dois médiuns de cura passassem a socorrer doentes em sala próxima, enquanto Dona Ambrosina e os oradores cumpriam seus edificantes deveres, procuramos o serviço de passes magnéticos, à cata de novos conhecimentos. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 150

Serviço de passes Atravessamos a porta e fomos defrontados por ambiente balsâmico e luminoso. Um cavalheiro maduro e uma senhora respeitável recolhiam apontamentos em pequeno livro de notas, ladeados por entidades evidentemente vinculadas aos serviços de cura. Indicando os dois médiuns, o Assistente informou: – São os nossos irmãos Clara e Henrique, em tarefa de assistência, orientados pelos amigos que os dirigem. – Como compreender a atmosfera radiante em que nos banhamos? – aventurou Hilário, curioso. – Nesta sala – explicou Áulus, amigavelmente – se reúnem sublimadas emanações mentais da maioria de quantos se valem do socorro magnético, tomados de amor e confiança. Aqui possuímos uma espécie de altar interior, formado pelos pensamentos, preces e aspirações de quantos nos procuram trazendo o melhor de si mesmos. Não dispúnhamos, todavia, de muito tempo para a conversação isolada. Clara e Henrique, agora em prece, nimbavam-se de luz. Dir-se-ia estavam quase desligados do corpo denso, porque se mostravam espiritualmente mais livres, em pleno contacto com os benfeitores presentes, embora por si mesmos não no pudessem avaliar. Calmos e seguros, pareciam haurir forças revigorantes na intimidade de suas almas. Guardavam a idéia de que a oração lhes Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 151

mantinha o espírito em comunicação com invisível e profundo manancial de energia silenciosa. Ante a porta ainda cerrada, acotovelavam-se pessoas aflitas e bulhentas, esperando o término da preparação a que se confiavam. Os dois médiuns, porém, afiguravam-se-nos espiritualmente distantes. Absortos, em companhia das entidades irmãs, registravamlhes as instruções, através dos recursos intuitivos. Pelas irradiações da personalidade magnética de Henrique, reconhecia-se-lhe, de imediato, a superioridade sobre a companheira. Era ele, dentre os dois, o ponto dominante. Por isso, decerto, ao seu lado se achava o orientador espiritual mais categorizado para a tarefa. Áulus abraçou-o e no-lo apresentou, gentil. O irmão Conrado, nosso novo amigo, enlaçou-nos acolhedor. Anunciou que o serviço estaria à nossa disposição para os apontamentos que desejássemos. E o nosso instrutor, colocando-nos à vontade, autorizou-nos dirigir a Conrado qualquer indagação que nos ocorresse. Hilário, que nunca sopitava a própria espontaneidade, começou, como de hábito, a inquirição, perguntando respeitosamente: – O amigo permanece freqüentemente aqui? – Sim, tomamos sob nossa responsabilidade os serviços assistenciais da instituição, em favor dos doentes, duas noites por semana. – Dos enfermos tão-somente encarnados? – Não é bem assim. Atendemos aos necessitados de qualquer procedência. – Conta com muitos cooperadores? Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 152

– Integramos um quadro de auxiliares, de acordo com a organização estabelecida pelos mentores da Esfera Superior. – Quer dizer que, numa casa como esta, há colaboradores espirituais devidamente fichados, assim como ocorre a médicos e enfermeiros num hospital terrestre comum? – Perfeitamente. Tanto entre os homens como entre nós, que ainda nos achamos longe da perfeição espiritual, o êxito do trabalho reclama experiência, horário, segurança e responsabilidade do servidor fiel aos compromissos assumidos. A Lei não pode menosprezar as linhas da lógica. – E os médiuns? são invariavelmente os mesmos? – Sim, contudo, em casos de impedimento justo, podem ser substituídos, embora nessas circunstâncias se verifiquem, inevitavelmente, pequenos prejuízos resultantes de natural desajuste. Meu colega passeou o olhar inquieto pelos dois companheiros encarnados, em oração, e continuou: – Preparam-se nossos amigos, à frente do trabalho, com o auxílio da prece? – Sem dúvida. A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai.

