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Capítulo 1 de 17
Parte 1 de 16
Magnetismo Curativo – Volume 1 · Alphonse Bouvier
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Alphonse Bouvier (Alphonse Bué)
Magnetismo Curativo
Volume 1 Manual Técnico
Alphonse Bouvier
Conteúdo resumido
Alphonse Bouvier foi um dos importantes pesquisadores dos fenômenos psíquicos nos fins do século XIX e início do século XX. Foi fundador e presidente da Sociedade de Estudos Psíquicos de Lyon e, ainda, diretor da revista La Paix Universelle, dedicada ao magnetismo curativo e ao espiritualismo experimental. A presente obra é o resultado de duas décadas de estudos aliados à experiência prática adquirida pelo autor no tratamento de seus pacientes. Magnetismo Curativo compõe-se de dois volumes: Volume 1: Manual Técnico – dedicado à aplicação prática do magnetismo na cura de moléstias diversas; Volume 2: Psicofisiologia – onde são expostas as explicações teóricas sobre o magnetismo e os fenômenos relacionados. Esta obra é, conforme as próprias palavras de Bouvier, um manual teórico e prático recomendado a todos os homens de boa vontade, desejosos de, por si mesmos, aliviarem os sofrimentos dos seus semelhantes. O autor recomenda a leitura da obra especialmente aos pais e mães de família, que, através de processos simples e sem nenhuma medicação, terão um forte aliado para promover o desenvolvimento normal e saudável de seus filhos.
Sumário Prefácio da segunda edição...........................................................5 Prefácio do autor...........................................................................7 Introdução – Ação curadora do magnetismo e maneira pela qual esta ação pode exercer-se no organismo..........9 Terapêutica Magnética – Manual Técnico I – Princípios fundamentais................................................21 II – Das condições necessárias para magnetizar..................26 III – Das condições necessárias para ser magnetizado..........36 IV – Da maneira de pôr-se em relação ..................................40 V – Das imposições..............................................................44 Contatos simples ..........................................................45 Contatos duplos............................................................46 VI – Dos passes.....................................................................49 Passes longitudinais partindo de contato simples........49 Passes longitudinais partindo de duplo contato...........50 Imposições e passes combinados.................................52 Passes rotatórios...........................................................52 VII – Das ações à distância.....................................................54 Imposições à distância..................................................55 Passes à distância .........................................................57 VIII – Da massagem magnética...............................................61 Fricções ........................................................................64 Malaxações...................................................................67 Pressões........................................................................68 Percussões ....................................................................69 Atitudes e movimentos.................................................73 IX – Das insuflações..............................................................84 X – Das dispersões...............................................................94 Imposições de dispersão...............................................94 Passes de dispersão ......................................................95 Insuflações de dispersão...............................................96 XI – Dos tratamentos...........................................................100 XII – Dos Processos..............................................................109 XIII – Das sessões e da escolha dos processos ......................114 XIV – Da magnetização em comum, ou tratamento pela cadeia...........................................................................127 XV – Da automagnetização ..................................................133 XVI – Da magnetização dos animais e das plantas................138 XVII – Da magnetização dos corpos inertes e dos acessórios que se podem empregar para as magnetizações indiretas.......................................................................146 Água magnetizada......................................................149 Vidro magnetizado.....................................................152 Alimentos, metais e objetos diversos magnetizados..153 O Som.........................................................................154 XVIII – Da sensibilidade magnética.........................................157
Prefácio da segunda edição Sem que tenhamos a pretensão de apresentar uma tradução do presente livrinho escoimada de erros e impropriedades de termos, temos, entretanto, plena convicção de cingirmo-nos ao original tanto quanto nos foi dado à escassez dos nossos conhecimentos no assunto. Já de há muito se fazia mister uma nova edição deste manual. O acolhimento que teve a primeira edição, se bem não tivesse sido um sucesso de livraria, como vulgarmente se diz, teve, entretanto, uma saída muito auspiciosa, animando-nos a empreender de novo essa tarefa. Os que leram e, por certo, não foi pequeno o número dos leitores, nos trouxeram a convicção de que o assunto já conta um número avultado de afeiçoados que, por sua vez, depois de praticarem, irão propagando os incomensuráveis benefícios hauridos com o emprego dos eflúvios magnéticos no tratamento das várias modalidades mórbidas que afligem a humanidade. Quanta lágrima enxugada, quanta dor e quanta aflição removidas, graças ao emprego dos passes magnéticos, que para os incrédulos são ainda motivo de chufa e de desdém.
