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Capítulo 10 de 14
Osvaldo Polidoro — parte 10 de 14
O Mensageiro de Kassapa · Osvaldo Polidoro
Osvaldo Polidoro Fomos ver, também, o Egito. Não o moderno, mas sim o antigo, aquele Egito ungido pela influência dos seus Hierofantes, dos seus grandes místicos, filhos doutrinários da ciência que lhes veio dos extremos orientais, do budismo que também se chama ou chamou vedismo, pois nisso tudo apenas houve ingerência de fatores semânticos. No fundo, uma só é a raiz, embora os ramos da Sabedoria Antiga rompam em diferentes matizes direcionais. É assim que vamos encontrar as mesmas chaves em Hermes, em Rama, em Zoroastro, em Apolônio de Tiana, em Orfeu; nos Grandes Filósofos da China, da Grécia, etc.; nos Patriarcas hebreus e nos incontáveis sábios da Caldéia e da Assíria. Por toda parte se infiltrou a Verdade, conduzida pelos vultos para tanto vindos ao mundo. Seria intérmino um serviço de relacionamento, mormente em vista dos grandes cataclismas que se fizeram presentes, muitas vezes mudando a feição geográfica dos continentes. Na linhagem dos vultos ressalta o trabalho feito por Henoch, aquele que, viajando pelas mais distantes terras, encontrou os melhores conhecimentos e os trasladou para bandas ocidentais. A esse grande espírito se devem grandes serviços prestados à obra de espiritualização do mundo. Ele organizou a Ordem dos Essênios, a Escola Profética Hebréia, em cujo seio repontou gloriosa a secção nazarena, aquele agrupamento de votados ao Senhor, de es-
O Mensageiro de Kassapa colhidos para o ministério das faculdades mediúnicas. O patriarcado entregou o conhecimento às gerações futuras, que de sua parte foram produzindo vultos de estofo, como o foram Moisés, Josué, Samuel, Davi, Salomão, e toda aquela pleiade iluminada, que, começando em Elias e Eliseu, forneceu a cadeia de arrebatados Profetas, de luminares da Verdade, no seio trêfego das convulsões e das sanhas clérigo-imperialistas. Foram, como afirmou Jesus, massacrados por aqueles aos quais serviram com as luzes da Verdade; mas o seu testemunho ficou, frutificou na obra imensa dos séculos, acima de tudo na época imortal do Calvário. O Calvário foi visto como um salto havido entre o Cenáculo existente nas imediações do Mar Morto e o Batismo de Espírito; Jesus afiançou que o seu Batismo viria como consequência da Sua lapidação pelos homens. E assim foi, pois a saída daquele tradicional Cenáculo, onde se preparara, foi uma linha reta na direção do formidável evento mediúnico. Os dois primeiros capítulos do Livro dos Atos, valem pela resenha de todas as afirmações proféticas; as promessas do Céu se cumpriam, a humanidade herdava o direito de ficar livre de todas as chicanas clericais, de todos os embustes sectários. O sol da Revelação viria em abono da humanidade e o Apóstolo dos Gentios poderia escrever com letras de vida o capítulo doze da sua
Osvaldo Polidoro primeira Carta aos Coríntios. Era o grito de liberdade contra a tirania dos conchavos idólatras e das explorações em nome de Deus; o Céu e a Terra se entrelaçavam através da função missionária de Jesus; o Batismo de Espírito estava consumado! Vimos o trabalho dos seguidores do Cristo; acompanhamo-los através de lugares e tempos. Onde estava um discípulo, ali estavam falanges de espíritos devotados à Causa Sagrada. Vimos heroísmos e traições, avanços e recuos. Por fim deparamos com o fatídico século quatro, em cujo primeiro quartel viu-se a obra de Jesus truncada e vilipendiada; Roma deu fim ao Batismo de Espírito e impôs ao mundo a mais desenfreada e cara idolatria de todos os tempos. As trevas cobriram o mundo ocidental, pois a Revelação era punida como sendo obra de Belzebu, por aqueles que em nome do Cristo faziam o jogo do Império, de seus domínios e de suas sangueiras. Se longas foram as trevas, lucilantes se apresentaram as primeiras estrelas no firmamento da restauração. Wicliff, Huss, Lutero, Giordano Bruno e alguns outros, foram verdadeiros axiomas da Ordem Suprema, a movimentar os valores corolários representados por milhares de sinceros devotos da Verdade. Os vultos máximos foram vistos como grandes estrelas a fornecer luz e incitamentos vi-
