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Capítulo 6 de 17

Parte 6 de 16

Magnetismo Curativo – Volume 1 · Alphonse Bouvier

O efeito produzido por estas imposições é algumas vezes tão notável que torna-se forçoso suspendê-lo. Em vez de atuar com os cinco dedos reunidos, às vezes só se atua com o polegar ou com um, dois ou três dedos; neste caso, dobra-se os dedos não empregados sobre a palma da mão. Todos os corpos cujas figuras forem determinadas em ponta ou em ângulo, servem para receber as correntes e tornam-se seus condutores: pode-se encarar os condutores como as aberturas dos troncos ou dos canais que servem para fazer escoar as correntes. (Mesmer, Aph. 166 e 167) Os cinco dedos de cada mão são outros tantos canais pelos quais se determinam as correntes. (De Bruno) É pelas pontas dos dedos, e principalmente dos polegares, que a corrente se escapa com maior atividade. (Deleuze) A ação digital diante da fronte acima do nariz entre os dois olhos, ou sobre o globo do olho, é um processo que, mais do que qualquer outro, imprime mais rapidamente sobre certos pacientes a dormência cerebral, quando se tem algum motivo para produzi-la.

(Aubin Gauthier) 98. As imposições à distância se fazem mais comumente numa distância de cinco a dez centímetros; mas ensina a experiência que existem zonas de sensibilidade que, em cada paciente, podem variar de cinco centímetros a muitos metros; é o tato magnético, assim como os efeitos obtidos, que indicam ao operador se ele deve aproximar-se mais ou menos do paciente. 99. As imposições à distância são simples ou duplas como as imposições de contato, conforme são feitas com uma só ou ambas as mãos.

Para as imposições simples, emprega-se de preferência a mão direita, como sendo muito mais ativa. As imposições duplas variam na razão dos pontos que se quer por em relação. Passes à distância 100. Os passes à distância se fazem geralmente como os passes de contato (79 a 85) apenas com a diferença de que em vez de tocar, apresenta-se a mão a 10 ou 15 centímetros do corpo, do mesmo modo que para a imposição à distância. São simples ou duplos, conforme se toma por ponto de partida uma imposição simples ou dupla.

São longitudinais ou rotatórios, conforme se age de cima, de baixo ou contornando. 101. Os passes longitudinais, partindo de uma das maneiras indicadas pela imposição simples ou dupla, se fazem descendo a mão mui lentamente, ou as mãos, do ponto de partida até ao ponto terminal, de modo a favorecer a marcha descendente das correntes; todo o efeito retrógrado é contrário à ação magnética. Nunca se deve magnetizar em sentido inverso das correntes, isto é, subindo dos pés à cabeça. (Mesmer, Dr. D'Eslon, Deleuze) A mão do magnetizador derrama o fluido sobre o corpo do mesmo modo que o chuveiro de um regador distribui a água sobre os rebordos de um canteiro; esta imagem se aplica aos passes. Porém principalmente aos passes à distância. (Aubin Gauthier) 102.

Os passes longitudinais, quando são feitos sobre a extensão dos membros, braços ou pernas, de cima para baixo da coluna vertebral, ou da cabeça aos pés, são chamados passes de grandes correntes. Quando se chega ao ponto em que deve parar o passe, é necessário ter grande cuidado de não voltar as mãos da mesma maneira que elas desceram; fecha-se-as como já foi indicado, desvia-se afastando-as um pouco do corpo, e torna-se de novo com certa presteza à posição primitiva, a fim de recomeçar o passe. Cada um desses movimentos alternados deve ser executado com muita calma, lentidão, regularidade e, principalmente, sem precipitação e sem rigidez. É indispensável que o operador conserve, por todo o tempo dos passes, uma grande flexibilidade nos braços, nos punhos e mãos, tornando-se nociva toda contração à emissão irradiante. Um passe feito da cabeça aos pés leva cerca de 30 segundos; demora-se mais ou menos, conforme as nossas próprias sensações ou as do paciente. (Aubin Gauthier) Os passes de grandes correntes da cabeça aos pés são fatigantes e nunca se os pode continuar por muito tempo; em vez de conduzir a ação de uma extremidade à outra do corpo de um só jato, pode-se então fazer passes parando nos joelhos, e, depois de um certo número de passes, fazer um número igual dos joelhos à extremidade dos pés. (De Bruno, Deleuze) 103.

