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Capítulo 2 de 14

Osvaldo Polidoro — parte 2 de 14

O Mensageiro de Kassapa · Osvaldo Polidoro

Osvaldo Polidoro vos. Por isso mesmo, combata quem quiser minha assertiva, mas eu afirmo que o melhor modo de se saber como viver na carne, é saber como se poderá ser aqui recebido; porque aqui se recebe conforme o que aí se obrou. Quem puder estudar as nossas informações, que o faça com inteireza de ânimo e aproveitamento, porque o dia chegará de fazer confrontação prática. A Revelação Védica data de quase uma centena de milhares de anos. Em seguida a ela muitas outras se somaram, algumas de altitudes soberanamente sublimes. Dentre elas considero as búdicas, cuja origem se perde na profundeza dos milênios, embora contenham exclusivo acento humanista, mesmo que não tenham por objetivo transformar seus crentes em adoradores de Deus, isto é, adoradores à maneira das crenças cujos programas litúrgicos valem por verdadeiras resmas de formalismos e comércios temporais. Apesar de tudo, principalmente de seus erros filosóficos, e do seu nenhum teor científico, o budismo, sendo humanista, por isso mesmo revela o mais reto caminho à paz. É, como pode ser, um verdadeiro programa decentista, uma barreira levantada contra os estorvos do vício e de todos aqueles conceitos e preconceitos que mais dividem os homens. Depois de ressaltar a estrutura e a contextura dos trabalhos de servidores do estofo de Hermes,

O Mensageiro de Kassapa de Zoaroastro, de Apolônio; dos Patriarcas hebreus, de Moisés, dos Profetas, do Cristo; enfim, de todos os grandes vultos centrais, eu me pergunto o motivo de só agora, no século vinte da Era Cristã, ter havido ordem para se ir revelando estes planos e as suas variantes condições e modalidades de vida e realizações. Quero crer no fator merecimento, mais ainda na ordem preventiva, pois a Terra ingressará em grau hierárquico imediatamente superior. Mas não quero aceitar aquela alternativa que fala na falta de melhores condições intelectuais das gerações pretéritas. Humanidades que tiveram aqueles supracitados mestres, por certo podiam comportar estas afirmativas, tudo isso que se há dito a respeito destes planos e sua mesologia complexa. De toda e qualquer forma, o século vinte encerra uma das marcas que assinalam grandemente a lenta caminhada humana sobre a espiral evolutiva. Tendo sido eu convidado a relatar fatos, formando na fila extensa de narrativas onde o matiz individual se entrosa implicitamente na ordem geral, nada mais quero fazer que objetivar aquele triúnviro básico, fora do qual ninguém jamais conseguirá subtrair à si mesmo vantagens quaisquer — origem divina, individualidade e organização do caráter. Tudo gira em torno desses pilares e só se poderá subir ou descer em seu bojo. Aí se volta a criatura aos píncaros do Amor e da Ciência, se fizer

Osvaldo Polidoro por isso, como aí se projetará aos abismos da mais variada ordem, se também a isso quiser dedicar-se. O pêndulo é o sagrado direito de livre-arbítrio, o órgão motriz cuja capacidade cessa quando se atinge a fronteira das faltas ou o seu limite máximo. Nisto é que há necessidade de muita atenção — saber como usar tão responsável instrumento, elemento de tamanha magnitude, através do qual tanto se pode construir o Céu como se pode chafurdar nos tredos abismos. Quem meter o livre-arbítrio a funcionar no rumo da Lei, muito bem; esse terá encontrado o caminho certo e a estrada límpida. Mas aquele que fizer em si, através das obras, serviço de contradição, esse terá que se entender com os rigores da judicatura básica. Tudo poderá ser esquecido, menos a vigência da Lei no plano das obras em geral. Nunca cessará a vida espiritual e jamais deixará de ser presente a Lei. Julgar certo ou errado, bom ou ruim, bem ou mal, antes de agir, tal é a máxima obrigação da criatura que atingiu o grau de consciência individual. Em última hipótese, deve compreender que será sempre juiz em causa própria, que jamais poderá se furtar à responsabilidade do ato praticado, bom ou ruim, a fim de ser recompensado. * * *

