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Capítulo 4 de 23

Emmanuel — parte 2 de 21

Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

pelos vastos círculos radiantes que lhes nimbavam as cabeças de opalino esplendor. Tive a impressão de fixar, em torno do apagado bloco de massa semi-obscura a que se reduzira a mesa, uma coroa de luz solar, formada por dez pontos característicos, salientando-se no centro de cada um deles o semblante espiritual dos amigos em oração. Desse colar de focos dourados alongava-se extensa faixa de luz violeta, que parecia contida numa outra faixa de luz alaranjada, a espraiar-se em tonalidades diversas que, de momento, não pude identificar, de vez que a minha atenção estava presa ao circulo dos rostos fulgurantes, visivelmente unidos entre si, à maneira de dez pequeninos sóis, imanados uns aos outros. Reparei que sobre cada um deles se ostentava uma auréola de raios quase verticais, fulgentes e móveis, quais se fossem diminutas antenas de ouro fumegante.

Sobre essas coroas que se particularizavam, de companheiro a companheiro, caíam do Alto abundantes jorros de luminosidade estelar que, tocando as cabeças ali irmanadas, pareciam suaves correntes de força a se transformarem em pétalas microscópicas, que se acendiam e apagavam, em miríades de formas delicadas e caprichosas, gravitando, por momentos, ao redor dos cérebros em que se produziam, quais satélites de vida breve, em torno das fontes vitais que lhes davam origem. Custodiando a assembléia, permaneciam os mentores espirituais presentes, cada qual irradiando a luz que lhe era própria. Admirado, porém, com os irmãos da esfera física, a se revelarem tão afins, na onda brilhante em que se reuniam, perguntei, entusiástico: – Áulus amigo, os companheiros que visitamos são, porventura, grandes iniciados na revelação divina? Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 23

O interpelado estampou um gesto de bom-humor e respondeu: – Não. Achamo-nos ainda muito longe de semelhantes apóstolos. Vemo-nos aqui na companhia de quatro irmãs e seis irmãos de boa-vontade. Naturalmente, são pessoas comuns. Comem, bebem, vestem-se e apresentam-se na Terra sob o aspecto vulgar de outras criaturas do ramerrão carnal; no entanto, trazem a mente voltada para os ideais superiores da fé ativa, a expressar-se em amor pelos semelhantes. Procuram disciplinar-se, exercitam a renúncia, cultivam a bondade constante e, por intermédio do esforço próprio no bem e no estudo nobremente conduzido, adquiriram elevado teor de radiação mental. Hilário, que utilizara o psicoscópio em primeiro lugar, alegou com o deslumbramento de uma criança espantada: – Mas, e a luz? a matéria que conhecemos no mundo transfigurou-se. Tudo aqui se converteu em claridade nova! o espetáculo é magnífico!... – Nada de estranheza – falou o Assistente, bondoso –, não sabe você que um homem encarnado é um gerador de força eletromagnética, com uma oscilação por segundo, registrada pelo coração?

Ignora, porventura, que todas as substâncias vivas da Terra emitem energias, enquadradas nos domínios das radiações ultravioletas? Em nos reportando aos nossos companheiros, possuímos neles almas regularmente evolutidas, em apreciáveis condições vibratórias pela sincera devoção ao bem, com esquecimento dos seus próprios desejos. Podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superiores e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns. – Raios vitais? – redargüiu meu colega, faminto de esclarecimento. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 24

– Sim, para maior limpidez da definição, chamemos-lhes raios ectoplásmicos, unindo nossos apontamentos à nomenclatura dos espiritistas modernos. Esses raios são peculiares a todos os seres vivos. E’ com eles que a lagarta realiza suas complicadas demonstrações de metamorfose e é ainda na base deles que se efetuam todos os processos de materialização mediúnica, porquanto os sensitivos encarnados que os favorecem libertam essas energias com mais facilidade. Todas as criaturas, porém, guardam-nas consigo, emitindo-as em freqüência que varia em cada uma, de conformidade com as tarefas que o Plano da Vida lhes assinala. E, otimista, acrescentou: – O estudo da mediunidade repousa nos alicerces da mente com o seu prodigioso campo de radiações. A ciência dos raios imprimirá, em breve, grande renovação aos setores culturais do mundo. Aguardemos o porvir. Em seguida, Áulus convidou-nos a inspeção mais direta e acompanhamo-lo, alegremente. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 25