Os passes de grandes correntes têm uma ação inteiramente oposta à das imposições à distância; quanto têm estas de ativas e excitantes por seu efeito de concentração, tanto têm aquelas, por seu efeito dispersivo notável, de calma e de frescor, trazendo ao doente uma sensação indefinível de bem-estar. Os passes de grandes correntes, executados mui lentamente, em distâncias que podem variar de dez centímetros a um metro e algumas vezes mais, são soberanos para acalmarem a agitação, extinguirem o fogo da febre e trazerem um sono reparador. Cada gênero de magnetização deve ser aproveitado de acordo com o caso; é preciso empregar os processos conforme a sua virtude. Quando um cano conduz a água para o centro de um tanque por diversos jatos, a força de propulsão se divide entre todos os jatos, enfraquecendo-se pelo próprio efeito desta divisão; mas é muito maior quando se concentra em um só jato. Do mesmo modo, quando toda a mão se dirige para um corpo, a corrente sai pelos cinco dedos, e a palma da mão cede-lhes a sua ação; depois, quando quatro dedos estão dobrados, toda a força magnética reside no quinto. (Aubin Gauthier) 104.

Os passes rotatórios à distância, em vez de executarem-se longitudinalmente, se fazem quer apresentando a palma por cima do ponto a atuar, e voltando-se mui lentamente a mão como se se quisesse polir o bastão de uma bengala, quer apresentando-se os dedos e virando-se delicadamente como se se desse corda a um relógio. Descreve-se às vezes uma sucessão de círculos concêntricos maiores ou menores sobre o órgão no qual se deseja atuar, principalmente sobre o ventre em torno do umbigo ou seguindo as circunvoluções do intestino. Os passes rotatórios se executam como os longitudinais, a distâncias mais ou menos variáveis conforme o caso. Possuem uma ação especial sobre os ingurgitamentos e as obstruções, e atuam poderosamente sobre a resolução dos quistos e abcessos. Nas irritações intestinais, nas cólicas, supressões e todas as afecções do baixo-ventre, empregam-se os passes rotatórios sobre os intestinos em redor do umbigo, e se os conduz depois por meio de passes longitudinais para os membros inferiores até aos pés. (Aubin Gauthier) 105.

As ações combinadas se empregam à distância do mesmo modo que com o contato (86): faz-se a imposição com uma das mãos e um passe com a outra. Em geral, a esquerda conserva-se passiva no ponto de terminação do passe e a direita, conservando sempre o papel ativo, executa o passe. CAPÍTULO VIII Da massagem magnética Diferenças entre a massagem magnética e a massagem médica. – A massagem magnética é baseada no mecanismo da circulação venosa e arterial. – Efeitos de condensações dispersivas e resolutivas.

– Fricções palmares, digitais, longitudinais, rotatórias. – As fricções medicamentosas pervertem a sensibilidade magnética. – Malaxações: suas aplicações nas anquiloses das articulações. – Pressões: sua aplicação nas enxaquecas, nevralgias, convulsões, epilepsia. – Percussões: Seus efeitos sobre os espíritos vitais.

– Tratamento da obesidade e da magreza. – A palheta. – O flagício. – Tratamento da hipocondria. – Atitudes e movimentos, exemplos de ginástica orgânica autônoma.

– Tratamento das moléstias pelo exercício das funções. – Experiência de Claude Bernard sobre a enervação do grande simpático. – Aplicação às hemorragias nasais e à emissão das urinas. Ginástica médica dos chineses (Cong-Fou). – Movimentos, ativos, semi-ativos, passivos.

– Pressão, choque, vibração, oscilação, abducção, adução, flexão, extensão, rotação, torção, atrito. – Renovação molecular dos velhos, paralisias. – Perigos da ortopedia nos desvios do crescimento, a cloro-anemia e a escrófula. 106. A massagem magnética nada tem de comum com a massagem denominada médica. É baseada sobre os princípios diferentes e produz efeitos opostos.

Enquanto a massagem médica prescreve manipulações que se executam da periferia para o centro seguindo os condutos venosos, como se se quisesse fazer voltar, por um impulso mecânico, o sangue para o coração, a massagem magnética só comporta ações que vão dos centros à periferia, isto é, no sentido das correntes, conformando-se deste modo não somente com as prescrições magnéticas, como também com as regras que presidem ao funcionamento racional do mecanismo organo-biológico. O movimento circulatório sanguíneo se opera em dois estados bem determinados: uma circulação arterial e uma circulação venosa. Esta última funciona sob a dependência absoluta do impulso arterial que, regulada pelos dilatadores e os constritores dos nervos vaso-motores, se acha, por sua vez, sob a dependência estreita do influxo nervoso do grande simpático. A distribuição da força motora em uma usina fornece-nos uma imagem patente desse funcionamento dos mecanismos vitais: vemos efetivamente a força motora, partindo de focos de produção, transmitir-se por meio de correias de transmissão às engrenagens que devem utilizá-la industrialmente.

