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Capítulo 7 de 17
Parte 7 de 16
Magnetismo Curativo – Volume 1 · Alphonse Bouvier
A malaxação é uma espécie de petrificação das regiões musculares feita com as duas mãos, sempre de cima para baixo, segundo o trajeto do músculo desde o seu ponto de inserção até ao de ligamento. Não se deve empregar força nem aspereza nas malaxações, mas é preciso exercer sobre os tecidos compressões brandas sucessivas, tendo as mãos bem abertas, de modo que a ação compressiva venha antes da palma do que dos dedos, os quais, distendendo-se e fechando-se alternadamente, devem sempre conservar uma grande delicadeza. 116. A malaxação das partes delicadas, principalmente as da região abdominal, deve sobretudo ser feita com muito cuidado e prudência, a fim de não ofender os órgãos subjacentes; a ação deve comportar mais brandura e delicadeza do que força. Para malaxar o abdome, parte-se da região ilíaca esquerda, arrastando de cima para baixo os fluidos elásticos do cólon para o reto; executa-se depois a mesma manobra sobre a região ilíaca direita, em seguida sobre o cólon transverso e o intestino delgado. A malaxação abdominal pode ser também feita circularmente, começando de baixo para cima sobre o lado direito do abdome, seguindo depois transversalmente de um hipocôndrio para outro, e finalmente de cima para baixo sobre o lado esquerdo, devendo estar o corpo do paciente numa posição tal que as paredes abdominais se achem inteiramente relaxadas. 117.
Atua-se ainda poderosamente sobre as articulações, por meio das malaxações. As malaxações eram muito empregadas contra as anquiloses das articulações na medicina grega, e o próprio Hipócrates referia-se a ela muitas vezes em seus escritos. “O médico, dizia ele, necessita saber muitas coisas; não deve ignorar que vantagem pode auferir das malaxações; elas produzem efeitos inteiramente opostos entre si: ou apertam as articulações frouxas, ou relaxam as articulações tensas; exporei num tratado especial o método de fazer malaxações e a sua utilidade.” Infelizmente, ou esse tratado não foi feito, ou perdeu-se; de qualquer maneira, não chegou até nós. (Aubin Gauthier) Pressões 118. Apesar do cuidado que se deve ter de banir da massagem magnética toda ação brutal ou violenta, há casos em que se deve exercer sobre certos pontos do corpo compressões para favorecerem uma ação curadora. As pressões se executam geralmente com os polegares e se fazem na maioria dos casos sobre o trajeto das artérias, sobre as carótidas dos dois lados do pescoço, sobre a dobra do braço na região da sangria, sobre a artéria por baixo da articulação do joelho, sobre a artéria na dobra da virilha.
Também se operam compressões por baixo das clavículas, sobre os ovários, sobre o grande nervo ciático, sobre o plexo lombar, sobre o umbigo. A compressão das carótidas consegue combater os acessos de cefalalgia11 e enxaquecas, as convulsões e as nevralgias faciais. A compressão do nervo ciático e do plexo lombar debela as dores nevrálgicas dos rins, dos joelhos, dos pés e em geral das extremidades inferiores. A epistaxe12 cede algumas vezes a um leve movimento de pressão na parte superior do nariz; é preciso sentar o doente com a cabeça levantada e passiva, segurar a parte superior do nariz com o polegar e o indicador e, depois de uma compressão de alguns minutos, imprimir a esta região do nariz um movimento bem acentuado de tremor ou vibração. Esse gênero de compressão é aplicado também com êxito na coriza, principalmente em começo.
Uma simples pressão de alguns minutos, seguida de insuflações quentes sobre a raiz do nariz, basta para suster um defluxo em seu começo. Segundo a opinião do Dr. Frederico Hoffmann, quando se exerce uma pressão de cima para baixo sobre o nervo frênico, obtém-se a revivificação da ação do diafragma. As compressões têm também uma ação muito notável nas crises epilépticas, e principalmente para combater-lhes os pródromos. Basta algumas vezes comprimir fortemente a barriga das pernas, a curva do braço ou a cavidade da clavícula, para deter a aura.
Percussões 119. As percussões são ainda um excelente meio mecânico para convergir os sucos nutritivos nos pontos onde parece que eles não mais voltam. A percussão praticada inteligentemente desperta os espíritos vitais, e os chama aos seus deveres e às suas funções, atraindo as correntes para a parte percutida. Poderíamos dar numerosos exemplos de migrações para as partes do corpo que por circunstâncias, têm de sofrer subitamente um esforço externo mais considerável. Eis aqui um que, pela freqüência, tornou-se vulgar e que bastará para a demonstração que queremos fazer: Quando não se tem grande hábito de andar a cavalo, e monta-se depois de um grande repouso, o choque e o atrito repetidos do selim desenvolvem nas partes musculosas em contato com ele um tal afluxo de vitalidade, que chegam a inflamar-se e mesmo a provocar escoriações.