O Mensageiro de Kassapa gorosos; a colmeia preposta, ao redor, apanhou os fachos e fendeu as trevas do paganismo romano, da burla que de há muito fazia o que bem entendia em nome da Verdade. Eram os anjos do Senhor, a travar luta contra a besta que tem sete cabeças e dez cornos, como assinala o Apocalipse, besta cujo único fim era pretender devorar a Revelação, liquidá-la de uma vez para sempre. Houve comoção em todos os recantos do mundo astral, nas esferas próximas, ao eclodir no mundo a grande manifestação mediúnica do século dezenove; era o Batismo de Espírito que retornava ao pedestal de direito, mas em larga escala, forçando ao retorno do verdadeiro Cristianismo. É que, esgotado o tempo previsto pelo Cristo, como sendo aquele que haveria trevas sobre a Terra, em virtude dos erros cometidos e recalcados, a Revelação, que foi chamada o Consolador, de novo brilharia nos horizontes da humanidade, proclamando a renovação necessária. Kardec surgiu, a frente de incontáveis legiões, hasteando a bandeira alvinicente, o estandarte onde se lia apenas duas palavras — “LEI” e “REVELAÇÃO”. Desde então, a influência jorrante do Pentecoste avançou em todos os rumos, atingiu os mais
Osvaldo Polidoro afastados rincões do planeta. Falando agora, cem anos depois, temos que considerar o quanto fez a bem da ordem e do equilíbrio, precisamente num tempo em que o materialismo atingia os píncaros do pensamento, nutrindo com seu traiçoeiro veneno as garras infernais que se propunham a enterrar na estrutura espiritualista da humanidade, obrigando-a a retroceder nas conquistas nobilitantes. Para saber o que fez a bem da humanidade o retorno do Pentecoste em larga escala, só mesmo avaliando o quanto seria terrível haver deixado livre o materialismo. Foi o Céu a socorrer a Terra, num dos seus mais críticos momentos. Em particular, devo acentuar uma verdade, tenho por obrigação testemunhar um fato — eu também tive por instrumento de convicção o fenômeno mediúnico ostensivo, cultivado nos moldes espíritas. Foi o contato puro e simples entre os dois planos que me fez ceder em concepção a bem do Cristianismo; assim como foi através de uma demonstração divinamente superior que me convenci de ser Jesus o Diretor Planetário. Sidanval, sempre atento a toda intenção feliz, ouviu-me: — Já revi a história da Terra e de sua humanidade. Vi os Grandes Reveladores e compreendi
O Mensageiro de Kassapa os propósitos do Céu, bem assim como observei as corrupções, as alterações e as explorações que posteriormente foram levantadas pelo próprio homem, tudo a bem de conchavos, de maquinações clericais, de agrupamentos que se propuseram a torcer a Verdade em benefício de interesses subalternos e até criminosos. E respondeu-me em tom paternal: — Raul, você não é mais um neófito das verdades básicas; você já sabe que a Verdade está no imo de tudo e de todos, devendo ser desabrochada nos “eus” individualizados, ou espíritos, a fim de que se tornem servos do TODO, cooperadores de Brama. Revendo sua própria história, reconquistou poderes e recursos anteriormente desenvolvidos e patenteados. Deve, de hoje em diante, sempre que lhe surja pela frente um pensamento, uma questão, um dilema, encará-los do ponto-de-vista mais consciente, mais racional, em relação ao seu grau de conhecimento. Ponderei: — Eu revi a história da humanidade e observei os Grandes Mestres; tenho perfeita noção das influências que seus ensinos causaram; sei que a humanidade, pouco mais ou menos, em matéria
Osvaldo Polidoro de evolução, acha-se no ponto em que conseguiu chegar, pelo aproveitamento daquelas Revelações. Enfim, tem o que conseguir assimilar e seu valor representativo não é outro. Mas, meu caro irmão, eu não tenho prática alguma daquilo que vi. Eu sei que o Cristo batizou em Espírito, e que a Igreja dera curso ao Seu Batismo durante três séculos, até Roma perverter a doutrina e impor suas maquinações idólatras e politiqueiras. Isso eu vi muito bem e muito bem compreendi. Vi, também, Kardec aparecer, transportando o estandarte onde se lia duas palavras — “AMOR e REVELAÇÃO” —, e que o seu curso foi a toda humanidade, convocando todas as gentes, em todas as partes, para um único fim, que é conhecer a Verdade. Mas, de prático, que sei eu? — De hoje em diante, — respondeu-me ele, — terás grandes oportunidades; irás ver e praticar o culto do Batismo de Espírito. Entrementes, lerás com atenção os quase 80 textos que falam a respeito, através de toda a Bíblia, pois terás que fazer um relato, a tal respeito, assim que te julgues capacitado. Não é teu caso que estamos levando a sério, mas sim o fato em sua feição universal por ser inteiramente humano o problema. De mais alto aguardam o nosso trabalho, a fim de que se torne beneficente a milhões de seres, a fim de que se constitua uma obra de esclarecimento universal.
