[user_registration_my_account]
Capítulo 13 de 16
Parte 13 de 16
Psicologia e Universo Quântico · Adenauer Novaes
PUC (p 1-160-A).pmd 160 21/1/2009, 07:58 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual a Psicologia também o fará. Teremos a Psicologia do Aparelho Psíquico como especialidade da Psicologia do Ser Humano. Isso não deve causar espanto, pois caminhamos para uma maior percepção das coisas em seus mínimos detalhes, alcançando o seu nível quântico. Sem essa diversificação e esse aprofundamento do conhecimento, o saber se torna dogma, no qual se encastelam os verdadeiros motivos do ser humano e de sua existência. Nenhum saber deve temer a interdisciplinaridade Nenhum saber deve temer a interdisciplinaridade nem o avanço das ideias, cuja geração se assenta no modo nem o avanço das ideias, cuja geração se assenta no modo coletivo de pensar. O receio das ciências ao ocultismo coletivo de pensar. O receio das ciências ao ocultismo ou ou ao conhecimento religioso advém da ignorância a ao conhecimento religioso advém da ignorância a respeito respeito da subjetividade das coisas. Essa subjetividade da subjetividade das coisas.
Essa subjetividade foi foi escancarada pela própria Ciência, que não mais escancarada pela própria ciência, que não mais suportou suportou a pressão dos conteúdos do Inconsciente sobre a pressão dos conteúdos do Inconsciente sobre a a Consciência. Não cabem mais medos ou restrições, mas Consciência. Não cabem mais medos ou restrições, mas sim depurações do que se descreve como realidade, pois sim depurações do que se descreve como realidade, pois ela é de fato algo essencialmente ligado ao observador. ela é de fato algo essencialmente ligado ao observador. Todas as contribuições para que se alcance o melhor e Todas as contribuições para que se alcance o melhor e mais profundo conceito a respeito das coisas devem ser mais profundo conceito a respeito das coisas devem ser aceitas. Só negado quando as evidências provarem o aceitas. Só negado quando as evidências provarem o contrário. Assim mesmo, considerando que o que foi contrário.
Assim mesmo, considerando que, o que foi negado poderá, algum dia, voltar a ser objeto de novo negado poderá, algum dia, voltar a ser objeto de novo entendimento. entendimento. A nova Psicologia irá questionar não só quem é o sujeito observador como também sua localização. Da mesma forma que temos as dualidades onda-partícula e inconsciente-consciência, em que se torna difícil precisar onde começa uma e termina a outra, valendo também o Princípio da Incerteza, encontramos semelhança em relação ao Espírito e a Mente. Isso quer dizer que também é difícil precisar onde começa a Mente e onde termina o Espírito. Por enquanto, são vistos como uma única entidade. Há uma individualidade ou, no Universo, não existe qualquer ente totalmente dissociado de outro? Penso
PUC (p 161-208-A).pmd 161 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes que a resposta seja simples, tendendo minha consciência para a não existência de um ser totalmente independente de outro. Mas considero que a individualidade do Espírito é um fato em relação à Mente e ao Corpo, isto é, há total independência de ambos para existir. Quando a Psicologia observa e conceitua a Mente, não alcança o Espírito. Quando as ciências delimitam o ser humano, esquecem da influência do aparelho psíquico em seu comportamento. A nova ciência da Mente será uma Psicologia ampla que perceba o sujeito, os processos psíquicos e o que permeia a Vida, ainda inalcançável à consciência humana.
PUC (p 161-208-A).pmd 162 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual Que Campos Criamos e Sintonizamos Assistimos, com o advento da Física Quântica e suas surpreendentes e controvertidas ideias, à valorização da Matemática avançada ao lado do experimentalismo. O alto grau de simbolização da Matemática aproximou a Física Quântica da subjetividade inerente à ciência psicológica. Coletivamente, está se formando um campo novo. Algo que leva a mente humana para além do concebido até então. Um campo de ampla e complexa subjetividade e espiritualidade. O ser humano penetra cada vez mais na dimensão essencial de sua natureza espiritual. O que entendemos como realidade parece ser algo como uma dinâmica atmosfera, em que atuam princípios invisíveis conhecidos como campos que mobilizam forças interrelacionadas. O que nos parece ser matéria nada mais é do que o resultante de algumas dessas forças. O que nos parece concreto nada mais é do que um campo de vibrações perceptíveis sob certas condições de conexão entre as partes envolvidas. Alinhavando as ideias quânticas, poderemos conceber várias possibilidades de compreensão da Vida. As diversas teorias fazem nossa consciência fervilhar em torno de imensas possibilidades de entender o Universo.