Equipagem mediúnica – Conheçamos a nossa equipagem mediúnica – disse o orientador. E, detendo-se ao pé do companheiro encarnado que regia os trabalhos, apresentou: – Este é o nosso irmão Raul Silva, que dirige o núcleo com sincera devoção à fraternidade. Correto no desempenho dos seus deveres e ardoroso na fé, consegue equilibrar o grupo na onda de compreensão e boa-vontade que lhe é característica. Pelo amor com que se desincumbe da tarefa, é instrumento fiel dos benfeitores desencarnados, que lhe identificam na mente um espelho cristalino, retratando-lhes as instruções. Logo após, caminhou na direção de uma senhora muito jovem e, designando-a, explicou: – Eis nossa irmã Eugênia, médium de grande docilidade, que promete brilhante futuro na expansão do bem. Excelente órgão de transmissão, coopera com eficiência na ajuda aos desencarnados em desequilíbrio. Intuição clara, aliada a distinção moral, tem a vantagem de conservar-se consciente, nos serviços de intercâmbio, beneficiando-nos a ação. Quase rente, parou à esquerda de um rapaz de seus trinta anos presumíveis e informou: – Aqui temos nosso amigo Anélio Araújo. Vem conquistando gradativo progresso na clarividência, na clariaudiência e na psicografia. Em seguida, abeirou-se de um cavalheiro simpático e notificou: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 26

– Este é o nosso colaborador Antônio Castro, moço bemintencionado e senhor de valiosas possibilidades em nossas atividades de permuta. Sonâmbulo, no entanto, é de uma passividade que nos requer grande vigilância. Desdobra-se com facilidade, levando a efeito preciosas tarefas de cooperação conosco, mas ainda necessita de maiores estudos e mais amplas experiências para expressar-se com segurança, acerca das próprias observações. Por vezes, comporta-se, fora da matéria densa, à maneira de uma criança, comprometendo-nos a ação. Quando empresta o veículo a entidades dementes ou sofredoras, reclama-nos cautela, porquanto quase sempre deixa o corpo à mercê dos comunicantes, quando lhe compete o dever de ajudar-nos na contenção deles, a fim de que o nosso tentame de fraternidade não lhe traga prejuízo à organização física. Será, porém, valioso auxiliar em nossos estudos. Movimentando-se algo mais, o Assistente estacou diante de respeitável senhora, que se mantinha em fervorosa prece, e exclamou: – Apresento-lhes agora nossa irmã Celina, devotada companheira de nosso ministério espiritual. já atravessou meio século de existência física, conquistando significativas vitórias em suas batalhas morais.

Viúva, há quase vinte anos, dedicou-se aos filhos, com admirável denodo, varando estradas espinhosas e dias escuros de renunciação. Suportou heroicamente o assédio de compactas legiões de ignorância e miséria que lhe rodeavam o esposo, com quem se consorciara em tarefa de sacrifício. Conheceu, de perto, a perseguição de gênios infernais a que não se rendeu e, lutando, por muitos anos, para atender de modo irrepreensível às obrigações que o mundo lhe assinalava, acrisolou as faculdades medianímicas, aperfeiçoando-as nas chamas do sofrimento moral, como se aprimoram as peças de ferro sob a ação do fogo e da bigorna. Ela não é simples instrumento de fenômenos Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 27