O Mensageiro de Kassapa Este acontecimento, por menor que seja, se tornará um item, pelo menos, da grande jornada idealista. Valerá por um ponto na escala dos eventos cíclico-históricos. Indicará o Caminho a quantos o queiram seguir, de maneira simples e afortunada. Desse dia em diante, dessa revisão fantástica, é que pude estudar e apreciar, de modo ostensivo, a tudo que havia sido feito no mundo, desde o nascimento de Kardec, arrastando após de si a eclosão mediúnica e a Codificação dos Princípios Doutrinários. Foi um dos grandes homens-símbolos da humanidade, desses que nascem para endereçar as gerações no rumo indicado pela Suprema Sabedoria. * * * Eu estava, consequentemente, a par da história religiosa do planeta; sabia o que havia sido e o que era, tendo vastos informes de futuros acontecimentos. Por ser funcionário do departamento espiritualista, de par com as leituras que fazia, observava com o máximo critério a rebusca pelos chamados Livros Sagrados. Feliz o possível para ter em mente, sempre presente, tudo quanto se relacionasse com a história religiosa, através dos Grandes Reveladores, não das religiões que se se-
Osvaldo Polidoro guiram, tendo na base seus cleros ou seus exploradores formais, aqueles que escondem a Verdade a fim de traficar com as quitandas de feitura humana, aqueles, como advertiu Jesus, que ficando nas portas não entram, não permitindo a entrada dos que poderiam fazê-lo. Lia e meditava, certa manhã, estirado à margem de maravilhoso lago, em cujas límpidas águas formosos peixes havia, que faziam suas cabriolas e espadanavam, enquanto nos ares as mais lindas e amigas aves cortavam rumos e enchiam a natureza de harmoniosos silvos, pios e cantos; ali estava, ora lendo um pouco, ora apreciando a fauna maravilhosa, quando notei que aves e peixes rodeavam e atendiam a alguém. As aves giravam em torno de alguma coisa para mim invisível e os peixes se agrupavam, num mesmo lugar, festejando qualquer coisa, aquela mesma coisa que eu não podia ver, não conseguia ver. Aos poucos foram vindo para o meu lado, foram se aproximando, até que aves e peixes se acumulavam na beira do lago, bem perto de mim. Comecei a sentir, então, divinal presença ao meu redor, sem ver nada. Vibrações sublimes me envolveram, fizeram-me entender que alguém ali estava, desejando falar-me, e que deveria ser alguém de grande postura hierárquica, algum dos Grandes Oficiais, como
O Mensageiro de Kassapa costumam ser chamados aqueles que são imediatos do Cristo ou de Seus imediatos. Compreendamos o seguinte — o Cristo possui imediatos que quase não se distinguem Dele, sem ser na ordem de Autoridade, pois Ele é o Diretor Planetário, e aqui, nas altas esferas, jamais se discute uma Autoridade. Tais imediatos, por sua vez, possuem tantos outros imediatos, para os serviços que lhes competem na direção das esferas, das zonas astrais, das regiões e seus múltiplos departamentos e serviços. A Terra, saibamos, a contar das esferas