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Capítulo 10 de 14

Osvaldo Polidoro — parte 10 de 14

Moral, Amor e Revelação · Osvaldo Polidoro

noivos, as noivas, os loucos que fabricara!... Ei-lo que o devora o monstro da contradição!... Por que não o salva o laboratório onde engendrara instrumentos de morte?!... Por que não o livra o título religioso que ostentava orgulhoso?!... Debandaram os encarnados, alguns convencidos de terem enterrado um grande homem, alguns descrentes de tudo e outros metidos em grande confusão. Todavia, ali no meio estava um jovem psicômetra, que de olhar pasmo, de alma contrita, observava o drama tétrico que ia tendo curso, pouco aquém das vistas do mundo. E foi bem rentinho a ele que o Mensageiro foi ter, para lhe segredar nos ouvidos: – Cuidado com os alçapões do mundo! Muito cuidado, porque eles se fantasiam também de religiosos!... Muita prudência, porque de Sinédrio o mundo sempre andou e ainda anda bastante farto!... Foi para nós estranho, porque ouvimos o jovem dizer, simples que era, quase infantil: – Santo Deus!... Por que o Cristo não volta a este mundo cheio de erros?!... Ele talvez não tenha compreendido, mas o Mensageiro esclareceu-o: – Se o Cristo retornasse ao mundo um bilhão de vezes, um bilhão de vezes repetiria que veio para dar cumprimento à Lei de Deus, que em si mesma é Moral, Amor e Revelação. E que todo aquele filho de Deus que se dê a cultivá-la em seus três sentidos, não poderá cair em contradição, não cometerá desarmonia, não se tornará presa das trevas. De volta aos nossos meios, em caminho, durante a viagem propositalmente feita lentamente, a fim de responder algumas perguntas que pudessem vir a ser articuladas pelos alunos, apenas um perguntou ao Mensageiro: – O senhor não se sente abalado, de tanto observar acontecimentos assim? O Mensageiro elucidou-o: – Não, meu irmão, eu não me sinto abalado. Ademais, se é infinito o exterior, o Cosmo, também é infinito o mundo interior que cada filho de Deus traz em si mesmo, no seio do qual vive, bem ou mal, porque assim o tenha preparado. E considerando que devemos tanto respeito à Lei de Harmonia, o quanto devemos auxílio ao nosso próximo, aí temos, nas duas máximas obrigações, o instrumento de trabalho e de triunfo, o centro de gravidade onde se cruzam o Direito e o Dever. O aluno murmurou: – Em suas lições práticas, a vida apenas demonstra a realidade das lições teóricas que temos recebido. É pena que, durante a vida carnal, a gente não leve bem a sério o dever de conhecer melhor a Verdade Fundamental, a antiga Ciência dos Mistérios, aquilo que Jesus chamou de Conhecimento da Verdade que livra, para extrair melhores proveitos das grandes oportunidades que a mesma vida oferece. O Mensageiro, que em vidas passadas fora iniciado órfico, recitara: – “Ó aspirantes aos Mistérios, eis-vos no átrio de Prosérpina! Tudo quanto ides ver vos surpreenderá. Aprendereis que a vossa vida presente não passa duma teia de sonhos mentirosos e confusos. O sono que vos envolve, qual muralha de trevas, absorve ao seu fluxo as vossas aspirações, os vossos sonhos e os vossos dias, como névoas flutuantes que se desvanecem diante do olhar. Entretanto há, mais além, uma zona de luz eterna! Que Perséfona seja propícia a vós todos, que ela mesma vos ensine a franquear o rio das trevas e a chegar até junto da Deméter celestial!” – Muito simples de entender, apesar do simbolismo. – comentou o aluno. O Mensageiro assentiu, com breve sinal de cabeça, tendo balbuciado: – Em qualquer mundo inferior, saibam todos, antes que o Cristo Planetário dê a Revelação Integral, a Medida Perfeita, muitos Grandes Mestres vivem antes, preparando a seara. A Terra teve, no curso das Eras, Grandes Mestres que andaram aprontando as sementeiras. Contudo, como o Cristianismo do Cristo foi corrompido, e formalismos errados foram impostos como se fossem a Excelsa Doutrina, também os Grandes Mestres foram banidos, até mesmo tachados de errados e heréticos, por aqueles que tinham interesse em vender suas idolatrias, em preservar o seu Império sanguinário e despótico. E com acento grave na voz, completou o pensamento:

– Muitos são os que se enganam a si próprios, porque incapazes de ver e de entender bem; para estes não haverá muito rigor. Ai daqueles, entretanto, que se fazem mestres propositais do erro! Que apresentam a mentira como se fosse a própria Verdade, enveredando as almas no rumo das trevas! Que no lugar da Moral, do Amor e da Revelação colocam as simulações e as idolatrias, fazendo chafurdar as almas na ignorância, de onde surtem, em conseqüência, o materialismo e o animalismo depravantes! O aluno disse, comovido: – Gostaria de voltar ao mundo carnal, para ser um trabalhador da Excelsa Doutrina! É fácil ser apóstolo do Cristo, quando se descobre a Verdade. O Mensageiro fitou-o bem, mediu-o por dentro e por fora, muito mais por dentro do que por fora, tendo observado: – Prudência, muita prudência, meu irmão! Bastantes são aqueles que lá foram e que por lá estão, vivendo em pleno regime de fracasso, depois de terem feito aqui as mesmas promessas. E não são poucos os que fazem alguma coisa, porém julgando que estão fazendo favor a Deus e ao próximo; sendo apenas grandes devedores em trabalhos de recuperação, portam-se como se fossem grandes missionários, vivem cheios de si, sem reconhecer que, uma vez faltando a graça da faculdade, a ferramenta de trabalho, de tudo estariam desprovidos! O aluno ficou estático ao fitá-lo, e o Mensageiro disse-lhe, em tom paternal: – Para renascer no mundo é fácil, porque os vasos maternos não faltam. Há que considerar, porém, que a Humanidade ainda está entregue ao regime de desmandos, principalmente em matéria religiosa. E que, por isso mesmo, bem poucos são os pais que zelam pelo destino espiritual dos filhos. A maioria pensa que viver na Terra é mero ato de acaso, que ter filhos é função apenas animal, que ensinar alguma coisa sobre bolso, estômago, sexo, orgulhos e vaidades constitua o programa ideal. Por conseguinte, pense bem antes de pretender retornar ao mundo carnal. É conveniente tratar de merecer o renascimento em ambiente familiar educado em moldes consoladores, onde os pais tenham aprendido com Jesus a dar cumprimento aos Mandamentos da Lei. Caso contrário, renascendo em meio onde impera o vício da idolatria, onde se compram simulacros inventados por homens e onde ninguém faz caso da Lei de Deus, tudo pode redundar em novo fracasso. Pensativo, respondeu o aluno: – É verdade... Vim bem mal, realmente fracassado, ficando muito tempo, sem o saber, rente aos encarnados. E não gostaria de repetir o fracasso. O Mensageiro comentou, depois de meditar um pouco: – A Terra é uma verdadeira ilha de degradados!... Quando um mundo recebe os elementos despejados de outro mundo, por causa de suas rebeldias, acaba tendo de tudo em matéria de erros e desmandos, de terríveis recalques viciosos. Por isso é que vemos, depois de tantas Grandes Revelações, depois da Revelação Integral do Cristo, contendo tudo para tudo advertir, ilustrar e consolar, por ter fundamento na Moral, no Amor e na Revelação, ainda assim haver corrupções, desvios tenebrosos, descidas violentas no rumo das movimentações sanguinárias e das invenções idólatras e fetichistas, que são outras tantas válvulas por onde o crime e a culpa conseguem penetrar nas almas. O aluno aproveitou o lapso e acrescentou: – E nada ficando sem ser considerado, quando estará a Humanidade Terrícola em estado de equidade com a Lei de Harmonia? O Mensageiro lembrou a frase do Cristo: – “Não sairás dali, antes que tenhas pago até o último ceitil”. – Apenas Justiça Perfeita. – anuiu o aluno. – Verdade pregada desde remotos dias, – comentou o Mensageiro – verdade que Jesus confirmou absolutamente. Afinal de contas, a evolução poderia ser feita sem atritos, sem esbarros violentos na Lei de Harmonia, que cada qual trás dentro de si próprio, e que do íntimo obriga a rearmonizar, custe mais ou custe menos, de acordo com a montanha das obras levadas a termo. Hermes e Pitágoras, dois dos maiores precursores do Cristo, que a corrupção nascida em Roma fez questão cerrada de serem banidos, de serem esquecidos, expuseram brilhantemente essas leis, a lei de evolução, presidida integralmente pela lei de Causa e Efeito.