Ora, todo cavaleiro sabe perfeitamente que esse inconveniente desagradável cessa mais radicalmente pela continuidade de um exercício prolongado do que por meio de repousos intermitentes, que não fazem às vezes senão prolongar indefinidamente as escoriações; é necessário, apesar da dor, perseverar num exercício de todos os dias, o qual, longe de aumentar o mal, acaba, ao contrário, extinguindo a sensibilidade das partes lesadas e trazendo sua imediata cicatrização. Não é, como se poderia acreditar, que a epiderme deixe de estar firme e endurecida; ela nada representa no fenômeno; conserva-se depois da cura tal como antes, delicada e flexível; é, porém, o afluxo dos espíritos vitais, anormalmente chamados a um exercício insólito nas partes em contato com o selim, que cessa de existir e acaba entrando a pouco e pouco na torrente circulatória. É um equilíbrio que se estabelece. Eis de que modo, mesmo fazendo logo exercício, não se é mais suscetível de ficar lesado quando se monta a cavalo diariamente; não se fica com a epiderme mais dura, porém o organismo, suficientemente equilibrado pelo hábito, já não deixa as correntes se dirigirem para a parte percutida. Não se bate na palma das mãos de uma pessoa que tem um delíquio, como se se quisesse chamar à periferia os espíritos vitais que refluem para os centros?
A percussão da face plantar dos pés, atraindo energicamente para baixo o que se dirige muito facilmente para cima convém às pessoas ameaçadas de apoplexia e àquelas nas quais o sangue, a vida, a excitabilidade, tudo, finalmente, se precipita por uma invencível corrente, para o encéfalo a expensas do resto da economia. 120. A percussão é um meio seguro e vantajoso de infundir de novo nos músculos edemaciados a redondeza e a amplidão que perderam e de fazer perder as grandes barrigas; neste último caso principalmente, evita-se assim o perigo das cintas, das ataduras e de todos os agentes compressivos, que possuem o grave defeito de recalcar a massa intestinal para o diafragma e de ocasionar sufocações ou congestões nocivas à saúde.
Depois do emprego das imposições e dos passes magnéticos, a percussão é indubitavelmente o agente complementar mais seguro e mais inofensivo que permite remediar ao mesmo tempo dois vícios de constituição bem opostos na aparência, a obesidade e a magreza, combatendo a inércia das vísceras, o estado de inação e de estupor dos vasos absorventes, e favorecendo a nutrição dos tecidos. Nos casos de edemacia, as percussões dão tonicidade às funções e favorecem as assimilações: nos casos de obesidade forçam as eliminações e obrigam a economia a absorver as reservas. Os antigos, nossos mestres em muitas coisas, tinham acerca do dinamismo vital melhores idéias que nós.
Partindo deste princípio que o duplo movimento de composição e de decomposição, que resume a vida na sua mais simples expressão, depende inteiramente do equilíbrio das forças vitais, atribuíam o empastamento dos tecidos ou sua edemacia a uma só e mesma causa; a falta de equilíbrio destas forças e, segundo eles, quer haja excedente ou déficit nas reservas, era sempre a assimilação (esta importante função do organismo encarregada de introduzir na torrente circulatória os produtos dissolvidos da digestão) que não se operava normalmente. A percussão tinha como principal objeto despertar por uma ação dinâmica a reação vital adormecida e ativar mecanicamente as funções de assimilação. Os antigos para percutirem, em vez de servirem-se da mão (o que é mais profícuo, por causa da ação magnética que desenvolve) empregaram dois pequenos instrumentos, tendo cada um seu uso particular: a palheta e o flagício. A palheta (palmula ou férula) era uma espécie de espátula em forma de delgada raqueta, provida de um cabo comprido, e feita de uma madeira branca muito leve coberta de pele, serrim ou veludo. O flagício compunha-se de uma bexiga de porco, de carneiro ou de cordeiro, bem cheia de ar e presa, um pouco afastada, a um cabo, de maneira a poder-se manejá-la facilmente.
