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Capítulo 8 de 16

Parte 8 de 16

Psicologia e Universo Quântico · Adenauer Novaes

PUC (p 1-160-A).pmd 97 21/1/2009, 07:57 adenáuer novaes Espiritismo trata da origem e natureza dos espíritos e de suas relações com o mundo material; a Psicologia lida com o comportamento do ser humano, emocional, orgânico, psíquico e social. Os limites da Psicologia se mostram claros quando vemos as interrogações a respeito da mente humana, cujas respostas parciais promovem o surgimento de diferentes escolas psicológicas, que, isoladas ou em conjunto, não conseguem explicar a totalidade do comportamento humano. A mente humana é ainda uma grande incógnita, tal qual a unidade elementar da matéria, inacessível ao olhar direto do ser humano. Os estudos da Psicologia têm diversas aplicações. O ramo mais característico é a psicoterapia, pois foi em função da busca da compreensão e cura dos problemas mentais humanos que a Psicologia se desenvolveu. É justamente por isso que vamos encontrar várias teorias explicativas da natureza humana e dos fatores que interferem em seu comportamento. Há vários campos de atuação da Psicologia: Educacional, Organizacional e do Trabalho, do Trânsito, Jurídica, do Esporte, da Propaganda, Hospitalar e Clínica.

Psicopedagogia, Psicomotricidade e Psiconeurociência são novos campos de estudos derivados da Psicologia em interação com outras ciências. Uma teoria psicológica não pode se distanciar da percepção da diversidade dos seres humanos. Em que pese os aspectos coletivos e comuns que existem na pessoa humana, cada indivíduo, em particular, exige uma psicologia própria em face da riqueza e singularidade de seu psiquismo. Cada ser humano tem sua própria complexidade. A Psicologia também se desenvolve de acordo com a sociedade em que surge. Há diferentes psicologias também de acordo com a época, com o momento histórico e com o meio em que foram gestadas. Nenhuma das contribuições das escolas da Psicologia pode ser desprezada. Os estudos psicológicos que

PUC (p 1-160-A).pmd 98 21/1/2009, 07:57 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual antecederam os atuais conhecimentos sobre a psiquê humana são básicos para uma compreensão maior e mais ampla de seus processos. Creio que a diversidade de teorias psicológicas a respeito do funcionamento da mente é pertinente quando se trata de um objeto de estudo mutável, transcendente e que se desenvolve a cada novo paradigma. O momento histórico de uma sociedade pode influenciar o desenvolvimento de determinada área na Psicologia. O analfabetismo, bem como as exigências de uma aprendizagem mais refinada, pode fazer desenvolver ainda mais a Psicologia da Educação. A industrialização de um país pode favorecer o campo da Psicologia Organizacional. A modernidade e as exigências tecnológicas e cibernéticas certamente farão surgir um novo campo psicológico. No passado, as guerras e as crises econômicas influenciaram o desenvolvimento da psicologia americana, assim como a crise européia favoreceu a forte influência psicanalítica no velho mundo. Os aspectos culturais de uma sociedade poderão determinar o viés característico que terá determinado campo do saber.

A Psicologia estuda temas relacionados ao desenvolvimento da personalidade, à motivação, à memória, à aprendizagem, à inteligência, à natureza do psiquismo humano, às relações entre pessoas e grupos, bem como a tudo que diz respeito ao comportamento humano. Atuais estudos têm avançado para o campo da neuropsicologia, na qual se inserem os fenômenos que afetam o cérebro, oriundos do comportamento humano. Ainda se tateia o cérebro visando encontrar-se a alma da pessoa humana. As escolas psicológicas ainda não concebem a mente separada do corpo físico. Tratam a mente como produto do cérebro. As afirmações behavioristas, as ideias da Psicanálise, as descobertas da Gestalt, os princípios da Psicologia Analítica, bem como as diversas e ricas contribuições de outras teorias psicológicas, apontam para a existência de

