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Capítulo 11 de 14
Osvaldo Polidoro — parte 11 de 14
Moral, Amor e Revelação · Osvaldo Polidoro
Poderão estranhar esta realidade, mas ela é simplesmente real – a Verdade ensina os caminhos da Verdade, porque ensina a discernir, tanto quanto as religiões e os sectarismos, o que dá no mesmo, têm ensinado a divergir da Verdade. É que na frente e atrás da Verdade está Deus, tanto quanto atrás e na frente das seitas e das religiões estão os conchavismos clericais, ou interesses de grupos, a pança, o bolso, o orgulho e a vaidade de certos homens. E não se diga que tudo isso acontece por falta de melhores informes; que os sectarismos tenham aparecido como conseqüência da falta de informes verídicos e profundos. Não, pois as iniciações antigas, que se consubstanciam no Védico-Hermetismo, de onde Pitágoras extraiu aquele monumental edifício iniciático, contendo vastíssimos informes sobre a origem da matéria e do espírito, contendo a marcha de ambos, pois tudo evolui, cada um ao seu campo; contendo, repito, informes profundos sobre o Macro e sobre o Microcosmo, por aí andavam, como por aí andam, para serem aprendidos por quem quer que tenha vontade de conhecer. O Divino Monismo, que alguns autores modernos procuram infundir como coisa nova, nada mais é do que velharia, gloriosa e impassável velharia, no mapa formidável deixado pelos Grandes Iniciados. Eles sabiam, por sondarem nas profundezas do Cosmo, com os seus recursos mediúnicos atiladíssimos, imensas verdades sobre o Emanador e sobre a Emanação. E se essas fontes de Luz Divina se apagaram, a ponto de em pleno meado do século vinte4 parecerem novidades, é porque os homens deram, nos últimos milênios, para afrontar a tudo quanto de Verdadeiro, de Bom e de Belo a Revelação tem dado ao mundo, desde os mais remotos dias. Afora o caráter oculto, afora a condição esotérica de cultivo da Verdade, que os Cenáculos Iniciáticos impunham, o restante é para se dizer que o Espiritismo de hoje em nada avançou sobre o de ontem, sem ser em amplidão; e isso mesmo, como é sabido, pelo fato de ter vindo o Cristo Planetário, para abrir as portas dos Templos Esotéricos para todos os filhos de Deus, para fundir todas as iniciações em uma só Divina Iniciação, pelo fato de conter em si tudo quanto se queira em Moral, Amor e Revelação. Nisto ficamos de inteiro acordo – que o Espiritismo surgiu, na hora precisa, por dois motivos principais: o primeiro, para que ideais materialistas não fizessem a Humanidade trilhar caminhos ainda mais trevosos do que já desde muito vinha trilhando; e o segundo, porque era tempo de repor o Cristianismo do Cristo, a consoladora medida que o Pai Divino por Ele enviara, para transformar todos os homens em herdeiros da Verdade, pois a Excelsa Doutrina é acima de conceitos, de preconceitos, de castas, de cores, de longitudes e de latitudes de ordem humana. Ela é cósmica, fala aos filhos do Pai a linguagem daquele Reino que não é de mundos materiais e formais. Porque a finalidade do espírito é atingir aquele ponto, aquele grau evolutivo que importa estar acima de todas as barreiras planetárias. E para quem deseje saber, repetimos – para conhecer a profundeza dos ensinos antigos, basta ter vontade de procurar; e para saber qual tenha sido o objetivo do Pai Divino, enviando ao mundo carnal o Seu Ungido deste Planeta, para legar a palavra de Ordem Cósmica, basta esperar, basta ir vivendo até atingir o grau crístico. E como todos lá teremos de chegar, porque as leis fundamentais não serão de modo algum derrogadas, todos um dia diremos que as palavras de Jesus foram e são espírito e vida. Poderão afirmar, aqui e ali, que Jesus tenha vivido na Terra, em outros dias, como contraditor da Lei de Deus, ou como sangüinário. Poderão afirmar, que não tenha sido homem de carne e osso. Poderão afirmar, que não tenha tido, por não precisar, da escola do mundo. Poderão afirmar, que Seus feitos mediúnicos tenham sido invenção posterior. Poderão