O Mensageiro de Kassapa Aqui deixo outro lembrete, de integral significação, pelo fato de terem incorrido em falta espíritos da mais alta envergadura, tais como alguns Budas e o Apóstolo dos Gentios. A Lei não é um Código de Moral adventício, exterior, feito para controlar a conduta intelectual dos homens. Não é exterior de maneira alguma, é interior a tudo e a todos, vigendo de dentro para fora, por ser um dos poderes de Deus, uma de Suas virtudes. Eu sei que mais de trinta irmãos falaram a respeito, através desta canaleta que uso; mas não quero perder a oportunidade nem o ensejo, afirmando que ninguém jamais se fará acima da Lei. Dela ninguém poderá se eximir, escapar, por ser de natureza íntima e absolutamente necessária. A Lei é a virtude divina que classifica, que ordena por especificação, colocando e situando a criatura com justeza. Sem Lei vigente, intrinsecamente vigente, ninguém poderia atingir estado ou grau, infernal ou celestial, por falta de ÓRGÃO competente. O conhecimento da Lei Decalogal data de muitos milênios antes de Moisés, pois este colossal missionário foi objeto de repetição fenomênica, aliás o que sempre houve e haverá, pois a Diretoria Planetária envia a lição, sempre que dela haja necessidade no seio de algum povo e quando se faça inadiável. O conhecimento da Lei escrita vêm dos milênios, as gerações indianas não sabem ao certo de quando. No entanto, saiba-se de uma vez por

Osvaldo Polidoro todas, ninguém jamais se fará acima da Lei, pois ela não é convencional, não tem poder relativo, não é exterior. A Lei escrita foi enviada para fazer conhecer seu conteúdo íntimo, para lembrar ao homem que ele encerra uma FORÇA EQUILIBRA- DORA, absolutamente vigente, esteja onde estiver, vá para onde for, seja para o Céu ou seja para os baixios. E que é por ela que se elevará ou descerá, assim como a empregar em suas obras. O Pai, o Filho, a Lei e o Espírito Santo, valem pelos quatro pontos cardeais da sabedoria bíblica. Significam Deus, a Criação, o Poder Equilibrador e a Virtude. Formam UM SÓ. Como CHAVE representa TODA A SABEDORIA. Tudo quanto existe no plano relativo, ou na Criação, seja espírito ou matéria, constitui parte integrante do Filho e comporta os dois últimos fatores, que são a Lei e a Virtude, e que são a princípio ignorados pelo espírito. Assim que o espírito se alça nas asas da evolução, ingressando no plano hominal, começa a ter vislumbres de justiça e de moral; inicia o conhecimento dos poderes íntimos que encerra, das forças latentes que virá a despertar e à custa das quais se projetará às alturas celestiais. Cumpre não olvidar que a Lei e o Espírito Santo, para os melhores conhecedores, são virtudes di-

O Mensageiro de Kassapa vinas que a criatura comporta, encerra ou possui, e que deve despertá-las. Com essas forças fará tudo, sem elas nada poderá fazer. Não deixo aqui vaza para contradições — afirmo que ninguém jamais poderá destruir essa realidade. Os conceitos humanos passarão e a VERDADE triunfará. Quem desperta em si o que se chama Espírito Santo, amplia suas possibilidades de relação, em todos os planos e interplanos, porque essa Virtude é a de relação, é aquela que força ao entrelaçamento entre Deus e as criaturas entre si. Um indivíduo bem despertado é um grande médium, chegando a não encontrar barreira nas leis ditas inferiores, naquelas que separam os dois planos da vida, o encarnado e o errático. Todavia, cumpre saber, os graus de desenvolvimento variam ao infinito, fazendo com que se encontrem muitos médiuns e de variantes capacidades. Despertar essa Virtude é tornar-se muito responsável. O mundo apresenta fartos exemplos de corrupção no emprego desse Poder. De bom senso, digamos, despertar essa Virtude devia ser o mesmo que subir no culto da Lei, do Poder Equilibrador, que significa hierarquia espiritual. No entanto, repetimos, há muita falha na criatura e os vícios nefandos prejudicam a manifestação das virtudes, diminuindo os valores e fazendo claudicar os poderes.

