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Capítulo 16 de 16

Parte 16 de 16

Psicologia e Universo Quântico · Adenauer Novaes

PUC (p 161-208-A).pmd 196 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual dade. Os complexos têm a facilidade de alterar o estado de espírito, sem que se aperceba de sua presença constelada na consciência. À semelhança de um campo magnético, não são passíveis de ser observados diretamente, mas por meio da aglutinação de conteúdos que lhes constituem. No âmago de um complexo, sempre se encontra um núcleo arquetípico. Os complexos são elementos presentes nas obsessões espirituais. Ego. O sujeito da ação consciente. Num certo sentido, é o primeiro complexo a se formar na consciência, sendo seu centro. Estrutura-se a partir do inconsciente e é, muitas vezes, confundido com o centro organizador e diretor do aparelho psíquico, o Self. Conhecer a si mesmo não é conhecer o eu ou ego, que só conhece seus próprios conteúdos, mas, também, conhecer aquele centro organizador. O processo de desenvolvimento da personalidade, a individuação, consiste em diferenciar o ego de suas estruturas arquetípicas auxiliares.

O ego, o Self (centro organizador da psiquê) e o ego onírico (o eu dos sonhos) são instâncias psíquicas diferentes. O ego se baseia no arquétipo do Si-Mesmo, sendo, de certa forma, seu agente no mundo da consciência. Energia psíquica. A energia vital que impulsiona o ser humano em seu processo de individuação. Através dela, existente na psiquê de cada ser humano, vivem-se as experiências necessárias para o desenvolvimento da personalidade. É a energia que promove a vida e faz com que ela aconteça. Palavras como desejo, impulso, vontade e instinto estão diretamente relacionadas ao conceito de energia psíquica. Extroversão. Extroversão. Movimento promovido pela energia psíquica na direção do objeto externo. O sujeito é mobilizado pelo objeto externo, atribuindo-lhe um valor maior

PUC (p 161-208-A).pmd 197 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes do que o que ele tem. Na extroversão, o indivíduo está alienado de si em função do objeto e de toda a subjetividade que o compõe. Na extroversão, o indivíduo se volta para fora, em direção a seu desejo, subordinando-se às solicitações oriundas do objeto. Função transcendente. Função psíquica que permite a geração de um símbolo entre conteúdos inconscientes e conscientes, pela confrontação de opostos. Essa função permite que os conteúdos do inconsciente possam vir à consciência na forma de símbolos e fantasias. Imago Dei. Engrama psíquico representado pelas imagens sagradas de Deus. Tudo que, para o ser humano, representa Deus, é gerado pela Imago Dei presente em seu psiquismo. Todos os adjetivos, figuras, representações simbólicas, sentimentos e concepções lógicas ou subjetivas a respeito de Deus são originários da marca impressa no psiquismo humano, denominada Imago Dei. Individuação. Um dos conceitos centrais da Psicologia Analítica de Jung. É o processo de desenvolvimento da personalidade pela diferenciação psicológica do eu.

É um processo no qual o ego visa tornar-se diferenciado da coletividade, embora nela vivendo, ampliando suas relações. Para se alcançar a individuação, é necessário evitar as tendências coletivas inconscientes. A individuação respeita as normas coletivas, e o individualismo as combate. O contrário à individuação é ceder às tendências egocêntricas e narcisistas ou à identificação com papéis coletivos. A individuação leva à realização do Self, e não simplesmente à satisfação do ego. É um processo dinâmico que passa pela compreensão da finitude da existência material, objetiva, face à inevitabilidade da morte física. Introversão. Movimento da energia psíquica na direção de conteúdos internos da psiquê. É uma espécie

PUC (p 161-208-A).pmd 198 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual de regressão da libido no psiquismo humano. Na introversão, a pessoa dá mais valor ao seu próprio mundo subjetivo, dando pouca atenção à realidade, isto é, o objeto tem pouco valor em relação ao sujeito. Persona. Complexo funcional que permite ao ego apresentar-se e adaptar-se a situações externas ligadas à convivência. O termo persona deriva das máscaras que os atores gregos usavam para os diversos papéis ou personalidades que interpretavam. É o aspecto ideal do eu que se apresenta ao mundo e que se forma pela necessidade de adaptação e convivência pessoal. É o que se pensa que é. Muitas vezes a persona é influenciada pela psiquê coletiva, confundindo as ações como se fossem individuais. Ela representa um pacto entre o indivíduo e a sociedade, sendo um conjunto de personalidades ou uma multiplicidade de pessoas numa só.

