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Capítulo 2 de 14

Osvaldo Polidoro — parte 2 de 14

Moral, Amor e Revelação · Osvaldo Polidoro

suas maquinações mundanas. Lembro que o Cristo, sendo o Exemplo da Lei vivida, para muita gente não passa de um simples derrogador da mesma Lei! Porque essa gente transgride a Lei e faz questão de dizer que o Cristo de tudo Se faz pleno responsável. O tal companheiro se foi, porque tinha o que fazer, mas antes de ir disse ao Mensageiro: – Diga a ele o que ouvimos, da boca do próprio Jesus, quando de uma de Suas manifestações. De fato, o Mensageiro disse ao discípulo: – De tempos a tempos, discípulo, o Mestre comparece a alguma grande reunião, a fim de deixar patente a Sua dedicação a todos os tutelandos. E numa delas, por causa de certo discurso, feito por um antigo clérigo, discurso cheio de unção, porém falho de conhecimento de causa, disse o Mestre o seguinte, falando de muito longe, ou parecendo ser de muito longe, para nós que ainda somos tão inferiores na escala evolutiva e não O podemos encarar de perto; assim disse Ele, falando a todos os presentes e com aquela doçura que o caracteriza: “Fui humilde transmissor e vivedor da Doutrina do Pai, assim como espero que sejais também os seus vivedores. Deixei a Seara e a liberdade, ficando cada qual responsável pelas suas obras. Não sou o responsável pelas vossas liberdades individuais”. O discípulo comentou, satisfeito: – Maravilhoso, porque todo Lei e todo Verdade. O Mensageiro acrescentou, comovido: – A essência da função crística, pois a Luz Divina jamais poderia ser adquirida de terceiros. A um Cristo cumpre esclarecer sobre a Origem, cumpre ensinar sobre o Processo Evolutivo e cumpre dar mostra da Sagrada Finalidade, retornando como Espírito Emancipado, soberano dominador das leis planetárias, ostentando o carro da alma, aquela matéria fluídica que começou opaca, em estado de luz e de esplendor divinos. Se, porém, fosse dado a alguém suprimir as responsabilidades individuais, toda a Ordem Universal estaria sendo posta de pernas para o ar, toda a Lei e toda a Justiça estariam sendo escandalizadas pelo próprio Deus. – Todavia, – interveio o discípulo, – o mundo terrícola está cheio de donos de religiões, e de pobres infelizes que lhes dão crédito, que nada entendem de semelhante realidade, incidindo em tremendas faltas, cometendo idolatrias e fetichismos, praticando traições à guisa de atos de fé. Nada mais fazem do que atirar Deus contra Deus, a Lei contra a Lei, a Justiça contra a Justiça, enquanto se julgam bons religiosos, dignos filhos de Deus. O Mensageiro apontou para o enfermo, que gemia no seu leito, exclamando: – Eis aí uma prova do que diz. Porque os erros humanos jamais convencerão Deus, a Lei e a Justiça em contrário. Este nosso irmão cometeu três espécies de erro em algumas vidas: primeiro, depois de estar bem harmonizado com a Lei, foi um guerreiro cruzado, um terrível vândalo em nome de Deus e do Cristo; depois, ao reencarnar ainda na Europa, foi um nobre despótico, articulando-se com a Igreja Romana para realizar obras de rapina, através de perseguições e mortes; a seguir, para cúmulo de sua desdita, reencarnou na Espanha e foi grande perseguidor das obras consoladoras, tomando parte na queima de Bíblias, Evangelhos e livros espíritas. Como Deus não é particularista, como a Lei não é religiosa e como a Justiça não tem parentes nem protegidos, primeiro desceu ele aos rincões trevosos, onde sofreu horrores inenarráveis, depois reencarnou para isso... Isto é, começou nesta encarnação um ciclo de duras provas e expiações, para chegar a obter, algum dia, o necessário reequilíbrio. Fez breve silêncio e detalhou, a seguir: – Observe que ele não tem más companhias, como quase sempre acontece; mas o seu corpo astral é quase uma nuvem negra! Realmente, seu perispírito está minado pela mancha negra e fosca que os seus criminosos pensares e agires criaram. E embora os médicos julguem ser esta ou aquela outra a causa da doença, embora se apliquem com todo o rigor para sará-lo, a verdade é que ele é um doente de alma, um lesado de espírito, e, por conseguinte, seu grande e real medicamento está no sofrimento, está em compreender as causas e por elas tratar dos efeitos. – Que lástima! – bramiu um dos companheiros. E o Mensageiro ressaltou: – O pior, entendam, é que dores, provas e expiações não constituem aquisição de valores hierárquicos, pelo simples fato de serem dores, provas e expiações. O sofrimento, quando obra de