A palheta empregava-se para dar pequenas pancadas repetidas nos músculos do tronco e dos membros em que se quisesse chamar o afluxo do sangue, a fim de reproduzir-se nessas partes assim flageladas uma intumescência favorável ao seu desenvolvimento. Quanto ao flagício, era especialmente destinado aos órgãos flexíveis, tais como o ventre, os hipocôndrios e o estômago, e batia-se com fortes pancadas para arrancar do entorpecimento e da inação os vasos absorventes, e desse modo dar de novo ação às vísceras adormecidas ou imersas na água. A ferulação (é o nome que tinha esse modo de tratamento) foi vivamente recomendada por Galeno, contra a hipocondria e a hidropsia. Observai um indivíduo afetado de hipocondria, diz o Sr. Dallay: parece que os seus flancos estão distendidos, tumefatos, edemaciados, e nesta idéia, que nem sempre é quimérica, ele os comprime com as mãos apertadas, e só percutindo é que os alivia e provoca erutações ruidosas e algumas vezes essas dejeções biliosas que são seguidas de uma calma tão agradável!
Eis o que é preciso imitar, e as percussões agirão ainda melhor que as mãos do doente. Plínio fala igualmente da ferulação em seus escritos, e compara maliciosamente os médicos aos mestres-escolas, porque serviam-se da férula como eles. Em Roma, existiam certos estabelecimentos nos quais as damas romanas iam secretamente procurar a rotundidade de formas e o viço que lhes faltavam, submetendo-se aos golpes da palheta, que precisavam sofrer a fim de corrigir certos defeitos de plástica. Os homens estragados também iam a esses estabelecimentos na esperança de recuperar, pelo tratamento da ferulação, as faculdades que houvessem perdido nos excessos. Em suma, a extenuação dos membros pela férula (membra extenuata ferulis percutienda) tinha outrora grande voga.
Essa operação, restituindo aos músculos o seu desenvolvimento normal e dando ao mesmo tempo aos ventres desnecessariamente flácidos a tonicidade que lhes falta, satisfaz perfeitamente o desideratum tantas vezes expresso de engordar os magros sem torná-los balofos, e de emagrecer os gordos sem edemaciá-los. 121. A percussão se compõe de pequenas pancadas cadenciadas ou irregulares, espaçadas ou reduplicadas e contínuas, mas especialmente muito rápidas sem comoções violentas, e só produzindo pouco a pouco, por sua continuidade, um abalo geral do órgão percutido. A percussão se executa com a face palmar da mão ou somente com a ponta dos dedos juntos, como se tamborilasse. Se bem que nessa operação se tenha algumas vezes empregado um instrumento como a palheta, a palmilha ou bexiga cheia de ar, não há instrumento mais inteligente do que a mão e os dedos para fazer irradiar com precisão as vibrações e os deslocamentos moleculares nas diferentes partes do organismo, para as quais a ação magnética, por meio das imposições e dos passes, começou a fazer convergir as correntes. Atitudes e movimentos 122.
A natureza, pelos movimentos orgânicos espontâneos que produz às vezes sob a influência magnética no decurso de um tratamento, prova-nos que possui por si mesma meios poderosos para dissipar as obstruções, resolver os ingurgitamentos, acelerar ou desacelerar os movimentos circulatórios, exagerar ou diminuir o fluxo dos humores nas articulações, nas glândulas e vísceras, regularizar a ação dos músculos e dos nervos, favorecer as correntes em sua dupla marcha centrífuga e centrípeta, em outras palavras, para destruir uma lesão ou estabelecer a unidade e o equilíbrio da máquina animal. Eis aqui alguns exemplos desses admiráveis fenômenos de ginástica orgânica espontânea, tomados da clínica do Sr. Huguet de Vars e da minha: 1o caso – Senhorita Maria P..., 27 anos de idade, tuberculosa. – A doente, durante as sessões magnéticas, fazia esforços descomunais em diversos sentidos, tendo em vista imprimir o alargamento da caixa torácica, muito diminuta para o funcionamento regular do coração e dos pulmões; e neste intuito, o corpo, estando vergado para trás, de modo a não tocar o plano sobre o qual ele se achava, senão pela cabeça e os calcanhares, formava uma espécie de ponte, por baixo da qual poder-se-ia passar sem tocar a doente. Se bem que condenada pelo diagnóstico de certas celebridades médicas, graças a esta ginástica autônoma, a doente restabeleceu-se. (Dr.