Assim se dá com a máquina humana: o grande simpático, verdadeiro foco produtor da força motora, transmite-a pelo sistema dos vaso-motores originados dele e que funciona inteiramente ao longo dos condutos arteriais à maneira dos órgãos industriais de transmissão, na rede periférica dos capilares aonde se vêm engrenar a represa venosa, e é neste ponto de engrenagem da força nervosa sobre a rodagem viva que começa a verdadeira função industrial do sangue.

Impelida com energia, do coração aos capilares, em toda a extensão da rede arterial, pela enervação do grande simpático e dos nervos vaso-motores, o sangue, que chega de um só jato, é tomado novamente à saída dos capilares pela rede venosa, cujas válvulas, dispostas à maneira das válvulas de engrenagem, o impulsionam de novo e lentamente para o coração. Assim, na máquina humana, é o impulso arterial que engendra o movimento venoso, do mesmo modo que na usina a força de transmissão imprime a marcha da engrenagem arterial. O que se diria de um operário, que em lugar de servir-se da força reguladora de transmissão para fazer trabalhar o seu instrumento lhe substituísse a irregularidade de sua ação pessoal? Entretanto, é o que faz o massagista médico, levando toda a sua ação mecânica à rodagem venosa, quando deveria agir desde logo sobre a função emissora e irradiante do grande simpático no sentido das correntes nervosas, a fim de acionar a rede arterial e consecutivamente a circulação venosa que depende dela. 107. A massagem magnética compreende fricções, malaxações, pressões, percussões, atitudes e movimentos. 108.

Nas imposições e passes feitos por cima das roupas e à distância, a ação magnética se exerce de maneira puramente dinâmica; porém, a toda manipulação direta sobre a pele se juntam ao efeito magnético dinâmico dois novos fatores: os efeitos calóricos e os efeitos mecânicos. No primeiro caso a ação se dirige diretamente aos centros de motilidade e favorece as correntes centrífugas. No segundo caso o contato da mão sobre a pele, influenciando as extremidades periféricas dos nervos sensitivos que vêm convergir por baixo da epiderme, faz a ação não atingir os centros de motilidade senão por um efeito reflexo que favorece as correntes centrípetas. Magnetizando por imposições e passes sobre as roupas e à distância, atua-se por condensação dispersiva, e, fazendo-se massagens por meio de manipulações a nu sobre a pele, atua-se por condensação resolutiva. A combinação das ações puramente magnéticas e de massagem excita, pois, no organismo o duplo movimento alternado das forças centrífugas e centrípetas, por meio do qual podem-se imprimir tão profundas modificações na economia.

O metodista Cassius, que colocava a causa das febres nos centros viscerais, fundava a sua terapêutica sobre esta idéia de reações centrífugas e centrípetas. O Dr. Nemand, de Berlim, desenvolveu magistralmente, sob o título de “Movimento concêntrico e excêntrico” esta tese que serve de base aos seus processos terapêuticos. Grandes espíritos procuraram em todos os tempos, nesta orientação, a solução do problema terapêutico, não somente os médicos, como também os engenheiros e os físicos, porque as leis que regem o mecanismo vital são as mesmas que as da física em geral. Maupertuis, membro da Academia francesa, refere que um geômetra tinha inventado, para favorecer os movimentos centrífugos e centrípetos do organismo, um aparelho que apresentara à Academia; mas este aparelho, obrigando o paciente a certas piruetas que excitaram o riso mofador da douta assembléia e principalmente dos médicos que ali se achavam, só teve um êxito de troça.

“Seria muito melhor que o experimentassem!” Acrescenta Maupertuis. (Dally) Fricções 109. As fricções se distinguem em palmares e digitais, fricções longitudinais e rotatórias. 110. As fricções palmares fazem-se com a mão aberta e com uma impressão bem em cheio, ficando os dedos ligeiramente afastados sem contração nem rigidez. 111. As fricções digitais se fazem com a mão aberta, ficando os dedos ligeiramente afastados e um pouco curvados sem crispações nem rigidez, o punho erguido, para que só a ponta dos dedos se dirija sobre a pele. 112. As fricções longitudinais se fazem, ou com a mão aberta e em cheio, ou somente com a ponta dos dedos, inteiramente ao longo dos membros e do corpo; do ombro à extremidade da mão, do quadril ao joelho, do joelho à extremidade do pé, da nuca até abaixo dos rins, da cabeça aos pés, etc.

