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Capítulo 13 de 17

Parte 13 de 16

Magnetismo Curativo – Volume 1 · Alphonse Bouvier

Uma vez formada a cadeia e em ação, não se deve introduzir mais elementos novos, nem admitir curioso algum ou espectador estranho, nem deixar tocar nenhum dos doentes. Além disso faz-se mister não participar da cadeia nenhum elemento heterogêneo, suscetível de perturbar as correntes. Se alguém, dizendo-se doente ou amigo de um doente, mas visando satisfazer a sua curiosidade, pede para fazer parte da cadeia, pode até certo ponto impedir-lhe os bons efeitos, desde que seja incrédulo ou mal intencionado. 197. Estando formada a cadeia, assim como acaba de ser dito, o operador coloca-se em face do centro, na distância necessária para abranger num relance o conjunto da cadeia. Recomenda silêncio, calma e atenção, concentra-se profundamente durante alguns instantes; depois, estendendo o braço direito para os doentes, projeta na direção deles as radiações magnéticas, por meio de imposições e passes à distância (97, 100).

A faculdade de concentrar-se e de radiar não é dada a todos, no mesmo grau. Para dirigir bem uma cadeia, é preciso possuir essa qualidade em supremo grau. O homem que sabe querer com energia, com perseverança, com teimosia mesmo, é o melhor dotado para organizar uma cadeia (33). Todo o bom êxito depende do poder moral com o qual ele condensa em seus focos nervosos as emanações irradiantes, que deve em seguida projetar por toda parte em que quiser acender a faísca da vida. Assim se ateia o incêndio debaixo dos raios convergentes dum foco lenticular.

Essa energia não deve exprimir cólera, mas uma vontade intensa sem violência nem rigidez: toda rigidez neutraliza os efeitos, consumindo o princípio que deve fazê-lo nascer. Pelo contrário, convém um certo abandono e, enviando às extremidades o móvel ou a força necessária para levantar um fardo considerável, é preciso não ter que mover senão o peso dos seus membros. É o excesso nesta força que vai influenciar ao longe os pacientes e produzir a eclosão das correntes na cadeia. O operador deve considerar-se como uma simples máquina distribuindo à distância irradiações (8). Deve saber que sua vontade impele essas irradiações de seus centros nervosos ao longo dos nervos até aos limites da pele, e que daí são projetadas sobre os corpos aos quais se as dirige (13 a 16).

Cumpre, pois, regularizar a intensidade da vontade de modo que as irradiações não se percam inutilmente no espaço e obedeçam à direção que se lhes quer imprimir; e, como a máquina humana não poderia fornecer de maneira contínua tão elevado grau de tensão, é preciso que se a detenha muitas vezes sustentando-lhe a ação por algum tempo de repouso. (Barão Du Potet) 198. Debaixo da ação irradiante do operador, as correntes se manifestam quase imediatamente na cadeia (11 e 12). Somente os efeitos, por vezes instantâneos, são mais ou menos aparentes, mais ou menos prontos ou tardios. Quando se magnetiza diversos doentes conjuntamente, diz o Sr. Ragazzi (que pôs em prática com resultado durante muitos anos em Haia, Holanda, a cadeia como meio curador), nota-se que sob a ação da corrente sentem todos um efeito particular sobre a parte doente: em uns a dor aumenta, em outros diminui.

Muitos sentem dores que não tinham há muitos anos. O que se passa então? Será o magnetismo que produz a dor? Não, pois que ele dá vida! É que havia ali um mal que a natureza não tinha podido reparar.

O magnetismo, despertando as ações vitais, simplesmente ajudou a natureza a recomeçar o seu trabalho inacabado. Eis aí, diz o Sr. Ragazzi, um fato que verifico diariamente sobre milhares de doentes que trato por esse processo. (Ragazzi) 199. Pode acontecer que um doente, sob a influência das correntes desenvolvidas na cadeia, caia em crise ou fique sonambulizado. Cumpre deixá-lo nesse estado, enquanto não se torne uma causa de perturbação ou de desordem.

Nesse caso retira-se o doente da cadeia para um aposento próximo da sala comum, onde se lhe administram cuidados particulares. 200. É útil, no tratamento em comum, fazer-se ajudar por um ou mais auxiliares, principalmente se for grande a cadeia. Mas esses ajudantes, escolhidos com critério, devem compenetrar-se bem de que é preciso renunciar a qualquer iniciativa pessoal, cingir-se cegamente às instruções do mestre, só empregar os seus processos, e nulificar-se completamente diante da sua vontade soberana. Um acólito que se não conformasse com essas regras absolutas seria antes um empecilho do que um auxílio útil: seria preferível pô-lo de parte. 201. A cadeia é, de todos os meios, talvez o mais poderoso para por em jogo a força magnética e tornar efetivas as suas manifestações.