afirmar, que não morreu na cruz. Poderão afirmar, que Seu corpo fora roubado durante a noite, não passando a ressurreição de uma farsa bem urdida. Poderão afirmar, que não tenha reaparecido aos Apóstolos, em carne e ossos. O que nunca poderão garantir, pelo que sabemos, é que Suas palavras passem, é que a Sua condição de Diretor Planetário5 não seja um fato. A contradição irá atirando pedras e mais pedras, mas sem atingir o ALVO! Porque Ele está, como foi exposto pelo Pai Divino, em Sua função de Caminho, Verdade e Vida! Ali está, como Divino Ponto de Referência, acima das leis inferiores dos mundos físicos, aguardando a chegada
de Seus tutelados, conjuntamente com Aqueles outros que, também por evolução, pertencem ao mesmo grau e agem da mesma forma, filtrando a Divina Vontade, criando, sustentando e conduzindo mundos e humanidades. Rente ao caixão onde o corpo de Lisandro se encontrava, o Mensageiro fizera o seu discurso, cumprindo sua obrigação de instrutor. O vaso físico estava inerte, desgastado e frio, enquanto que o Lisandro imortal estava a poucos passos dali, recolhido a um leito, dormindo o sono angélico, cercado de vibrações amorosas, envolvido pela teia de muitíssimas simpatias. E quando, três dias depois, fomos encontrá-lo no local para onde o levaram, a fim de ser preparado para subir ao plano de real merecimento, foi com a alma escampa, foi com toda a simplicidade que nos falara, afirmando que deviam estar enganados, que ele era por demais insignificante, para merecer tanto amor da parte de todos, mormente dos altos emissários que o foram aguardar nos portais do túmulo. Nós sabíamos, todavia, que ele tinha raízes profundas na iniciação antiga, estava ligado por muitas vidas aos remotos dias da Humanidade, tendo sido, inclusive, um dos maiores vultos da Kabala, muitos séculos antes de Moisés existir. E que sua encarnação última, por causa dos planos articulados no mundo espiritual, deveria não ter expressão alguma de caráter exterior ou mundano, a fim de vir a cumprir elevada missão no mesmo plano espiritual; seria, como o foi, uma dessas funções sublimes e ocultas, um grande ou maravilhoso mensageiro encarnado, intensivo pólo de contato entre os Altos Planos e os planos inferiores do mundo espiritual. Ele mesmo, que sentia vibrar gloriosamente o Céu dentro de si, por causa do esquecimento em que caía, ao retornar ao corpo, não tinha conhecimento algum de sua nobríssima função mediúnica. Realmente, será sempre muito difícil aos homens, descobrir entre os que poderão ou não ser os primeiros ou os últimos; porque o véu do mundo encobre fatores, tanto os negativos como os positivos! Mas assim que o casulo deixa de ter significação, então o agente vivo se revela e é revelado por inteiro. Caem todas as aparências, rompem-se todos os rótulos, falecem todos os títulos do mundo! E não adianta chorar o tempo perdido, se assim calha de ser, porque somente outras oportunidades, uma vez bem aproveitadas, é que podem ofertar campo de recuperação. O mundo espiritual fornece, todos os minutos, novos elementos de oportunidade aos espíritos; dá-lhes novas imersões na carne, corpos sadios e faculdades apropriadas. E o mundo carnal fornece, todos os minutos, muitos fracassados e poucos vitoriosos ao mundo espiritual. Por que tantos fracassos?! Não há dificuldade alguma para responder; mas, para que fazê-lo, se o Divino Modelo pronunciou um dia aquela peça imortal, o Sermão da Montanha? Foi a última palavra do Mensageiro aos alunos – foi dizer-lhes que olhassem para Lisandro e meditassem no Sermão da Montanha. Eu já estava acostumado a todas as prédicas, desde muito que acompanhava as lições como colaborador; mas diante daquele espetáculo celestial, fui me recolher para meditar também. Pude lembrar a mim mesmo, que se tinha muitas liberdades com relação aos planos inferiores, o certo é que muito mais ainda tinha para cima, na direção do grau crístico, para onde somente os trabalhos amorosos me poderiam conduzir.
