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Capítulo 14 de 14

Parte 14 de 14

Moral, Amor e Revelação · Osvaldo Polidoro

– Venha, então, em nossa companhia. Aprenderá que a parte de Deus está pronta desde sempre, porque Ele tem tudo em Si próprio, para todos os efeitos e tempos, enquanto que a nossa está por ser feita e a nós compete fazê-la. Depois, volvendo o Mensageiro aos aprendizes, disse-lhes: – Desejam fazer alguma pergunta? O mais adiantado, ou mais experiente, respondeu pelos outros, depois de tê-los indagado: – Não desejamos perguntar nada, bondoso instrutor; queremos é meditar no caso, pois parece que todos nós, componentes deste grupo, andamos julgando muito a obra de Deus, enquanto andamos esquecidos de nossos mais prementes deveres. Cada um de nós é um outro irmão Silvestre, pelo que andou fazendo. O Mensageiro disse-lhes: – Bem sei disso, meus irmãos. E saliento que todos devemos amar e aprender; que todos devemos conhecer e aplicar. Não é justo, porém, que vivamos a desprezar o próximo, por ele ser portador daqueles mesmos defeitos que são os nossos.

Quando mais não seja, usemos pelo menos o coração, a bondade, porque Aquele que é o Infinito em todos os sentidos, nada nos mandou fazer, em matéria de leis e de criações. Ele quer que sejamos sábios no uso de nós mesmos, antes de mais nada e acima de tudo. E a caravana seguiu, no rumo indicado pela necessidade daquele irmão e de todos nós; necessidade, fica bem entendido, de realizar o Reino do Céu interior, e não de discutir Deus e Suas leis. Afinal de contas, qualquer criatura sensata pode considerar estultice o fato de querer alguém julgar a parte de Deus, enquanto que ignora e despreza a sua parte, aquela que lhe é essencial e indispensável, absolutamente intransferível. Uma pontinha de psicologia, aplicada no sentido de iniciação, vale mais do que uma tonelada de teodicéia. Que adianta querer sondar a origem de Deus? Que lucra alguém, em querer investigar se Deus é de fato Onipresente, Onisciente e Onipotente?

O Deus Manifesto, que é impropriamente chamado Criação, que está dentro e fora de nós, já atinge a infinidade, pois nenhum espírito, que tenha falado, nunca disse ter conhecimento, nem de si mesmo como natureza essencial e nem tão pouco da extensão da Emanação. Os grandes Mensageiros revelam-se realmente semideuses, ostentam brilho, manifestam poderes, refletem poderosíssimos fluxos amorosos! Porém nunca soube de um que por acaso tivesse pretendido dizer o que é o espírito em sua essência. Com a subida hierárquica, dá-se a integração sintônica, a penetração naquilo que é a Divina Ubiqüidade, um dos infinitos sentidos de Deus, da Divina Essência que a tudo origina, sustenta e determina. Porém, os que lá vão chegando, os que se vão tornando realmente semideuses, vão manifestando Luz, Glória e Poder, e de tal modo, e com tal profusão celestial, que nenhuma palavra, que a soma de todas as palavras nada poderia significar.

Enquanto a centelha está envolvida de forma; enquanto expressa tudo através de formalismos; enquanto, repito, se manifesta como forma, absorve forma, respira e transpira ao que é formal, está muito longe de poder conceber ao que É acima de forma, em Sua Divina Essência. E para se ir tornando Luz, Glória e Poder, ou para se apresentar um dia como semideus, Cristo Anímico, a fim de vir a funcionar como Cristo Cósmico, importa que seja capaz de amar e de saber a tais alturas. Chegando a isso, não mais discute, porque sua existência é como a sua essência. Os Cristos Planetários nunca se apresentam discutindo sobre o Pai Divino; Eles trazem consigo mesmos o sentido de sintonia. Eles vibram nas alturas da Divina Ubiqüidade. É por isso que os Cristos são Inconfundíveis! É por isso que renunciam a tudo! É por isso que, do abismo do martírio, Se elevam ao píncaro da renúncia e do perdão! Muito naturalmente, assim como vão os espíritos subindo na Escalada Crística, assim mesmo vão se revelando capazes de renúncia e de perdão.

É por isso que muitos estudiosos, os mais bem intencionados mesmo, costumam confundir personagens, vendo o Cristo Planetário aqui e além, na personalidade potentíssima deste e daquele Grande Iniciado ou Grande Revelador. De tal modo são marginais ao mundo, às formas, ao que é rudimentar, que têm contra Si, funcionando normalmente, a pedra contraditória. Também por isso, bem sabemos que convém trabalhar no íntimo, para lá ir chegando. Os caminhos são o Amor e a Ciência, sendo que o Amor é acima de tudo. Aqueles que vão aprendendo a confiar no Amor, certamente discutem menos e realizam mais.