Se de fato quiser-se considerar o corpo humano como uma pilha composta de número infinito de elementos nervosos, que por sua ação recíproca desenvolvem correntes e radiações, compreende-se o que uma máquina composta de várias pilhas desse gênero, postas em atividade por um impulso dado, possa produzir em potência de tensão. A cadeia aparece então como uma verdadeira bateria magnética, onde a energia das trocas aumenta com o número dos elementos compostos que a formam. (12) 202. A cadeia ordinária é, como acabamos de ver, a reunião de um certo número de doentes atuando respectivamente uns sobre os outros de maneira inconsciente e esperando, no estado de neutralidade, os efeitos magnéticos que devem desenvolver as correntes. Também se pode formar uma cadeia de pessoas sãs, unidas num mesmo intuito e numa mesma intenção ativa para aliviar um doente. Isto, em certas circunstâncias graves, pode ser um precioso auxiliar para suprir a insuficiência de uma ação isolada e para despertar ou vibrar a vida prestes a escapar-se de um corpo moribundo: é o que se chama a cadeia comunicativa.

A formação de uma cadeia comunicativa apresenta algumas dificuldades, e todos os que a compõem devem estar sinceramente animados do desejo de praticar o bem, profundamente dedicados ao doente e unidos de intenção e de coração àquele que os dirige. Sob tais condições essenciais não se pode, de maneira alguma, contar com mercenários ou pessoas de fé vacilante, cujo ceticismo, sempre pronto à crítica ou à negação dos fatos, dificultaria a ação magnética em vez de desenvolvê-la. A cadeia comunicativa forma-se com o mesmo cuidado que a cadeia ordinária (195). Somente depois de haver estabelecido a relação (49), o condutor recomenda a cada pessoa que compõe a cadeia unir-se pela mão. Em seguida, ele toma a extremidade inicial da fila a fim de atuar, por meio de imposições e passes com a mão que se conserva livre, sobre o doente, como em toda magnetização isolada, recebendo de todos os elementos da cadeia um reforço que duplica a potência da sua corrente.

CAPÍTULO XV Da automagnetização Ação do homem sobre si mesmo. – Casos em que esta ação pode ser utilmente empregada. – Escolha dos processos. – A integridade da tonalidade vital depende toda do funcionamento regular das correntes. – Força centrípeta e força centrífuga.

– Condensações e dispersões. – Preceitos de higiene entre os chineses (Thang-Seng). 203. Na magnetização isolada ou na magnetização em comum, mostramos a influência curadora que um indivíduo pode exercer por suas radiações sobre um ou muitos de seus semelhantes. Esta ação de um homem sobre outro ou sobre vários outros, depois de ter sido por muito tempo contestada, está hoje correntemente admitida, senão em todo o seu alcance curador, ao menos quanto a certos fenômenos fisiológicos que a própria ciência oficial decidiu-se a admitir. Pode-se, portanto, encarar como certa a ação magnética do homem sobre seus semelhantes.

Resta saber se ele a tem sobre si mesmo. Sobre este ponto a incerteza não pode durar muito, porque, com exclusão de qualquer teoria, é muito fácil formar uma opinião a respeito. Experimentando sobre si mesmo, não tardará a verificar pela experiência se existe ou não uma ação. Nosso primeiro ato, no sofrimento, é levar instintivamente a mão ao ponto em que sofremos e muitas vezes encontramos certo alívio com uma leve pressão na parte afetada. Se, em vez de agir instintivamente, soubermos estudar as nossas sensações e dirigir convenientemente a nossa ação, adquiriremos bem depressa a certeza de que a ação magnética do homem sobre si mesmo é incontestável.

Mesmer não falou da ação do homem sobre si mesmo. Os Srs. de Puységur, d'Eslom, de Bruno, etc., também não falam a esse respeito. O Sr. Deleuze, em sua Instrução Prática, fala dela muito por alto, como de um fato que pode existir, porém que ele não verificou. Os Srs.

Birot e Dr. Rouilier são os primeiros que tratam a fundo do assunto em seu livro: Recherches sur la faculté de se magnètiser soimême. E Aubin Gauthier, no seu trabalho Introduction au magnetisme, tratando explanadamente desse assunto sob o título L'Action de l'homme sur lui-même, conclui deste modo: “Devo à ação magnética exercida sobre mim mesmo, a conservação de minha saúde muitas vezes comprometida por longos e penosos trabalhos.” 204. Os casos em que se pode empregar a automagnetização são forçosamente restritos, porque, para agir sobre si mesmo, não é necessário ficar em estado de prostração, nem num estado de exacerbação e desordem geral. Se o indivíduo for profundamente anêmico ou estiver atacado de febre ardente, não poderá pensar em dar aos outros uma saúde que ele não tem.

