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Capítulo 15 de 20
Terceira Parte — parte 3 de 4
Confissões de Um Corruptor · Osvaldo Polidoro
– Convite ao trabalho é convite ao progresso – comentou Eugênio, fagueiro. – Estive no seu departamento – esclareceu ela – para Gastão tomar conhecimento do caso em vista. A ordem veio de esfera bem mais alta, endereçada para vocês, em virtude da volta de Pierre aos quadros de trabalho. Depois que ele falou, explicou Eugênio: – Isabel é mensageira entre vários departamentos. Ela transmite ordens e sabe muitas particularidades sobre assuntos os mais vastos, estando a par de fatos e de questões de grande importância, fatos e questões que envolvem elevadíssimo número de irmãos. Ora, dentre eles, como poderá calcular, muitos se acham na carne, muitos se encontram nas zonas de trevas, outros muitos perambulam pela atmosfera da Terra, e, ainda outros vivem em planos ou esferas de nosso próprio mundo, ora mais para baixo, ora mais para cima. Como vê, Pierre, a vida continua e os fatos pertencem a seus feitores, para todos os efeitos. Os indivíduos e suas questões formam a História Geral, sendo que cada qual tem os seus particulares a atender, a fim de evoluir em si mesmo e de cooperar na evolução da coletividade. O que é acima de cogitações, no entretanto, é isto – ninguém jamais poderá ser e agir de maneira isolada, nem tão pouco furtar-se às leis de Causa e Efeito. Como está observando, nós e o nosso histórico formamos um todo, uma unidade. Quando quisermos vir a ser melhores e mais felizes, somente poderemos fazê-lo agindo no próprio âmbito histórico. Não é certo que nos encontramos entrelaçados pelos fatos? Não é certo que estamos agindo em conformidade com os fatos remotos? E no futuro, ao termos que assentar condições de trabalho no plano carnal, como poderíamos sair fora do círculo histórico e das relações entre indivíduos pertencentes ao mesmo círculo, em fatos e em história? Isabel anuiu: – Nossas ações, ou nossos fatos históricos, nos prendem às mesmas ações e aos mesmos fatos históricos. Por isso mesmo, no curso dos milênios, estaremos sempre relacionados, os fatos e as criaturas. Bem por isso, felizes aqueles que se entregam a bons trabalhos, procurando sempre harmonizar com a Grande Lei de Equilíbrio, de quem tanto faz lembrar a Lei de Deus, o Decálogo. Porque este, ao preceituar, lembra a necessidade de não contrariar o equilíbrio íntimo, de não criar lesão na organização do caráter. De resto, uma vez criada a lesão, ninguém escapará ao dever de reparo. Resgatará até o último ceitil, continuando a marcha em benefício da Sabedoria e do Amor. E como tudo é em base de intimidade, de fatos consumados, aí temos que não existem milagres, nem mistérios, nem favores e nem desaforos em Deus. Não se justificando, portanto, dogmas, rituais, idolatrias e simulacros exteriores de qualquer espécie. O Reino do Céu, que é interior, como Jesus o elucidou muito bem, e como dele assim mesmo falaram os Grandes Iniciados de todos os tempos, é unicamente uma questão íntima, uma questão de Pureza e de Sabedoria, um caso de consciência. Feita a sua anuência , perguntou-me: – Gostaria de servir a alguém que tanto necessita de seus deveres? – Isenção feita de minhas falhas e fraquezas, queira ter a bondade de me utilizar, naquilo que esteja ao meu alcance, irmã Izabel. Como sabe, sou recém-vindo, pouco ou nada tendo para dar... Envolvendo-me com a sua aura, ela interrompeu-me com a sua palavra ungida de suma irmandade e doçura cristã: – Não lhe seria fácil atender a um companheiro de erros e crimes? Sem ter o que pensar, não poderia apiedar-se de quem tanto errou e de quem tanto clama pelo Deus da Verdade e da Justiça? Assim alertado, expliquei-me: – Renderia graças a Deus, pelo fato de ser útil, pois que reconheço imensamente o quanto há d e vantagem na reparação dos males e no reatamento das amizades. Quanto é sublime, irmã Isabel, tornar a conhecer as pessoas e tornar a ser útil a Deus e aos irmãos. Faça o favor de ordenar, que minha vontade é servir, é alcançar a graça de ser útil. Nunca pensei tanto, irmã, nas vantagens de ter o que fazer de bem e de bom pelo próximo. Isabel sorriu, ela que era toda feita de amor e de cordura, dizendo: – Vamos embora. Vamos, que está na hora.