Capítulo XVII

Desde que não tenham caráter de clerezia e comércio, de organização político-econômica; mesmo que tenham seus erros, seus claros doutrinários, suas falhas de caráter conceptivo; desde que, repito, haja intento puro e são de atingir a Perfeição, pelos caminhos do que é Verdadeiro, Bom e Belo, os agrupamentos humanos de sentido espiritualista se fazem dignos de atenção e respeito. Os dois maiores agravos são aquele apontado acima e o sectarismo arraigado. O primeiro faz da fé meio de vida e ponto de partida para obtenções radicalmente escusas; faz com que seus donos usem e abusem de erros e crimes, a ponto de se fazerem contraditores da Lei de Deus, vindo assim a cometer tremendos erros de base e reflexão. Em nome de Deus, falando de Deus, procuram subverter até mesmo a Ordem Divina, abrindo caminhos, pelo mau exemplo, para que os menos avisados desçam pelos abismos tenebrosos. E o segundo, o sectarismo arraigado, comete a tremenda falta que é truncar toda e qualquer possibilidade evolutiva.

Para os sectários, a Verdade chega a ser a mentira que eles conhecem, consomem e recomendam; para eles a mediocridade representa toda a Sabedoria. Temos visto muito disso tudo, entrando casas a dentro, penetrando no pensamento de legiões de irmãos. E por vezes é chocante observar, pois elementos de grande capacidade em outros setores de atividade, em outros ramos de conhecimento, revelam-se oclusos, obtusos, estreitos, misoneístas, quando se trata de encarar de frente o problema da Verdade. Eles, que parecem desejar a Verdade, e de fato a desejam a seu modo e gosto, o que realmente fazem, nada mais representa do que estabelecer o mais ferrenho programa de mediocridade. Pensando que defrontam a Verdade, tudo quanto fazem é visualizá-la pelo ângulo mais deformador, menos recomendável. Entrando em uma pequena casa espírita, a fim de servir a alguém que nos pedira socorro através de oração, fomos topar uma briga entre concepções opostas.

O homem convidado a falar, bastante instruído sobre o Espiritismo, conhecedor de muitos Livros Sagrados e nada escravo de sectarismos, antes de tecer comentários, leu o seguinte trecho de Crisna, com o fito de lembrar uma verdadezinha simples, conhecida e reconhecida desde remotos dias: “Escutai, pois, diz Crisna, um enorme e profundíssimo segredo, o ministério soberano, sublime e puro. Para se chegar à perfeição, é mister conquistar a Ciência da Unidade, que está acima da sabedoria; é mister elevarmo-nos até o Ser Divino, que está acima da alma, mais alto mesmo que a inteligência. Ora, esse Ser Divino, esse Amigo Sublime, existe em nós próprios, está dentro de cada um de nós. Porque Deus reside no interior de cada homem, mas poucos sabem encontrá-Lo. Ora, eis o verdadeiro caminho da salvação. Uma vez que vos tenhais apercebido do Ser Supremo, que está acima do mundo e que está em vós mesmos, decidi-vos a abandonar o inimigo que se disfarça sob a forma do desejo. Dominai as vossas paixões. Os gozos que os sentidos procuram são como que a fonte dos desgostos futuros.” E o discurso do orador seguiu-se, maravilhoso, formidando, porque ele filtrara perfeitamente o ensino, demonstrara o programa cristificador, pelos caminhos do Amor e da Ciência, pela renúncia do Reino do Mundo.

Todavia, para o presidente do Centro, espírito obtuso, curto de cultura e de entendimento, a coisa andara muito fora dos quadrantes espíritas; para ele, aquele irmão estava a se transviar, porque o Espiritismo era aquilo, somente aquilo que ele conhecia e praticava, que mal conhecia e piormente praticava. E foi com profunda dor na alma, que na secretaria ouvimos o presidente fazer a sua queixa, chegando a dizer ao orador, que se fosse para dizer tais coisas, mais convinha que nada dissesse. O Mensageiro, consciente do Programa Planetário, sabendo perfeitamente que o Espiritismo terá que vir a ser completado, a fim de ser a Síntese Total das Revelações, porque Kardec não o terminou do ponto de vista informativo, assim como não o começou com a Codificação, porque os primeiros passos foram dados no tempo em que ele, Kardec, vivera a personalidade de João Huss, foi dizendo: – A ignorância é, de fato, a mãe de todos os erros e crimes. Já não quero falar dos antigos, transformando as Grandes Revelações em obra de clerezias e quitandismos político-econômicos.