Com mais forte razão, nada se pode fazer sobre si mesmo. Neste caso, deveria recorrer ao seu semelhante e pedir-lhe auxílio e assistência. Porém, fora dessas circunstâncias excepcionais, quantas oportunidades de sustar em seu começo as indisposições ligeiras, e desse modo evitar as complicações que lhes são conseqüentes! As mudanças de estações, as variações de temperatura, a fadiga, as emoções morais, as decepções conspiram a todo o momento contra a nossa tensão vital; as nossas funções periclitam; sobrevêm obstruções, congestões, perda de apetite, constipações, dores de cabeça; uma transição brusca do calor para o frio, ou do frio para o calor, um golpe de ar, uma cólera violenta, congestionam subitamente o cérebro, irritam a garganta, embaraçam os brônquios ou o estômago, revolucionam os intestinos; um acidente se dá, uma queimadura, uma queda ou um corte, que fazer? A medicina, para preencher essas eventualidades, prescreve purgantes, vomitórios, vesicatórios, sanguessugas, tapsias14, pedilúvios, cataplasmas, compressas, antipyrina, etc.

Pode evitar-se tudo isso concentrando-nos cinco minutos e colocando a mão sobre a parte doente ou sobre a sede da função e, enquanto uma afecção local não absorver as nossas faculdades físicas e morais, enquanto o mal ficar circunscrito a uma região ou a um órgão, poderemos magnetizar-nos a nós mesmos, e arrancar (é o caso de dizer-se) a dor e o mal com a mão. Tem-se dado comigo mais de cem vezes, e diariamente ainda me acontece, restabelecer em poucos momentos as minhas funções perturbadas por qualquer circunstância fortuita, e é graças à automagnetização, não hesito em acreditar, que me tem sido possível prosseguir, sem um só momento de parada, durante mais de vinte anos, trabalhos bastante penosos e difíceis; tenho evitado muitos defluxos, fazendo-os abortar em seu começo e tenho atenuado consideravelmente as conseqüências de acidentes tais como quedas, ou queimaduras (136). 205. Para se magnetizar a si mesmo empregam-se os processos comuns, imposições, passes, massagens e insuflações, isto é, toca-se fazendo imposições das mãos, ou apresentando-as à distância, ou fazendo-se fricções ou passes, ou soprando-se frio ou quente.

Atua-se sobre o conjunto do organismo impondo-se sucessivamente as mãos sobre a cabeça, o estômago, os rins e o ventre, fazendo-se seguir estas imposições de longos passes lentos do alto do tronco até aos pés. Atua-se localmente, por meio de ações parciais sobre todas as regiões ao alcance da mão ou do sopro.

No primeiro caso restabelece-se o equilíbrio geral perturbado dando mais tensão ao circuito vital, no segundo atraem-se as forças vitais e duplica-se a atividade das correntes por toda a parte em que se impuser a mão. Cumpre partir-se deste princípio – que o equilíbrio vital depende essencialmente da harmonia que existe entre as correntes centrífugas e as correntes centrípetas. O ser organizado, em perpétua troca com o meio em que é chamado a viver, não chega a manter a integridade da sua tonalidade vital senão pela preciosa faculdade que possui de reagir, de maneira permanente, contra as correntes externas que o cercam e de equilibrar-se com elas; a sua vitalidade é o resultado de duas forças contrárias, uma interna, a outra externa; a sua saúde é o ponto de equilíbrio desse antagonismo; ele recebe do meio ambiente, restitui a esse meio o que recebeu, em outros termos, condensa e dispersa alternadamente; e o movimento de dispersão ativa o de condensação, é a despesa ou o estrago que prepara a receita ou a reparação; e é assim que a morte entretém o fogo da vida.

Pode pois dizer-se, “quem dá, recebe” e eis de que modo, longe de esgotar as suas forças no ato de magnetizar, como era natural acreditar-se, retira, pelo contrário, desse ato um grande benefício para si mesmo ativando em si a dupla corrente da vida. É sobre esse princípio de perpétua troca, que constitui o equilíbrio oscilatório da vida, que repousam as vantagens do emprego da cadeia no tratamento comum; existe entre os doentes que formam a cadeia uma dupla transmissão: ao receber, cada um dá, e dando, cada um recebe.

