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Capítulo 5 de 14
Osvaldo Polidoro — parte 5 de 14
Moral, Amor e Revelação · Osvaldo Polidoro
– Eu, como não pudesse entender certas coisas, procurei fazer todo o bem possível... E, pelo visto, dei-me bem!... – Não é tudo, se quiser pensar bem e responder certo. – observou-lhe o Mensageiro. – Não compreendo!... – fez Weter, meditativo. O Mensageiro perguntou-lhe: – Sabemos que você teve contatos com o espírito de sua progenitora. – Isso é exato! Muito exato! – respondeu Weter, veemente. Com acentuada fleuma, considerou o Mensageiro: – Isso não é Revelação?... Weter meditou por um pouco, depois murmurou entre dentes: – Moral, Amor e Revelação... Bem, mesmo sem saber, creio que fui espírita... Entretanto, isso não é Cristianismo?... O Mensageiro atendeu-o, solícito: – Nem haveria necessidade de ser outra a realidade, pois o Cristianismo é, em essência, a Doutrina Integral ou Cósmica, por ser aquela Doutrina que a um tempo contém tudo, seja ao tratar da utilidade da matéria, seja ao expor a Origem, o Processo Evolutivo e a Finalidade do espírito. Quando o Cristianismo venha a estar absolutamente exposto, em sua feição restaurada, que é como Espiritismo, todos saberão que ele é modelismo integral. Quem chega a reconhecer no Cristo um espírito UNIDO ao Pai Divino, chega também a reconhecer, na Doutrina que Ele apresentou viva, o instrumento de advertência, ilustração e consolo. Se, porém, quiser alguém ser cristão, sendo avesso à Moral, ao Amor e à Revelação, isso não é possível, porque em Deus e no Cristo nunca haverá lugar para a contradição. Eu sei que por ora você nada entende destas verdades, mas o fato é que a Chave Doutrinária está contida na própria Lei de Deus, à qual o Cristo, por ser Cristo, veio dar inteiro cumprimento. Era hora, e, como tal, o Mensageiro conduziu Weter para a região e localidade indicadas na ordem de serviço. Porque, como acontece com todos os recém-desencarnados, importa ficar primeiro em local menos intenso, para efeito de ambientação vibratória. O desencarne é definitivo, não é como a viagem astral dos encarnados, que o amparo dos guias harmoniza, não deixa haver choque; aquele que é desligado do seu corpo, necessita de auto-harmonização e deve realizá-la em si. É por isso que, mesmo no caso dos Grandes Instrutores, importa fazer estágio num plano menos intenso. Ali as células do seu corpo astral se adaptam e ele se apresenta, com isso, para galgar o local de direito. Existem, ainda, outros fatores de ordem a serem considerados; é comum, por motivo desencarnatório, doença ou desastre, e muitas vezes abalos morais e traumatismos psicológicos, saírem da carne mais ou menos conturbados, até mesmo aqueles que, vamos dizer, podem retornar bem ao terceiro dia. Sempre há uma necessidade de repouso e de reajustes vários. Uma das razões, por exemplo, até mesmo para aqueles melhormente aquilatados, é o contraste conceptivo, é a questão religiosa ou doutrinária. Cada um, diremos, dentre cem desencarnados, pode ter ou pertencer a um credo diferente dos outros noventa e nove; e pode imaginar, com todo o fervor possível, que Deus esteja apenas com ele, ou com o seu credo, ao qual julga verdadeiro e completo, desprezando a todos os demais. Em casos tais, cumpre que cada um vá reconhecendo em Deus e na Verdade, toda a universalidade possível de ser humanamente concebível; cumpre que vá assimilando a infinidade da Verdade, como Existência, Lei, Justiça, Amor e Ciência, e que vá deixando para trás as mesquinharias sectárias, mesmo aquelas que lhe serviram de degraus, de instrumentozinhos de subida hierárquica, conceitozinhos em tudo a par da Terra, mundinho onde bem poucos já conseguem respirar ares acima de egocentrismos e geocentrismos mesquinhos e degradantes. Nem a todos que merecem recolhimento é dado entrarem na posse de tais revelações, é claro; mas ao menor número, a bem mínima porcentagem, isso já se vai dizendo, porque a Era do Espiritismo não pode ser menos do que início da Era Cósmica. Aqui importa que haja raciocínio, porque entre o verdadeiro Cristianismo e a realidade Cósmica não existe diferença. Nas palavras de Jesus, ao viver a Divina Função de Cristo ou Modelo, tudo está exposto; nas palavras e nos fatos, diremos, estão contidos os conceitos de Luz do Mundo, de pertencer a um Reino que não é