PUC (p 1-160-A).pmd 99 21/1/2009, 07:57 adenáuer novaes aspectos ainda obscuros da psiquê. Sabe-se muito pouco a respeito do aparelho psíquico, e isso é um estímulo para o surgimento de novas teorias. Os psicólogos empiristas, com seu método introspectivo, tatearam os automatismos do corpo físico para encontrar as razões das motivações humanas. Sem muito sucesso, porém, trouxeram valiosas contribuições à compreensão de certos processos corporais. Os funcionalistas, com seu espírito objetivo, tornaram a Psicologia um conhecimento útil à sociedade, dando-lhe finalidades práticas. Os comportamentalistas influenciaram positivamente na aprendizagem e na Psicologia da Educação. De fato, o Espiritismo se ocupa das manifestações dos espíritos e de tudo aquilo que se refere à imortalidade. A Psicologia se ocupa dos processos psíquicos e do comportamento humano. Em certo sentido ambos os conhecimentos estão imbricados. O ser que se comporta é um espírito imortal. O espírito imortal tem seus processos psíquicos. As manifestações espíritas não se tornaram objeto de investigação científica nas academias e universidades da Europa por causa de sua vinculação com o imaginário popular. Sua relação com rituais místicos e com buscas arquetípicas do sagrado afastou o Espiritismo das academias científicas. Os estudos acadêmicos a respeito dos fenômenos espíritas devem se tornar realidade após os avanços da Física Quântica, que desmistifica a visão mecanicista da realidade.

PUC (p 1-160-A).pmd 100 21/1/2009, 07:57 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual Breve Histórico dos Primórdios da Psicologia É difícil estabelecer quando uma ciência começa. São precisos muitos paradigmas novos para que ela se distancie de outros conhecimentos que fazem parte de suas bases. Seus marcos são muitos e não são bem definidos, pois geralmente têm diferentes pontos de contato com outros tipos de conhecimento. Não basta um pesquisador outros tipos de conhecimentos. Não basta um pesquisador inaugurar um laboratório para dizer que nasceu uma ciência. A Psicologia tem raízes, como toda ciência, no conhecimento empírico do próprio ser humano, nos primórdios da civilização. Ela surge da Filosofia, da Medicina, da Antropologia e da Teologia, pois o comportamento humano sempre foi o motivo da busca pelo conhecimento, a fim de entendê-lo. A Psicologia surgiu dos estudos sociológicos, etológicos, ocultistas, psiquiátricos e filosóficos. Ela não só se assenta em conteúdos desses conhecimentos como também apresenta o que resulta deles, anunciando novos paradigmas. O surgimento da Psicologia representa um olhar minucioso do ser humano sobre si mesmo, na tentativa de compreender-se e de explicar o que está à sua volta. Dizer que a Psicologia é materialista é não entender sua contribuição à compreensão da natureza humana e de seu desenvolvimento em direção ao espiritual.

PUC (p 1-160-A).pmd 101 21/1/2009, 07:57 adenáuer novaes Comecemos pelo Evolucionismo de Charles Darwin (1809 a 1882), consignado em seu famoso A Origem das Espécies (1859), apontando para a adaptação como pano de fundo dos processos orgânicos, que influenciou sobremaneira a Psicologia. As teorias darwinistas foram precursoras do Estruturalismo de Edward Bradford Titchener (1867 a 1927). Para Darwin, a origem do ser humano não poderia ter sido num dado momento específico, portanto, num ato (sopro) de Deus. Incontáveis processos biológicos geraram mutações para a sua adaptação e consequente sobrevivência no meio ambiente. Enquanto estudos acadêmicos, a Psicologia nasceu com Wilhelm Wundt (1832 a 1920), em 1879, em Leipzig, na Alemanha, quando ele inaugurou o primeiro laboratório de estudos experimentais na Universidade daquela cidade. Escreveu livros e artigos versando sobre os princípios do que ele chamava de Psicologia Fisiológica, cuja preocupação básica era estudar a percepção e a sensação. A Psicologia, dita científica, nasceu dentro do modelo mecanicista e sem a preocupação com o inconsciente psíquico.