PUC (p 161-208-A).pmd 163 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes Quando pensamos num Universo com início, meio e fim, produzimos a falsa ideia de que tudo está nele contido e de que nada há fora do que a mente poderia conceber. Esse raciocínio recebe a contribuição da ideia do Big Bang, que é uma formidável teoria, mas enrijece a possibilidade da não existência de outras dimensões. Em contrapartida, os famosos buracos negros, densos aglomerados de matéria em diminuto espaço, tornando-os invisíveis e absorvedores de luz, apontam para algo obscuro e fantasticamente maravilhoso que ocorre na interação entre o mundo macro e o microcósmico. A intrigante possibilidade de se escolher a realidade em que se vive, construindo o destino de acordo com a própria consciência, releva o ser humano ao papel de Senhor do Universo. Isso conduz cada ser humano ao desejo de alcançar a sabedoria para construção de um melhor destino e da felicidade plena. As ideias quânticas criam um campo no qual a matéria é mera ilusão, porém necessária para a realização do Espírito.
Ela é inicialmente vista como a raiz e matriz de tudo, para se tornar uma questão de percepção dos sentidos. Nesse contexto, os cinco sentidos são filtros limitadores da percepção da realidade, mas que possibilitam uma imersão na intimidade da vida humana, para que ela aconteça. No mundo das ideias quânticas, não há determinismo. O ser humano existe para criar e operacionalizar o Universo em que está inserido, visando penetrar noutros. Nesse percurso, elaborará novas leis e plasmará outros universos. O ser humano sempre esteve em busca de uma única verdade para todas as indagações da Vida. Sempre acreditou que tudo se explicaria com uma frase, um conceito, uma ideia ou uma afirmação lógica e simples. No entanto, o mundo das ideias quânticas o remete a um campo infinito de respostas e de outras indagações mais complexas ainda. Essa multiplicação de possibilidades tem o poder de ampliar sua mente, levando-o à construção de
PUC (p 161-208-A).pmd 164 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual novos paradigmas que irão aperfeiçoar e desenvolver o Espírito para novas realizações. Toda resposta é provisória, todo saber é incompleto e toda busca é infinita. A resposta única é limitadora. Essa busca incessante se torna uma estratégia necessária, mas talvez, num dado momento da evolução do ser espiritual, ela se torne limitadora, inibidora de percepções outras que proporcionam experiências qualitativas para o alcance de patamares evolutivos melhores. O caminho de se questionar constantemente não parece ser suficiente para que se encontrem respostas prováveis, pois a mente, circulando num mesmo padrão de ideias, limitar-se-á desfavoravelmente. Necessário partir-se para experiências transcendentais que ampliem a consciência, levando-a a novas percepções. Nascem ainda, as permanentes ações de ousar, criar e sentir o que é visto e vivido, como constantes interações entre a alma e a Vida, para que ambas se tornem para o que foram criadas.
O campo de visão que a Vida oferece ao ser humano é mais amplo do que o céu estrelado; no entanto, ele ainda teima em fixar o olhar abaixo da linha do horizonte. Estabelece limites de acordo com os instrumentos físicos à sua disposição, construídos segundo um modo arcaico de pensar, esquecido de que sua mente pode levá-lo para muito mais longe. Seu campo de escolhas, com os paradigmas quânticos, apresenta múltiplas possibilidades, porém, de forma ainda primitiva, geralmente adota aquela que o acomoda em estreitos limites sociais. Mesmo podendo diversificar suas escolhas, permanece vinculado ao maniqueísmo, enviesando seu destino, acreditando que só existem duas opções (bem e mal) para cada problema. Seu campo de pensamento, por se sentir seguro na Consciência, limita-se ao raciocínio lógico, esquecido de sua própria alma, razão real de sua existência. Suas emoções foram consideradas traiçoeiras e primitivas,
PUC (p 161-208-A).pmd 165 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes relegadas à inferioridade, como se não se tratassem de experiências para a construção de sentimentos norteadores de suas percepções. Segue a lógica da racionalidade excessiva em detrimento do sentimento, sem se permitir vivenciar de forma madura o que pensa. Seu campo de relações ainda é pautado em laços consanguíneos ou de interesses imediatos pelo outro. O contato com estranho é rejeitado por medo ou orgulho, sem que tenha, muitas vezes, a coragem de explorar novas possibilidades de relações. O Inconsciente, com conteúdos emocionais oriundos de relações ocorridas no passado reencarnatório, mesmo atuando na consciência do presen- ` te, é deixado a deriva, sem a depuração e os filtros necessários. As ideias quânticas devem nos levar ao desarme para lidar com o outro como alguém como nós mesmos, visando a construção do amor sem limites, do amor fati. As pessoas querem o futuro. Porém, almejam algo ainda utópico, sem a consolidação interior do significado da existência.