do Mundo, etc. Isto é, de representar a Origem, o Processo Evolutivo e a Finalidade, porém tudo já realizado, para ser de fato o Paradigma. Já diziam os Grandes Iniciados, que foram realmente os Grandes Precursores do Celeste Ungido, que na medida evolutiva do indivíduo estava a marca de sua aproximação ou distância do Grau Crístico. Como as leis de movimento, evolução, responsabilidade, reencarnação, comunicação e habitação universal já eram conhecidas de remotíssimos tempos, estavam eles militando em plena verdade e certeza, ao afirmar que o fim da evolução é a Celeste Conexão, é ficar o espírito a cavaleiro das injunções planetárias, é pairar acima de mundos e de formas. Por isso que dizemos, podem os irmãos leitores observar que espécie de verdades precisam aprender aqueles desencarnados que a elas fazem jus, para irem aos poucos atingindo outras esferas da vida espiritual. Como é simples notar, em tudo isto vai um mundo de antisectarismo, vai uma avalanche completa de Doutrina Pura, da Doutrina do Espírito da Verdade, que jamais afirmaria qualquer resquício de formalismo, de idolatria ou de fetichismo, embora concorde em que os espíritos, enquanto inferiores em evolução, não possam admitir o ato de fé, a função tida como de grande efeito religioso, sem a usança de tais erros, sem a oferta de tais inferioridades. Nem poderia ser de menos que assim fosse, pois vindo a mônada do mais pleno estado de inconsciência, embora comportando todo o esplendor espiritual em potencial, para cada matiz de grau evolutivo atingido, por certo terá a sua conduta, em todos os setores de atividade. E assim sendo, normalmente compreendemos que o espírito superior faz coisas superiores, enquanto que o inferior somente pode fazer coisas ou praticar atos inferiores, por mais que sua vontade seja andar bem e certo. Aqui reside a razão de ser dos perseguidores e matadores de Mestres, Profetas e Cristos, por parte das Humanidades de mundos inferiores. Por isso disse o Divino Modelo aos Apóstolos: “Perseguindo e matando a vós outros, julgarão estar prestando um grande serviço a Deus”. Já foi dito que, para adorar a Deus em Espírito e Verdade, importa que a mônada espiritual evolua e se eleve à condição de Espírito e Verdade. Enquanto estiver militando nas esferas inferiores da vida, normalmente fará obra de criatura inferior. Como já devem perceber, não estamos confundindo aqueles que realmente são inferiores, com aqueles verdadeiramente abutres humanos, que por interesses subalternos exploram os menos cautos, inventando clerezias, formalismos, simulações, fetichismos e mil e uma formas de prejudicar a evolução dos semelhantes. Destes tais é que disse o Cristo: “Ai de vós, que ficando nas portas não entrais nem permitis a entrada aos que poderiam fazê-lo”. Aos simples encara a Lei como a criaturas simples, mas aos maliciosos fará que venham a responder por tudo, ceitil por ceitil! Se a função do Cristo foi tornar ostensiva a toda a carne o Conhecimento das Verdades que estavam trancadas nos Cenáculos Esotéricos; se o Divino Exemplo consistiu em apresentar o Modelo da mônada espiritual em tudo, na Origem, no Processo Evolutivo e na Sagrada Finalidade, por que teimam os comercialistas da fé, em não permitir a entrada, no Templo da Verdade, àqueles que poderiam fazê-lo? A obrigação de qualquer princípio de fé, para merecer respeito, é encarar de frente a obrigação e a necessidade do espírito, em sua evolução íntima; é ir fazendo encontrar, como já diziam os Grandes Iniciados, o infinitamente grande no infinitamente pequeno; é demonstrar, como a Excelsa Doutrina o demonstrou através do Cristo, que a centelha tem em si todos os elementos de progresso e vitória, para chegar a ser UNA COM O PAI! E, por isso mesmo, ai daqueles que se fazem os lesadores da evolução espiritual, por apego aos galardões formalísticos do mundo! Por quererem passar diante do mundo como se fossem ministros de Deus, e por isso irem recebendo as reverências dos próprios ludibriados, quando realmente são representantes das trevas, do mundo e de seus tenebrosos alçapões! Não é necessário lembrar, que os perseguidores e chacinadores de Mestres, de Profetas e de Cristos, nos mundos inferiores, são sempre os donos de religiões, os manipuladores de fetiches, os que fazem da fé meio de vida. Como a Terra ainda está muito longe de ser um mundo superior, há muita necessidade de cautela, há grande precisão de prudência, pois os representantes das trevas de tudo lançam mão, isolada e conjuntamente, para garantir seus tristes empreendimentos. Impelidos pelo vício da idolatria e acostumados com as regalias mundanas, tudo fazem a fim de garantir a posição. Feita esta digressão, vamos relatar os dois outros trabalhos da noite levados a termo.