Wundt, que também se dedicara ao estudo da Psicologia cultural, que se ocupava do desenvolvimento mental, da linguagem, das artes, dos mitos e dos costumes sociais, interessava-se pelo estudo da consciência ou mente e seus processos. Wundt, seguindo tendência da época, ressaltava que a Psicologia era a ciência da experiência consciente e da experimentação. Ele afirmava que a Psicologia não deveria se dedicar ao estudo da alma imortal. Wundt tinha que lidar não só com opositores às suas ideias como também com novos conhecimentos que surgiam, tendo, por isso, que rever constantemente seus princípios. Floresciam, na Alemanha, ideias que formariam a base da Gestalt; na Áustria, surgia a Psicanálise; nos Estados Unidos, o Funcionalismo e o Comportamentalismo (Behaviorismo). A Psicologia surgia como várias

PUC (p 1-160-A).pmd 102 21/1/2009, 07:57 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual preocupações e visando distintas dimensões do psiquismo humano. A riqueza do psiquismo humano exigia diferentes campos de estudos. Enquanto Wundt se ocupava da sensação e percepção da consciência, Hermann Ebbinghaus (1850 a 1909) se dedicava ao estudo da memória e da aprendizagem. Com este último, a Psicologia se distanciava da Fisiologia, penetrando na subjetividade do psiquismo humano e em seu aspecto não sensorial. Em oposição à tentativa de Wundt em reduzir o psiquismo à atitude consciente, surge, na Alemanha, a ideia de que existe um conjunto de tendências determinantes, inconscientes, que interfere nas atitudes humanas. Essa última ideia foi fundamental para o surgimento da psicologia do inconsciente. Os primeiros estudos sobre o inconsciente e sua definição como parte da estrutura psíquica humana se devem a Eduard von Hartmann (1842 a 1906) e a Carl Gustav Carus (1789 a 1869). Coube a Wundt dar início à Psicologia como conhecimento específico, isto é, como ciência. Textualmente, ele considerava o objeto de estudo da Psicologia distinto do ocultismo (Espiritismo).

Para ele, a Psicologia, definitivamente, não trataria da alma imortal nem de questões assemelhadas. A distinção era necessária, pois o objetivo era estudar fenômenos psíquicos não alcançados pelo Espiritismo. A Psicologia não nascia com o intuito de negar os fenômenos espíritas, mas de estudar aquilo que extrapolasse sua esfera de conhecimento. Com Wundt, a Psicologia se ocupava da percepção, processo psíquico básico. Não havia a preocupação com o aparelho psíquico. Importava como as coisas eram percebidas e não aquilo que as percebia. Pouco antes de Wundt inaugurar seu laboratório, Franz Brentano (1838 a 1917), professor de Sigmund Freud (1856 a 1939), publicou, em 1874, o livro A Psicologia de um ponto de vista empírico, no qual abordava questões relativas ao inconsciente e ao funcionamento da

PUC (p 1-160-A).pmd 103 21/1/2009, 07:57 adenáuer novaes mente. Ele foi um dos precursores da Gestalt ao se ocupar do ato mental e não apenas do conteúdo e da estrutura da mente. A psicologia de Wundt foi o referencial para E. B. Titchener e seu Estruturalismo, que excluía qualquer possibilidade de análise do que não fosse conteúdo da experiência consciente imediata. Para essa Escola, importava o estudo das estruturas da consciência, conduzido pela observação e pela experimentação. Titchener valorizava a experiência consciente, mas, diferentemente de Wundt, vai se concentrar nos elementos que compõem a estrutura da consciência, sem se ocupar especificamente de seus conteúdos. Distinguia Mente de Consciência, rejeitando a existência do Inconsciente. Importava-se em saber como funcionava a mente humana sem se ater a uma utilidade prática. Dizia que os estados elementares da consciência são compostos de sensações, imagens e estados afetivos. Queria estabelecer leis gerais para os processos conscientes e suas respectivas correlações fisiológicas, utilizando-se da introspecção. Em síntese, suas preocupações se situavam na descrição das sensações humanas.