E com profunda mágoa na voz, completou: – Que se vai esperar de um mundo, onde as organizações ditas religiosas se encarregam de tripudiar sobre as verdades fundamentais? Que se pode esperar de uma Humanidade, que abandona a Lei de Deus, a qual o Cristo viveu integralmente, a fim de constituir o Modelo Divino, para se entregar de corpo e de alma aos corruptores, aos mercenários da idolatria? Poderá haver triunfo de alma, glória de espírito, onde começam os credos ditos religiosos por se indispor com os três sentidos inderrogáveis da Lei de Deus? O aluno perguntou-lhe, por ter-se lembrado de determinado assunto: – Quem sabe se, com o advento do terceiro milênio, como estão dizendo muitos de nossos irmãos encarnados, haverá alguma modificação para melhor? Porque eles afirmam que os cabritos serão apartados e as ovelhas herdarão a Terra do porvir, consoante as palavras do Cristo. O Mensageiro explicou-lhe: – As migrações interplanetárias são coisa comum, são lei geral; sempre teve e, é de se saber, que sempre terão curso no Cosmo. Entretanto, justamente porque o Cristianismo deve entrar de ora em avante na alçada Cósmica, importa saber que a migração dos cabritos não resolve a questão dos mesmos cabritos, pois eles deverão fazer, seja onde for, mais tarde ou mais cedo, a sua recuperação, o seu ressarcimento. O que importa, a todos, é tratar a sério do problema fundamental, que é a realização da harmonia interior. Caso contrário, uns pecarão desejando a saída e a condenação de outros irmãos, enquanto que outros terão que responder pelo crime de rebeldia, por cujo motivo terão que migrar para mundo inferior. Lembro, por isso, que é melhor trabalhar pela redenção dos irmãos, do que desejar que sejam banidos da Terra aqueles que se tenham feitos grandes rebeldes. E isto é tanto mais ponderável, quanto se sabe que os ditos credos religiosos, por causa de seus interesses subalternos, ou por forma de imperialismos mundanos, andaram indispondo os filhos de Deus para com a Lei de Deus. Fez breve silêncio e completou: – Eu pertenço, por trabalhar no departamento informativo, ao número dos que devem alertar as almas em geral, sem perguntar quais venham a ser de um ou de outro lado. Cabritos ou ovelhas, todos são filhos do mesmo Pai Divino e vivem para as leis cósmicas. Para onde a Terra marcha, para lá indico o caminho aos meus irmãos, por ordem daqueles que filtram os pensamentos diretores do Planeta. E esse serviço muito me agrada, porque me coloca acima de intenções menos fraternas. Eu faço a minha parte, sem desejar prejuízo a quem quer que seja. Se alguém não me quiser ouvir, por sua conta e risco o estará fazendo. O aluno sorriu, satisfeito, aludindo: – O senhor está fazendo a vez de Elias, que devia anunciar o Cristo, sem ter nada a ver com a aceitação ou a negação dos homens? O Mensageiro também sorriu, respondendo: – Com a diferença que, dentro em pouco, os Elias serão contados aos milhões, porque a Excelsa Doutrina, como for sendo completada, irá ganhando o mundo, irá atingindo os extremos da Terra, conforme está escrito no primeiro capítulo do Livro dos Atos dos Apóstolos. Nem poderia ser de menos, porque a Doutrina Espírita é o mesmo Cristianismo reposto no lugar, é Moral, é Amor e é Revelação. E contra ela levantar-se-ão, certamente, apenas aqueles que estão viciados nos erros idólatras. Porque, como já foi dito, ninguém poderá ser cristão, desde que seja inimigo dos três sentidos da Lei de Deus, os quais recebemos ordem de anunciar, conjuntamente com a exposição do Cristo Cósmico, da verdadeira Divina Mensagem que o Cristo Planetário veio trazer aos homens, faz quase dois mil anos. E como você teve a idéia de lembrar Elias, saiba que outro não é quem tem trabalhado na orientação do movimento restaurador, sob a tutela do Divino Mestre. E para ficar bem nos quadros proféticos, digamos que tudo é questão de seguir a linha das palavras do Cristo, pois isso tudo foi por Ele anunciado. Chegados ao local devido, houve a dispersão dos alunos; quando algum outro caso houvesse, digno de saliência doutrinária, seriam convocados.

