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Capítulo 7 de 14

Osvaldo Polidoro — parte 7 de 14

Moral, Amor e Revelação · Osvaldo Polidoro

Amor e a Revelação, ali não devem existir os que fazem da fé meio de vida, e, muito menos ainda, os que obram simulações, fingimentos, ritualismos, idolatrias, etc. É isso, aquilo que o Espiritismo torna a ensinar, como Doutrina Integral que é, por ser a reposição das coisas no lugar, consoante a promessa de Jesus. Havendo feito um lapso, dele se valeu o bispo, para dizer: – O problema é muito vasto e fundamental! E o instrutor completou a resposta: – Para ir ao plano carnal e fundar mais uma clerezia idólatra e comercialista, não seria necessário ser o Cristo Planetário... De coisas erradas e ridículas o mundo terráqueo já estava cheio, não acha? O bispo calou-se com ar patético, perguntando: – Então, bondoso instrutor, é preciso recomeçar de novo?!... O instrutor respondeu-lhe: – O Espiritismo já é o restabelecimento do Caminho do Senhor, tendo base, como já mencionei, nos três sentidos da Lei de Deus, de quem o Cristo foi o cumpridor integral. Todavia, importa esperar que se complete, pois o trabalho de restauração, que começou com Wicliff, Huss, Lutero e Giordano Bruno, teve sua fase de codificação com a volta de Huss na personalidade de Kardec, que por sua vez não deixou a obra completa, devendo voltar de novo, para levá-la a termo. Abanando a cabeça, murmurou o bispo: – E o Vaticano os julgou a todos, heréticos!... O instrutor sentenciou, prontamente: – E não foram os padres levitas, os que massacraram os Profetas, tendo por fim crucificado o Cristo? Quando a idolatria mercenarizada se eleva à condição de clerezia organizada e oficializada, por certo dali partem todos os crimes imagináveis. Roma criou a antítese da Moral, do Amor e da Revelação, ao liquidar no tempo de Constantino com o Caminho do Senhor. O bispo encolheu os ombros, tendo balbuciado: – Afinal, não estou mal... Se assim é, estou até bastante bem!... E a seguir perguntou, aproveitando o silêncio oferecido pelo instrutor: – E a Humanidade pode compreender uma Doutrina Integral? O instrutor deu-lhe a resposta: – Para a Diretoria Planetária, o problema é fornecer os elementos informativos; e para os filhos de Deus lotados na Terra, o problema é ir realizando o Céu Interior, pelo uso dos elementos fornecidos pela Diretoria Planetária. Porque em todos os tempos e mundos, Deus tudo oferece em estado potencial, ficando a obrigação realizadora a cargo de cada filho. A Doutrina Integral é apenas escola, é fonte instrutiva e que adverte e consola; porém quanto a realizar, isso cumpre a cada qual, pois aquele que despreza a sua cruz é como quem despreza o Reino do Céu. – Que maravilhosa expressão! – exclamou o bispo, satisfeito. E o instrutor completou: – É a escola da vida, tal e qual como Jesus a demonstrou; porque Ele foi apenas o Modelo Divino apresentado pelo Pai, mas não inventor ou criador de coisa alguma. Deu o devido exemplo, derramou do Espírito sobre a carne e convidou cada qual no sentido de tomar a cruz do seu dever evolutivo. Ele não inventou a Doutrina, Ele não é o responsável pelas liberdades individuais de Seus tutelados. A cada um cumpre o dever de se responsabilizar pelos seus atos. E se alguém não o quiser fazer, isso não modifica a Ordem Divina, isso não altera o Programa Cósmico; esse alguém entrará na linha à custa de sofrimentos! – Programa Cósmico! Programa Cósmico! – balbuciou o bispo, enigmático. O instrutor informou-o: – Não há Cristo sem Lei; e a Lei é Universal ou Cósmica. O Modelo, portanto, é acima do Reino dos mundos, é superior às formas, porque ao espírito cumpre ser uno com o Pai, ou Espírito e Verdade. E o Espiritismo atingirá a condição de Doutrina Integral ou Cósmica, porque é a Doutrina do Espírito da Verdade, que é acima de relativismos. Entenda, portanto, que estamos