Sua preocupação não excluía a concepção mecanicista da mente humana. Via seus sujeitos como máquinas reagentes a estímulos. Sua visão mecanicista está presente no Behaviorismo do Século XX e até nos dias de hoje. Oswald Kulpe (1862 a 1915) publicou um livro em 1907, no qual apresenta suas teorias sobre a mente. É dele a ideia, em pleno florescimento do empirismo organicista na Psicologia, de que existem pensamentos sem conteúdos sensoriais, isto é, sem que tenham sinais da percepção sensorial. Enquanto os alemães se dedicavam à Psicologia teórica, buscando as raízes do funcionamento da mente consciente e de sua estrutura, os americanos visavam algo mais funcional e utilitário. Uma psicologia prática e

PUC (p 1-160-A).pmd 104 21/1/2009, 07:57 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual aplicada que tivesse resultados imediatos para a sociedade, tão ao gosto do estilo americano de viver. Essa foi a proposta do Funcionalismo, cuja ocupação era o estudo da utilidade dos processos mentais para o organismo vivo, em suas necessidades de adaptação. Psicólogos americanos formados na Alemanha, ao migrarem para sua pátria, modificaram as propostas de Wundt, dando novo impulso à Psicologia. O Funcionalismo dá ênfase aos processos mentais, mais do que à estrutura da mente ou de seus conteúdos. Esse movimento começa por volta da década de setenta do Século XIX com os estudos de Francis Galton (1822 a 1911). Os primeiros testes ditos psicológicos são criados, florescendo uma série de variações muito úteis ao desenvolvimento psicológico do ser humano e dos processos de aprendizagem. A partir de 1869, surgem os testes mentais, entre eles os testes de associação de palavras, muito utilizados mais tarde por C. G. Jung. Galton também desenvolveu, nessa mesma época, estudos sobre hereditariedade na aquisição do conhecimento e sobre o desenvolvimento infantil.

Além de Galton, vamos encontrar, no último quarto do Século XIX, também como precursor do Funcionalismo, George J. Romanes (1848 a 1894), cujos estudos sobre inteligência animal possibilitaram o surgimento de uma psicologia animal, com reflexos importantes para a Psicologia Humana. Em paralelo aos estudos psicológicos acadêmicos, fora dos rigores das exigências mecanicistas do pensamento cartesiano dominante, a Psicologia avançava em outras direções, seguindo o pensamento de vários filósofos na direção da ideia da existência do inconsciente como uma estrutura da mente humana. Todos esses filósofos, entre os quais podemos citar Leibnitz, Herbart, Fechner e Hartmann, forneceram as ideias básicas a respeito do Inconsciente para a Psicanálise.

PUC (p 1-160-A).pmd 105 21/1/2009, 07:57 adenáuer novaes G. W. Leibnitz (1646 a 1716) escrevera, no final do Século XVII, sobre as mônodas como entidades psíquicas elementares, possibilitando a compreensão da apercepção como mecanismo de consciência das impressões sensoriais inconscientes. J. F. Herbart (1776 a 1841), no início do Século XIX, escrevera sobre as ideias conscientes e as ideias inibidas; as conscientes faziam parte do limiar da consciência e as inibidas eram reprimidas pela consciência. As ideias inibidas eram, portanto, uma tênue ideia do Inconsciente. Gustav Fechner (1801 a 1887), da mesma forma que Herbart, teorizava sobre a existência do Inconsciente, afirmando que a mente era como um iceberg, no qual boa parte do conteúdo estava oculta. Em 1869, Edward von Hartmann publica seu livro Filosofia do Inconsciente, contendo suas ideias e as de Carl Gustav Carus. Apresenta as principais bases para uma melhor compreensão da mente e, em especial, do Inconsciente. Suas ideias contribuíram para a formulação dos princípios da Psicanálise de Sigmund Freud, permitindo uma melhor percepção do Inconsciente.

O grande marco do Funcionalismo foi William James (1842 a 1910) que, entre outros temas, afirmava a importância dos processos inconscientes. Os teóricos do Funcionalismo se interessavam em saber como a mente funcionava. William James era um teórico não acadêmico. Tinha seu próprio laboratório de psicologia, que chamava de ciência mental. Para ele, a mente era um todo irredutível a partes e em constante mudança. Dizia que a mente é contínua, seletiva, sempre mutável e tem o propósito de capacitar-se para a adaptação. Escreveu (1890) sobre o pragmatismo e sobre a importância da Psicologia na educação, além de ter se dedicado ao Espiritismo. No começo do Século XX, a Psicologia ainda se voltava para os estudos que envolviam a estrutura psíquica e seu funcionamento. Porém, sua aplicabilidade na