Essas fricções se fazem com muita lentidão; são precisos cerca de quinze segundos para ir do ombro à extremidade do braço, ou do quadril ao joelho, um minuto para ir da cabeça aos pés, e, ao contrário do que se pratica na massagem médica, onde as fricções se fazem por um movimento de vaivém e indiferentemente de cima para baixo e de baixo para cima, as fricções magnéticas, nunca é demais repeti-lo, são invariavelmente descendentes e a ação ascendente, que caminha em sentido inverso das correntes, é antimagnética. 113. As fricções rotatórias se fazem ou com a mão aberta e em cheio, ou somente com a ponta de um, de dois ou de todos os dedos. Pode-se praticá-las indiferentemente sobre todas as partes do corpo, mas empregam-se mais geralmente sobre o fígado, a barriga e o braço. Prospér Alpini, que viajou pelo Egito no ano de 1580, deixou uma obra muito importante sobre a medicina dos egípcios. Trata das fricções e diz que, no tratamento dos fluxos disentéricos, os egípcios, depois de terem operado delicadamente fricções circulares com a mão sobre a região dos hipocôndrios, introduziam um dedo no umbigo e davam voltas ao dedo muitas vezes, imprimindo vibrações ao umbigo (digitun que pluriès circumvertunt).

Esta circunvolução umbilical foi em todos os tempos encarada como soberana contra a disenteria. 114. Geralmente, nenhuma força é preciso empregar-se nas fricções longitudinais e rotatórias; a excitação das ramificações dos nervos sensitivos do derma produz-se muito melhor e mais profundamente por um contato brando e suave do que por uma pressão dura e brutal. Em caso algum é necessário inflamar a epiderme ou ofender os tecidos subjacentes, e é preferível não empregar óleo, sabão, pomada, ou banha. O que é preciso evitar, principalmente, é o emprego das substâncias mercuriais, arsenicais, iodadas ou canforadas, que embaraçam absolutamente a ação magnética, pervertendo mais ou menos a sensibilidade e a receptividade das ramificações nervosas do derma. Numerosos fatos permitiram-me constatar a influência que exercem sobre a pele as fricções medicamentosas, mesmo as que se consideram ordinariamente como as mais inofensivas, o álcool canforado por exemplo.

Eis aqui um desses fatos: Eu tratava de uma paraplegia em um indivíduo, de 58 anos de idade. No fim de algumas sessões, movimentos autônomos se apresentaram espontaneamente; simples ações à distância feitas com 50 centímetros, e até mais metros separados do corpo, determinavam profundos abalos nos músculos e principalmente nos músculos da perna, os quais iam e vinham em todos os sentidos como se o paciente quisesse envernizar o soalho. Sentimos prazer com a aparição desta ginástica natural que nos anunciava o caminhar de migrações vitais, quando de repente, numa das sessões seguintes, sem causa aparente, o fenômeno cessou e tudo entrou na passiva inação dos primeiros dias; depois de todos esses grandes movimentos que nos maravilhavam, nem um só estremecimento nos músculos. Donde podia provir esta brusca interrupção? Tive em breve a explicação do enigma, interrogando o meu doente.

Julgando proceder bem ou, pelo menos, que não pudesse demorar a ação magnética, ele friccionou vigorosamente as pernas com álcool canforado. Ora, esta ação, se bem que aparentemente inofensiva, subtraindo momentaneamente às ramificações nervosas do derma toda a receptividade magnética, produzira a parada do fenômeno; e se eu duvidasse um só instante desse fato, bastava a confirmação que me trouxe alguns dias depois o restabelecimento dos movimentos, quando se esgotou a ação anestesiante do álcool canforado. Poderia citar outros exemplos para corroborar esse fato, mas ab uno disce omnes; somente acrescentarei que tive ocasião de constatar um fenômeno análogo, não mais sobre um corpo vivo, porém sobre um objeto inerte, o que imprime um novo interesse ao assunto. Eu, há alguns anos, fazia experiências com os Srs. Dècla e Chazarain, bem conhecidos autores da polaridade humana, acerca das propriedades magnéticas dos corpos, com o meu pêndulo explorador construído sob o mesmo plano que o do doutor Léger, quando um dia, ao experimentar a ação da barra imantada sobre o pêndulo, servimo-nos de um ímã mais poderoso que de costume.

Porém, com grande admiração nossa, em vez de obter amplificações mais notáveis nas oscilações, como esperávamos, o pêndulo, depois de agitações desordenadas em todos os sentidos, caiu subitamente numa imobilidade de chumbo, donde não pudemos fazê-lo sair apesar de todas as experiências de uma outra ordem que tentamos para isso, e fomos obrigados a transferir os nossos estudos para outro dia. O pêndulo, de algum modo anestesiado por uma influência muito poderosa, havia momentaneamente perdido essa admirável sensibilidade que nos permitira até então fazer com ele experiências de uma delicadeza inaudita, sensibilidade que mais tarde recuperou. Não há neste fato uma admirável analogia com o efeito produzido pelo álcool canforado sobre a sensibilidade das ramificações nervosas do derma do Sr. X?... Malaxações 115.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.