psíquicos. É abnegada servidora na construção de valores do espírito. A clarividência e a clariaudiência, a incorporação sonambúlica e o desdobramento da personalidade são estados em que ingressa, na mesma espontaneidade com que respira, guardando noção de suas responsabilidades e representando, por isso, valiosa colaboradora de nossas realizações. Diligente e humilde, encontrou na plantação do amor fraterno a sua maior alegria e, repartindo o tempo entre as obrigações e os estudos edificantes, transformou-se num acumulador espiritual de energias benéficas, assimilando elevadas correntes mentais, com o que se faz menos acessível às forças da sombra. Realmente, ao lado da irmã sob nossa vista, fruíamos deliciosa sensação de paz e reconforto. Provavelmente fascinado pela onda de alegria Indefinível em que nos banhávamos, Hilário indagou: – Se extraíssemos agora uma ficha psicoscópica de dona Celina, a posição dela, como a estamos registrando, seria devidamente caracterizada? – Perfeitamente – elucidou Áulus, de pronto –; assinalar-lheia as emanações fluídicas de bondade e compreensão, fé e bom ânimo.

Assim como a Ciência na Terra consegue catalogar os elementos químicos que entram nas formações de matéria densa, em nosso campo de matéria rarefeita é possível analisar o tipo de forças sutis que dimanam de cada ser. Mais tarde, o homem poderá examinar uma emissão de otimismo ou de confiança, de tristeza ou desesperação e fixar-lhes a densidade e os limites, como já pode separar e estudar as radiações do átomo de urânio, Os princípios mentais são mensuráveis e merecerão no porvir excepcionais atenções, entre os homens, qual acontece na atualidade com os fotônios, estudados pelos cientistas que se empenham em decifrar a constituição específica da luz. Depois de ligeiro intervalo, o Assistente aduziu: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 28

– Uma ficha psicoscópica, sobretudo, determina a natureza de nossos pensamentos e, através de semelhante auscultação, é fácil ajuizar dos nossos méritos ou das nossas necessidades. Logo após, nosso orientador convocou-nos a exame detido, junto ao campo encefálico da irmã Celina, acentuando: – Em todos os processos medianímicos, não podemos esquecer a máquina cerebral como órgão de manifestação da mente. Decerto, já possuem conhecimentos adequados em torno do aparelhamento orgânico, dispensando-nos a atenção em particularidades técnicas sobre o vaso carnal. E afagando-lhe a cabeça pintalgada de cabelos brancos, acrescentou: – Bastar-nos-á sucinto exame da vida intracraniana, onde estão assentadas as chaves de comunicação entre o mundo mental e o mundo físico.

Centralizando a atenção, através de pequenina lente que Áulus nos estendeu, o cérebro de nossa amiga pareceu-nos poderosa estação radiofônica, reunindo milhares de antenas e condutos, resistências e ligações de tamanho microscópico, à disposição das células especializadas em serviços diversos, a funcionarem como detectores e estimulantes, transformadores e ampliadores da sensação e da idéia, cujas vibrações fulguravam aí dentro como raios incessantes, iluminando um firmamento minúsculo. O Assistente observou conosco aquele precioso labirinto, em que a epífise brilhava como pequenino sol azul, e falou: – Não nos convém relacionar minudências relativas ao cérebro e ao sistema nervoso em geral, com as quais se encontram vocês familiarizados nos conhecimentos humanos comuns. Nesse instante, reparei admirado os feixes de associação entre as células corticais, vibrando com a passagem do fluxo magnético do pensamento. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 29

– Recordemos – prosseguiu o instrutor – que o delicado aparelho encefálico reúne milhões de células, que desempenham funções particulares, quais sejam as dos trabalhadores em fila hierárquica, na harmoniosa estrutura de um Estado. E, enumerando determinadas regiões, trecho a trecho, daquele prodigioso reino pensante, declarou: – Não precisaremos alongar digressões. As experiências adquiridas pela alma constituem maravilhosas sínteses de percepção e sensibilidade, na condição de Espíritos libertos em que nos encontramos, mas especificam-se no equipamento de matéria densa como núcleos de controle das manifestações da individualidade, perfeitamente analisáveis. É assim que a alma encarnada possui no cérebro físico os centros especiais que governam a cabeça, o rosto, os olhos, os ouvidos e os membros, em conjunto com os centros da fala, da linguagem, da visão, da audição, da memória, da escrita, do paladar, da deglutição, do tato, do olfato, do registro de calor e frio, da dor, do equilíbrio muscular, da comunhão com os valores internos da mente, da ligação com o mundo exterior, da imaginação, do gosto estético, dos variados estímulos artísticos e tantos outros quantas sejam as aquisições de experiência entesouradas pelo ser, que conquista a própria individualidade, passo a passo e esforço a esforço, enaltecendo-a pelo trabalho constante para a sublimação integral, à face de todas as vias de progresso e aprimoramento que a Terra lhe possa oferecer.