Segundos depois, eis-nos ao rés do chão terrícola, defronte a um homem chagoso, em miserável estado, febrífugo e em estado de coma, num arrabalde de Paris, atirado a um canto de terreno baldio. Estava em farrapos, cheio de moscas, emporcalhado e mal cheiroso. Ao lado, agarrados a ele, estavam quatro vultos iguais, em idênticas condições, que não nos viram. Falavam idioma estrangeiro e comentavam sobre economia, achando que a Humanidade inteira acabaria em fome e desgraças derivantes, em assaltos e roubos. – Aí temos um dos grandes errados do passado, um dos papas do século oito, que não encontra jeito de se elevar acima das muitas faltas pretéritas. Sempre que retorna ao mundo carnal, deixa-se influir pela sanha de domínio, procura ser superior a qualquer custo, reincidindo em erros e caindo em abismos de dor e de trevas. Nesta vida, tendo escolhido posição humílima, ainda assim deixou-se dominar pela sede de mando, forçando situação que lhe não favorecia pela programação anterior. Desesperado, depois de tentar inutilmente, abandonou a família e formou ao lado de muitos vagabundos e miseráveis. Entretanto, não prejudicou propositalmente, não cometeu crimes, como o fizera em outras romagens carnais. Os erros cometidos não lhe embargam o socorro desta hora, em que o pensamento se fundamenta, atingido pela dor e pelo abandono em que se acha. Realmente se alguma coisa havia de vivo naquele farrapo humano, eram fraquíssimos lances mentais, que se esvaíam em forma de semi-apagadas florações esbranquiçadas, ao redor da cabeça. Não chegavam a um ponto de luminosidade, morrendo num fumaçado opaco, minguando no próprio nascedouro. Todavia, pelo que se sentia, era um grito de dor endereçado a Deus; era o rogo final, era apelação à morte, já que de tudo se achava liquidado, inibido de qualquer movimentação física. O ser imortal é que clamava em sua fragilidade. Tornando a falar, Isabel esclareceu: – Foi sustentado por todos os modos possíveis, a fim de aguardar pelo seu regresso, uma vez que se devem mútuos erros e mútuas obrigações ressarcitivas. Sua colaboração, irmão Pierre, achase no rol das leis cármicas. Deve-lhe amparo, deve-lhe socorro, porque ele acreditou nas vossas invenções corruptas, vindo a trilhar sendas erradas e criminosas. Se foi alguém que fez mal, também pode ele afirmar que herdou de outros a escola do erro e do crime. Quanto a você, agora que é consciente e tem algum valor espiritual, procure fazer o possível para libertá-lo da agonia em que se encontra, onde apenas o espírito sente o frio da morte e as agonias da treva imensa. Nós auxiliar-lheemos, Pierre, para que comece hoje mesmo uma bela jornada de trabalhos fraternos e harmoniosos. – Ele deve deixar o corpo? – indaguei, contrito, com a alma em pena, diante daquele infeliz irmão, uma das grandes vítimas da corrupção doutrinária. – Somente o coração e o cérebro ainda vivem nesse, muito tênue. Atraindo-o pela oração, fará com que deixe de vez o corpo. Será o passo inicial para a libertação relativa, digo bem, porque terá de renascer o quanto antes, para tentar novo programa e em melhores condições. Sabemos que, dadas as privações em que viveu e dado o sofrimento por que tem passado, sem se revoltar, tornouse merecedor de tentar uma vida de serviços mediúnicos. Virá a ser, pelo que sabemos, um médium cheio de obrigações, atraindo a si elementos endurecidos e rudes, grandemente sofredores. Assim agindo, se cumprir com os deveres normalmente, apesar do grande esforço que deverá por em prática, certamente conseguirá elevar-se a bom nível reparador. Em outras vidas, então, poderá