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Capítulo 21 de 67
16 - Instantâneo
A Vida Escreve · Chico Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito Hilário Silva
João Marques pregava com fervor. O tema era a tolerância.
A assembléia, enlevada, bebia-lhe o verbo, num deslumbramento de luz.
- “Suportemos os golpes do destino! Suportemos a calúnia e a ingratidão, a dificuldade e a lágrima! ...”
O auditório vibrava...
Nisso, pequenina bruxa dourada voeja na sala e toca de leve o rosto do orador.
João Marques vacila. Interrompe-se. Num átimo, toma a minúscula borboleta noturna e, visivelmente irritado, esmaga-a com o pé. E prossegue a preleção ...*
Mais tarde, o círculo é reduzido. Apenas alguns companheiros e o médium Macedo.
Batista, o presidente da instituição, agradece as bênçãos da noite. Era o décimo aniversário do templo e o salão estava cheio.
No clima de júbilo geral, comunica-se Nuno, o orientador desencarnado. Controlando o médium, saúda os amigos.
Complacente, otimista, explana, fraterno, sobre os méritos do trabalho. Quando está preste a despedir-se, João Marques arrisca:
- Meu amigo, julga que me conduzi a contento na palestra?
- Como não? – replica, sorridente, o instrutor. – Você estava muito bem inspirado, feliz.
- E não tem apontamento a dizer?
O benfeitor pareceu refletir um minuto e concluiu:
- Marques, já que você faz questão do apontamento, não posso omiti-lo. Você falou sobre a tolerância, brilhantemente. Mas pensemos um pouco. Se não podemos suportar pobre borboleta a nos beijar respeitosamente a testa, como suportaremos as pancadas justas da vida?
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.