Breve pausa surgiu espontânea. E porque Hilário e eu não ousássemos interferir, o Assistente continuou: – Não podemos realizar qualquer estudo de faculdades medianímicas, sem o estudo da personalidade. Considero, assim, de extrema importância a apreciação dos centros cerebrais, que representam bases de operação do pensamento e da vontade, que influem de modo compreensível em todos os fenômenos mediúni- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 30

cos, desde a intuição pura à materialização objetiva. Esses recursos, que merecem a defesa e o auxílio das entidades sábias e benevolentes, em suas tarefas de amor e sacrifício junto dos homens, quando os medianeiros se sustentam no ideal superior da bondade e do serviço ao próximo, em muitas ocasiões podem ser ocupados por entidades inferiores ou animalizadas, em lastimáveis processos de obsessão. – Mas – interpôs Hilário, judicioso –, diante de um campo cerebral tão iluminado quanto o de nossa irmã Celina, será lícito aceitar a possibilidade de invasão dele por parte de Inteligências menos evolvidas? Será cabível semelhante retrocesso? – Não podemos olvidar – considerou o Assistente – que Celina se encontra encarnada numa prova de longo curso e que, nos encargos de aprendiz, ainda se encontra muito longe de terminar a lição. Meditou um momento e filosofou bem-humorado: – Numa viagem de cem léguas podem ocorrer muitas surpresas no derradeiro quilômetro do caminho. Logo após, colocando a destra paternal sobre a fronte da médium, prosseguiu: – Nossa irmã vem atravessando os seus testemunhos de boavontade, fé viva, caridade e paciência.

Tanto quanto nós, ainda não possui plena quitação com o passado. Somos vasta legião de combatentes em vias de vencer os inimigos que nos povoam a fortaleza íntima ou o mundo de nós mesmos, inimigos simbolizados em nossos velhos hábitos de convívio com a natureza inferior, a nos colocarem em sintonia com os habitantes das sombras, evidentemente perigosos ao nosso equilíbrio. Se nossa amiga Celina, quanto qualquer de nós, abandonar a disciplina a que somos constrangidos para manter a boa forma na recepção da luz, rendendo-se às sugestões da vaidade ou do desânimo, que costu- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 31

mamos fantasiar como sendo direitos adquiridos ou injustificável desencanto, decerto sofrerá o assédio de elementos destrutivos que lhe perturbarão a nobre experiência atual de subida. Muitos médiuns se arrojam a prejuízos dessa ordem. Depois de ensaios promissores e começo brilhante, acreditam-se donos de recursos espirituais que lhes não pertencem ou temem as aflições prolongadas da marcha e recolhem-se à inutilidade, descendo de nível moral ou conchegando-se a improdutivo repouso, porquanto retomam inevitavelmente a cultura dos impulsos primitivos que o trabalho incessante no bem os induziria a olvidar. E sorrindo: – Ainda não chegamos à vitória suprema sobre nós mesmos. Achamo-nos na condição do solo terrestre, que não prescinde do arado protetor ou da enxada prestimosa, a fim de produzir. Sem os instrumentos do trabalho e da luta, aperfeiçoando-nos as possibilidades, estaríamos permanentemente ameaçados pela erva daninha que mais se alastra e se afirma, tanto quanto melhor é a qualidade do trato de terra em abandono.

