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Capítulo 6 de 14

Osvaldo Polidoro — parte 6 de 14

O Mensageiro de Kassapa · Osvaldo Polidoro

Osvaldo Polidoro sa com o que se diz ser mito ou lenda. Eu falo da doutrina do Cristo, da essência, sem me importar com o que tenham feito os homens, em matéria de corrupção. — Irmão Calil, não acha que um missionário, seja quem for, sempre assimila alguma coisa da tradição, sempre fala um pouco da linguagem e dos costumes, sempre empresta à nova lição um pouco da lição velha ou anterior? Assim como o fez Gotama Buda, assim também deve tê-lo feito Jesus, veiculando velhos conceitos, acreditando nos passados Mestres? Bem sabemos que Gotama Buda falou muito nos anteriores Budas, assim como Jesus se referiu bastante aos Patriarcas e Profetas que foram anteriores a Ele. Sendo assim, como não terão passado a frente alguns velhos erros, certos conceitos menos justos? Não posso crer que toda Verdade seja isso que conhecemos; sobre o espírito, sobre a matéria e sobre o mecanismo do Grande Infinito, por certo o mais importante está por ser conhecido, ainda não nos foi dado saber. No entanto, como sabe, todos os Grandes Mestres têm repetido as mesmas antigas lições, sendo que alguns deles fizeram até reconhecidas pioras. Respondeu-me, com elevado acento de bondade e prazer:

O Mensageiro de Kassapa — Relativamente aos passados Mestres, não poderia ser de menos, uma vez que a Verdade é uma só e vem aos poucos sendo revelada e conhecida. Com respeito ao sentido interpretativo do novel missionário, devo dizer que tem liberdade de opinião e pode variar em suas concepções e conclusões, sem sair da linha mestra. Nos detalhes, a variação pode alçar-se ao infinito. Quanto à função de Jesus, devo dizer que em tempo os informarei. Desde já, porém, afirmo que estais muito longe da realidade. Jesus veio aos planos inferiores, compreendendo a crosta e suas esferas próximas, para um fim exclusivo, inconfundível e divinamente auspicioso. Em tempo vô-lo direi conforme já prometi. Agora, como é devido, vou entregá-los no local indicado por aquele que vos falou primeiro, o mensageiro de Kassapa. — Ele governa esta região? Abanou a cabeça, em tom negativo e sorrindo de minha inconsciência dos fatos, elucidando: — Compreenda um pouco do imenso mecanismo governativo planetário — cada planeta tem seu Cristo ou Chefe Planetário, que é auxiliado por imediatos de alta hierarquia; são os Seus auxiliares diretos. Este Cristo governa o planeta da mais afastada esfera ou zona planetária, aquela que confina

Osvaldo Polidoro e faz fronteira com a que pertence a outro planeta, e é jurisdição de outro Cristo, pois cada planeta tem o seu. Abaixo portanto, estão os outros muitíssimos chefes de esferas, de regiões, de zonas, de locais, de organizações em geral, etc., tudo num sentido decrescente, num imenso plano de hierarquias e funções. Ora, Kassapa é um dos muitos imediatos do Cristo Planetário, é alta autoridade, quer seja por si, quer seja pela função. Aquele que foi por ele enviado, e que vos falou, por sua vez, é um dos auxiliares de Kassapa. Imagine um país do tamanho da Terra, compreendendo a Terra e as suas faixas, e todas as múltiplas esferas, regiões, zonas, locais, departamentos, compartimentos, repartições, etc. Depois imagine um Chefe Geral e todos quantos auxiliares deva ter, dos mais próximos aos mais afastados, e tudo isso à base de gradações hierárquicas, de merecimentos de fato. — E quem se une a Brama? O budismo tem por base a união total, havendo até quem afirme a perda da própria consciência individual. Fez o mesmo gesto anterior, equivalente a piedosa negação, afirmando: — Não existe essa condição, nem situação, posso afirmá-lo. Quem se fez uno em Amor e em Ciência, torna-se colaborador da ESSÊNCIA UNI-