A identificação do ego com a persona provoca o afastamento da identidade pessoal, isto é, correse o risco de não se saber quem realmente se é. Todos são, ao mesmo tempo, seres individuais e coletivos, pois, além de terem uma natureza singular também têm atitudes que os confundem com a coletividade. Personalidade. Personalidade. Atitude externa de uma pessoa, em determinado ambiente, que envolve seu caráter, seus princípios, valores, sentimentos e demais aspectos acessórios, característicos da individualidade. Na personalidade de um indivíduo, estão incluídos seus processos conscientes e inconscientes, bem como tudo que envolve sua vida de relações. A personalidade de uma pessoa inclui sua individualidade, isto é, o Espírito que ela é. A personalidade não é a individualidade. Enquanto esta evolui, desenvolvendo-se ao encontro do Si-Mesmo, aquela é mutável a cada nova existência. Psiquê. O mesmo que aparelho psíquico. Representa a totalidade das funções psíquicas e todos os processos

PUC (p 161-208-A).pmd 199 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes que envolvem o deslocamento de energia a serviço do processo de individuação. Engloba não só os processos conscientes e inconscientes como também aqueles que fogem ao domínio imediato da realidade. Nele se encontram os opostos que anseiam em se completar. Jung dizia que a psiquê é o princípio e o fim de todo conhecimento, é o objeto e o sujeito da ciência. São quatro os níveis da psiquê: consciência pessoal, inconsciente pessoal, consciência coletiva e Inconsciente Coletivo. Self. Arquétipo da totalidade, isto é, tendência existente no inconsciente de todo ser humano à busca do máximo de si mesmo e de encontro com Deus. É o centro organizador da psiquê. É o centro do aparelho psíquico, englobando o consciente e o inconsciente. Como arquétipo, se apresenta nos sonhos, mitos e contos de fadas como uma personalidade superior, como um rei, um salvador ou um redentor. É uma dimensão da qual o ego evolui e se constitui. O Self é o arquétipo central da ordem, da organização. São numerosos os símbolos oníricos do Self, a maioria deles aparecendo como figura central no sonho.

Si-Mesmo. A individualidade humana, completamente desvestida dos aspectos coletivos inerentes à personalidade. É o Espírito, enquanto essência, princípio inteligente individualizado. O Si-Mesmo se realiza através do ego, isto é, na consciência, atualizando o arquétipo do Self. O Si-Mesmo é a essência do ser humano, princípio divino que se manifesta através da personalidade. Sincronicidade. Conceito usado por Jung para designar dois ou mais eventos que parecem ter uma correlação, sem que se encontre um nexo causal entre

Para Jung, Self é o Si-Mesmo (selbst). Para Jung, Self é o si-mesmo (selbst).

PUC (p 161-208-A).pmd 200 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual eles. É um princípio de conexões acausais. Na ocorrência de fenômenos sincronísticos, o tempo e o espaço são reduzidos a vetores secundários, não quantificáveis. Tais eventos são chamados de fenômenos da coincidência significativa. Jung dizia que os fenômenos da sincronicidade “mostram que o não-psíquico pode se comportar como o psíquico, e vice-versa, sem a presença de um nexo

causal entre eles”. Os eventos ligados aos fenômenos da percepção extrassensorial são considerados por Jung como sendo da sincronicidade. Sombra. Representa o que não se sabe ou se nega a respeito de si mesmo. A sombra é o arquétipo que representa os aspectos obscuros da personalidade, desconhecidos da consciência e que estão mais acessíveis ao ego. Normalmente tem-se resistência em reconhecer e integrar a própria sombra, o que leva o indivíduo, inconscientemente, às projeções. Essa integração é geralmente feita com relativo esforço moral. A sombra representa o que se considera mal e o que o ser humano não se dá conta de que lhe pertence, fazendo parte dele tanto quanto o bem. A sombra contém o bem e o mal desconhecidos ou negados no ser humano, ou que não foram conscientizados. Portanto, é acertado dizer-se que a sombra contém também qualidades boas. Ela dá lugar à persona por uma necessidade de adaptação social. Sua exposição torna o indivíduo inadequado e inviabiliza sua convivência harmônica. Nos sonhos, a sombra costuma aparecer como personagens do mesmo sexo do sonhador, muitas vezes em atitudes aversivas ou como alguém conhecido e antipatizado por ele. Tem-se uma tendência a projetar as características pessoais da sombra nos outros, conside-

JUNG, C. G. Obras completas. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1991. v. VIII, par. 418, p. 220.

PUC (p 161-208-A).pmd 201 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes rando-os moralmente inferiores. Reconhecer a própria sombra é um grande passo no processo de individuação. A sombra se opõe ao ego e ambos se relacionam num regime mútuo de compensação. Supra-arquetípico. Tendências divinas a que todo ser humano está sujeito, além daquelas internas, direcionadas pelos arquétipos. É aquilo que obedece a leis universais, por enquanto, sem qualquer possibilidade de manipulação pelo humano. O supra-arquetípico é aquilo que limita o ser humano, impossibilitando-o de fazer ou ser diferente. O supra-arquetípico é o Divino que tudo permeia.

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