ele mesmo escolher programa, sempre no rol dos trabalhos espiritualistas, onde tantas faltas cometeu no passado; porque, como sabe, naquela esfera em que se errou é que importa reacertar. Coloquei-lhe a mão sobre a cabeça, entrando a orar com o maior poder de concentração, pungido que estava diante daquele quadro penoso, sujeito que me achava àquela pressão de antigas culpas. Aos poucos, foi saindo uma nuvem branca, porém opaca, sem forma humana; era apenas comprida e horizontal, um floco parecia de vapor, que se mantinha no ar, a um metro acima do corpo. Aos poucos foi tomando a posição vertical, mantendo porém a condição de nuvem branca e opaca. – Vamos conduzi-lo para junto do mar; façamos força mental para que nos acompanhe – disse Isabel. Volitando, a alguns poucos metros do chão, fomos atingir o mar dentro de poucos minutos, pois a viagem foi feita lentamente. Ao chegarmos à costa, deitamos a fumaça em local verde, sobre a
relva bafejada pelos ventos marinhos. E ali fizemos orações, com ambas as mãos aplicadas sobre ele. Foi então que a nuvem se adensou, achatou-se ficando mais ou menos do tamanho de um homem, embora continuando fumaça. Isabel deu nova ordem: – Vamos dar uma volta? Vamos então conversar com aqueles quatro irmãos que nada viram. Temos o que lhes dizer. Enquanto isso, este irmão irá assomando à sua consciência individual, irá tomando forma pelo seu próprio esforço mental. O poder da vontade, ao desaparecer, criou campo para essa condição infeliz. Abandonar-se ao nada, ou desejar ser nada, para não mais sofrer, custa desequilíbrios dessa ordem e outros mais. Além do mais, as energias do mar irão produzir seus efeitos, assim que começar a respirar e a ter consciência de si. Atingindo o local onde jazia o corpo abandonado pelo espírito, e onde permaneciam indiferentes aqueles quatro vagabundos, Isabel adensou o seu corpo espiritual, a fim de entender-se com eles. Houve um diálogo interessante, porque os quatro não podiam admitir que fossem criaturas desencarnadas. Fazia anos que eram vagabundos de Paris; estavam com seus corpos perfeitamente densos; sentiam a vida plena através dos sentidos físicos e pensavam como criaturas normais. Isabel apelou então para os seus poderes, aparecendo e desaparecendo, iluminando-se e volitando, com o que eles ficaram amedrontados, julgando estarem diante de um fantasma. Aos poucos, porém, foram cedendo, muito medrosos, até mesmo apavorados. Quando estavam em melhor estado, Isabel perguntou-lhes se não desejavam ir ter a um Centro Espírita, onde poderiam ouvir preleções e terem boas oportunidades de conhecimento do estado. – Isto somente nos trará imensos aborrecimentos. Que adianta sabermos que somos espíritos desencarnados?!... Teremos mais comida, mais roupas, ou por acaso alguém nos dará o Reino do Céu?!... – começou a esbravejar um deles, acometido de nervosismo terrível. Isabel deu-lhe respostas e mais respostas, explicando-lhe que o espírito cumpre atingir elevados píncaros hierárquicos, e que isso é possível somente através do trabalho íntimo, do desabrochamento das virtudes latentes, etc. – E Deus?!... Onde está esse Deus?!... – respondeu ele às perguntas de Isabel, num tom de cólera. Isabel tornou à fala, meiga e paciente, explicando-lhe que não existe o Deus antropomórfico, o Deus figura exterior, que muitos credos ensinam estar num canto qualquer do Universo, comandando a Emanação através de atos apalhaçados, despóticos, exigindo salamaleques pagãos, idolatrias e bajulações pagãs; falou-lhe do Deus íntimo e fundamental, da ESSÊNCIA DIVINA, cuja presença em tudo é