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Capítulo 25 de 67

20 - A Moratória

A Vida Escreve · Chico Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito Hilário Silva

Vicente Curi, o empreiteiro de obras, amanheceu exasperado. Enfermo. Abatido. O corpo bambeara e a cabeça parecia-lhe um vaso em fogo.

Justamente naquele dia.

De noite, marcara o relógio. Horário certo de levantar. Quatro operários esperavam-no para a necessária demolição do velho prédio que adquirira em bairro distante.

Precisava satisfazer o serviço urgente em reconstruções diversas. Vira-se, porém, cansado, febril.

Além disso, vomitava substância amarga.

Tentara erguer-se. Inutilmente. A esposa dissera ser "melhor chamar médico".

Vicente reagiu, obstinado. Carro de clínico à porta, alarme certo.

Piorava a olhos vistos.

A idéia do serviço marcado castigava-lhe o pensamento. Contrariava-se. Apesar do problema orgânico, preferia ter viajado, a demorar-se na cama.

D. Mercedes, a esposa, pede-lhe calma. É indispensável confiar na Divina Bondade.

Às nove horas, Cesário, um dos cooperadores, vem pedir providências. Atacando o serviço, ele e os companheiros assistiram ao inesperado. A casa velha, caindo aos pedaços, não agüentou o ataque das picaretas e ruíra, de vez.

Valmiro, o operário mais jovem, tivera os pés gravemente feridos, ficando impossibilitado para o trabalho.

O empreiteiro, agora, não apenas gemia.

- Onde a Providência Divina que não me ajuda? - gritava, frenético.

II

Badalavam dez horas.

Entulhado de comprimidos, Vicente pede à esposa a injeção antitóxica guardada no armário. Era a última de pequena série que deixara incompleta. Tanto tempo passara que D. Mercedes julgou prudente comprar uma nova caixa em farmácia vizinha.

- Não temos - falara o moço de vendas. E acrescentou: - Agora é remédio raro.

O enfermo, no entanto, não se conformava.

Queria a injeção. Velha assim mesmo. Entretanto, buscando ajustá-la à agulha, D. Mercedes viu-a cair no piso, perdendo-se o conteúdo.

Vicente se enraiveceu, enquanto a mulher lhe falava na Providência Maior.

Alguém lembrou o telefone para recurso a outra farmácia. O doente, amuado, recusou; não queria mais a medicação.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.