Osvaldo Polidoro De toda e qualquer forma, somos possuidores do Pai, do Filho, da Lei e do Espírito Santo. E tudo quanto temos a fazer é crescer nesses PODERES BÁSICOS, a fim de nos tornarmos poderosos ou virtudes celestiais. Não finda jamais a individualidade, como pensaram alguns dos maiores mestres da humanidade; o que ocorre é muito simples — por sintonia com a DIVINA ESSÊNCIA a vontade do indivíduo passa a ser como a Vontade de Deus. Eis a meta final do processo evolutivo! * * * Minha última vida na Índia foi no século dezoito, constituindo o final de uma longa carreira conceituista; de tal modo estava certo de minha entrada no Nirvana, que me propus, nos dias finais, a não me alimentar. Tudo em mim era espírito, nada mais do mundo devia me importar e importunar. Como a vontade era poderosa e muito bem dirigida em continuidade, a libertação se processou em boas condições, em perfeita ordem, embora em grau hierárquico inferior. Nada de Nirvana, coisa alguma de me fundir com a ESSÊNCIA UNIVERSAL! Vaguei pelo ambiente onde outros já vagavam, também eles pretensos despertados e felizes libertados. O ambiente era de paz, tudo fora

O Mensageiro de Kassapa se fazendo límpido e penetrável, mas faltava intensidade, não havia autoridade. Se o primeiro instante foi de prazer, a seguir se manifestou sensível desagrado, para logo tomar posto sofrível estado de tormenta íntima. Não quero depor contra o dever de cultivar a paz, a fim de hauri-la no plano astral, quando a separação se processar. Teço aqui os meus encômios a essa obrigação inadiável e intransferível; que ao menos se mereça a paz! No entanto, que ninguém se iluda pensando ser ela tudo, representar a escala total. A sabedoria confere autoridade, gera o poder quando aliado a paz. Ninguém atingirá supremos postos só à custa de paz, bem assim como também nada fará com a simples sabedoria. A paz é imprescindível. A sabedoria é complemento. Juntas é que produzem aquilo que chamamos de autoridade. Eu havia cultivado a paz, uma paz filha do mais acendrado comodismo. Não tinha ciência e era falha a minha filosofia. Logo não possuía sabedoria e nem acúmulo experimental, estava aterrado em minha pobre paz. Muito outra, meus amigos, é a tremenda lição do Espiritismo. O Reino do Céu é para os trabalhado-

Osvaldo Polidoro res, não para os enferrujados. O Céu dos comodistas é bem rente ao plano carnal, é bem pobre de recursos celestiais, é intensivamente fraco, quase vazio de tudo. Quem poderá desdizer o tremendo lastro de verdade que a realidade espírita proclama? Onde está o conceito humano capaz de eliminar o que é de procedência superior? Onde irão parar as manobras religiosistas, as artimanhas clericais, o produto das invejas, o despeito e a falsidade? Então o que é humano e ronceiro deve confranger o que vem da Suprema Causa? Deus deve proteger a malícia, o engodo, a farsa, a exploração, para de fato ser Deus? Muita gente o entende assim; mas está errada, está virtualmente fora da trilha honesta, pois a Lei não aceita pretensas justificativas, mas quer apenas ser vivida. Vamos compreender bem esta assertiva — a Lei é para ser vivida, porque é valor íntimo e não formalidade, é poder intrínseco e não código adventício! O centro de gravidade dessa matéria fundamental, que por isso mesmo acima de convenções humanas, pode muito bem ser interpretado pela sentença que vem dos antigos Budas, cuja origem se perde na poeira dos milênios: “AQUELE QUE ME QUEIRA ADORAR, QUE FAÇA ATRAVÉS DE OBRAS MERITÓ-