Capítulo XII
Tanto Pitágoras como Jesus foram unânimes, quanto a dizer que Deus exerce a Divina Providência através dos Santos Espíritos; realmente, estando Deus no imo de tudo e de todos, como Emanador, Sustentador e Destinador, é pela organização que rege a tudo e todos. E, no ápice da organização, estão os Cristos ou Aqueles filhos que já se fizeram assim através do processo evolutivo. E daquela ordem espiritual, ou hierárquica assim qualificada, vem a Divina Providência observando perfeito regime de fracionamento, de escalonamento, até que atinge aquele cidadão cósmico que poderia ser chamado de último. Quem poderia ditar ordens em contrário? A quem seria dado demandar contra a ordem cósmica estabelecida? Bem alto e absolutamente, fala aquela alegoria, aquela parábola que está contida no capítulo quatorze de Isaías! Poderia algum anjo, alma ou espírito, centelha ou mônada, tentar contra a Ordem Divina; mas quem poderia vencer contra o Princípio Sagrado? Todavia, por causa dos erros de concepção, por causa das culpas dogmáticas, o religiosismo terrícola está cheio de elementos que se julgam acima da ordem cósmica, acima da organização estabelecida, muito acima do processo comum de evolução. Vivem de entender como podem, mas pensam que podem até contra a Vontade de Deus, pelo fato de viverem, através de gestos e de palavras, em regime de perfeita adulação a Deus. Pensam que maneirismos, que ofertas ritualísticas, possam inverter o sentido cósmico do Universo, relegando a plano inferior, ou até mesmo banindo, os fatores inalienáveis chamados Moral, Amor e Revelação, aqueles que fazem saber que são imprescindíveis o Amor e a Ciência, a fim de que, gradativamente, vá o espírito se tornando Puro e Sábio, isto é, cristificado. Enormíssimo é o número daqueles que aqui aportam, em todos os minutos, pensando que Deus e o Cristo, com o acompanhamento das legiões angélicas, os estejam esperando, sob o mais rigoroso cerimonial. Isto acontece mais, muito mais entre os donos de religiões, entre os que possuem títulos nobiliárquicos, entre aqueles que vivem fartamente festejados pelo mundo, simplesmente porque se enchem a si próprios de rótulos e mais rótulos, de bugigangas e trabisongas. Aos que pensam que somos inveterados adversários dos formalismos e dos decretos de homens, pelo fato de sermos absolutamente fiéis ao Código Divino, fazemos lembrança disto – não é somente por isso, o que já seria mais do que suficiente, mais do que justo, mais do que obrigatório! Estando na função de apontar aos irmãos o Cristo Cósmico, o Divino Ponto de Chegada, estamos conseqüentemente na obrigação de lembrar a necessidade suprema, o dever máximo, que é adorar a Deus em Espírito e Verdade. Enquanto viciados, idólatras e fraudulentos, ninguém lá chegará! Entretanto, aqueles de que falamos, apenas como exemplo ou motivo de lição, já que o Céu sempre ensina através dos mundos, das vidas e dos fatores circunstanciais; aqueles de que falamos, repito, a si mesmos se julgam acima de tudo e de todos, chegando a exigir que se lhes cumpra a vontade, a triste e criminosa vontade. E quando percebem, e quando descobrem que a Ordem Cósmica é inviolável, é rigorosamente acima de conceitos e de presunções humanas, paira muito acima dos tratos conchavistas de que os homens se fazem exímios fautores, então se revoltam, tramam desordens, caem nos baixios e comandam legiões trevosas, muitas vezes
levando de vencida criaturas menos avisadas, passando adiante erros e fraudes, encaminhando filhos de Deus aos rincões da desarmonia e dos futuros prantos e ranger dos dentes. A Excelsa Doutrina fundamenta-se na Lei de Deus, no exemplo vivo do Cristo e na ação dos Santos Espíritos, que realmente são a Providência Divina; Paulo de Tarso enumera, entre as faculdades mediúnicas, aquela que se chama de discernimento dos espíritos comunicantes; e João Evangelista, em sua primeira carta, alerta sobre a necessidade de não crer em todos os espíritos. Todavia, não é apenas no quadro da ação mediúnica que os maus espíritos