abnegação, de renúncia ou devotamento, pode elevar o espírito imensamente; quando, porém, se sofre por causa de crimes cometidos, o sofrimento é apenas de efeito disciplinar, pode trazer o reequilíbrio, mas nunca será aquisição nos domínios do Amor e da Ciência, a menos que, de permeio, converta o sofredor as provas e expiações em campos de estudo, em oportunidades de sérias observações e aquisições experimentais. – Poucos sabem discernir assim, – interpôs o discípulo. – No plano carnal, a maioria pensa que sofrimento é, pelo simples fato de ser sofrimento, aquisição de valores hierárquicos. Ora, como pode ser que Deus, sendo em tudo PERFEIÇÃO, venha a distribuir dores e trevas, tormentas e expiações, sem ser por causa de transgressões, de rebeldia contra a Lei de Harmonia Universal? Não está escrito no Velho Testamento, e Jesus o trasladou para o Novo, que Deus quer caridade e não sacrifício? Feito o seu discurso, o discípulo fitou o Mensageiro com ar indagador e o Mensageiro comentou: – Dizem os nossos mentores, e a razão o consagra integralmente, que a NECESSIDADE tange o espírito, a mônada espiritual, desde que ela existe; e que vai ela tomando conhecimento disso, ou das leis de meio e necessidade, assim que se vai tornando consciente da Origem, do Processo Evolutivo e da Sagrada Finalidade. É um erro, portanto, confundir entre DOR e NECESSIDADE, somente porque elas quase sempre marcham paralelas na vida do espírito. A necessidade, para se transformar em dor, carece de ser elevada ao máximo grau, precisa de ser desprezada e aviltada. Em condições normais de vida e de movimentação evolutiva, a necessidade obriga a procurar o melhor, por meio do trabalho até mesmo agradável, sem tomar aspecto de sofrimento. E se alguém quiser levar a sério esta verdade, que se não esqueça da Lei de Deus e nem dos ensinos Daquele que a exemplificou; porque onde estiverem a Harmonia e o Amor, jamais a necessidade se elevará à condição de dor. Como fosse chegada a hora de o Mensageiro ter outro serviço na pauta, uma vez terminada a sua peroração, convidou: – O tempo que temos ao dispor é agora escasso; vamos transferir para este pobre irmão alguns recursos fluídico-magnéticos. Sintamos por ele verdadeira piedade, para que nossos fluidos se carreguem de elementos amorosos, obrigando-o a meditar profundamente nas coisas do Céu. Porque se ele, da parte da Lei de Equilíbrio, está merecendo obrigações de reequilíbrio, de nossa parte, irmãos em tudo, está merecendo cooperação nos propósitos em que se acha envolvido. Recordemos que ao culpado basta, para ser atormentado e obrigado a ressarcir, o peso de suas próprias culpas, não sendo necessário que outros irmãos, também agravados perante a Lei, venham a carregar ainda mais o pesado fardo. Piedade, muita piedade por todos os sofredores, principalmente por aqueles que se tornam penitentes. Entramos todos a orar, vindo o ambiente a se transformar em azulino brilhante por causa da preponderância do discípulo, cujos fluidos de encarnado, que sendo muito mais densos, passam a predominar no ambiente. Pouco depois, entregando ao corpo do discípulo o seu agente espiritual, demos por terminado aquele trabalho.