O Mensageiro de Kassapa RIAS, QUE VENHA PELO SEU IRMÃO, QUE SE FAÇA AMORÁVEL E SÁBIO”. É por isso que eu disse, de início, conter ainda bastantes recalques budistas, fartas marcas psicológicas em favor da doutrina humanista. Os Budas cometeram erros, conceberam mal sobre temas da Verdade, mas foram tremendamente grandes ao reconhecer a melhor das verdades libertadoras – aquela que não manda oferecer bugigangas a Deus a pretexto de ato de fé. Tudo no budismo, em matéria de salvação, repousa no culto dos desprendimentos materiais e no melhor trato social. Quem não sabe ser decente para com seu irmão, que se não defenda através de atos e atitudes hipócritas, pois as malícias multiplicam os erros ao invés de os justificar ou eliminar. Eu sei que há exageros contemplativos no budismo; sei que ele honra em excesso a doutrina da abstração e da abstinência; sei que relega a plano inferior, e que chega a negar o merecimento de atividades indispensáveis ao aprimoramento moral e científico do espírito. Sei, em linhas gerais, que a Lei não se abala com essas concepções, reclamando atividades e atenções, trabalhos e acúmulos experimentais. Sei que, de fato, muitos pretensos libertos, ou Budas, voltaram à carne, em outros tempos, em outros países e para fins complementares. Eu

Osvaldo Polidoro sou a prova de que isso é por Lei. Mas eu sei que, colocando no seio da doutrina budista o conhecimento daquela verdade que o Diretor Planetário veio derramar sobre toda carne, que é o Batismo de Espírito, ela encerra tudo o quanto há de mais nobre e necessário, como instrumento da libertação espiritual. O budismo não é, em sua essência, nem formal e nem idólatra; vale por todo um programa de Ética aplicada. Se vier a contar com a oferta do Pentecoste, de cuja magnificência fez Paulo de Tarso recomendação absoluta nos capítulos doze, treze e quatorze da Primeira Epístola aos Coríntios, como se fará ínclito órgão de instrução e libertação? * * * Conforme já citei, minha última desencarnação em terras da legendária Índia me colocou numa encruzilhada, num dilema bastante constrangedor. Rico de paz, mas pobre de valores despertos, de experiências acumuladas. Estava bem, mas voava baixo e curto. Não possuía extensibilidade. Não podia alcançar na prática aquilo com que tanto sonhara — a integração no UNO, a libertação integral! Já disse que integração no UNO é verdade específica e não geral; a individualidade nunca ces-

O Mensageiro de Kassapa sa, havendo unificação vibratória. O filho passa a observar com inteireza a Lei, faz-se tentáculo do Pai. Sua vontade é segundo a Soberana Vontade, pauta-se por ela, segue-lhe o rumo em toda linha. Eu pretendia isso, fazia tempo que pretendia; e pensava estar na posse desse direito. Sonhava com essa condição e ajuizava o prazer espiritual de semelhante situação. Mas a Lei é fundamental, é superior, não convindo com as apreciações humanas, de sorte que não me vi alçado aos rincões de Plena Luz, ficando rente ao chão dos encarnados. Tomava parte na vida dos monges, nutria-me de seus pensamentos, de seus frugais alimentos, da duplicata de tudo que é do meio material e humano. Esta verdade já vos é do conhecimento — todas as coisas se desdobram em duplicatas, em valores substanciais, em formas e condições para vós desconhecidas. O mundo astral é feito da rarefação do mundo sólido, facilitando condições e situações iguais às vossas, muito piores e muito melhores. Não existe um plano espiritual promíscuo, onde tudo e todos se misturam; pelo contrário, há muita ordem, há muita divisão e todas as chefias necessárias. Na atmosfera da Terra há um pouco de promiscuidade, pois se mesclam os mais contraditórios elementos, as mais diversas gradações hierárqui-