O Mensageiro de Kassapa VERSAL, da LUZ DIVINA, que é íntima a tudo e a todos, assim como o são e fazem os Cristos. Cumpre dizer, no entanto, que os Cristos também são por gradação, por hierarquia, pois sobem na escala — vão dos planetas aos sistemas planetários, aos grupos de sistemas, às galáxias, meta-galáxias, etc. Eu sei disso por teoria, estou longe de conhecer na prática, mas afianço que é assim, nunca havendo a perda daquilo que se chama a consciência individual, em torno do que gravita o caráter individual, a personalidade. Note bem o que eu disse, pois sei quanto isso vos choca, por divergir da vossa escola doutrinária. Creio que deveis aprender com Brama, não pretender ensinar a Brama. Isso é fundamental, é essencialmente necessário. * * * Em vista de sermos individualidades espirituais, em grau de consciência pessoal e responsável, relativamente, não podemos deixar de ser fatalmente casos psicológicos. Somos, infalivelmente, casos psicológicos; ostentamos aquelas vantagens e aquelas desvantagens que são inerentes ao grau de evolução e aos fatores educacionais e doutrinários. Em tal condição e situação, somos ou não uma entidade complexa? Reina ou não reina, no mais

Osvaldo Polidoro íntimo de cada um de nós, nas esferas do intelecto e da emotividade, uma luta perene, a contenda entre conceitos e conceitos, o choque entre ideias e ideias, enfim, os mais disparatados confrontos íntimos, que nos forçam a avanços e recuos, subidas e descidas, crenças e descrenças, um roldão de vai- -e-vens? Se o homem é um animal adaptável, também é um animal capaz das mais intensas contradições, prevenções e conformações. Num caráter mal formado há lugar e campo propícios às mais descontroladas manifestações psicológicas. Orgulho, inveja, vaidade, egoísmo, são fenômenos que se transformam facilmente em vertentes de ações criminosas, de maior ou menor monta, como sejam o ódio, a mentira, a duplicidade de caráter e de tantos outros delitos. Bem grande é o número daqueles que, uma vez passados para cá, tudo fazem para encobrir o quanto aí viveram enganados e a enganar. Encobrem faltas e dores, decepções e constrangimentos, lacunas e defeitos, apenas por orgulho, por vaidade, por falta de melhores trunfos de ordem moral. Ao se comunicarem, pretendem ser autoridade, gostam de se mostrar como superiores, falam em títulos e graus, defendem suas validades temporais, em face de assembleias bem intencionadas e sim-

O Mensageiro de Kassapa plórias. Há casos em que surgem os extremismos, os desbragamentos, e a falta envereda para a mais crua mistificação, aparecendo os que reclamam honras, curvações, inclinações, e toda uma corte de lambeções e babujas. E não faltam encarnados que a isso se prestam, eles mesmos, também enlevados pela “marca” de seus pretensos guias... Uns e outros se equivalem, portanto. Nunca me portei assim, digo com inteira certeza. Fico a par do que posso, sinto, gosto e suporto. Por reconhecer o que é divinamente sublime, altamente celestial, não é que consiga sustentar essa condição, manter essa harmonização vibratória. Já pensei, algum tempo, que pensando apenas se conseguia tecer a união integral e perfeita, lavrando a infusão cabal. Foi um lindo sonho que falhou por excesso de precipitação. E a precipitação foi por causa da ignorância das leis e dos fatos, nada mais. Devo salientar, também, que se foi um bom fracasso, nem por isso deixou de causar seus bons efeitos; deixou marcas altamente produzíveis num futuro não remoto, por constituir o ideal monístico, o germe do senso unitário. A semente de Crisna terá que germinar e frutificar, mais cedo ou mais tarde e com a devida intensidade. Não tenho interesse algum, portanto, para não dizer a verdade. Ficamos naquela esfera, num insti-