interestelares até o centro do planeta sólido, ou do mundo físico, tem muito mais verdade a mostrar, e astronômicos serviços a movimentar e fornecer, do que qualquer mente encarnada poderia supor. Não existe, como já disse, o desaparecimento em Brama; ninguém perde jamais a individualidade; a personalidade, entenda quem puder, essa é que vem a se constituir uniforme ou harmoniosa com a Lei, marchando paralela, sem jamais deixar de ser uma realidade distinta. É imperioso saber isto, para que mais tarde não haja dificuldade a ser defrontada. Em tal caso, ou consequentemente, a começar a Função Diretora do Cristo, temos uma formidável cadeia de sub-funções. Aos mais evoluídos, portanto, cumpre as mais altas funções. A estes é que se
Osvaldo Polidoro costuma chamar de Grandes Oficiais ou Elevados Mentores. Em verdade, eles executam a Lei através do Cristo Planetário. O Cristo é a síntese da Lei, é o Fiel da Balança, representa a própria Lei. Eu pensava estar na presença de algum Grande Oficial, portanto, sentindo aquela aura divinal ao meu redor, sem ver coisa alguma. O meu pensamento, em dado momento, foi ter no Mensageiro de Kassapa, naquele primeiro a nos visitar e instruir, quando estávamos perdidos, espavoridos, angustiados e desmoralizados. Foram aparecendo as cores mais belas e os ares se encheram de sons maviosíssimos. Tudo cantava e encantava; a terra que eu tinha debaixo dos pés, o ar que respirava, toda a natureza e toda sua maravilhosa fauna. O lago estava em frenesi e o espaço vivia seu festim de revoadas. O mais alto Céu parecia ter descido até aquela esfera. Tudo se fizera glorioso. Meu íntimo palpitava, estava sendo violentamente sacudido. O Céu interior, ainda não despertado, parecia querer saltar e ir rumo ao Céu exterior, daquela maravilhosa e divinal presença. Encantado, subjugado, curvei-me sobre o chão festivo e chorei a impulso da maior das alegrias de minha história; segundos passados, meiga voz ordenou-me:
O Mensageiro de Kassapa — Levanta-te, Raul, que o Senhor a ninguém deseja ver curvado. A inferioridade trabalha para encurvar o espírito, enquanto a Verdade tudo faz para sustentá-lo erguido, hirto e pronto a servir. Levantei-me, ainda soluçante, radiante de felicidade, e vi pela frente o grande amigo, o Mensageiro de Kassapa. — Quanto é grande a minha obrigação para contigo, querido irmão — falei-lhe. Fez sinal negativo de cabeça, afirmando: — Não assim como pensas. O certo é que todos nós devemos mútuas obrigações de auxílio, no âmbito da Suprema Lei. A Justiça, por estar dentro de nós, tem seu Tribunal Universal na Esfera Crística ou Diretora; por isso, servindo a Lei é que nos servimos uns aos outros. Eu fui atende-los na hora exata. Nada mais. — Podia ter mandado outro. É muito elevado funcionário, para estar atendendo espíritos tão endividados. Sua presença, aqui, por exemplo, eu a tomo em conta de subida graça do Senhor. Eu sei que muita distância nos separa, meu grande e querido irmão.