Por ela, Clara e Henrique expulsam do próprio mundo interior os sombrios remanescentes da atividade comum que trazem do círculo diário de luta e sorvem do nosso plano as substâncias renovadoras de que se repletam, a fim de conseguirem operar com eficiência, a favor do próximo. Desse modo, ajudam e acabam por ser firmemente ajudados. – Isso significa que não precisam recear a sua exaustão... – De modo algum. Tanto quanto nós, não comparecem aqui com a pretensão de serem os senhores do benefício, mas sim na condição de beneficiários que recebem para dar. A oração, com o reconhecimento de nossa desvalia, coloca-nos na posição de Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 153

simples elos de uma cadeia de socorro, cuja orientação reside no Alto. Somos nós aqui, neste recinto consagrado à missão evangélica, sob a inspiração de Jesus, algo semelhante à singela tomada elétrica, dando passagem à força que não nos pertence e que servirá na produção de energia e luz. A explicação não podia ser mais clara. E enquanto Hilário sorria satisfeito, Conrado afagou os ombros de Henrique, como a recordar-lhe o horário estabelecido, e o médium, apesar de não lhe assinalar o gesto no campo das sensações físicas, obedeceu, de pronto, encaminhando-se para a porta e descerrando-a aos sofredores. Pequena multidão de encarnados e desencarnados aglomerouse à entrada, todavia, companheiros da casa controlavam-lhes os movimentos. Conrado entregou-se ao trabalho que lhe competia e, em razão disso, tornamos à intimidade do Assistente. Ambos os médiuns atacaram a tarefa. Enfermos de variada expressão entravam esperançosos e retiravam-se, depois de atendidos, com evidentes sinais de reconforto. Das mãos de Clara e Henrique irradiavam-se luminosas chispas, comunicando-lhes vigor e refazimento. Na maioria dos casos, não precisavam tocar o corpo dos pacientes, de modo direto.

Os recursos magnéticos, aplicados a reduzida distância, penetravam assim mesmo o “halo vital” ou a aura dos doentes, provocando modificações subitâneas. Os passistas afiguravam-se-nos como duas pilhas humanas deitando raios de espécie múltipla, a lhes fluírem das mãos, depois de lhes percorrerem a cabeça, ao contacto do irmão Conrado e de seus colaboradores. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 154

O quadro era efetivamente fascinador pelos jogos de luz que apresentava. Hilário sondou o ambiente e, em seguida, indagou de nosso orientador: – Por que motivo a energia transmitida pelos amigos espirituais circula primeiramente na cabeça dos médiuns? – Ainda aqui – disse Áulus –, não podemos subestimar a importância da mente. O pensamento influi de maneira decisiva, na doação de princípios curadores. Sem a idéia iluminada pela fé e pela boa-vontade, o médium não conseguiria ligação com os Espíritos amigos que atuam sobre essas bases. – Entretanto – ponderei –, há pessoas tão bem dotadas de força magnética perfeitamente despreocupadas do elemento moral!... – Sim – redargüiu o Assistente –, refere-se você aos hipnotizadores comuns, muita vez portadores de energia excepcional. Fazem belas demonstrações, impressionam, convencem, contudo, movimentam-se na esfera de puro fenômeno, sem aplicações edificantes no campo da espiritualidade.

É imperioso não esquecer, André, que o potencial magnético é peculiar a todos, com expressões que se graduam ao infinito. – Mas semelhantes profissionais podem igualmente curar! – frisou meu companheiro, completando-me as observações. – Sim, podem curar, mas acidentalmente, quando o enfermo é credor de assistência espiritual imediata, com a intervenção de amigos que o favorecem. Fora disso, os que abusam dessa fonte de energia, explorando-a ao seu bel-prazer, quase sempre resvalam para a desmoralização de si mesmos, porque interferindo num campo de forças que lhes é desconhecido, guiados tão-somente pela vaidade ou pela ambição inferior, fatalmente encontram entidades que com eles se afinam, precipitando-se em difíceis situações que não vêm à baila comentar. Se não possuem um Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 155