O segundo caso foi atender a uma jovem mãe, porque o seu filhinho sofrera uma queda. Ela clamara ao Céu e o seu clamor fora ouvido, inclusive porque o pequenino era um espírito de escol, fadado a ser excelente servidor na seara consoladora, como de fato virá a ser. O mundo espiritual atendeu-lhe o apelo e continuou a dar-lhe atenção, até que a lesão causada no tombo cessara. Quando lá chegamos a criança ressonava, porque lhe doía a parte da ferida; e o Mensageiro determinou o trabalho a ser feito: – Vocês três, encarnados, imponham-lhe as mãos, ordenando a que durma, a fim de trazê-lo para este lado; e uma vez aqui, vamos levá-lo aos aparelhos de aplicação magnético-luminosa, para auxiliar a transubstanciação de células. Enquanto os encarnados faziam aquilo, um dos companheiros perguntou: – E se o menino viesse a desencarnar? O Mensageiro respondeu: – Bem, disso muito acontece, como vocês sabem. Nem tudo é do programa, pois o plano carnal é cheio de fatores circunstanciais favoráveis e desfavoráveis, e nenhuma prudência é demasiada. Se ele, o espírito, voltasse para este lado por causa do acidente, imediatamente seria obrigado a retornar, porque o tempo urge para ele. Quem ainda não atingiu o Grau Crístico tem que obedecer às leis planetárias, que obrigam a trabalhos através de movimentos cíclicos. Quando a hora de reencarnar chega, tudo envolve a criatura em sintomas de obrigação, fazendoa entender, mais por emoção do que por inteligência, que chegou a hora de prestar mais um serviço ao movimento planetário. E como é sabido que os departamentos locais funcionam conforme a lei das necessidades, que por sua vez é reflexo da Lei de Harmonia, eis que se conjugam fatores, preparando a reencarnação. Logo que o espírito veio para o nosso lado, foi apanhado no colo pelo Mensageiro, que imediatamente fez o transporte para o hospital do mundo espiritual. E o pequenino foi sujeito aos cuidados médicos, que implicaram na aplicação de eletricidade e ondas policrômicas, numa intensidade própria para o seu corpozinho astral. Ao retornar ao plano carnal, foram ocupados os fluidos paternos, como verdadeiras cargas renovadoras, pela identidade dos mesmos. E ao acordar, o bebezinho sorria, porque estava satisfeito e nos via perfeitamente. A mãe disse, falando ao pai do pequenino: – Deve estar vendo os anjinhos!... O Mensageiro comentou, encolhendo os ombros e sorrindo, satisfeito: – Bem, que vamos dizer? De uma parte, na linguagem bíblica, anjo, espírito e alma são palavras sinônimas. E de outra parte, Deus que lhe recompense pelo bom conceito que nos tem. Afinal de contas, somos filhos de Deus e isso é muito mais do que ser apenas anjos, não acham?... Realmente, somos semideuses! E lá fomos ao terceiro trabalho da noite, em que deveríamos ocupar os três encarnados. No terceiro caso nada havia a fazer; era apenas um esclarecimento. Tratava-se de um missionário de certa monta, recém-entrado nos trabalhos teóricos e práticos da Doutrina que se fundamenta na Moral, no Amor e na Revelação. Que se passava com o jovem missionário? Nada mais do que choques e mais choques de variada ordem, por causa das contradições que ele vinha encontrando, aqui e ali, nos diferentes locais de trabalho espírita. Cada indivíduo, cada Centro, tinha lá o seu modo, o seu matiz de modo, sendo que de vez em quando lá vinha uma tremenda aberração, por falta de melhores conhecimentos da parte dos dirigentes. E o jovem sofria, porque no seu íntimo crepitava a chama do mais puro idealismo, daquele idealismo que vinha dos dias em que fora um dos mais vibrantes profetas de Israel. Fomos encontrar o corpo desocupado, mas o Mensageiro agiu e convocou o senhorio, que veio acompanhado de alguns amigos do plano astral, elementos de vasta capacidade e fulgurante esplendor espiritual. Depois de breve conversação, disse-lhe o Mensageiro: – Seus amigos poderiam dizer muito mais do que eu, sobre a questão que tanto o preocupa, em virtude da superioridade hierárquica. Entretanto, aqui estou em função de trabalho, para lhe
