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Capítulo 12 de 14
Osvaldo Polidoro — parte 12 de 14
O Mensageiro de Kassapa · Osvaldo Polidoro
Osvaldo Polidoro algum poderia ser recompensado com aquelas felizes oportunidades que cabem somente aos de boa índole e melhores realizações. Há lei no fundamento de todos os fenômenos; e é respeitável aquela que força no sentido natural por especificação; isto é, que faz pesar sobre o presente o embalo do passado. Felizes, pois, aqueles que para si mesmos criam as melhores situações. Amanhã, e também pelo futuro em fora, certamente encontrarão em si mesmo, aqueles nobres sentimentos, aquelas felizes tendências. Eles terão aumentados os seus quinhões de oportunidades e realizações, por terem forjado um psiquismo harmonioso. Ai daqueles, no entanto, que se prenderam aos enleios da treva! Ai deles, porque desmanchar essas ligações íntimas é profundamente difícil! Resgatar faltas é penoso e trabalhoso; progredir em pureza e em sabedoria não é programa para algumas centenas de anos, mas para milhares deles; ter que ajustar contas com a Lei, e trabalhar pelo despertar das vidas supracitadas, é por certo um problema consideravelmente longo e penoso, é uma equação que reclama tremendos esforços e pertinazes lutas, ainda comportantes de não poucas falhas, em função daquele traiçoeiro lastro infelizmente criado. Costuma-se dizer que o espírito está sujeito à lei dos fluxos, seja para significar a de reencarnação, seja para objetivar a de recalques.
O Mensageiro de Kassapa Pura verdade, simples verdade, tremenda realidade específica! Ao defrontar a visão retrospectiva, como Ananda, depois de recolhido, e quando ainda transpirava pretensões liberticidas, união feita com Brama, foi terrível, foi esmagadora a derrota íntima sofrida. Eu pensava, de mim, na pior das hipóteses, coisa melhor, muito melhor. No entanto, aquelas últimas vidas passadas ou vividas em contacto com o misticismo búdico-hinduísta, nada mais fora do que afortunada oferta do Céu, conseguida a custa de tremendos esforços, a fim de que pudesse haurir, em ambientes altamente saturados de superiores vibrações, aqueles elementos de ordem psíquica, aquelas forças energéticas de que tanto necessitava, e das quais o mundo ocidental era pobre ou miserável, pois nele reinava o terror vaticanício, a desbragada e sanguinária política que Roma derramava sobre as terras ao seu redor, através da Igreja que, sendo corrupta, ou constituindo a traição contra o Batismo de Espírito, pretendia passar por Igreja do Cristo e tudo fazia para se impor. Vi-me, por algumas vezes, ostentando o cetro da autoridade na Europa dos séculos que antecederam ao descobrimento da América; e como havia sido rei no império das trevas, sempre me sentira apto a mandar, não temendo apelar para
Osvaldo Polidoro todo e qualquer meio ao alcance, desde que servisse à conquista ou colimação em vista. Depois de mandar, para sustentar o posto, redobrava as mais cruéis façanhas. E foi assim que cheguei a me reconhecer na personalidade famigerada de um dos mais sanguinários pontífices. Descido aos baixios, sofri horrores e terrores, sorvi a lama feita de sangue e tantas outras imundices; colhi, apenas, como de outro modo não poderia ser, na razão direta da obra levada a termo. Tudo tremendamente inenarrável, mas apenas justa reação da Lei. E não tive como ser rei das trevas, como antanho acontecera, porque desta feita era mais diretamente responsável, havia cometido faltas em nome da Virtude, em nome da própria Lei! Tinha sede, tinha fome, e era cego, completamente cego. Apanhava e comia, e bebia, assim como acontecia encontrar; saboreava e descobria que sabia a sangue e a outras matérias apodrecidas e imundas! Passaram-se anos, dezenas de anos, até que vi ao longe um quase invisível pontinho luminoso. Nas trevas de mim mesmo gozei o frenesi de ter recuperado a vista; na tragédia infernal houve tempo de passageira alegria. Fiz os mais indizíveis esforços, devorei todas as oportunidades de ação recu-