caráter elevado, suscetível de opor um dique à influenciação viciosa, acabam vampirizados por energias mais acentuadas que as deles, porquanto, se considerarmos o assunto apenas sob o ponto de vista da força, somos constrangidos a reconhecer que há imenso número de vigorosos hipnotizadores espirituais, nas linhas atormentadas da ignorância e da crueldade, de onde se originam os mais aflitivos processos de obsessão. E, sorrindo, acrescentou: – Recordemos a Natureza. A serpente é um dos maiores detentores de poder hipnótico. – Então – disse Hilário –, para curar, serão indispensáveis certas atitudes do espírito... – Indiscutivelmente não prescindimos do coração nobre e da mente pura, no exercício do amor, da humildade e da fé viva, para que os raios do poder divino encontrem acesso e passagem por nós, a benefício dos outros. Para a sustentação de um serviço metódico de cura, isso é indispensável. – Entretanto, para o esforço desse tipo precisaremos de pessoas escolhidas, com a obrigação de efetuarem estudos especiais? – Importa ponderar – disse Áulus, convicto – que em qualquer setor de trabalho a ausência de estudo significa estagnação.

Esse ou aquele cooperador que desistam de aprender, incorporando novos conhecimentos, condenam-se fatalmente às atividades de subnível, todavia, em se tratando do socorro magnético, tal qual é administrado aqui, convém lembrar que a tarefa é de solidariedade pura, com ardente desejo de ajudar, sob a invocação da prece. E toda oração, filha da sinceridade e do dever bem cumprido, com respeitabilidade moral e limpeza de sentimentos, permanece tocada de incomensurável poder. Analisada a questão nestes termos, todas as pessoas dignas e fervorosas, com o auxílio da prece, podem conquistar a simpatia de veneráveis magnetizadores Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 156

do Plano Espiritual, que passam, assim, a mobilizá-las na extensão do bem. Não nos achamos à frente do hipnotismo espetacular, mas sim num gabinete de cura, em que os médiuns transmitem os benefícios que recolhem, sem a presunção de doá-los de si mesmos. É importante não esquecer essa verdade para deixarmos bem claro que, onde surjam a humildade e o amor, o amparo divino é seguro e imediato. O ministério da cura, porém, a desdobrar-se eficiente e pacífico, reclamava-nos atenção. Os doentes entravam dois a dois, sendo carinhosamente atendidos por Clara e Henrique, sob a providencial assistência de Conrado e seus colaboradores. Obsidiados ganhavam ingresso no recinto, acompanhados de frios verdugos, no entanto, com o toque dos médiuns sobre a região cortical, depressa se desligavam, postando-se, porém, nas vizinhanças, como que à espera das vítimas, com a maioria das quais se reacomodavam, de pronto. Alinhando apontamentos, começamos a reparar que alguns enfermos não alcançavam a mais leve melhoria. As irradiações magnéticas não lhes penetravam o veículo orgânico.

Registrando o fenômeno, a pergunta de Hilário não se fez esperar. – Por quê? – Falta-lhes o estado de confiança – esclareceu o orientador. – Será, então, indispensável a fé para que registrem o socorro de que necessitam? – Ah! sim. Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vanta- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 157

gens espirituais, é imprescindível que o candidato apresente uma certa “tensão favorável”. Essa tensão decorre da fé. Certo, não nos reportamos ao fanatismo religioso ou à cegueira da ignorância, mas sim à atitude de segurança íntima, com reverência e submissão, diante das Leis Divinas, em cuja sabedoria e amor procuramos arrimo. Sem recolhimento e respeito na receptividade, não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam em nosso favor, porque o escárnio e a dureza de coração podem ser comparados a espessas camadas do gelo sobre o templo da alma. A lição fora simples e bela. Hilário calou-se, talvez para refletir sobre ela, em silêncio. Sem descurar dos nossos objetivos de estudo, Áulus considerou a conveniência de nosso contacto direto com o serviço em ação. Seria interessante para nós a auscultação de algum dos casos em foco. Para isso, aproximou-se de idosa matrona que acabava de entrar, à cata de auxilio e, com permissão de Conrado, convidou-nos a examiná-la com cuidado possível.