Huguet) 2o caso – Senhorita Maria M..., 17 anos de idade, começou a sofrer de epilepsia em conseqüência de estreiteza da caixa craniana, do pericárdio e da caixa torácica, as quais comprimem o cérebro, o coração e os pulmões. Durante uma das sessões magnéticas, ela se deixa escorregar da sua cadeira sobre o tapete, e, deitada de costas, espicha o corpo e pede para colocar-me em pé sobre o seu peito, ao nível das clavículas. Acedo ao seu desejo, e a doente começa em seguida uma série de inspirações muito fortes, durante as quais os órgãos torácicos, tomados por dois impulsos, o da respiração e o da pressão exercida por meu peso, são obrigados a dilatarem. Esse trabalho curador, inventado pelo instinto da doente, executado pela inteligência conservadora que todo ser possui, trouxe, pela sua duração e repetição diária, uma dilatação do peito tal que o espartilho usado pela jovem no começo do seu tratamento tornou-se apertado de sete centímetros. Para alargar o crânio, a doente, dando em seguida uma posição de declive à sua cabeça, deixou-se escorregar do plano horizontal em que se achava durante o tratamento, até que a cabeça estivesse a alguns centímetros do soalho, e conservou esta posição do busto revirado, com a cabeça para baixo, durante muito tempo.
Quanto ao coração, eis o processo que pôs em prática para dilatá-lo: depois de uma forte inspiração, fazia um esforço considerável e retinha nos pulmões, o mais que lhe era possível, o ar inspirado. Durante o tempo desse longo esforço as palpitações do pulso e do coração cessavam progressivamente até à parada completa deste órgão; a doente então tornava a tomar respiração, e nesse momento as palpitações do coração e do pulso tornavam-se de uma freqüência tal que fora difícil contálas. Essas alternativas de tensão e de parada, esse trabalho curador natural e autônomo, tão curioso em suas fases diversas e correspondendo tão bem às necessidades da economia, duraram meses e foram seguidas de uma cura radical. (Dr. Huguet) 3o caso – Senhorita B..., de 15 anos de idade: cloroanemia complicada de um tumor mole sobre o alto da cabeça. – Desde a primeira sessão do tratamento magnético, depois de um momento de calma, declara-se de repente uma ginástica do pescoço: movimentos espontâneos e autônomos levam alternada e regularmente a cabeça de uma espádua para outra. 4o caso – Senhorita Henriqueta C..., tumor acima da virilha esquerda.
– Desde a 1a sessão, debaixo da ação magnética, movimentos de ginástica orgânica produzem-se espontaneamente: os músculos se contraem, como se estivessem debaixo da ação de uma corrente elétrica; esses movimentos só se produzem do lado doente; o trabalho muscular dura cinco horas consecutivas nos primeiros dias, acaba por ser apenas de uma hora por dia. Os movimentos autônomos tiveram certamente por fim facilitar o curso dos líquidos e auxiliar a reabsorção do tumor abdominal, porque a cura veio em breve trazer a confirmação. (Dr. Huguet) Em apoio dessas quatro observações, comunicadas pelo Dr. Huguet de Vars ao congresso Internacional magnético de 1887, o eminente prático que obteve tão belas curas magnéticas, acrescenta: “Notamos, no curso de nossos tratamentos magnéticos, que cada vez que há modificações orgânicas profundas e difíceis de produzirem-se em certas vísceras, as forças vitais e uma parte do líquido sanguíneo, principalmente a dos músculos, vêm auxiliar os órgãos alterados. É o que se passa em certos casos de letargia e de catalepsia, os quais, longe de serem sempre estados mórbidos, são muitas vezes necessários para a dilatação dos órgãos por um acúmulo do empréstimo do sangue e das forças vitais.
É o que chamamos migração terapêutica das forças.” Eis aqui, no meio de fatos numerosos tomados em minha própria clínica, dois exemplos curiosos dessas migrações terapêuticas: 1 o caso – Sra D..., 50 anos: tumores fibrosos do útero. – Ao cabo de algumas sessões, a doente comodamente estendida sobre um canapé, cai em estado cataléptico: seus dois braços levantam-se lentamente, colocam-se em cruz, estendidos e fortemente contraídos, assim como o queixo: depois, todo o corpo gira sobre os rins, e a doente acredita ter em alguns momentos mudado a sua situação confortável pela posição mais difícil que se pode imaginar. Efetivamente, toda a parte superior do corpo, fortemente contraída, é dobrada para trás; os rins, visivelmente curvados, repousam apenas por um ponto de contato sobre a aresta pronunciada do canapé; as pernas enrijecidas descansam sobre o soalho e a bacia projeta-se com esforço para a frente.
O corpo, nesta posição perpendicular à moda antiga, semelhante a uma tábua colocada através do canapé, conserva-se assim rígido durante todo o tempo da magnetização e, quando no fim da sessão os passes de dispersão dos fluidos vêm arrancar a doente de seu estado cataléptico, não somente não experimenta fadiga alguma nessa posição forçada, mas pelo contrário, essa tensão contínua parece ter-lhe trazido um grande alívio. Esse fenômeno se repete regularmente em cada sessão, até que cessou subitamente, tendo a doente experimentado em seu estado uma notável melhora.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.