O Mensageiro de Kassapa peradora. Ergui ao Céu os restos da mente, chorei e gemi com os últimos fiapos do coração. Nada mais acontecia, tudo era apenas um pontinho luminoso muito ao longe, lá nos confins da espessa e profunda treva. Caminhar foi, então, a medida a ser posta em execução. Tempos transcorreram, dezenas de anos, mais sempre envolta a mente pelo desejo indomável de vencer, de alcançar o pontinho luminoso. Deixei pelos socavões trevosos, e pelos espinheiros aparentemente sem fim, e através das areias escaldantes, bicas de suor e pedaços de carne... Semeei os abismos com lancinantes gemidos que partiam dos incomensuráveis recônditos de meu ser espiritual... Não era mais o intelecto a clamar, era o imo espiritual que rogava o direito de vencer... E como rogava, irmãos! Houve mais luz, um dia, na presença de minhas ânsias de vencer. Qual faminto ser e sedento andarilho de tórridos desertos, caí de joelhos e derramei lágrimas de contentamento. Estava nu, e feito em chagas, mas havia cântico nas alturas de minhas doridas esperanças. Eu delirava e sentia desejos de dormir. Dormi, esqueci tudo. Sonhei que estava perambulando pela nave de imenso templo, do qual só via chão limpo, sem nada; as paredes também es-
Osvaldo Polidoro tavam limpas, desnudas, puras... Eu sentia que o ambiente era puro, límpido, celestialmente absorvente, divinamente convidativo. Chamaram-me pelo nome. Procurei atender, mas a ninguém vi, por mais que olhasse para todos os cantos, para todos os lados. Aos poucos, no entanto, o templo foi se alargando, estendendo, crescendo. Ouvi que a voz vinha do alto, que possuia qualquer coisa de sublime, de místico sentido. Foi então que olhei para cima, o que não me havia ocorrido fazer até então, deparando com a figura radiosa de Jesus, que lá do alto, do meio de legiões de seres felicíssimos, espargia Sua Luz sobre a imensa casa de oração. Senti a Sua força atrativa e fui por ela como que sugado, atraído. Sei que subi até certo ponto, sendo a seguir obrigado a estacar, e esse local, onde estaquei, sabia ser, por sentir, que correspondia à metade da distância que havia entre Jesus e o templo imenso. Jesus me absorvia a mente e o poder emotivo; eu só existia para fitá-Lo, como se nada e ninguém mais houvesse, capaz de merecer um resquício de atenção. Estava assim inteiramente entregue a Ele, quando vi que Seus lábios se moveram, enviando-me palavras que tardaram em chegar, tanto que me fizeram penar, pois me parecia não ser capaz de ouví-las.
O Mensageiro de Kassapa Já estava profundamente magoado, quando Sua voz musical me atingiu: – Olha para o templo, vê onde está a minha Igreja. Com grande esforço desprendi Dele os olhos, tendo-os voltado para a Terra, à cata do imenso templo, cujas paredes eram tão limpas quanto o chão, e que crescera de maneira descomunal. Não o tendo mais encontrado no meio da cidade, nem pelos arredores, volvi meu olhar para cima, para Jesus, indagando: – Senhor! Onde foi parar o templo? Ordenou-me num tom infinitamente carinhoso: – Procura-o, filho de Deus. Ele é a minha Igreja e nunca terá fim. Olhei e vi a Terra, que girava sobre seu eixo, mostrando todas as cidades e toda a humanidade. Vi gente, não sei como explicar, de todos os tempos, de todas as cores, de todos quantos matizes históricos, geográficos, religiosos e civilizados se poderia desejar. Tudo foi num crescendo lento, mui lento, assim como se vai desenvolvendo uma semente, até se revelar como planta adulta. Reparei que era a