Acreditam que devem ser felizes baseandose nos princípios que construíram em cima de uma realidade restrita aos limites físicos. Não incorporaram os paradigmas quânticos, que poderiam levar a uma maior compreensão do sentido e significado da existência. Não têm noção da continuidade do eu nem do valor da conectividade. Vivem sem muita elaboração. Não entendem o grande valor do momento presente nem dão importância ao eterno agora, isto é, ao momento presente. Vivem, mas não aprenderam a degustar a vida em cada momento, isto é, a sentir cada instante como sendo um estado de espírito que se eterniza na mente. As ideias quânticas devem contribuir para que o ser humano compreenda a dimensão do silêncio. Compreenda o valor de se prestar atenção ao que ocorre entre um pensamento e outro, ao que ocorre em nossa mente. É naquele silêncio que “ouvimos” a “voz” interior que vem do incognoscível de nós mesmos. Para realizar essa
PUC (p 161-208-A).pmd 166 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual façanha, é preciso admitir que tudo que pensamos é consequência de algo que se passa em nosso Inconsciente, cuja acessibilidade não ocorre diretamente. É preciso entender que, nas dimensões disponíveis ao Espírito, muita coisa acontece que interfere na consciência de agora. O campo promovido pelo silêncio, ao ser percebido pelo ego, deverá levar à quietude, ao ritmo suave e à redução do barulho mental. Isso permitirá a construção da paz interior e da plenitude a cada momento.
PUC (p 161-208-A).pmd 167 21/1/2009, 07:59 PUC (p 161-208-A).pmd 168 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual O Universo é Elegante? O ser humano tem uma visão nitidamente estética do Universo quando observa a Via Láctea numa noite estrelada. Afirma, para si mesmo, a beleza do que vê, exaltando a majestosa obra da criação divina. Pela grandiosidade dos corpos celestes, toma o Universo como símbolo da grandeza e da magnitude da arte do Criador. É de se perguntar qual o elemento de comparação que utiliza para tal afirmação? Certamente, tendo como base a si mesmo, sua imperfeição ou qualquer elemento menor que esteja ao seu alcance. Se assim é, qualquer coisa que visse, por mais abjeta que fosse, mas que se lhe parecesse grandioso e incompreensível, faria a mesma afirmação. A visão é mais poética do que realista, sem querer diminuir a poesia. Por ser uma visão poética, creio que seja carregada de projeções de suas aspirações quanto à esperança de algo melhor além do que vê e sente próximo.
Considerando, pelos parâmetros humanos, que o Universo é, de fato, algo que retrata a beleza e grandiosidade do Criador, qual seria sua sombra? Seriam os buracos negros? A fuga e os choques de galáxias? As quedas de meteoros que destroem ou devastam um planeta? Quem seria o autor desses “desastres” cósmicos? Onde estaria a elegância do Universo? Certamente a visão deve ser mais do que poética. A matéria escura do Universo, ou buraco negro, não é obra de um imaginário poder maligno
PUC (p 161-208-A).pmd 169 21/1/2009, 07:59 adenáuer novaes paralelo ao divino, mas do próprio Deus, a que atribuímos ter criado o bem e a vida. Abrindo um parênteses sobre a forma como o ser Abrindo um parênteses sobre a forma como o ser humano encara as desigualdades encontradas na Natureza humano encara as desigualdades encontradas na Natureza e no Universo, merece seja feita uma análise sobre a e no Universo, merece seja feita uma análise sobre a autoria delas. Não foi o ser humano quem criou as autoria delas. Não foi o ser humano que criou as desigualdesigualdades na sociedade, isto é, no Mundo. As dades na sociedade, isto é, no Mundo. As instabilidades instabilidades cósmicas que geram cataclismos, que fazem cósmicas que geram cataclismos, que fazem surgir e surgir e desaparecer galáxias e estrelas gigantescas, não desaparecer galáxias e estrelas gigantescas, não é obra de é obra de ser humano algum. Deus, tal qual concebemos, ser humano algum.