Uma infinidade de casos bem observados e importantes tem obedecido à terapêutica fluídica. O próprio tradutor deste trabalho inúmeras vezes teve ocasião de empregá-la e em emergências em que uma intervenção imediata se fazia necessária e nunca teve ocasião de se arrepender. Pareceu-nos que devíamos com mais propriedade mudar o título do livro para Terapêutica magnética em vez de Magnetismo Curativo, que, de modo algum, obedecia ao seu objetivo, parecendo-nos antes uma adjetivação forense. Não altera a essência do livro e traduz melhor o seu intuito. Não entramos neste momento no modo pelo qual se operam as curas magnéticas, porque, com franqueza, não achamos uma explicação positiva que nos autorize a expendê-la. O que há são meras hipóteses sobre as quais se tem arquitetado teorias mais ou menos especiosas. Respeitemos os fatos bem averiguados, sem preocupações doutrinárias, e aceitemos, já que não podemos negar, que existem moléstias fluídicas que só cedem à ação dos fluidos magnéticos. Esta é que é a verdade. Não é um privilégio individual a força magnética.
Todos a têm em maior ou menor grau. Indivíduos há, porém, tão bem dotados desta propriedade, que conseguem verdadeiros prodígios em questão de cura por esse meio. Estes são o terror dos médicos materialistas e vaidosos que vêm o seu orgulho abatido diante de uns simples passes aplicados com toda a modéstia. Felizmente já não é pequeno o contingente de médicos que aceita o magnetismo como agente terapêutico e até aconselhamno nos casos de improficuidade da medicação aplicada. Abençoados sejam, porque acima da vaidade, que é o apanágio da classe, colocam a saúde e o bem estar dos seus enfermos. Que esta nova edição tenha a saída da primeira e já nos damos por bem pagos com os frutos opimos que deverão colher aqueles que fizerem uso dos processos metodizados e empregados pelo Sr. Bouvier, cuja exposição o leitor terá ocasião de apreciar no curso deste trabalho.
A. C. 12-03-1919 Prefácio do autor Escrevi este livro no intuito não só de vulgarizar o modo mais simples de curar, como também com o fim de lhe propagar as aplicações. Tal como se infere do seu título, está destinado a ser manuseado como um resumo dos processos magnéticos, apresentando o que há de essencial nos numerosos tratados publicados sobre esta matéria. Resultado de um estudo acurado dos mestres, e de uma experiência pessoal adquirida em vinte anos de prática, recomendase este guia a todos os homens de boa vontade, desejosos de, por si mesmos, aliviarem os sofrimentos dos seus semelhantes. Recomendamo-lo principalmente aos pais e mães de famílias, que encontrarão nesta instrução formulada com a maior clareza possível, e pela aplicação de processos muito simples, um meio natural de promover sem medicação alguma, o desenvolvimento normal dos seus filhos, o que lhes permitirá evitar os desvios de crescimento tão desastrosos em suas conseqüências, combater qualquer sintoma à medida que se apresente e, deste modo, manter permanente em seu foco “este precioso elemento constitutivo da felicidade”: a Saúde!
O estudo do magnetismo abrange três graus distintos: 1o) os processos práticos; 2o) as considerações psicofisiológicas; 3o) as aplicações terapêuticas. Foi assim que julguei curial dividir este estudo para apresentá-lo ao público em uma progressão lógica, suscetível de evitar qualquer espécie de confusão. A primeira parte, que corresponde ao presente Volume, sob a denominação de Manual Técnico, compreende a enumeração e a explicação dos processos práticos: é o primeiro grau de instrução, muito suficiente para qualquer aprendiz magnetizador. Porém, para conseguir ser mestre, para conhecer a fundo o magnetismo sob o ponto de vista teórico e prático, será de vantagem estudar as matérias expostas nas duas outras partes – “Exposição dos Fenômenos” e “Lei dos Fenômenos” –, contidas no 2o Volume da presente obra, como complemento deste manual. INTRODUÇÃO
Ação curadora do magnetismo e maneira pela qual esta ação pode exercer-se no organismo.1 A vida é a resultante do conflito de duas forças opostas: força centrífuga e força centrípeta (dispersão e condensação, eliminação e reabsorção). – O sistema nervoso, regulador fisiológico do organismo, entretém, por sua tensão normal, este duplo movimento da vida. – A ação magnética, por sua influência direta sobre o sistema nervoso, atua no sentido do funcionamento vital e, mantendo o equilíbrio funcional, restabelece e conserva a saúde. Não se pode tratar da patologia, da matéria médica ou da terapêutica, sem que primeiro se faça uma idéia do fenômeno vital. A ciência só existe quando fecundada por uma concepção filosófica; e o prático, qualquer que seja a escola a que pertença, não pode encontrar a explicação dos seus atos sem que primeiramente tenha levantado este problema em seu espírito e o resolva.