Na magnetização direta acontece o mesmo: o magnetizador, dispersando os seus eflúvios magnéticos sobre o seu doente, ativa por esse ato a corrente contrária ou a condensação e recupera assim na proporção do que dá. Esta maneira de considerar a vida do homem, como sendo o resultado de um jogo regular das correntes, se acha expressa numa obra chinesa, que data do século XVII: o Thang-Seng, ou a arte de proporcionar para si uma vida sã e longa. O autor dessa obra distingue no homem três espécies de forças a que chama os espíritos vitais: o Tsing, que corresponde às forças vegetativas; o Ki às forças animais; o Chin, às forças espirituais. É importante, diz ele, não se dissiparem esses três princípios da vida humana, quer pelo uso imoderado dos prazeres dos sentidos, quer por esforços violentos, quer por emoções muito vivas ou grande contenção de espírito. Ele dá, para conservar o justo equilíbrio dos espíritos vitais, certas prescrições higiênicas, que devem por o homem em boa relação constante com as correntes externas.

São as seguintes: Sede sóbrio; qualquer excesso esgota os espíritos vitais. Não caminheis ininterruptamente durante muito tempo. Não vos conserveis horas inteiras de pé e imóvel. Não vos demoreis sentado por muito tempo. Não dormi além do necessário.

Quando estiverdes despido e prestes a recolher-vos ao leito, tomai, com uma das mãos, um de vossos pés, e com a outra, atritai-lhe a planta com força, de maneira a convergir para ali um grande calor. É um meio eficaz de ativar os espíritos vitais durante o sono. Uma vez no leito, adormecei o coração, para repelir qualquer pensamento que pudesse desviar o sono. Deitai-vos do lado direito, dobrai um pouco os joelhos e adormecei nesta posição; ela impede os espíritos vitais de se dissiparem durante o sono. Ao dormirdes, não tomeis a atitude dum morto, isto é, não vos deiteis de costas nem conserveis os braços cruzados sobre o peito.

Cada vez que despertardes, estendei-vos no leito para tornar mais livre o curso dos espíritos vitais, ou melhor, levantaivos por um momento e fazei duas ou três fricções ao longo do corpo do alto do peito até aos pés e sobre os rins e deitai-vos de novo. Levantando-vos, quando tiverdes despertado, fazei com a mão várias fricções sobre o peito na região do coração. Evitai cuidadosamente o ar encanado, como se fora uma flechada. No inverno, evitai o calor excessivo, e no estio não procureis o extremo frescor. Na primavera, quando a natureza trabalha e fermenta, regulai-vos por ela, e entregai-vos a um exercício moderado, porém freqüente.

CAPÍTULO XVI Da magnetização dos animais e das plantas A influência irradiante do homem se exerce sobre todos os seres vivos. – Exemplos da influência do homem sobre os animais: cães, gatos, cavalos. – Sentimento de gratidão e reconhecimento nos animais, sua sensibilidade magnética. – Experiências públicas do magnetizador La Fontaine sobre um cão e um leão. – Exemplos da influência do homem sobre as plantas.

– Experiências sobre o desenvolvimento das flores, dos frutos, dos bulbos de tulipas. 206. Vimos (194 e 203) que a nossa influência irradiante se exerce sobre os nossos semelhantes e sobre nós mesmos, mas não se detém aí a nossa ação magnética; ela se estende igualmente aos animais e às plantas. (16) Haurindo nossas correntes a sua origem na grande corrente universal que imprime a todos os seres organizados os seus princípios vivificantes, a unidade vital da natureza fazendo com que tudo palpite sob a influência duma mesma vibração, não é para admirar que os espíritos vitais dos animais e das plantas recebam um impulso das nossas correntes e que as propriedades desses corpos possam aumentar-se ou restabelecer-se sob a influência da nossa ação magnética. (14 e 16) Se devemos ser reconhecidos à natureza por ela nos ter outorgado o precioso dom de curar os nossos semelhantes, devemos igualmente agradecer-lhe por nos haver permitido estender os nossos benefícios aos animais domésticos, esses humildes servos que nos ajudam em nossos trabalhos diários e cuja afeição dedicada enche muitas vezes o vácuo dos nossos afetos e solidão do nosso lar.

Não será também para nós uma grande satisfação poder conservar em todo o seu verdor e viço de beleza essas joviais companheiras das nossas alegrias e tristezas, essas plantas delicadas cujas folhagens e flores constituem o ornato dos nossos jardins e dos nossos salões, e que, em virtude de uma nova moda, ocupam presentemente um lugar tão elevado em nossa vida desde o berço até ao túmulo? Quando mesmo em nosso coração não encontrássemos ao lado do amor da humanidade um lugar modesto para os animais e as plantas, o interesse de nossa bolsa nos exigiria poupar e prolongar a existência dos seres que nos são ao mesmo tempo agradáveis e úteis, e cuja substituição não deixa de ser para nós uma despesa onerosa. “Aliviar um ser que sofre, qualquer que ele seja, diz Deleuze, é sempre um bem, mas curar os animais é, além do benefício que se lhes faz, prestar também, muitas vezes, um grande serviço aos homens.” Aubin Gauthier cita numerosos casos em que alcançou resultados surpreendentes.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.