Lembro, apenas, o que andaram fazendo com os trabalhadores da restauração, chamados de reformistas ou protestantes. Como os transformaram em sectários, criando em torno de suas respectivas informações, e informações totalmente incompletas, verdadeiros tabus sectários, verdadeiras hostes religiosistas, perfeitas legiões fanatizadas. Quando será que irão entender que o Espiritismo representa a súmula de todas as Revelações, e que para estendê-lo sobre toda a carne, estão trabalhando todos aqueles que, antes da vinda do Cristo, pelas eras passadas andaram instruindo as raças e os povos? Alguém que estava ao lado, pesaroso por ouvir e ver aquilo, acrescentou: – O Espiritismo, para muita gente, ainda não é a Excelsa Doutrina que se fundamenta nos três sentidos da Lei de Deus, que é o Documento dos Cristos Planetários; para muita gente ele é apenas mais uma seita, mais uma religião, sem ter nada com a Moral que harmoniza e dignifica, com o Amor que sublima e diviniza e com a Revelação que adverte, ilustra e consola.

Infelizmente, meus amigos, essa é a realidade, porque ele mesmo, o Espiritismo, não pode forçar ninguém a compreender, de uma vez e para sempre, de um golpe e radicalmente, qual seja a extensão da Verdade Total. Portanto, a Verdade estará sempre à espera daqueles que forem desejando se tornar verdadeiros, enquanto que muitos pretensos verdadeiros nada mais poderão fazer, por ora, do que manejar a boca da contradição.

Capítulo XVIII

Estamos no ano de mil e novecentos e cinqüenta e sete; oficialmente, pois há um pequeno erro de calendário. Estamos, pois, nas comemorações do primeiro centenário do Espiritismo Codificado; até certo ponto, entregue à Humanidade em caracteres fenomênicos e informativos e, de certo ponto em diante, carecendo de continuação, de complementação. Sabedores de que as Grandes Almas, que foram os Grandes Iniciados, estiveram e estão tomando parte na sua divulgação, sob a égide do Cristo Planetário; sabedores de que o Livro dos Espíritos contém os elementos essenciais informativos, segundo o grau de capacidade assimilativa da época; e reconhecidos pelo que tem o Espiritismo produzido, aqui e aí, muito mais aqui do que aí, porque comoveu tremendamente as regiões mais próximas, desejamos findar este relato, erguendo um louvor a todos quantos têm cooperado na vastíssima obra de renovação, por tomar parte na Falange Gloriosa do Espírito da Verdade, organismo que tem como representante um dos grandes vultos da História Religiosa do Planeta.

Animando corpos e personalidades que sempre timbraram em batalhar pela Verdade, único caminho que conduz à união com o Pai Divino, bem se credenciou a vir como restaurador, cercado de multidões servidoras do que é Verdadeiro, Bom e Belo, além de ter, nos altos planos da vida, a vibrante cooperação daquelas Grandes Almas. A evolução é lei, e os dois planos da vida terão que se ir unindo, crescendo em conexão, até vir a ser, um dia, realmente, uma só Humanidade e conduzida por um só Divino Pastor. A todos que fizerem pelo seu melhor andamento no seio da Humanidade, auguramos as bênçãos do Pai Divino, através do organismo que se chama de Providência Divina, organismo que atua, por sua vez, sobre as legiões servidoras, entregando advertências, ilustrações e consolações, assim como o fez Jesus, de casa em casa e de porta em porta.

Visto destas plagas, o Espiritismo é a Doutrina Integral, é a Sabedoria Iniciática tornada pública, ostensiva, pelo esforço das Grandes Almas que em todos os tempos transmitiram informes e conduziram a Humanidade no rumo do Cristo interno, ao encontro íntimo com o Pai Divino. Quem souber procurar, encontrará nele tudo quanto há de profundo e simples na Verdade. Encontrará todos os vultos, desde Rama, atravessando os trinta e tantos Budas, os Vedas, Hermes, Apolo, Zoroastro, Orfeu, Crisna, Moisés, Pitágoras, etc. É a Divina Iniciação posta ao alcance de todos, sem mistérios e sem milagres, sem rodeios e aparências, sem enigmas e sem segredos. Nele não têm o menor cabimento, a menor entrada, aqueles silêncios impostos pelas antigas Escolas Iniciáticas, silêncios que faziam parecer sábios até mesmo os mais tacanhos indivíduos. Sem rituais, sem enigmas, falando alto e de cima dos telhados, o Espiritismo é o Cristo em função no seio da Humanidade!