trabalhando no meio, mas com as vistas voltadas para o glorioso fim do espírito, que é a entrada no grau crístico, que é a libertação total e final! Quase basbaque, perguntou o bispo: – E os espíritas compreendem assim?!... – Por que pergunta isso? – disse-lhe o instrutor. O bispo encolheu os ombros, franziu o cenho e monologou: – Conheci... Conheci muitos... Não reparei bem... Eu duvido, duvido... O instrutor falou-lhe, reconfortante: – A Humanidade é caravana em marcha no seio do processo evolutivo, cumprindo reconhecer que é toda cheia de altos e baixos, quando focalizada através de seus componentes individuais. Podem fracassar os indivíduos, mas não fracassará jamais a Humanidade! – Isso é indiscutível! – exclamou o bispo. O instrutor sorriu e comentou: – Já diziam os Grandes Iniciados, os grandes precursores do Cristo, que ao conhecer alguém a Ciência dos Mistérios, que assim se chamava o Conhecimento da Revelação, importava isso em conhecer a Origem, o Processo Evolutivo e a Finalidade da vida. Observe, portanto, que frutos há de produzir no mundo, a restauração do Caminho do Senhor, quando tenha sido estendida sobre Jerusalém, e por toda a Judéia e Samaria, e até aos extremos da Terra! O bispo fitou-o com indagação, mas nada falou; e o instrutor prosseguiu: – A Humanidade irá conhecer e cultivar a Doutrina transmitida pelo Cristo; e ela, que tem fundamento nos três sentidos da Lei de Deus, fará conhecer o Cristo. E teremos, assim, a teologia perfeita, sintetizada no Divino Modelo, que é a expressão do espírito divinizado e da matéria sublimada. O meu bondoso irmão fará um curso de aprendizados, conforme a Excelsa Doutrina, e após irá trabalhar junto aos encarnados, até chegar a hora de reencarnar e cumprir devidamente o mandato. Lembre-se, pois, que do perfeito discípulo sai o digno mestre. E ao sair, disse ao bispo, rematando a conversação: – Aprenda a viver em termos de infinidade, para saber dispor do que é particularidade! Exista no Plano Cósmico, para bem agir no plano terráqueo! Faça o seu pacto com a Eternidade, para usufruir todos os benefícios que os segundos podem comportar! Enriqueça o cérebro e o coração, porque o Reino do Céu é questão de Amor e de Sabedoria, nunca porém de rótulos e de aparências!

Capítulo VII

Do discípulo sai o mestre, assim como do pequenino sai o adulto; pouca gente, entretanto, sabe aquilatar a importância do devido preparo. Há na Terra, para falar em termos de particularidade, muito desprezo pelas mais prementes necessidades, dentre as quais se encontram a criança e o ensino da Verdade. As religiões clericais forjam fregueses para mais tarde, quando lidam com a massa amolgável que é a criança. E como os pais foram já filhos do vício idólatra, escravos da compra e da venda de simulacros, assim acham que seus filhos devem vir a ser. É a inconsciência em seu tremendo e voraz círculo vicioso! Disse Jesus aos clérigos, Seus contemporâneos, que eles lutavam para fazer prosélitos, para terem a quem encaminhar aos infernos! É o crime da aparência, é o suborno do rótulo, é o vício elevado à categoria de virtude! Já foi dito que as falsas crenças valem por alimentos deteriorados, que aparentando nutrir, nada mais fazem do que envenenar. E é muito fácil reconhecer isso, quando se observa daqui, aquilo que vem daí, todos os dias e em grande escala. Porque chegam dezenas de milhares, armados de coroas alguns e desprovidos de tudo outros tantos. Todos foram filhos, todos foram pequeninos, todos aprenderam alguma coisa. E o resultado da colheita representa a espécie de atenção havida na hora da semeadura. Ressalvando os casos cármicos, os desvios por força de lastros e alguns poucos acontecimentos anômalos, o mais tudo, em matéria de materialismos, animalismos e brutalidades, deriva da má educação recebida desde o berço. Perguntando aos pais, se a educação espiritual dos filhos está sendo conforme a Lei de Deus, eles dirão, talvez, que não conhecem a Lei de Deus. E se perguntarmos da religião que pretendem ter, dizem que de fato têm religião. E com isso fica explicado que as religiões andam fora da Lei de Deus, assim obrigando a que vivam os seus crentes. Não se irá dizer que o homem-padrão possa viver ou executar integralmente a Lei de Deus; sabemos que uma vez, na história da Terra, veio Aquele que afirmou, iria dar-lhe integral cumprimento. Portanto, vivê-la integralmente é para quem tenha tamanho hierárquico para fazêlo. Haja, pois, consideração pela fraqueza humana! Haja, pois, contemplação pelos desvios de certa monta! Mas, perguntemos, é lícito que religiões organizadas ensinem a trair a Lei? É justo que, em nome da fé, aliem-se a Estados corruptos e façam-se empreiteiras de programas idólatras e blasfemos? Em um mundo inferior como a Terra, os erros podem ser organizados, oficializados e garantidos pelos governos naturalmente inferiores, isto é, montados por homens inferiores. Tudo isso é normal, porque o trabalho evolutivo deve representar o instrumento de progresso; é vivendo e consertando erros que se termina um dia entrando no oitavo Céu! Todavia, é muito penoso ver que as religiões nada entendem da Lei de Deus, ao pretenderem ensinar os filhos de Deus, por medidas sectárias, ou através de programas formais, absolutamente exteriores ao conhecimento e à prática das leis regentes do Cosmo. Esquecem que perante a Lei, que é o Verdadeiro Evangelho, não existem religiões nem sectarismos recomendados! Que ela concita à Moral social, como instrumento de equilíbrio e harmonização;