dar a explicação; isto é, para avisá-lo sobre as coisas que irá conhecer, aos poucos, de onde chegará à conclusão de que na Terra tudo é fácil de ser desviado, adulterado e até mesmo corrompido. Infelizmente é assim, por falta de evolução em primeiro lugar, e por falta de melhores esforços educativos em segundo lugar. Quem vem de conhecer a Excelsa Doutrina, e não tem lastro educativo, cede aos imperativos da idolatria e do fetichismo, dos vícios de conduta. O jovem atendeu, dizendo: – Aqui eu entendo e pondero, mas estando no corpo chego a ter vontade de dizer coisas bem graves contra aqueles que fazem do culto mediúnico obra de pouca recomendação pelos desvios a que se entregam, saindo fora dos Mandamentos da Lei de Deus, de quem o Divino Modelo foi o mais fiel executor. Algo entristecido, prosseguiu o Mensageiro: – Infelizmente, muito infelizmente, os verdadeiros conhecedores e cultores do Batismo do Espírito serão poucos... A Humanidade terrícola é portadora de terrível lastro idólatra, de tremenda carga supersticiosa, atraindo com facilidade a espírito do mesmo jaez, e a eles dando atenção. Todavia, lembre-se, alguém haverá, como tem havido em todos os tempos, capaz de saber, pensar e agir em favor da adoração de Deus em Espírito e Verdade. Porque, ainda uma vez mais aplicando o termo infelizmente, a Verdade é para o menor número, paira no campo da qualidade e não da quantidade. Fez silêncio por alguns segundos e a seguir avisou: – Mandam dizer-lhe que a cada um é devido cumprir com o seu dever, segundo a sua capacidade. E que faz obra de verdadeiro cristão, pelo que receberá a recompensa, todo aquele que se fizer, diante da Humanidade, exemplo de boa conduta. O jovem ouviu, tendo agradecido: – Muito obrigado pelo aviso; quero contar com a sua cooperação. Quanto às contradições, ou pelo menos aos fetichismos e o emprego de usos realmente fora da Lei de Deus, erros praticados como se fossem necessários, prometo que tudo farei para não os admitir em meus trabalhos e conceitos. Na despedida, aconselhou o Mensageiro: – A regra feliz é para a frente e para o alto! Entretanto, os escândalos terão ainda largo tempo de curso na história da Terra. E mesmo quando não seja feito com o intuito de escandalizar, nem por isso será menos perigoso e comprometedor, pois redundará sempre, pelo menos em obra de triste exemplificação. E como é sabido, bem mal se recomenda aquele que serve de pedra de tropeço no caminho evolutivo de seus irmãos! Faça, portanto, questão de cultivar o Espiritismo assim como ele o é; isto é, sendo a um tempo Moral, Amor e Revelação, que é o próprio espírito da Lei, que é a vida de Jesus em perfeito prolongamento sobre a Terra! Tendo partido, fomos entregar os encarnados a seus respectivos corpos. Antes de separá-los, em conversa amiga, disse-lhe o Mensageiro: – Quanto eu deploro ter que defrontar semelhante questão! Não posso compreender muitos irmãos encarnados, tendo tanto em que se instruir sobre o cultivo da Revelação, vivem e agem à margem da Lei de Deus, entregando-se a práticas muito e por vezes até de todo condenáveis. O que porém me consola, é saber que poucos se entregam a descambos, por ouvirem a espíritos medíocres, por atenderem a convites menos dignos da Verdade, da Grande Lei de Harmonia.