Esta necessidade de reunir os estudos de análise sob a predominância de uma síntese, promana da própria história das doutrinas médicas, e pode dizer-se que essa história se resume no antagonismo perpétuo de dois princípios: Espiritualismo e Materialismo, conforme se tinha julgado conceder preeminência ao Imponderável ou ao Ponderável, ao Espírito ou à Matéria. Ainda atualmente essa luta continua; a escola oficial, agindo largamente na constituição orgânica e na influência dos meios, sacrifica absolutamente aos agentes físico-químicos o influxo vital, de que os vitalistas, no seu açodamento de reagir contra as teorias materialistas, fizeram, também, sem razão de ser, o deus ex-máquina de suas concepções. Infelizmente, levado a dirigir-se aos extremos, o espírito humano confinou-se intimamente em especializações estéreis, admitindo apenas a experimentação pura, ou transviou-se nos meandros de uma metafísica nebulosa, apoiando-se exclusivamente em dados hipotéticos. Impulsionados pelo ardor da nossa imaginação, não possuímos, geralmente falando, nem o critério nem a prudência de nos determos em um meio termo: somos exclusivistas por natureza.
Impressionados profundamente pela singularidade pasmosa dos fenômenos do universo, onde nos deixamos arrebatar pelas regiões da fantasia, ou, céticos pela razão, nos esforçamos em reagir contra esses desvios, limitando-nos a tudo materializar e só admitir o que cai sob o domínio dos nossos sentidos. Este último excesso, parece-nos, sobrelevou sempre o outro, e eis de que modo, depois de passados tantos séculos, o velho lema da antiga filosofia peripatética: Nihil est intellectu quod prius non fuerit in sensu, ainda é a senha da escola científica moderna. É aí que se acha o verdadeiro escolho contra o qual tem vindo e virá de contínuo chocar-se o espírito humano, todas as vezes que tenta ou procura abordar a explicação dos fenômenos da natureza. Referirmo-nos unicamente aos nossos sentidos para julgar o que nos cerca é não somente estreitar voluntariamente o círculo de nossas percepções, mas também é principalmente criar para nós uma fonte inesgotável de erros. Efetivamente, quantas coisas existem fora dos nossos sentidos! Quão inúmeras combinações de formas e forças lhes escapam!
E quando casualmente algumas dessas metamorfoses caem sob o raio das nossas percepções, passando por nossos instrumentos sensoriais, que precauções não é preciso tomarmos para que as aparências não nos enganem? A cada momento algum fenômeno na natureza fornece-nos a prova: se mudamos de lugar com qualquer velocidade, quer em estradas de ferro, quer em balão, a ilusão dos nossos sentidos nos apresenta todos os objetos movendo-se em derredor de nós, e entretanto temos a sensação de estarmos imóveis. As graduações da perspectiva não nos mostram os objetos se aproximando uns dos outros, à proporção que nos afastamos deles? O homem, finalmente, não começou por considerar a Terra como o eixo do Universo; e, iludido pelos sentidos, não afirmou que os inúmeros fogos acesos nas profundezas infinitas do espaço giravam em torno do seu globo ínfimo?