Osvaldo Polidoro humanidade da época, aquela que por fim se apresentou, estando mergulhada num marasmo sufocante, causando-me aquilo angustioso mal-estar. Embora sentindo culpa, olhei para cima, em tom suplicante, mas sem articular palavra. Tornou Ele a falar, sempre magnânimo: — Meu templo é a humanidade, minha Igreja foi edificada sobre o Batismo de Espírito. Eis, no entanto, ao que a reduziram. Sem Revelação, o homem deixou-se prender pelo materialismo; e tangido pelo materialismo, entregou-se a obrar contra a Lei, pelo que se encheu de culpas e agravos. Por motivos de ordem evolutiva, grandes acontecimentos os cíclico-históricos terão que ocorrer, movimentando as mentes e conturbando os corações. Minha Igreja, no entanto, jamais poderia ser vencida... Jamais poderia ser vencida... Ele se afastava, envolvido pela nuvem de gloriosos seres, caindo eu em profunda tristeza. Comecei a gritar, a clamar, rogando que se não fosse de minha presença. Tudo foi inútil, porque lentamente se foi indo, subindo, subindo. Ao chegar em determinado lugar, a luminosa caravana estacou, transformou-se numa vastíssima multidão estelar, estando no centro Aquele que era Jesus; houve, então, uma clarinada nos espaços, uma ordem
O Mensageiro de Kassapa esquisita, pelo que presenciei uma chuva de estrelas sobre a Terra. Que estrelas!... Quem o diria em linguagem terrena? A medida que a chuva prosseguia, caindo em forma de luz sobre a carne, a Terra se foi iluminando... Aqueles acontecimentos anunciados se foram sucedendo, muitos deles tremendamente danosos, mas não houve falta de luz... Aos que as desejaram, ela se fez encontrável e serviu como orientadora por entre as veredas tristes do mundo... Não cheguei a ver o dia de plena luz, porque acordei daquele maravilhoso sono, daquela benção celestial. * * * Ao acordar meus olhos queimavam, estavam ardentes, passando eu a esfregá-los. — Que fazes? — ouvi dizer. Olhei para o lado e vi um homem, muito alto, vestido à oriental, tendo todas as características de um indiano. Ele era belo, imponente, e o seu semblante refletia uma serenidade indefinível. Vendo- -o tão bem, tão feliz, pensei nos meus dias de gran-
Osvaldo Polidoro deza temporal, quando minha vontade significava morte ou vida, a ela se curvando imperadores, reis e povos. Eu sabia que ele nada possuia, eu sentia a glória de sua pobreza. Depois de alguns segundos, desci os olhos para mim mesmo, lembrando que estava nu e dilacerado, sujo e fedorento... — Vais chorar? — indagou-me ele, com imensa bondade no tom de voz. Pensei em Jesus naquela graciosa visão, e respondi: — Não, meu querido irmão, eu não vou chorar; sei que estou nu e dilacerado, de corpo e de alma, talvez mais de alma do que de corpo, mas estou, de algum modo, até bastante feliz. Tive um sonho... Que sonho!... Pensamentos, simples e profundos pensamentos me invadiram a mente, pelo que o deixei de fitar, cerrando os olhos e mergulhando a inteligência nos foros da história, esquecendo mesmo do meu feliz visitante. Eu sentia em mim um delírio. — Medita, medita, homem! — exclamou ele, num tom paternal. Volvi a mim, abri os olhos e disse-lhe:
O Mensageiro de Kassapa — É enorme a diferença, meu querido amigo... Eu sinto a sua amizade, porquanto o seu olhar irradia paz e contentamento. É vastíssima a diferença!... Ele andou descalço, por vezes de sandália, tendo apenas, para vestir, a roupagem mais simples e pobre... Nem sequer teve sobre o que reclinar a cabeça... E apelou para Seu precioso sangue, para o sacrifício próprio, a fim de selar o divino mandato... Ele viveu conforme Deus determinara!... — Sim, viveu a Lei e Batizou em Espírito... — emendou ele, reticencioso. Disse-lhe com toda a franqueza: — Não se poderia admitir, sequer, em contrário, quanto ao viver a Lei. Mas com relação ao Batismo de Espírito, a falar com inteira franqueza, nunca pude entender semelhante coisa. Os dois primeiros capítulos do Livro dos Atos sempre me deixaram uma impressão de vacuidade. Nunca os tomei a sério, sem ser a respeito da ressurreição, do testemunho da presença de Jesus, depois de crucificado, entre os Seus discípulos. Mas o Batismo... Onde foi parar o Batismo?... E a Igreja poderia viver à procura de semelhante solução? Não está ela estabelecida sobre a fé, que sustenta os dogmas, que mantém os ritos, que determina os sacramentos? E, depois disso, não é imperioso manter o domínio, cuidar