A senhora, aguardando o concurso de Clara, sustentava-se dificilmente de pé, com o ventre volumoso e o semblante dolorido. – Observem o fígado! Utilizamo-nos dos recursos ao nosso alcance passamos a analisar. Realmente, o órgão mencionado demonstrava a dilatação característica das pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca. As células hepáticas pareceram-me vasta colméia, trabalhando sob enorme perturbação. A vesícula congestionada impeliu-me a imediata inspeção do intestino. A bile comprimida atingira os vasos e assaltava o sangue. O colédoco interdito facilitava o diagnóstico. Ligeiro exame da conjuntiva ocular confirmava-me a impressão. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 158

A icterícia mostrava-se insofismável. Após ouvir-me, Conrado reafirmou: – Sim, é uma icterícia complicada. Nasceu de terrível acesso de cólera, em que nossa amiga se envolveu no reduto doméstico. Rendendo-se, desarvorada, à irritação, adquiriu renitente hepatite, da qual a icterícia é a conseqüência. – E como será socorrida? Conrado, impondo a destra sobre a fronte da médium, comunicou-lhe radiosa corrente de forças e inspirou-a a movimentar as mãos sobre a doente, desde a cabeça até o fígado enfermo. Notamos que o córtex encefálico se revestiu de substância luminosa que, descendo em fios tenuíssimos, alcançou o campo visceral. A senhora exibiu inequívoca expressão de alívio, na expressão fisionômica, retirando-se visivelmente satisfeita, depois de prometer que voltaria ao tratamento. Hilário fixou os olhos interrogadores no Assistente que nos acompanhava, solícito, e indagou: – Nossa irmã estará curada? – Isso é impossível – acentuou Áulus, paternal –; temos aí órgãos e vasos comprometidos. O tempo não pode ser desprezado na solução. – E em que bases se articula semelhante processo de curar? – O passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular.

Vocês sabem que na própria ciência humana de hoje o átomo não é mais o tijolo indivisível da matéria... que, antes dele, encontram-se as linhas de força, aglutinando os princípios subatômicos, e que, antes desses princípios, surge a vida mental determinante... Tudo é espírito no santuário da Natureza. Renovemos o pensamento e tudo se modificará conosco. Na assistência Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 159

magnética, os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura necessitada para que ela ajude a si mesma. A mente reanimada reergue as vidas microscópicas que a servem, no templo do corpo, edificando valiosas reconstruções. O passe, como reconhecemos, é importante contribuição para quem saiba recebê-lo, com o respeito e a confiança que o valorizam. – E pode, acaso, ser dispensado a distância? – Sim, desde que haja sintonia entre aquele que o administra e aquele que o recebe. Nesse caso, diversos companheiros espirituais se ajustam no trabalho do auxílio, favorecendo a realização, e a prece silenciosa será o melhor veículo da força curadora. O serviço, em torno, prosseguia intenso. Áulus considerou que a nossa presença talvez sobrecarregasse as preocupações de Conrado, e que não seria lícito permanecer junto dele por mais tempo, já que havíamos recolhido os apontamentos rápidos que nos propúnhamos obter e, à vista disso, despedimo-nos do supervisor, buscando o salão central para a continuidade de nossas abençoadas lições. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 160

Apontamentos à margem Dona Ambrosina continuava psicografando várias mensagens, endereçadas aos presentes. E um dos oradores, sob a influência de benigno mentor da Espiritualidade, salientava a necessidade de conformação com as Leis Divinas para que a nossa vida mental se refaça, fazendo jus a bênçãos renovadoras. Alguns encarnados jaziam impermeáveis e sonolentos, vampirizados por obsessores caprichosos que os acompanhavam de perto, entretanto, muitos desencarnados de mediana compreensão ouviam, solícitos, e sinceramente aplicados ao ensino consolador. Gabriel, de olhos percucientes e lúcidos, a tudo presidia com firmeza. Nenhuma ocorrência, por mínima que fosse, lhe escapava à percepção. Aqui, a um leve sinal seu, entidades escarnecedoras eram exortadas à renovação de atitude, ali, socorriam-se doentes que ele indicava com silencioso gesto de recomendação. Era o pulso de comando, forte e seguro, sustentando a harmonia e a ordem, na exaltação do trabalho. Contemplamos a mesa enorme em que a direção se processava com equilíbrio irrepreensível e, fitando a médium, rodeada de apetrechos do serviço, em atividade constante, Hilário perguntou ao nosso orientador: – Por que tantas mensagens pessoais dos Espíritos amigos? – São respostas reconfortantes a companheiros que lhes solicitam assistência e consolo. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 161

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.