Capítulo V
O discípulo estava pleno de Consciência da Unidade; sabia que em Deus tudo é existente, tudo se movimenta e tudo atinge por evolução a finalidade. Estava em estado de epifania mental, pelo que sabia estar sempre ligado ao Pai Divino, em virtude do que vinha de aprender, sobre estar o Primeiro Estado, a Divina Essência, nos fundamentos ou atrás de tudo aquilo que existe, no Universo Infinito. Jesus lhe era o Cristo Planetário, o Espírito Cósmico, acima de mundos e de formas, porque vitorioso sobre as leis planetárias; e que a Sua Autoridade também era Onipresente no Planeta, por lhe ser o Diretor, assim como acontece com os outros planetas, que têm os seus respectivos Cristos. E que as duas Autoridades, a de Deus e a do Cristo Planetário, se filtram pelos escalões hierárquicos, pelas hierarquias espirituais, que estão distribuídas pelas sete esferas celestiais, que envolvem a crosta terrícola em forma concêntrica e superposta; sete Céus que se subdividem em muitos outros, porque a elevação, para o exterior, é muito lenta, é progressivamente gradativa, a fim de que a cada matiz de grau caiba o justo local de estada e ocupação. Ler era, entretanto, a sua predileção terrena; e tinha uma dezena de livros aos quais devotava maior estima, porque eles lhe faziam sempre sentir mais a presença do mundo espiritual, aquilo que os Antigos Iniciados diziam ser a Providência Divina, pois eles sabiam que a Providência era representada pelos guias espirituais da Humanidade e das criaturas. Como fosse domingo, pela tarde, estirou-se o discípulo no leito, apanhando o livro de Édouard Schuré; e tendo-o aberto, lia o seguinte trecho, com muita atenção, como sempre o fazia, em se tratando de tais assuntos: “Uma teologia verdadeira deverá fornecer os princípios de todas as ciências. Ela não será Ciência de Deus, se não mostrar a unidade e o encadeamento das ciências da natureza; ela não merece o nome que tem, se não satisfizer a condição de constituir o órgão e a síntese de todas as outras...” Foi naquela hora que nós chegamos, inclusive o Mensageiro, com o fito de tomá-lo para o nosso lado, caso estivesse com disposição e desocupado, ou pronto para vir. E foi coisa de segundos, porque o Mensageiro lhe meteu a mão na cabeça, fazendo-se notar presente. O rapaz colocou o livro sobre o móvel e prontificou-se a sair, o que logo aconteceu, com grande alegria para todos. – Trechozinho bem inteligente aquele, pois não? – comentou o Mensageiro, ao falar-lhe. O discípulo emitiu a sua opinião: – Um grande livro, embora muito falho com referência ao Cristo, pois não pôde o seu Autor penetrar na intimidade de Sua função, a fim de poder explicá-Lo de melhor maneira. Nem compreendeu a função missionária de Jesus, como cumpridor da promessa antiga ou do Derrame de Espírito sobre a carne toda, e nem conseguiu divisar o Cristo como sendo a Síntese da Verdade, ou como exposição da Origem, do Processo Evolutivo e da Sagrada Finalidade do espírito. O Mensageiro anuiu, acrescentando: – Muito bem, muito bem. Se Édouard Schuré tivesse penetrado na realidade do Cristo, como batizador em Espírito e como síntese geral, ou como símbolo vivo do Caminho, da Verdade e da
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.