Osvaldo Polidoro do futuro, estabelecer o princípio de primado sobre todas as cogitações? Sem o nosso rigoroso serviço diplomático, em que redundaria a nossa autoridade? Ou iríamos abandonar serviços dessa monta, estruturados como estamos, para nos darmos a investigar o paradeiro do Batismo de Espírito? Como ele se entregasse a menear a cabeça negativamente, consultei-o: — Não estou com a razão? Eu sei que errei, por ter apelado para todos os meios, com o propósito de atingir certos fins. Mas, falando em nome da Igreja, não acha que estou pensando com justeza? Afinal, diga-me, quem pensaria em garantir a Igreja, se ela se abandonasse ao critério dos imperadores, dos reis e dos potentados? Não deve ela exigir o direito da suprema autoridade? Quando fiz silêncio, comentou ele, sempre em tom paternal: — Qualquer discussão, no momento, seria nula, em vista do rumo que deve tomar, por determinação superior. Vamos, antes, tratar de outra questão? O seu todo refletia serenidade, segurança e amizade; por isso, confiei-lhe:
O Mensageiro de Kassapa — Sua vontade é para mim uma ordem. Eu já disse que lhe sinto a grandeza de alma. Fale, portanto, pois eu nada posso compreender dos rumos a tomar. Entregou-me um belo manto, peça com a qual cobria a sua vestimenta, ordenando: — Cubra-se e ponha-se à vontade. Feito isso, convidou-me: — Vamos para bem longes terras? — Meu amigo, eu nada sei a tal respeito. Que poderia dizer? Que terras seriam? — A terra indiana, a minha pátria de tantos milênios, onde os rios e as montanhas, os lagos e as planícies irradiam o misticismo recalcado pelos grandes espíritos que os viram. Ali terás algumas oportunidades de experiência, várias encarnações, com o que te poderás livrar da triste embalagem cármica adquirida. É uma grata oferta do céu, não a queiras desprezar. — És um espírito de Deus, sem dúvida. — Sou realmente um espírito de ordem. De Deus todos o somos, mas nem todos e nem sem-
Osvaldo Polidoro pre cultivamos judiciosamente as devidas liberdades. É por isso que lhe convém aceitar carinhosamente a oferta; poderá mudar, no curso de algumas vidas, o tom da própria personalidade, construindo um caráter psíquico favorável às melhores realizações... Olhou-me com rigor, com acentuada gravidade, afirmando: — Não fui mandado a fim de acusá-lo, pois que a cada qual acusa a própria consciência; desejo saber, apenas, se quer iniciar um rigoroso programa de recuperação. Caso contrário, voltarás aos baixios, o que será desagradável para si, não o sendo menos para os seus amigos e familiares... — Amigos e familiares?! — interrompi-o. — Sim, pois sempre teremos amigos e familiares. De que se admira? — Tem razão. Sempre teremos amigos e familiares... Mas onde estão eles? Na Terra ou no Céu? Há quanto tempo deixei a Terra? Ele era muito mais alto do que eu. Como tal, pousou sua mão direita sobre o meu ombro esquerdo, convidando:
O Mensageiro de Kassapa — Importa saber e tomar a melhor iniciativa; por que perder tempo com minúcias ou especificações que ora nada poderiam produzir? — Eu já disse, meu amigo, que a minha vontade será apenas o reflexo da sua. Sorriu e disse-me: — Estamos entendidos. Já que está na face da Terra, pois veio subindo lentamente, dolorosamente, dos abismos da subcrosta, vá dizendo adeus a estas plagas, pois antes de alguns cinco séculos não as tornará a ver. Há milhares de anos que tem nascido e renascido na Europa; e tem acumulado débitos fantásticos, culpas tremendas. Agora irá renascer na Índia, para viver pobremente, misticamente, simplesmente desejando unir-se a Brama, que é como ali chamam a Deus, como lhe é de inteiro conhecimento. Surgiu em mim um pensamento, ao qual procurei repentinamente refutar, mas que a ele não escapou, tendo-me dito: — Não foi o Cristo que falhou, nem o Seu Deus, pois um só é Deus, seja o de quem for, tenha lá o nome que tiver. Muitos homens no entanto, hão falhado terrivelmente, por fazer aquilo que