PUC (p 1-160-A).pmd 106 21/1/2009, 07:57 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual educação e na identificação de aptidões começava a se impor na sociedade. A Psicologia estava em transição, tornando-se uma ciência voltada para o comportamento humano. Deixava de ser a “ciência da alma”, transformando-se numa “comportamentologia”. A Psicologia nasceu, como ciência, com o objetivo de explicar o comportamento do corpo humano, entendendo-o como se fosse o próprio ser humano, pretendendo englobar o significado das ações humanas. Perdeu-se na complexidade da mente humana, tendo de se dividir em muitas escolas e teorias distintas. A Psicologia se desenvolveu na direção dos estudos a respeito do que a mente faz e não do que ela é. Exigia-se que ela, a Psicologia, fosse prática. Sua popularização se impunha na sociedade, sobretudo americana. Mesmo assim, enquanto se buscava uma aplicação prática das teorias estudadas, também se caminhava na direção da concepção da estrutura do aparelho psíquico. Nos Estados Unidos, predominava o Funcionalismo; na Europa, cada vez mais, avançava-se na direção do Inconsciente, fortalecendo a atividade clínica na Psicologia.

Enquanto os americanos se especializavam nos campos da educação, das indústrias e jurídico, ampliando o número de testes psicológicos, os europeus se dedicavam à clínica da saúde mental. Entre essas duas correntes, destaca-se Granville Stanley Hall (1844 a 1924), que, embora tivesse interesse particular pela Psicologia da Criança, teve o mérito de trazer a Psicanálise para os estados Unidos. Foi dele o convite para Freud e Jung visitarem os Estados Unidos. Em fins do Século XIX, inicia-se o grande divisor de águas em Psicologia: a Psicanálise de Sigmund Freud. As ideias por ele defendidas em seu famoso A Interpretação dos Sonhos (1900), no seu conjunto, não se comparam ao que se ocupavam as outras escolas da Psicologia. Freud não era acadêmico e nem se opunha a qualquer das escolas

PUC (p 1-160-A).pmd 107 21/1/2009, 07:57 adenáuer novaes da Psicologia. Não se ocupou das sensações corporais, nem da percepção, nem da aprendizagem. Sua Psicologia dirigia-se ao estudo da Consciência e, principalmente, do Inconsciente. Seu interesse era a doença mental e as possibilidades de explicar suas causas. Fundamentandose no aprendizado adquirido com Jean-Martin Charcot (1825 a 1893), em Paris, Freud abandonou a hipnose por ele utilizada, calcando a cura de seus pacientes na catarse. A Psicanálise, apresentando a relação entre a Consciência e o Inconsciente, foi mais longe do que as teorias funcionalistas e estruturalistas, pois postulou sobre o aparelho psíquico e não apenas sobre o corpo e como a realidade era por ele percebida. A Psicanálise se firmava no princípio do prazer e nos meios pelos quais o ego se estruturava para satisfazê-lo. No começo do Século XX, os estudos sobre o comportamento animal se intensificam e a Psicologia Humana passa a receber a influência dos resultados obtidos. A ideia de que o ser humano é seu corpo, e esse uma máquina que se comporta à semelhança do animal, prevalece.

Surge o Comportamentalismo afirmando-se como psicologia objetiva, baseada no comportamento observável. Essa escola se caracteriza pela tentativa de excluir a mente consciente do comportamento humano. Seus estudos se concentravam na aprendizagem, na motivação e nas emoções. Edward Lee Thorndike (1874 a 1949) foi seu principal precursor com os estudos a respeito da mente como campo das associações. Desenvolveu teorias sobre o conexionismo mental. Suas teorias sobre aprendizagem, baseadas no binômio estímulo-resposta, antecederam as ideias de Ivan Petrovitch Pavlov (1849 a 1936), precursor do Comportamentalismo com os estudos (1902) sobre os reflexos condicionados e não condicionados. Ele percebeu que os condicionamentos ocorriam sem a presença do objeto eliciador, portanto, não havia a consciência do ato.

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