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Capítulo 16 de 67

III

A Vida Escreve · Chico Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito Hilário Silva

- Doutor Alberto! Doutor Alberto! - gritou um operário, varando a porta do gabinete. - Depressa! Venha depressa! O fogo está devorando a seção de compensados!

Alarido interior. Campainhas vibrando. Corre-corre. Brados por socorro multiplicam-se angustiantes.

O engeheiro movimenta-se, espavorido.

As senhoras instintivamente lhe seguiram os passos. E nós também.

O incêndio nascera de violento curto-circuito.

Dr. Alberto, muito pálido, ordena e coopera. Há deficiência de pessoal. As senhoras, porém, corajosamente, tomam a dianteira do trabalho salvacionista, como se lhe fossem subalternas de muito tempo.

Empunham mangueiras. Deslocam móveis. Transferem tábuas pesadas. Combatem o fogaréu. E pulam. E sofrem queimaduras ligeiras. Estafam-se. E vencem. Finda meia hora de intensa luta, as chamas se extinguem. Ainda assim, esclarece o chefe de obras que duzentos mil cruzeiros de madeira compensada deviam estar perdidos. A casa não estava segurada contra incêndio.

O Dr. Alberto, todavia, agora calmo, aproxima-se das damas, quatro heroína aos seus olhos e, cumprimentando a diretora da comissão, disse, gentil:

- D. Rute, penso que Deus ganhou a questão de sua escola. Mudei de idéia. Mande buscar amanhã toda a madeira de que necessite. E mais o que precisar.

E, bem-humorado, acrescentou:

- Depois conversaremos sobre Deus, como dono desta oficina...

As senhoras, chamuscadas, com as vestes sujas e rasgadas, sorriram e retiraram-se.

Depois de dois meses, escola singela e branca recebia quarenta meninos. Doutor Alberto, presente à inauguração, contou a história do incêndio, e um garoto, em seguida, fez pequeno agradecimento, terminando com a bela exclamação:

- Que Deus nos abençoe!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.