agenciam suas faltas, seus crimes, espontâneos ou propositais. Criaturas encarnadas, que de mediunismo nada sabem, nem sequer gostariam de ouvir falar, vivem sob o guante maldoso de entidades perversas. A grande regra seria de fato orar e vigiar... Mas, quanta gente há que se esforça para isso? Embora pareça ironia, a verdade é que a pior conduta parte daqueles que lembram aos outros a necessidade de orar e vigiar! Bradam assim todos os escravos da idolatria, dos formalismos, da fé cega e comercializada; todos quantos ficam nas portas do Templo da Verdade, não entram e não permitem a entrada aos que poderiam fazê-lo. Bem disse alguém, aí da Terra, que o diabo é tanto mais perigoso, quanto mais se fantasia de religioso... E disso o mundo está cheio, porque a grande maioria só consegue encarar o Reino do Céu pelo prisma do bolso, do estômago, do sexo, do orgulho, da vaidade, etc. Como o diabo sempre foi o símbolo do Mal, eis que é fácil descobrir até onde vive ele a manobrar com os homens, mormente os donos de religiões, aqueles que se presumem, por isso mesmo, ser os senhores da consciência alheia, depois, é claro, de se julgarem os conselheiros de Deus e do Cristo! Quanto aos diabólicos, aos maldosos de outros campos de atividades, esses têm menos culpa, porque eles praticam diabolismos sem apelar para os nomes de Deus e do Cristo... Eles não rotulam falsamente as contradições que lavram contra a Lei de Deus... Eles traficam a mentira em nome da mentira, o que muito os dirime, enquanto não chegam a conhecer mais. Ninguém deve olvidar o que disse Jesus contra os elementos do Sinédrio, comparando-os com as mulheres de má vida, perante as quais eles estavam francamente inferiorizados... A quem fomos encontrar, por atender a um rogo materno, e rogo feito em dolorosas condições? A quem vimos, qual monstro infernal, atirado sobre um menino de onze anos e pouco, a lhe apertar a cabeça entre os braços? Que filho de Deus era aquele, que vinha paralisando e aleijando assim a aquele menino? Entretanto, quem era aquele menino? Em que tremendos delitos se metera, em dias pretéritos? E aqueles pais? Quem eram eles? Por que gemiam debaixo daquela dor, vendo o filho assim, todo torto, cada vez mais paralisado e mais torto? Há muita gente que se importa com os Planos Divinos, que vive a querer destrinçar a Ordem Cósmica, de todo fora de tempo, antes de cuidar bem, de zelar meticulosamente pela ordem interna, pela harmonia íntima. Esquecem que a parte de Deus nunca falta, nunca falha, enquanto a ordem humana vive em regime de débito, muitas vezes marcha com tremendos atrasos! Da mesma forma, há muita gente que pretende conduzir a vida alheia, consertar fora a tudo e a todos, enquanto que se esquece do mundo interior, enquanto nada faz para harmonizar o próprio íntimo. Pensam alto, ou pensam que o fazem, em matéria de tudo quanto diz respeito aos outros; mas para si mesmos, para a própria conduta, vivem ao rés do chão, quando não se dão a cometer tremendos delitos, quando não se entregam a praticar obras que constituirão pesado carma, dura trama a ser desfeita nas vindas porvindouras. Não nos convidaram a falar em nome dos sete Céus terrícolas, ou que envolvem a crosta, onde vivem todos aqueles que ainda não desabrocharam o Cristo Interno, onde me encontro eu mesmo, pois trabalho para me despertar, auxilio para ser auxiliado, tudo faço para ir atingindo aos poucos aquele Céu que é o mais um, que seria o oitavo, que é o Céu Crístico, que paira acima das injunções planetárias. O que nos disseram foi para falar, uma vez mais, em nome da Lei de Deus, do programa fundamental, que lembra a todos o fim da evolução, a adoração de Deus em Espírito e Verdade. Que a Humanidade, na totalidade de seus elementos, transcorrerá sobre muitos milênios, antes que venha a fazer isso, disso temos absoluta certeza; mas nunca faltarão os vanguardeiros, aqueles que irão realizando o Cristo Interno, dando assim entrada naquele Céu Cósmico, acima
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.