Osvaldo Polidoro tuto onde se aprendia e se trabalhava, intercalando fatores, nem sempre tendo certeza de quando poderia estar aprendendo ou ensinando, tal a variação fantástica dos eventos diuturnos. Se a esfera não era superior, considerando os fatos, bem superiores eram os aprendizados. Ao invés de abstrações, de abstenções, de afastamentos, de conceitos panteístas, tudo se movia em torno das obras afincadamente sociais, fraternais, desdobrando esforços a bem da irmandade em geral, em todos os sentidos possíveis, sempre em conformidade com a Lei e a Justiça, pois a divisa fundamental era e é a seguinte — servir a Deus através da irmandade, no âmbito da Lei e da Justiça! Nada de contemplação indolente! Toda e qualquer vantagem virá do trabalho fraterno! A vida converteu-se num imenso plano de trabalho e de soerguimentos íntimos. A ferrugem do passado deu lugar ao calor do movimento, e este se convertia repentinamente em bênçãos de paz e desdobramentos íntimos. Amor por Amor, Ciência por Ciência, tal a ordem a observar. Estar a par de muitas vidas, de seus mais prementes problemas, de suas mais angustiosas expectativas. Sentir a Divina Presença no irmão, no trabalho a ser feito. Deleitoso é o trabalho, amoroso, consagrador é o ato de ser útil, divinal oração é a de amar intensamente!

O Mensageiro de Kassapa Todo espírito bem propositado é ansioso pelo Céu, pela meta final; mas é preciso acertar com o caminho, com a trilha justa. Qualquer espírito pode vir a ser enganado, como pode enganar, espontânea ou propositalmente; mas nem por isso levará de vencida a Lei, por mais que haja sido espontâneo em seus erros. A simples boa intenção é fator respeitável, como premissa apenas, não como epílogo; a execução é que importa, a cimentação é o que interessa de fato, e, convenhamos, no melhor sentido, isto é, em harmonia com a Lei, para que a Justiça não tenha que intervir em severos ajustes. Sucede, porém, que nem sempre a criatura tem a devida coragem moral para falar a verdade, para se expor francamente, apresentando-se com ares diferentes, pretendendo passar por aquilo que julgava ser; a morte fê-la reconhecer os erros, mas não poderia fazer o milagre de lhe modificar o caráter. Milagres e mistérios não há em Deus, esse não poderia haver, também, continuando a criatura a mistificar, a fazer crer o indevido. Essa é a razão de alguns espíritos tratarem de tudo, darem todas as respostas como se fossem completos mestres. É necessário, nesta linha de observação, considerar os que se revoltam, os que se julgam traídos, aqueles que se inconformam com a chocante realidade; em muitos casos, chegam a se organizar em falanges, invadem ambientes, fomentam movi-

Osvaldo Polidoro mentos. Pior fazem quando são inteligentes, quando se infiltram como ovelhas, levando de roldão até mesmo os mais sinceros adeptos da Doutrina. Mistificam bem, fascinam ainda melhor, dominam e causam abalos tremendos, quando conseguem atuar longamente. Eu sei de inúmeras criaturas, que se apercebendo das falhas, não tendo a devida hombridade, a fim de enfrentar a situação, continuam ao rés da crosta, passando por grandes iniciados, por valorosos mestres, incutindo aquelas concepções à custa das quais se viram um dia desavidos com a Lei. Como não faltam elementos encarnados do mesmo jaez, precipitados em seus anseios, vaidosos de suas pretensas validades psíquicas, estabelecem ambientes, dividem e dominam. Como a Lei confere liberdades, para que a iniciativa individual tenha oportunidade de exercício, e por si mesma aprenda o melhor, muitos são os que mal a interpretam, julgando estarem acima da Lei, de onde se excedem nas piores faltas. Quero deixar bem patente esta afirmação — embora nem todos possam, de um momento para outro, cambiar de característica doutrinária, cumpre a todos respeitar a melhor verdade conhecida. Sem ser pelas verdades menores, como se chegará a grande Verdade? Eu, e comigo muitos companheiros, vimo-nos um dia presa de infeliz concep-