que ela concita ao Amor, como instrumento de divinização; e que concita à Revelação, como instrumento de advertência, ilustração e consolo. E nós vemos, aqui, que a Lei continua integral, tanto quanto vemos que as religiões vivem em pleno regime de fracasso! Porque os bondosos herdam os lugares de paz e de bem, independentemente de suas crenças ou descrenças! Porque os maldosos herdam os lugares de trevas e de dor, mesmo que apresentando aqui os títulos religiosos do mundo! E que significa isso? Não poderia significar outra coisa, sem ser que a Lei de Deus é acima de paixões mundanas, mesmo que elas tomem o aspecto de religião. Significa, sim, senhores, que se algum outro Cristo tiver que um dia reviver na Terra tamanha apoteose, terá que reviver aquela afirmativa: “Da Lei nem um só ceitil passará, sem que tudo se cumpra”. Enquanto isso, Moral, Amor e Revelação, ficam para serem vividos por aqueles que são tidos como heréticos!... Enquanto isso, nós vamos por aqui trazendo todos, enquanto a Lei vai separando, selecionando!... Enquanto isso, aqueles que se acreditam primeiros ficam por último e aqueles que se julgam últimos, marcham na dianteira nos rumos da paz e do bem!... Sim, é assim que vive a ocorrer, desde quando a Lei de Deus foi pela primeira vez transmitida, nos longes dias da história humana. E sabe Deus até quando assim será, dado que os homens gostam muito de suas próprias invenções, tanto quando desprezam os mandamentos de Deus. E na retorta dos tempos, surge o renovo, retorna o Divino Mestre através da Excelsa Doutrina. Que acontece, então? Acontece, apenas, que a Doutrina afirma e confirma o Cristo, enquanto que o Cristo será a eterna confirmação da Lei! Homens, filhos do Pai Divino! Terrícolas, irmãos da imensidade cósmica! É simples a Lei para ser entendida, assim como é manso, meigo e humilde o Mestre a ser imitado! Abandonem os conchavos sinédricos, deixem de parte os rituais formalistas de todas as súcias levíticas, não se deixem enganar pelos rótulos nem pelas tiaras de qualquer programa de homens! Pelo contrário, atendam à Lei, que na Lei estarão assimilando o Cristo, que na assimilação do Cristo estarão a engendrar o seu próprio Cristo interno! Tal foi o discurso feito, mais ou menos, pelo Mensageiro, ao ocupar uma grande oportunidade. É que havia sido morto um jovem de vinte e um anos, filho de uma senhora viúva, ao entrar para dentro de uma residência, para roubar. E como fora ordenado, durante a noite de vigília do cadáver, deviam ser feitas algumas perorações, com a presença de muitos espíritos recémdesencarnados, além de centenas de aprendizes da Excelsa Doutrina. Os departamentos trabalharam e a casa foi cheia algumas dezenas de vezes; e para cada turma um instrutor fez preleção, lembrando várias facetas da Lei de Deus e os muitos modos que os homens aplicam, para não cumpri-las. O nosso pregador foi o Mensageiro, porque a sua turma é sempre a mais adiantada, aquela que mais perto se encontra do conceito unitário, da realidade monística, já conseguindo assimilar o Cristo como Divino Modelo Cósmico, acima de mundos e de formas. Vamos, então, encarar o acontecimento, porém enquadrado na cosmicidade; vamos ver como nasceu e viveu o pobre e infeliz irmão, ao rés do chão terrícola, porém jamais fora do concerto universal, porque sempre universal será a Grande Lei de Harmonia. Por incrível que pareça, o seu nome era e é Jesuíno! Nascera de uma união adulterina e fora um dia raptado pelo pai, tomando paradeiro de todos ignorado; e ao completar nove anos, tendo morrido o marido da mãe infiel, veio ele com o seu pai e formaram família. Sucede, porém, que o pai era homem de maus costumes, dizendo que roubava para cobrar da sociedade o que ela lhe devia. Ele sabia como explicar a coisa, assim como todos os errados sabem pretender fazê-lo. Apenas, jamais a Lei perguntará a quem quer que seja, sobre o seu ponto de vista! Com a Lei ninguém poderá discutir e nem terçar luta judiciária! A mãe, que já não andava bem desde muito, com aquilo tudo dera para trilhar o caminho do roubo, que antes não o fazia. E o menino, crescendo em tal ambiente, é claro que tendeu para o mesmo triste caminho. Uma idéia neles vingava, que julgavam ser pelo menos em parte dirimente, senão de todo salvadora – eram religiosos a seu modo e gosto. Ofereciam suas quitandas diante dos altares,