Capítulo II

O Primeiro Estado de Deus é aquele que chamamos Divina Essência; seria de todo impossível definir a Divindade em Sua essencialidade. Nenhuma palavra, nenhum pensamento, nenhuma cogitação! Aquilo que é forma e formal não explica o que é totalmente Divino, em Sua profundidade infinita. Já não se passa o mesmo com o Segundo Estado, que é a Luz Divina, Luz que vem se adensando, até vir a ser matéria densa no extremo da chamada Criação. É muito importante saber o que acima ficou exposto, porque, se é certo que somos partículas, mônadas ou espíritos, e isso quer dizer elementos de Deus, de Sua Divina Essência, também é certo que, sem transformar a matéria opaca do perispírito em Luz Divina, ninguém jamais atingirá o grau de Cristo. Resumindo, é isto: a mônada evolui e a evolução significa autodivinização, e a autodivinização implica em converter a matéria opaca do carro da alma em energia brilhante, em Luz Divina, que é o Segundo Estado da Divindade. Antigamente, a receita dos Cenáculos Iniciáticos era esta – “Conhece, realiza e brilha”. Como a parte de Deus está feita desde a Eternidade, porque Ele tira tudo de Si mesmo e em Si mesmo tudo sustenta e destina, em linhas gerais podemos compreender que tudo se resume, para Seus filhos, em conhecer, realizar e brilhar. Para fazer isso, ou atingir isso, os Essênios partiam destes três princípios; isto é, a isto resumiam a Excelsa Doutrina: 1 – O espírito deve evoluir até tornar-se Puro e Sábio; 2 – Os caminhos que conduzem a isso são o Amor e a Ciência dos Mistérios; 3 – A Ciência dos Mistérios resume-se em Moral, Amor e Revelação. Já dissemos, linhas atrás, que o conceito de CIÊNCIA DOS MISTÉRIOS foi traduzido por Jesus para CONHECIMENTO DA VERDADE. Portanto, aquela chave esotérica tomou a feição pública, através da função missionária de Jesus; e vive proclamando agora, em sua fase de restauração, que essa trípode jamais passará, porque ela é o espírito da Lei de Deus. Todavia, como a ignorância nos obriga a cogitar de tudo, e na maior parte das vezes a cogitar de modo desfavorável ao nosso real interesse, eis que ao invés de trabalhar pela própria melhora, muitas vezes tudo fazemos para perder até mesmo aquilo que já tínhamos conseguido, através de tremendos e dolorosos esforços executados no pretérito. Disto acontece muito mais do que parece! Depois de atingir melhor posição no íntimo, com vistas à divinização total, cai-se terrivelmente e perde-se o brilho do corpo astral. Diminuído o centro, é concomitante a ofuscação periférica. Leonardo, o socorrido daquela noite, estava comprovando a regra que há tantos milênios é anunciada; isto é, que tão bem fora ensinada pelas doutrinas Védicas e Herméticas, ou através de suas muitíssimas ramificações. E que o Cristianismo, por ser a Síntese das Revelações, consolidou por meio de uma sentença lapidar do Seu Divino Transmissor – “Pagarás até o último ceitil”. Tendo ido buscar os três servidores encarnados, o discípulo, a jovem ex-protestante e o jovem sírio, rumamos para o local onde Leonardo morava; e foi estirado no leito que o fomos encontrar, gemendo a sua ferida espiritual, que tinha o seu reflexo no corpo somático, através de uma úlcera estomacal de proporções alarmantes. Tão alarmantes que, se não fosse para ele penar de fato,