Fitando-nos, de frente, como a recordar o peso das responsabilidades de que nos investíamos, completou: – Nossas realizações espirituais do presente são pequeninas réstias de claridade sobre as pirâmides de sombra do nosso passado. É imprescindível muita cautela com as sementeiras do bem para que a ventania do mal não as arrase. É por isso que a tarefa mediúnica, examinada como instrumentação para a obra das Inteligências superiores, não é tão fácil de ser conduzida a bom termo, de vez que, contra o canal ainda frágil que se oferece à passagem da luz, acometem as ondas pesadas de treva da ignorância, a se agitarem, compactas, ao nosso derredor. Calou-se o Assistente. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 32

Dir-se-ia que ele também agora se ligava ao campo magnético dos amigos em silêncio, para o trabalho da reunião prestes a começar. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 33

Ante o serviço Leve chamamento à porta provocou a saída de um dos companheiros da atitude de meditação, para atender. Dois enfermos, uma senhora jovem e um cavalheiro idoso, custodiados por dois familiares, transpuseram o umbral, localizando-se num dos ângulos da sala, fora do círculo magnético. – São doentes a serem beneficiados – informou-nos o orientador. Logo após, um colaborador de nosso plano franqueou acesso a numerosas entidades sofredoras e perturbadas, que se postaram, diante da assembléia, formando legião. Nenhuma delas vinha até nós, constrangidamente. Dir-se-ia que se aglomeravam, em derredor dos amigos encarnados em prece, quais mariposas Inconscientes, rodeando grande luz.. Vinham bulhentas, proferindo frases desconexas ou exclamações menos edificantes, entretanto, logo que atingidas pelas emanações espirituais do grupo, emudeciam de pronto, qual se fossem contidas por forças que elas próprias não conseguiam perceber. Atencioso, Áulus notificou: – São almas em turvação mental, que acompanham parentes, amigos ou desafetos às reuniões públicas da Instituição, e que se desligam deles quando os encarnados se deixam renovar pelas idéias salvadoras, expressas na palavra dos que veiculam o ensinamento doutrinário. Modificado o centro mental daqueles que habitualmente vampirizam, essas entidades vêem-se como que despejadas de casa, porquanto, alterada a elaboração do pensa- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 34

mento naqueles a quem se afeiçoam, experimentam súbitas reviravoltas nas posições em que falsamente se equilibram. Algumas delas, rebeladas, fogem dos templos de oração como este, detestando-lhes temporariamente os serviços e armando novas perseguições às suas vítimas, que procuram até o reencontro; contudo, outras, de algum modo tocadas pelas lições ouvidas, demoram-se no local das predicações, em ansiosa expectativa, famintas de maior esclarecimento. Hilário, que recebia, surpreso, semelhantes informes, perguntou, curioso: – Que ocorre, porém, quando os encarnados não prestam atenção aos ensinamentos ouvidos? – Sem dúvida, passam pelos santuários da fé na condição de urnas cerradas. Impermeáveis ao bom aviso, continuam inacessíveis à mudança necessária. – Mas este mesmo fenômeno se repete nas igrejas de outras confissões religiosas? – Sim. A palavra desempenha significativo papel nas construções do espírito. Sermões e conferências de sacerdotes e doutrinadores, em variados setores da fé, sempre que inspirados no Infinito Bem, guardam o objetivo da elevação moral.

O Assistente meditou um instante e acrescentou: – Entre os homens, porém, se não é fácil cultivar a vida digna, é muito difícil habilitar-se a criatura à morte libertadora. Comumente, desencarna-se a alma, sem que se lhe desagarrem os pensamentos, enovelados em situações, pessoas e coisas da Terra. A mente, por isso, continua encarcerada nos interesses quase sempre inferiores do mundo, cristalizada e enfermiça em paisagens inquietantes, criadas por ela mesma. Daí o valor do culto religioso respeitável, formando ambiente propício à ascensão espiritual, com indiscutíveis vantagens, não só para os Espíritos Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 35

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.