distribuíam esmolas a alguns pobres e nas festas concorriam com o que achavam de concorrer. Tudo bastante terrícola, tudo cristão à maneira do Cristianismo que os homens inventaram, para solaparem o do Cristo! Eis que vai descendo por uma corda, para abrir a porta da casa a ser roubada, a fim de que seu pai e mais um colega entrassem, quando um tiro ecoou e um corpo tombou pesadamente no solo! Era Jesuíno, que tinha ali o seu modo particular de entrar em contato com a lei geral da desencarnação. O mundo fechou em parte o seu capítulo, enquanto que o plano astral teve o seu novo capítulo a fornecer. Jesuíno morreu! Jesuíno continuou a viver! E a Lei, acionando a Justiça, fê-lo mergulhar na treva e na dor, além de marcá-lo para dias de expiação e de provas no porvir. Porque a Força Equilibradora age de dentro para fora, não faz perguntas e nem se importa com possíveis discussões teóricas. Isso foi ensinado desde remotos dias, quando os Grandes Iniciados preparavam condições, no seio da Humanidade, para Aquele que viria a Se constituir o Modelo Integral, a Iniciação Completa! Quem, entretanto, está disposto a conhecer a Verdade? Quem, todavia, deseja penetrar a inteligência do Cristo? Não é certo que, até mesmo os portadores de melhor boa vontade, por causa do muito pouco que sabem e da muita ignorância que carreiam, transformam a Doutrina Integral, o Cristianismo do Cristo, em medida de idolatrias, de fanatismos, de perseguições e de morte? E quando o corpo de Jesuíno errava caminho a fim de ser enterrado, fomos todos dali a fora, somente ficando aqueles que deviam cumprir a ordem, pois o Céu não falta com o seu dever, pelo fato de cometerem os homens os seus erros. E lá, bem distante dos complexos humanos, perguntou alguém ao Mensageiro: – Em um só acontecimento trágico, encontraram os mentores elementos de sobra, para evidenciar a transgressão de todos os Mandamentos da Lei de Deus. Isto para nós, porquanto aos encarnados nada foi dito. Como seria possível fazer, para que eles também tivessem os mesmos ensinos, em face dos acontecimentos funestos? O Mensageiro abanou a cabeça e respondeu: – O senhor desconhece o trabalho do Consolador? O tal irmão alegou: – Eu era indiferente aos credos religiosos... – Eu também sou indiferente aos credos religiosos, mas não sou indiferente à Verdade! Vim da carne como cultivador da Moral, do Amor e da Revelação, que são os bastiões da Excelsa Doutrina entregue pelo Cristo aos homens em geral. Se isso foi possível a mim, não pode ser impossível aos demais filhos de Deus, porque eu não fui e não sou especial. Tome, pois, a trilha da Verdade, a fim de abandonar as trilhas supersticiosas que os homens inventaram; porque a libertação não virá com mostras exteriores, conforme ficou dito pelo Cristo. O tal irmão calou-se e nós fomos a caminho de um outro serviço. Entre nós houve conversação, tendo dito o Mensageiro: – Os pais, na Terra, pensam que tudo implica em dar aos filhos aqueles elementos indispensáveis à vida física; abandonam os filhos, como eles mesmos foram abandonados pelos seus pais, ao crivo da ignorância espiritual. E quando pensam que criaram um homem de verdade, nada mais fizeram do que uma vítima das trevas! A roupagem do espírito é desprezada! O pão do Céu não é lembrado! A liberdade da alma, no após morte, fica em regime de esquecimento! Um companheiro disse, entristecido: – Muita gente continua a morrer gorda por fora e tísica por dentro!... E enquanto a caravana marchava, a conversação demandava os mais interessantes ângulos da vida e das responsabilidades humanas. Chegando a hora de servir a mais um irmão, fomos saber que ele se metera em uma das facções protestantes, vindo a se fanatizar primeiro e a se esquizofrenar em seguida. Elemento sem base cultural de espécie alguma, enveredara pela idéia fixa, até perder a razão e ser recolhido a um manicômio, onde viera a falecer, onde ficara a exclamar:

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.