Osvaldo Polidoro Fez outra vez sinal negativo, dizendo: — Não deves pensar assim. Verdadeiramente, sou mais vivido e superior na escala hierárquica; mas, se nada fizesse pelos que estão atrás, assim como sou auxiliado por aqueles que me estão na dianteira, de que valeria a evolução conquistada? Demais, Raul, temos serviços a prestar, eu desempenhando a função de Mensageiro de Kassapa, que por sua vez é direto imediato do Cristo, e tu como intermediário entre nós e os encarnados. Aproximam-se os dias em que teremos de agir muito, a fim de preservar as conquistas feitas e fazer a humanidade marchar no encalço de mais avançados conhecimentos. Venho da parte de Kassapa, pois um dos nossos, que está encarnado, de quem já falei, queima na carne os últimos esforços. Está a findar o tempo de sua encarnação, e novos rumos teremos que imprimir ao movimento espiritualizador, aproveitando a influência marcante que o seu esforço conseguiu erigir, no seio do povo indiano. — Compreendo, meu grande amigo. Tenho visitado todos os rincões da Terra e tenho apreciado o tremendo esforço das falanges do Senhor. A semeadura é vastíssima, creio que jamais em tempo algum foi tão profunda e intensa. A Terra vive dias de tremendas convulsões e o Céu lhe envia os re-
O Mensageiro de Kassapa cursos necessários, a fim de que os menos fiéis à Verdade, mal usando o sagrado direito de livre-arbítrio, não ponham a perder os mais belos frutos da cultura espiritual de todos os tempos. — Logo estaremos trabalhando mais sobre o extremo Oriente. Embora tudo faz crer na perda de muitos esforços, pois a imprudência de alguns projeta a humanidade à mais tremenda hecatombe de todos os tempos, cumpre-nos trabalhar por aqueles que se queiram apresentar melhor revestidos ao banquete da Vida. Começaremos forçando ambientes, aqui e ali, pois lá se acham prontos aqueles que encarnaram para o devido fim. Assim foi feito na Europa e na América, assim será levado a cabo no extremo Oriente. Nossas falanges de servos da Verdade estão preparadas, só faltando a palavra de ordem da Diretoria Planetária. E, como temos conhecimento do tempo que se aproxima, aqui estamos, em cumprimento de ordem superior. — Rendo graças a Deus por essa oportunidade. Prezo ver aquele povo numeroso, de certo modo tão profundamente devotado à causa do espírito, atingido pela fortunosa oportunidade revelacionista. De minha parte, pode estar seguro, tudo farei pelo Batismo de Espírito. Depois de muito raciocinar, e verificar o elevado grau de materialismo afrontoso e cruel atingido pelo
Osvaldo Polidoro Ocidente, não posso conceber melhor defesa dos troféus espirituais, conquistados através de todas as jornadas humanas, do que seja o culto do intercâmbio entre os dois planos da Vida. A minha compreensão da obra do Cristo é um tanto tardia, não deixo de reconhecer. O Cristo do Ocidente, para mim, valia por aquilo que continha dos ensinos búdicos. Agora, consciente da Sua singular função missionária, rendo graças por ter vindo a conhecer e rendo graças pelo fato de poder servir na grande Causa. Demais, quero confidenciar, que satisfação é poder falar aos irmãos encarnados! Falar a respeito da imortalidade!... Dizer-lhes do mundo espiritual!... Da família que continua e dos amigos que se fazem muito mais amigos!... Quanto é consoladora a Revelação, o intercâmbio!... A nuvem gloriosa se foi afastando; aquela aura de luzes argentinas foi se apagando, apagando, sumindo... De longe vinha o sussurro, a despedida: — Até breve. Até breve. Em tempo virei, em tempo voltarei. Fiquei só à margem do lago, a fitar os peixes e as aves. Meu coração trepidava, pairava nos píncaros da mais excelsa vibração. Dentro de mim, no templo de minha consciência, uma prece era feita, se levantava e se oferecia a Brama. Todo o meu ser era uma
O Mensageiro de Kassapa só vontade — viver para ser útil, para encaminhar irmãos aos mesmos supremos gozos de espírito! * * * Nestes últimos trinta e cinco anos, em virtude dos serviços prestados por aqueles nascidos para tal, verdadeiros missionários da Verdade, agindo sob a tangência das falanges destes lados, o Espiritismo se expandiu formidavelmente. No extremo Oriente, por falta de instrumentos humanos, pouco se pode fazer, motivo esse de se terem deslocado para as bandas ocidentais milhões de servidores, de espíritos conscientes. O numeroso agrupamento ao qual pertenço, também se ocupa intensamente nas plagas ocidentais. Com o advento das duas últimas guerras, forçando a humanidade a desgastes e a precipitações, muito aumentaram os nossos serviços. A crueza de algumas ideologias, e a insanidade de alguns movimentos, procurando minar as bases do edifício religioso, deram-nos trabalho e muitas horas de angústia. Se temos o que dizer aos homens, em matéria de doutrina, temos ainda mais que alertá-los em face de certas atitudes que implicam em depor contra Deus e contra as verda-
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