sustentado em sua dor pelos servidores do mundo espiritual, que lhe reconheciam mais o desejo de ressarcimento do que as culpas a ressarcir, desde muito teria sucumbido. Porque a ferida vinha sendo circunscrita, no corpo físico, à custa de nossos trabalhos contínuos. Caso contrário, se tomasse as proporções da chaga perispirital, tudo fazia crer no apodrecimento repentino de todo o intestino! Um de nossos médicos, que fizera companhia ao grupo, falando a linguagem compreensível a todos, revelou o que ocorria do ponto de vista clínico; depois, como senhor de conhecimentos doutrinários, esclareceu: – Eu lhes disse, irmãos, aquilo que meus olhos médicos viram e aquilo que a nossa medicina pode explicar. Como, porém, por aqui vale mais o fim do que o meio, está mais em foco a finalidade da vida do que as conveniências do momento, cumpre-se dizer que este irmão é um grande devedor, tendo necessidade de horríveis sofrimentos, porque foi errado e criminoso com pleno conhecimento de causa. Não é o Céu que está vindo pela dor, como pensam muitas criaturas, pelo fato de estarem militando em falhas doutrinárias; é, pelo contrário, a paga da maldade tal e qual como ele mandou praticar, pois o seu processo de condenação e justiçamento era terrível, redundava em rasgar o ventre e deixar as vítimas em lugar deserto, com as tripas de fora, muitas delas procurando no suicídio o fim dos terríveis padecimentos. Deu um tempo, a fim de que todos fixassem o relato, continuando após: – Já o retiramos do corpo, tendo passado o seu caso pela análise psicométrica, de onde ficamos conhecendo grande parte de sua história. E como sucede com grande maioria, a quem o reino do mundo atraiçoa, assim aconteceu com ele, pois as glórias do mundo fizeram-no desprezar os esplendores do Céu. Um fracassado a mais, como vêem, em face de si e da Lei! Naquela hora, interveio o Mensageiro: – Permita-me, doutor, dizer algumas palavras a estes companheiros que militam no plano carnal. É que dois deles foram parentes do enfermo em vida remota, o que ora motiva esta aproximação, para efeito de vantagens mútuas. Volvendo aos três, disse: – Sabem perfeitamente, irmãos, que a Lei obriga as criaturas a reencontros, por causa do objetivo sagrado da vida. Sabem, também, que o homem procura a Verdade como pode, com as suas possibilidades adquiridas à custa de vidas e de trabalhos, possibilidades que, infelizmente, muitas vezes aplica mal, traído pelas ensanchas do mundo, coagido pelo império das trevas. Para resumir, diremos que o homem procura a Verdade pelo prisma da fraqueza e da mediocridade, conduta essa que jamais poderá ser a mais feliz. Porque ela, seja como for, não cai jamais em contradição, nunca desce pelos despenhadeiros da mentira. Que o homem fale mentira, que o homem cometa erros em nome da Verdade, isso é comum num mundo inferior como a Terra; porém, ninguém pretenda que a Verdade esteja a endossar semelhantes práticas! Cautela, pois, para aqueles que se julgam proprietários da Verdade. Apontou para o enfermo e disse-lhes, com acentuada gravidade: – Eis aí um nosso irmão, a quem o mundo atraiçoou, por não ter ouvido a voz do Divino Mestre, que antanho tanto bem lhe fizera, que outrora muita luz espiritual lhe fizera adquirir. Como pobretão e artesão, como simples e humilde servidor público, como humilde pároco e mais tarde como calejado lavrador, muitos foram os seus triunfos espirituais; bastou, entretanto, passar para outra escala, e ei-lo a cometer asneiras e mais asneiras! Ser simples e humilde na grandeza, no poder e nas glórias do mundo, é muito difícil. E atendendo à expectação geral, relatou: – Foi um conde muito rico e muito perverso, cometendo crimes hediondos e fazendo-os cometer, porque forçava a terceiros segundo os seus objetivos sinistros, conforme as suas desconfianças mortíferas. Tendo começado a descer na escala, foi chafurdar no lodo e na treva por dois séculos e meio! E quando retornou ao mundo carnal, tentando rearmonizar-se com a Lei, tomou de novo o partido errado, vindo a ser um dos chacinadores da célebre noite de São Bartolomeu. Como sabem, a restauração do Cristianismo teve início em Wicliff e João Huss, dali saltando para a fase em que Lutero devia conseguir liberdade de culto, tradução e divulgação dos Livros Sagrados, com vistas à nova fase, que seria aquela em que Huss de novo reencarnaria na personalidade de Kardec, arrastando consigo a grande eclosão mediúnica do século dezenove, para extrair do novo Batismo de Espírito a codificação doutrinária que lhe cumpria, até onde fosse