Para voltar à realidade, para ver as coisas debaixo do seu verdadeiro aspecto, foi-nos preciso, e nos é ainda, fazer um esforço sensível, apelar para certa evolução cerebral, mui especialmente preposta à elevação de nossas percepções sensoriais, como têm por fim certos órgãos do cérebro por si mesmos, levantar a imagem invertida que a nossa retina recebe pelo mecanismo da visão. Esta evolução cerebral, que sem esforço se pode considerar um sexto sentido encarregado de sintetizar as impressões percebidas pelos outros cinco, é o que se conveio chamar a abstração; e cumpre que nos compenetremos bem deste fato, que nenhum juízo preciso pode ser feito sem o auxílio e o exame do sentido abstrato. Se, portanto, quisermos encontrar um terreno de conciliação, sobre o qual os dois partidos inimigos, que não cessam de trocar epítetos malsonantes de materialista e fofo sonhador, possam vir tratar e se congraçar, é absolutamente preciso que se não menospreze a observação direta e a abstração, a experimentação pura e a idéia metafísica.
Em uma palavra, cumpre com um traço de união ligar o objetivo ao subjetivo. Somente desse modo poder-se-ão firmar bases sólidas à fisiologia e a terapêutica, estabelecer as relações de reciprocidade orgânica pelas quais as propriedades dos corpos vivos se nos manifestam, e fazer-se uma idéia justa daquilo que se chama o fenômeno vital. As palavras vida, morte, saúde, moléstia não têm, aliás, para nós nenhuma realidade objetiva; são expressões úteis para a comodidade da linguagem, porém estas abstrações nos permitem estabelecer a relação dum movimento a sua causa, e é assim que podemos, até certo ponto, penetrar os mistérios da vida!...
Partindo desse ponto de vista, podemos dizer (e nisto estamos de acordo com os nossos mestres de fisiologia) que a vida nos aparece desde logo como resultado de uma colaboração íntima entre dois fatores absolutamente solidários, igualmente impotentes um sem o outro, e sem a união dos quais estaciona qualquer expansão vital.2 Esses dois fatores são, de um lado, a forma vital ou inicial do ser; do outro, a força físico-química dos meios da matéria. Ainda por outro lado, vemos que a vida só subsiste pelo encadeamento de duas ordens de fenômenos indivisivelmente unidos: 1o) Os fenômenos funcionais ou de dispêndio vital, pelos quais se vai consumindo a matéria viva nos órgãos em função. 2o) Os fenômenos plásticos ou de organização nutritiva, pelos quais se formam as reservas de nutrição e se regeneram os tecidos pelos órgãos em repouso. A vida, procedendo assim por eliminações e reabsorções sucessivas, se entretém, pois, por um duplo movimento de irradiação e atração, cuja alternativa obedece regularmente às forças centrífugas e centrípetas.
Do mesmo modo que a pêndula de um cronômetro, com as suas oscilações para a direita e para a esquerda da vertical, deixa continuamente o ponto de equilíbrio e volta sempre para ele, formando um equilíbrio instável em cada pancada obtida e em cada pancada destruída, assim também se nos apresenta a vida como a imagem de um equilíbrio oscilatório produzido por um trabalho incessante de desassimilação e assimilação. A saúde, isto é, a integridade de toda vida, prende-se à regularidade absoluta desse duplo movimento, do mesmo modo que a correção do tic-tac de um cronômetro é o indício certo da perfeição de seu regulador. De que modo, pois, se firma o equilíbrio entre a eliminação e a reabsorção, entre essas duas ordens de fatos inversos tão indispensáveis à expressão do fenômeno vital? Qual é, em última análise, o regulador da vida? Intervém aqui o terceiro fator, completando a admirável triplicidade que constitui a unidade sintética do organismo humano. Esse terceiro fator é o sistema nervoso.
A exemplo da grande corda do cronômetro de que falamos há pouco, ele forma a peça de compensação entre as aquisições e as perdas da economia. É ele que, nas profundezas silenciosas da vida vegetativa que se furta aos nossos olhares, tem a missão de equilibrar o movimento de reconstituição orgânica com as ruidosas manifestações dessas combustões funcionais que são a expressão exterior da vida! Poderoso agente térmico, é ele que mantém o calor animal em seu grau normal,3 e que, pelas relações anatômicas existentes entre os dois grandes aparelhos vitais, o sistema nervoso cérebro-espinhal e o sistema nervoso grande simpático, estabelece essa troca constante de ações e reações entre a vida animal e a vida vegetativa, por interposição de uma série de pares nervosos que unem as faculdades da alma às faculdades vegetativas, assim como os dois pólos de um ímã estão unidos entre si por um
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