O Mensageiro de Kassapa ção. Infeliz é o termo, por haver sido espontânea a falta, não proposital e nem mal intencionada em base. Por que não vir falar a verdade, nua e crua? Sei a razão porque estas narrativas estão sendo feitas; reconheço que obedecem a plano de bem mais alto determinado, em virtude do ciclo que se vence, da tremenda mutação de ordem geral que a Terra defrontará. Mas, se por esse motivo não fosse, se não tivesse sido convidado a depor nesta torrente de narrativas, para efeito de complementação doutrinária, por que motivo deveria silenciar a respeito da causa justa? Quem tem o direito de, por vaidade pessoal, por orgulho ferido, esconder aquela realidade que a outros poderá evitar maus bocados? * * * Fomos divididos por grupos e indicados a imediatos estudos e trabalhos. O mentor chefe do instituto, diremos um bom homem ou dedicado servo do bem, sendo também ele um velho sofredor, infeliz discípulo de corrompida doutrina, falou-nos de maneira singela, de igual para igual: — Queridos irmãos, eu também poderia estar em região melhor, até mesmo em melhor esfera. Como, no entanto, perfilhei erros doutrinários,

Osvaldo Polidoro tendo errado e forçado a errar, aqui me encontro, nesta esfera, região e local, dirigindo este instituto. Alguns de vosoutros, bem sei, poderiam ir além, trabalhar em outras esferas e regiões, bem pouco superiores a estas; mas, convenhamos, nunca poderiam obter mais vantagens do que nesta casa de educação e trabalho, cujos serviços são realmente imediatos, necessários e diretos, por estarem ligados ao meio de onde estais vindo, ao qual vos tendes preso por variantes motivos. Sabeis que lá ficaram velhos companheiros, sólidas amizades, elementos dignos de vossos pensares, criaturas dignas de vossas aflições. É por isso que, como elemento experimentado, e por sugestão de Calil, faço esta exposição de motivos. Quem, no entretanto, estiver desejoso de ir além, pode manifestar livremente o seu desejo, que consoante a Lei será atendido. É o que me cumpria dizer. Consultei o grupo do qual era parte integrante: — Devemos responder. Que dizem vocês? Eu quero ficar aqui mesmo. Aquele que fora tido como revoltoso, cujo nome era Tigranes, respondeu: — Pode estar certo de que desejamos ficar aqui. Temos a mais plena certeza de que, nestas

O Mensageiro de Kassapa plagas, em qualquer parte encontraríamos irmãos adoráveis, simplesmente absorventes. No entanto, achamos melhor ficar por aqui mesmo, atendendo ao que ventilou o irmão Jácomo, nosso querido mentor chefe. Jácomo nos agradeceu, tendo-nos entregue a um seu auxiliar, de nome Pedro, também ex-sacerdote católico e missionário na Índia, onde ambos faleceram. Pedro, enquanto nos conduzia ao compartimento indicado, falou-nos: — Observo que cogitam de maneira errada; não irão aprender catolicismo, e sim Cristianismo. Verdadeiramente, fomos missionários na Índia, como sacerdotes católicos. Todavia, como aconteceu com vocês, a quem a morte fez ver que militavam em erro, também a nós o mesmo se deu. E, também como a vocês, tivemos que aprender a Doutrina do Cristo, após sermos recolhidos. Haveis de apreciar o trabalho e o estudo, pois se o trabalho é instrumento de conquistas e merecimentos, o estudo gira em torno da Verdade, não tendo caráter sectário, não dizendo respeito a forma alguma de cleresia. Isto deveis entender, acima de toda e qualquer cogitação — O Cristianismo não é clerical de forma alguma!

Osvaldo Polidoro Tigranes, admirado, interpelou-o: — O Cristianismo não é clerical de modo algum?! Então, que fazem as religiões, a romana, a germânica, a anglicana, e os ramos cópta, grego, russo, etc.? Todos esses Cristianismos se fundam em ferrenhas clerezias, em grupos que se disputam, em verdadeiros exércitos sectários! Pedro sorriu, benevolente, esclarecendo: — Por isso mesmo, por não serem Cristianismos, como diz. O Cristianismo é a Igreja Viva edificada sobre o culto da Lei e da Revelação. Assim como o praticavam os Apóstolos, assim devem-no tornar a praticar os cristãos e todos aqueles que de fato tenham vontade de conhecer e cultivar a Verdade. Tigranes reclamou um momento de atenção. — E não é inteiramente vossa a nossa atenção? — redarguiu Pedro, estacando. — Então, diga-me, bondoso servo do bem, será que se trata do Batismo de Espírito, do Consolador? Verdadeiramente, irmão, essa tese do Novo Testamento nunca me pareceu clara ou lúcida, mas sim místico-lendária, talvez mesmo um mero caso de invencionice, com o fito puro e raso de engran-