possível, pois sabia-se que a obra seria assaz trabalhosa, assim como se sabe que não ficou de todo pronta, restando o que fazer em outra vida. Leonardo foi, portanto, uma pedra de tropeço no caminho da restauração! Foi, séculos depois, um novo crucificador do Cristo, pois a verdade é que a obra geral doutrinária pertence ao Diretor Planetário, nada mais sendo os demais servidores desse departamento de trabalho que simples e humildes emissários. – Ele morrerá desse mal? – perguntou a jovem ex-protestante, condoída ao extremo. O Mensageiro respondeu-lhe: – Assim foi a programação feita, antes dele nascer de novo. Ele o quis, compreendendo a gravidade de suas faltas. Ele e a Lei estão de acordo, agora, pois não blasfema, não se revolta. Tem a intuição de que é um errado e deve resgatar seus erros. E por ser assim, aqui estamos, para auxiliá-lo... Chegou o tempo de merecer alguns avisos interessantes, e é para isso que estamos aqui. – Ó bondoso Pai!... Tende piedade, Senhor, daqueles que erram!... – gemeu a jovem, derramando lágrimas. O Mensageiro falou-lhe, bondoso e advertencial: – Querida irmã, nós temos necessidade de lembrar o dever de piedade, mas Deus não, pois Ele é em tudo Absoluto. Se tem certeza de que sofre por causa deste irmão cheio de culpas, tenha também certeza de que a Lei não contém lesão alguma, de que é integral para todos os efeitos. Piedade, portanto, mas no quadro do respeito que devemos à Lei! Ela murmurou, cabisbaixa: – Ele me causa estranha piedade!... O Mensageiro esclareceu: – Vocês foram pai e filha há muitos séculos, na Arábia. Também o jovem sírio foi parente, porém, mais tarde, na França. Contudo, repito, Deus não é particularista, a Lei não é religiosa e a Justiça não tem parentes. Em conseqüência, quando foi dito que se paga até o último ceitil, também foi dito que se recebe até o último ceitil. Lembre-se de que estamos aqui para beneficiálo, pelo que já fez por merecer. E convidando os três encarnados a porem as mãos sobre a cabeça do enfermo, avisou a todos os presentes: – Vamos fazê-lo vir para este lado, anestesiando-o com o seu magnetismo de encarnados. Apliquem-lhe as mãos e orem com todo o fervor de que sejam capazes. A força mental e os fluidos eletromagnetizados operarão maravilhosamente e ele virá em boas condições. De fato, como era esperado, Leonardo veio depressa, puxado pela vontade de todos. E ao ver a luminosidade do meio para o qual viera, quis ajoelhar e agradecer a Deus, mas o Mensageiro falou-lhe: – Não é na forma que está a vantagem, e sim na essência, irmão Leonardo. Fique de pé e diga ao Pai Divino, que está nos seus e nos nossos fundamentos, aquilo que o seu coração de filho arrependido e sofredor quer dizer. Fale alto ou fale baixo, mas deixe que fale o seu coração! Leonardo curvou a cabeça e derramou copiosas lágrimas. Estava trêmulo, parecia que iria cair, quando alguma força adventícia o sacudiu, reerguendo-o. E foi então que ele disse, reverente e comovido: – Meu Deus!... Meu Pai!... Eu não sei o que terei feito, eu não sei de que crimes terei cometido!... Sei, porém, que Tuas leis são perfeitas!... Tenha eu, meu Pai, cometido qualquer forma de erro ou de crime, rogo pela Tua divina paternidade!... Dá-me pelo menos coragem, meu Deus!... Tira de mim a idéia de suicídio!... Varre de mim o pensamento de morte, meu Pai!... O Mensageiro chamou-o pelo nome, convidando: – Leonardo, vamos sair um pouco, vamos até um hospital. Chega o que disse, por ora. Comandou a pequena caravana, e, dentro de segundos, estávamos entrando em hospital muito nosso conhecido, em região bem próxima à crosta. Ali o companheiro médico sabia o que fazer, como o fez, contando ainda com os fluidos e o magnetismo oferecidos pelos companheiros encarnados. Não era para ele sarar, mas era para estacionar o mal, a fim de que ele, que pedira aquele sofrimento necessário, o tivesse por mais algum tempo.

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