Osvaldo Polidoro cas, para efeito de vantagens em geral — ensinam alguns, aprendem outros, etc. Também vivem nela elementos desencarnados de variantes matizes, além de centenas de milhares de encarnados, cujos corpos estão dormindo. Mas há ordem, nada é por acaso. Nas esferas da subcrosta, em que pese a característica trevosa ou inferior, de modo geral penosa ou infernal, reina muita ordem, porque tudo se divide por zonas, por circunscrições e chefias. Nunca se poderá dizer que alguém esteja mal por acaso, que a Lei não tome tento e que deixe sem atividade a Justiça. Como já disse, é que repito — Lei é Poder Intrínseco, é parte do Organismo Geral, está em tudo e em todos, no Céu e na Terra, na parte e no Todo. Um tremendo serviço é feito na Terra pelos espíritos guias, ditos anjos-de-guarda e pelos familiares e amigos; o entrelaçamento entre as esferas governantes é imenso. Fervilham trabalhos, descidas e subidas. Movimentam-se ordens, atenções, trabalhos e serviços múltiplos. É fantástico o plano geral! Pontes e caminhos vivem atulhados de servidores. Espíritos mais avantajados em poderes despertos varam tudo, segundo as ordens a cumprir, pois se fazem acima de barreiras e vencem distâncias como entendem e seja necessário. Já não se trata de falar em Deus, crer ou ter algum credo; é a Verdade em plena vigência, ativada pelos ten-

O Mensageiro de Kassapa táculos fundamentais da Lei! A Justiça, que é a Lei em ação, paira no recesso de toda e qualquer movimentação. É deslumbrante o espetáculo! Como é simples, amigos, compreender a Divina Presença, sentir a UNIDADE, vendo estas maravilhas a funcionar. E isto é apenas a Terra... Que diremos do Universo Infinito?!... Quando estava cansado de viver entre os monges encarnados, conversei com alguém, um dos companheiros de rentura: — Devemos ficar toda eternidade assim, se é que a vida do espírito é mesmo eterna? Que acha você? Devemos tomar uma iniciativa qualquer? Com ar sofrido, encolheu os ombros e sussurrou: — Desde quando, não teremos feito alguma coisa a fim de melhorar? Todavia, se Brama deseja alguma outra atividade, eu não sei qual seja... Eu não sei... Notando-o constrangido, observei: — Bem, ao menos estamos em paz, poderíamos estar em pior estado, como esses que perambulam pelas ruas, pelas casas, e aqueles que rastejam pelas sarjetas. É verdade que nossos desejos

Osvaldo Polidoro são puros, superiores, e que gastamos a vida toda em preparos, sem quase nada adiantar... É verdade que alguma coisa não está bem... Um dos muitos companheiros alvitrou, interrompendo-me: — Vamos fazer uma série de orações no Templo? Outro retrucou: — Voltaremos ao estado de idólatras? Não temos cultivado a melhor fé? Não temos forçado no íntimo a união sagrada? As vibrações do material seriam mais do que nossos próprios recursos íntimos? O propositor redarguiu: — Sim, é verdade. Mas onde ficou a união? Estamos unidos no chão e nenhum irmão superior nos dá a menor atenção. Todos fogem de nós. Só os guias nos procuram, só os encarnados nos veneram, pensando que somos parte de Brama, julgando a união feita pela libertação. No entanto, onde está a união? Devemos ficar eternamente esperando? Esperando o que? O interlocutor obtemperou, bastante amuado:

O Mensageiro de Kassapa — Vamos orar na floresta, então? O esplendor da natureza talvez concorra para nos fazer desabrochar as virtudes do espírito... Sobre ele choveram advertências e impropérios, vindos de todos os lados e nos mais variados matizes acusatórios. Por fim, ele mesmo disse, resoluto: — Não vos estou convidando; estou apenas dizendo que tenho o direito de dar minha opinião, de ter ideias próprias. Portanto, com ou sem a vossa concórdia, eu vivi pensando como os outros pensaram, posso uma vez ao menos pensar a meu inteiro gosto. No que resultou pensar conforme os velhos ensinos? Onde estão os oito Budas principais? Por que não nos visitam e recolhem os trinta e quatro Budas, os maiores e os menores? Não com ira, mas visivelmente indignado, arrematou: `— Não temos tido certeza de que Brama está conosco; mas estamos certos de estar com nossas próprias convicções. Ora, convicções humanas não é que fizeram o Universo! Os Budas, se tal foram, não terão sido os autores de Brama, porém apenas filhos de Brama. E quem poderia dizer, com absoluta certeza, a respeito das leis de Brama?

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