Deus, tal qual concebemos, o Criador o Criador de tudo, reservou ao ser humano a responsabilide tudo, reservou ao ser humano a responsabilidade em dade em lidar com tais desigualdades, obrigando-o a lidar com tais desigualdades, obrigando-o a envidar envidar esforços para erradicá-las. Sobrou, para o esforços para erradicá-las. Sobrou, para o humano, não humano, não só a necessidade de compreender tudo como só a necessidade de compreender tudo como também de também de estabelecer externamente a ordem que lhe é estabelecer externamente a ordem que lhe é intrínseca. intrínseca. Um exemplo disso é a fome no mundo. Ela Um exemplo disso é a fome no mundo. Ela poderá ser poderá ser resolvida quando o ser humano deixar seu resolvida quando o ser humano deixar seu egoísmo e sua egoísmo e sua ambição de lado, para olhar melhor a ambição de lado, para olhar melhor a miséria e a ignomiséria e a ignorância que campeiam por toda a sua volta. rância que campeiam por toda a sua volta.
Não foi, porém, Não foi, porém, o ser humano que a instituiu, pois ela é o ser humano que a instituiu, pois ela é fruto da evolução fruto da evolução da sociedade, cuja proposta não é de da sociedade, cuja proposta não é de propriedade do ser propriedade do ser humano. humano. A elegância do Universo é mais um dos desejos humanos de que externamente as coisas estejam melhores do que internamente ele sente em si mesmo. A Consciência, diante do aparente caos do Inconsciente, projeta, por compensação, a harmonia, o equilíbrio e a paz exterior, num Universo considerado perfeito. O fenômeno da “fuga das galáxias” torna a origem do Universo um grande enigma que nos leva a mais ilações sobre o Universo Quântico. As galáxias se distanciam uma das outras a velocidades astronômicas. Quanto maior a distância entre duas galáxias, maior a velocidade de afastamento, pois a força gravítica entre elas diminui (Weinberg, 1977). Isso reforça a ideia da ocorrência do Big Bang, porém não esclarece o que o originou. Mesmo
PUC (p 161-208-A).pmd 170 21/1/2009, 07:59 Psicologia e Universo Quântico – Um olhar sob o paradigma espiritual a hipótese, teórica e matematicamente sustentável, do choque entre duas branas (Greene, 2001), mantém cíclico o problema da necessidade de uma causa anterior à formação do Universo. Um paralelo pode ser traçado: o afastamento explosivo das galáxias no Universo, portanto originado de um único evento, tem consonância com a constante busca pela unidade do princípio, isto é, se houve um princípio há uma única causa. Esquece-se que a um princípio há uma única causa. Esquece-se de que a lógica da existência de um princípio é absurda em si, pois não levaria à sua descoberta, mas ao que sempre lhe é anterior e posterior. A lógica que nos leva a crer na existência de uma causa primeira é uma evidência arquetípica. Trata-se de uma manifestação do arquétipo conhecido pelo nome de Self, que exige uma imagem de centro correspondente. Mesmo que se considere que o Big Bang se deu na forma de várias explosões simultâneas, a questão do que desencadeou algo com tamanha magnitude persistirá.
Por enquanto, a mente lógica necessita de uma causa primeira. A mente criativa dispensa essa exigência. Usar o princípio da causalidade primeira, proposta tomista, posterga a questão de compreensão a respeito da origem das coisas e do significado de Deus. A fuga das galáxias e a impossibilidade de se detectar simultaneamente a posição e a velocidade de uma partícula atômica nos levam a perceber que nada no universo é estático, isto é, tudo é em movimento. Não se trata do movimento simples de algo que vai de um lugar a outro, mas da relação entre coisas que se interagem constantemente. A “radiação de fundo”, detectada por Arno Penzias e Robert Wilson, em 1964, nos Estados Unidos, sugere que tenha havido um momento em que não havia matéria, no Universo e ele tenha surgido de um ponto de alta temperatura e densidade quase infinita. Esse ponto seria o que se conhece com o nome de buraco negro. Isso quer dizer que a matéria surgiu após algo invisível, portanto,
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.