Osvaldo Polidoro contraria a Lei. Mas, vamos embora, que eu tenho outros compromissos a executar. — Compreendo... Realmente, fala-se muito em Deus, mas tudo não passa de palavras. Não cessam as brigas nem as guerras! Todos querem aquilo que lhes não pertence... Quem porá fim a isso?... — A vida, simplesmente a vida, porque é através dela que todas as leis e todas as virtudes têm seguimento. Você, por exemplo, para que irá viver noutros ambientes? Não é para modificar o caráter, aos poucos, mui lentamente? — Eu quero mudar. Leve-me daqui, por favor. Deu-me ele a mão, convidou-me a orar, e subimos um pouco, alguns metros acima do solo. Foi assim que atingimos a Índia, vendo tudo quanto podíamos alcançar, pois a viagem foi relativamente lenta. A Europa ficou para trás, principalmente Roma, a quem vi tomado de tremenda aflição, possuído de repelões íntimos cruciantes. Era a primeira vez, depois de muitas dezenas de anos, que eu podia admirar uma paisagem e sentir-me feliz. E que paisagens se foram revelando!
O Mensageiro de Kassapa Ao atingirmos uma cidade indiana, talvez a mais antiga, avisou-me o bondoso mentor: — Conserve em mente esta advertência — fuja das cidades grandes. Pelo menos faça isso, por alguns séculos, até que se controle nos ímpetos de mando, pois do contrário poderia recapitular velhas manobras, cedendo ao imperativo dos recalques característicos, vindo a fracassar novamente. Lembre- -se que deve grandes somas à humildade e à simplicidade, cujo resgate poderá ser feito somente à custa de renunciar aos desejos de superioridade e mando. Para vir a mandar bem, um dia, terá que se preparar na escola da obediência correta e espontânea. — Temo a mim mesmo; não serei auxiliado? Já havíamos pousado, num lugarejo distante, um belo rincão, a essa altura; e o bondoso servo do Senhor obtemperou: — O Céu jamais abandona a quem quer; mas, infelizmente, a criatura se abandona aos piores procederes. Entre o Criador e a criatura, a esse respeito, paira o sagrado direito de livre-arbítrio relativo; se por usá-lo mal, alguém se entrega a criminosos atos, de quem a culpa? — Sabemos que não cai uma folha de árvore
Osvaldo Polidoro sem que seja da Vontade de Deus. A Providência devia intervir, poderia fazê-lo... Interrompeu-me ele, prontamente: — Desejou isso quando estava na Terra, tendo poderes de vida e morte sobre milhares de criaturas, quando movimentava a máquina política através da cruz? É ou não certo que se julgava justo, livre e autoridade legal e de fato, pela Vontade de Deus, sem dar a menor importância ao consenso humano? Demais, caro irmão, a Providência se incumbe de fornecer elementos de missão, prova ou expiação, conforme o espírito reclame e possa ser- -lhe concedido. Quanto ao mais, depois de haver- -lhe ela colocado no posto desejado, e na condição ideal, o restante cumpre ao agente funcionário. É certo que, nalguns casos, quando a ação de alguém pesa rigorosamente sobre vasta porção de inocentes, pode haver interdição por parte da Providência. Mas, saibamos, esses casos são bem raros na Terra, onde a humanidade faz confusão em tudo e para tudo, cultivando o ideal religioso de parceria com os mais repelentes procedimentos. Chefes e chefiados, senhores e escravos, mestres e alunos, todos partilham do infeliz banquete da corrupção. E é, então, quando a função de viver se torna para todos aflitiva, concorrendo esse estado de coisas para aumentar a possibilidade de fracassos.
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