como FUNDAMENTO SAGRADO; falou-lhe que o espírito é derivação dessa DIVINA ESSÊNCIA, importando totalmente que faça o trabalho de evolvimento íntimo, a fim de vir a sintonizar com o PAI, tomando parte em SUA GLÓRIA e PODER. – É uma nova interpretação de Deus?... – perguntou ele duvidoso. Isabel respondeu-lhe: – É a interpretação de todos os GRANDES REVELADORES, pode estar certo. Se os homens, posteriormente, inventarem credos a seu modo e gosto, falando em Deus e nos Reveladores, e criando manobrismos clericais e formais que lhes dariam pomposas posições e rendosas oportunidades, isso não nos importa. Estamos falando como sabemos que é, para que saiba e faça algum esforço em benefício próprio. Foi a piedade cristã que nos moveu a este ato, não a vontade de pregar novas interpretações teológicas. Sabemos como as verdades de Deus querem que cumpramos com os nossos deveres, e, por isso mesmo, depois de retirar o espírito desse corpo que aí está, viemos para avisá-los. Lembrem-se de que o seu companheiro está morto, de que não mais lhes fornecerá fluidos e energias. O seu vampirismo terminou sobre esse companheiro de dores e de misérias, de amarguras e de angústias mortais. Eles fitaram o morto, aterrorizados, sem dizer palavra. Aos poucos se avizinharam, para verem-no de perto. E quando julgaram mesmo a consumação do amigo, ou pelo menos do companheiro, tiveram forte abalo. Baixaram a cabeça e assim ficaram, tristes e compungidos, mudos e lagrimosos.
Isabel chamou-lhes a atenção: – Seu amigo não está aí... Nós o levamos até à beira-mar, a fim de se recuperar e seguir o novo caminho... – Novo caminho?!... – fez aquele que deu para estrilar anteriormente. – Sim, novo caminho... É um espírito capaz de ter pensamentos diferentes, e o Bom Deus lhe facilitará acesso ao conhecimento do estado e dos deveres progressivos. Ele não tem melhores conhecimentos sobre Deus e nem sobre a boa religião; o que tem, no entanto, são alguns merecimentos a mais. Não procurou ser vagabundo e miserável; foi o Carma que lhe pesou nas costas espirituais, foi a expiação que lhe invadiu a vida. E não se fez incrédulo e nem maldoso... Não roubou para saciar a fome e nem para vestir o corpo... Pediu esmolas e continuou crente, confiante em Deus... No fim, agora mesmo, pois faz minutos que o retiramos do corpo, o que pretendia era morrer, deixar o mundo, acabar com o tremendo sofrimento... Calados, não tinham sequer coragem para encará-la de frente. E Isabel lhes endereçou a palavra final: – Irmãos, nós temos que ir... O slovaco, assim como vocês o tratam, está a nos reclamar as atenções. Fiquem por aí feito fantasmas miseráveis, já que nem ao menos podem ser homens miseráveis... Se algum dia quiserem melhorar, antes de que a Lei os obrigue, procurem um Centro Espírita e peçam aos guias o necessário. Eles não disseram palavra; e nós fomos em busca do local onde havíamos deixado aquela fumaça branca e opaca. Lá chegando, vimos que ela se movimentava, tendo já o aspecto ou a forma anatômica parecida com o corpo humano. Isabel mandou-me por as mãos sobre a parte que se revelava a cabeça, dizendo: – Chame por ele... Slovaco é como lhe apelidaram, por ser originário daquele País. Passei a chamá-lo pelo apelido, indo ele se esforçando para me atender. E foi assim que surgiu o homem, a figura humana perfeita, daquela fumaça branca e opaca. Ao estar em condições de partir, conduzimo-lo ao local de tratamento, onde o pobre ficou, para dormir o seu sono reparador. Deixamolo, alegre e feliz, embora cansadíssimo e sonolento. Ele reconheceu o socorro celestial: estava contente.