O Mensageiro de Kassapa decer a figura de Jesus, a quem pretenderam inculcar o direito de ser o único filho de Deus. Ora, nós temos certeza de que tudo é filho de Deus, seja a matéria ou seja o espírito; temos a mais absoluta certeza, também, de que o Batismo de Espírito durou muito pouco, se é que de fato existiu. Enquanto os Apóstolos pregavam, conta o Livro dos Atos, se bem me lembro, davam-se manifestações no mundo astral, com muitos sinais interessantes, convencendo a quantos estivessem presente. Paulo, o grande convertido, só o foi através de uma grande manifestação do espírito de Jesus, tendo escrito ele mesmo, a seguir, como se deveriam reunir os cristãos, a fim de cultivar o Batismo de Espírito ou Consolador. Mas, como deve saber, isso não existe no seio das igrejas que se dizem do Cristo. Ou mentiram os historiadores ou são mentirosos aqueles que agora se dizem cristãos. Essa é a minha observação, bondoso irmão. E uma vez que salientou estar consciente de certa dose de prevenção, de nossa parte, para com os aprendizados que devemos fazer, quero dizer que a isso diz respeito, pois temos certeza de perder na troca. O Budismo, em face do Batismo de Espírito, está no seu elemento básico doutrinário, creio que nem perde e nem ganha, a não ser que haja muito avançamento nos detalhes; com relação aos Cristianismos que conhecemos, dogmáticos e idólatras, nada teríamos a ganhar e muito teríamos a perder.

Osvaldo Polidoro Pedro deu-lhe a devida resposta, assegurando- -lhe: — Nós somos cristãos, e não cismáticos; apraz -nos conhecer e cultivar a Verdade e não acompanhar corrupções e comercialismos. Depois de estudar aquilo que se vos apresentará, podeis dizer a respeito o que for de melhor critério. Em linhas gerais, podeis estar certos de que, para o bom cultivo do Batismo de Espírito, aguarda-se o melhor cultivo da Lei. Sem o melhor comportamento Moral a Revelação jamais poderá ser bem cultivada. Paulo, ao ensinar o modo de reunir, para cultivar a Revelação, ou prosseguimento do grandioso fenômeno do Pentecostes, fê-lo de modo radicalmente apostolar. Assim como escreveu na Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo quatorze, versos de vinte e dois a trinta e três, assim é que praticavam eles, os Apóstolos. Sem clerezias, sem formalismos, sem idolatrias, sem explorações, sem politiquismos, sem isso tudo que começou em Roma, no quarto século, e que tem enchido a Terra de erros e descrenças. — Então — interpelei-o — teremos na Terra uma restauração do Cristianismo puro, do Cristianismo nascente? Revelando estranho brilho nos olhos, Pedro afirmou:

O Mensageiro de Kassapa — Teremos, não; é que já temos. O Cristianismo de verdade está reposto no lugar. O Pentecostes voltou a ser vivo e presente, embora cada um cultive conforme seu alcance em Moral, em sabedoria e segundo as faculdades que possua. Em base, no entanto, está restaurado e codificado. Foram à crosta grandes Emissários de Jesus, a fim de restabelecerem de novo o culto do Batismo de Espírito. Haveis de estudar a questão e haveis de praticar a Doutrina do Cristo. Para que se saiam bem, tanto basta que respeitem ao máximo a melhor verdade que cheguem a conhecer. Naquele dia, nada mais aconteceu de importante, pois fomos entregues a um chefe de grupo de nome Wassilof, e que fora em vida um russo muito viajado, mas pouco afeito às coisas do espírito, e que, então, fazia escalada nos rumos da Verdade Maior. Wassilof, apesar de tudo, ou da sua tendência excelentemente prática, era dócil e estimava servir. Com muita cordura exigia o total cumprimento das ordens. Em caso de faltas, reclamava informes exatos e procurava auxiliar ou punir, com exatidão. Quando alguém alegava impossibilidades, por insuficiência pessoal, sopesava o fato, reforçava com os elementos necessários e providenciava os recursos devidos. No dia seguinte, sendo por ele chamado, recebi esta incumbência:

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