Capítulo XIX

Quem mais sabe é mais responsável. Portanto, como medida de prudência, ninguém se esqueça de que a Grande Sabedoria está no Grande Amor. O maior é aquele que de fato mais ama, através de seus trabalhos sociais. Quanto à Ciência Oficial, é departamento investigador, que, com ou sem religião, irá avançando; chegará um dia, embora pelo caminho mais longo, ao reconhecimento da Unidade Originária. Os mais simples e puros chegarão primeiro ao termo crístico, à união íntima. Foi o que mandaram dizer, Aqueles que sempre fizeram por dizer o melhor possível, sob a tutela do Cristo Planetário. Quanto ao CRISTO INCONFUNDÍVEL, Aquele que veio, como fora anunciado, com o Espírito de dons e sinais sem medida, saibam que nasceu, cresceu, produziu Suas obras messiânicas, morreu na cruz e ressurgiu dos mortos, tudo em virtude daquele mesmo Espírito mediúnico sem medida.

Quem vinha, como veio, para derramar do Espírito sobre toda a carne, transformando-a em herdeira da Revelação, para todos os efeitos jogou com a GRAÇA e com a VERDADE, de modo muito superior ao que presumem os Seus julgadores precipitados, aqueles que, encarnados ou desencarnados, por falta de conhecimento de causa vivem a cair em tremendas contradições, ora dizendo SIM, ora proclamando NÃO, sempre porém falhos de realidade. Quando venham a estar paralelos ao CRISTO, então saberão com que forças joga o CRISTO, Ele que tem por obrigação testemunhar a finalidade do espírito, Ele que é Divino Modelo, CRISTO ANÍMICO e CRISTO CÓSMICO, o PONTO FINAL da escala evolutiva. Enquanto, pois, a Humanidade for inferior, seus elementos irão caindo em contradição, irão atirando a pedra contraditória. O MÁXIMO irá sendo julgado pelo MÍNIMO, e, como pode ser simplesmente calculado, o vai-e-vem será imenso! Quem tiver um pouco mais de noção do que seja um Celeste Ungido, um Divino Modelo, deve observar a melhor linha de conduta, tendo os olhos voltados para as faculdades de Quem as traz SEM MEDIDA.

Finalmente, cumpre que se pergunte: estaria a confusão, a contradição, em Deus e no Cristo? Por ventura um Celeste Ungido é um fingido? Por acaso envia Deus um Modelo Divino, com a função de ser simulador ou fazedor de manobrismos? Nunca! Entretanto, saibamos, um Cristo Anímico é um Senhor do Cosmo. Ele comanda a matéria, não é comandado por ela. Assim sendo, atuando com os Seus poderes mediúnicos sem medida, revelou o que todos chegaremos a poder, quando tivermos realizado toda a evolução interior.

Capítulo XX

Eis a grande questão, a evolução interior, a realização do Céu que não virá de modo algum com mostras exteriores. Por isso mesmo, desde a mais remota Grande Revelação, a védica, que foi por Manu apresentada em forma de codificação, e que mais tarde foi por Hermes e Pitágoras apresentada em base de consolidação, vem a questão da iluminação interna sendo tratada de maneira fundamental, isto é, intransferível. E como o Cristo representa a Medida Integral, a Origem, o Processo Evolutivo e a Sagrada Finalidade, temos nos ensinos de Jesus a Súmula Doutrinária, com viso ao Reino do Céu, a inversão do reino do mundo, a contraposição do que é dos mundos e das formas, do que é planetário e transitório. Para o Cristo a Verdade que importa é a do retorno ao Seio Divino, jamais poderia ser a outra, aquela que representa a descida, o mergulho da centelha no abismo da matéria densa.

Ora, como devem saber, poucas palavras podem explicar muitas leis, quando a centelha chega a compreender a UNIDADE, o movimento, portanto, da Emanação, dentro ou no âmago da ESSÊNCIA DIVINA. O Divino Monismo, que assim se chama o verdadeiro conceito sobre a Verdade, vem por isso mesmo sendo anunciado desde os primórdios da Humanidade, desde que tem havido Revelações. E para fazer apenas um resumo de apresentação doutrinária, demos alguns pontos. Quem mais tiver elementos de assimilação, tanto mais atingirá o âmago da questão iniciática. Porque estas verdades, aliás muito simples, na antigüidade se tornavam difíceis, por causa do caráter esotérico das exposições.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.