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Capítulo 57 de 67
19 - Outra Opinião
A Vida Escreve · Chico Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito Hilário Silva
- Tenho meu coração agoniado e defendê-lo-ei até o fim. Estive com o gerente e conversamos sobre o assunto. Nosso caro Roque não agiu com premeditação. Não se pode afirmar que é realmente furto. O homem está obsidiado, mas infelizmente o Banco não sabe disso.
Era Raimundo Cecílio, o contador de grande organização bancária, advogando a causa de um colega que fugira pela manhã, carregando consigo nada menos que oitocentos mil cruzeiros. O pequeno círculo de amigos, a princípio severo, como que se adoçava. A opinião de Raimundo era água fria na fervura.
E continuava:
- Quem de nós está livre? Amanhã, o assédio das entidades perturbadas e infelizes pode voltar-se contra nós. É preciso compreender. Roque está doente. Doente da alma. - Entretanto – opinou um companheiro -, é esquisito! Olhe bem que ele soube empalmar com absoluta mestria oitocentos contos de uma só vez. - Como poderia ser até mais – atalhou Cecílio, conciliador -; lembre-se que ele tem os sentidos obliterados. E enquanto o grupo chegava ao serviço, outro amigo acentuou:
- Raimundo, graças a Deus temos em você um companheiro espírita compreensivo e cristão. Um apoio fraterno, solucionando-nos as dificuldades morais. - Ora, ora! Isso é dever de nós todos – respondia Cecílio, convicto. No saguão, porém, um contínuo aproximou-se e notificou: - Sr. Raimundo, o senhor já soube? - Soube o que? - O Roque, ao fugir hoje, pela manhã, carregou a capa que o senhor deixou aqui ontem? E Cecílio, que se arvorara em defensor do colega, gritou, completamente transtornado: - Gatuno! Cão vil! Pagará caro! Ele há de ver!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.