Desde que desencarnei, depois de trabalhar longos anos e porfiadamente nas hostes mediúnicas, tenho meditado bastante sobre o tema essencial, que é a usina humana, a centelha divina, o homem transcendente. Tendo tido no slovaco o meu primeiro caso a observar, de maneira transcendente ou historicamente espiritual, firmei base na certeza de que nunca encontraria um espírito grandes dificuldades a vencer, e nem tão pouco abismos a enfrentar, ou reencarnações dolorosas a viver, se quisesse de fato compreender e seguir a trilha ideal, a perfeita escola espiritual, aquela que ensina estar Deus nos fundamentos de tudo e de todos, e um Deus que exige apenas Sabedoria e Amor, tratos sociais decentes, nunca porém macaquices e simulacros, rótulos pomposos e falsas culturas, essa vastíssima fauna que ostenta a santidade postiça, uma vez que nada sabe e nada faz pela esfera íntima, pelo Reino do Céu que é interior, conforme os verdadeiros ensinos do Cristo. Chamado, dias depois, para sondar o histórico daquele pobre slovaco, encontrei a mim e a outros, alguns tantos mais pobres ainda, porque muito mais errados, fartamente carregados de gravíssimas faltas, muito sangue derramado, perseguições e crueldades pelo curso de toda vida, e muitas tormentas pelas vidas a fora. Ao cabo de tudo, veio a palavra de quem nos instruía, afirmando: – Aí tendes o que fizestes no passado pelo presente, e o presente como é em virtude do passado. Tendes a história da humanidade, pois que, tudo se resume em marchar do indivíduo para a coletividade, encontrando nesta soma dos erros ou dos acertos dos indivíduos em particular. Quem somos? Somos o passado, somos o presente e seremos o futuro. Como viremos a ser? Viremos a ser como nos fizermos. Qual o entendimento ideal? E depois de breve silêncio, olhando grave e fraternalmente para nós todos: – Ideal é o entendimento que reflete a sabedoria da Lei, do Amor e da Revelação. Ideal é cultivar as virtudes fundamentais, os valores da consciência e os poderes da inteligência. Aquele que se entrega a inventar e a cultivar aparências de culto religioso, macaquices comerciáveis, naturalmente se desvia do reto caminho da Sabedoria e do Amor. Descamba, então, para os erros, somando faltas sobre faltas, enviando seus irmãos às faltas e aos erros, cavando para si e para os outros agravos e tormentas, abismos trevosos e encarnações dolorosas. Sem termos o que dizer, ficamos a espera de suas palavras sensatas, palavras de todo um simples, que refletiam a mais límpida e ferreteante realidade; e o instrutor convidou-nos, agora sorridente e objetivo ao máximo: – Vamo-nos desta casa de sondagens maravilhosas, que o Reino do Céu é interior e aguarda de todos nós o trabalho desabrochante. Vamos procurar a melhor forma de servir, de ser socialmente decentes, a fim de podermos seguir a trilha dos Cristos, não com adulações repugnantes, não criando rituais e engodos com que engordar vaidades e empanturrar bolsos e estômagos, mas sim para realizar o Cristo interno, a exposição das Virtudes Divinas que jazem em nós mesmos em estado latente. Em outros mundos, outras humanidades cresceram em si mesmas, foram ao encontro da luz divina no templo interior; realizaram por isso a liberdade e se fizeram cheias de glória e poder, alçando-se muito acima das formas pagãs e ronceiras de culto, muito acima da pestilente sociologia do interesse subalterno e dos assanhamentos imediatistas que produzem a treva e a dor, as chagas da alma e as purulências dos corpos, quando em novas encarnações expiatórias. Saímos e fomos em busca dos respectivos departamentos de trabalho; como todos estávamos formando na legião dos recursos entre os dois planos da Vida, fomos ter com o trabalho de enxugar
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