Capítulo XI

Para os Essênios, ou Escola de Profetas de Israel, a divisa era esta: “Tudo pelo interior, nada pelo exterior”. E o Cristo, a Síntese do Profetismo de todas as Eras e Povos, também salientou que os erros e os crimes surgem da consciência, da conduta íntima dos filhos de Deus. Entretanto, quando os homens vão perdendo o domínio da consciência, vão esquecendo a Lei em suas obras, concomitantemente vão inventando substitutivos para a consciência, vão inventando simulacros e dogmatismos. De quando em quando, aqui e ali, repontam vultos que superam o meio viciado e se afastam de credos e de sectarismos, fazendo questão de não ter religiosismos, a fim de poderem ficar bem com a Verdade Fundamental. Não é por acaso que assim acontece; é que são almas de eleição, espíritos temperados no curso das vidas, filhos de Deus que já aprenderam antes a respeitar o Reino do Céu, em detrimento ao Reino do mundo! Isto é, aprenderam a não acreditar nos donos de credos, por terem aprendido a confiar na Lei, que é a trilha que conduz a Deus, de acordo com o Divino Programa ensinado pelo Cristo. E nós, que estamos informando sobre a Vontade do Cristo, para que venham todos a constituir unidade com Ele, no Divino Regaço Paterno, ficamos maravilhados quando temos de atender a uma destas desencarnações, a uma destas largadas do mundo; a nós, repito, é sublime observar tais acontecimentos, porque isso nos lembra, de perto e em cheio, as antigas iniciações, onde o coração e o cérebro eram postos adiante, como responsáveis absolutos pelo destino da mônada espiritual, da centelha divina, cujo brilho deverá despontar, mais cedo ou mais tarde. Conforme o Cristo, que vale dizer conforme a Lei, e que por sua vez equivale a dizer conforme a Vontade de Deus, quanto mais a centelha olha para fora, tanto menos progride! A Doutrina de Deus, transmitida viva pelo Cristo, pede caridade e não sacrifício, pede essência e não rótulo; mas o Reino do mundo, exterior que é, negativo que é, logo trata de fazer de tudo obra de negação e comércio. E surgem, então, os escravos do mundo, fantasiados de ministros de Deus ou de cordeiros, levantando barricadas contra a Lei, à custa de criarem, de inventarem manobrismos simulatórios em nome de Deus, da Verdade, da Lei, da Justiça e do Cristo; acima de tudo do Cristo, porque Este é sempre, em qualquer mundo, a representação da Verdade Integral, da Unidade de todas as Virtudes. Para entender o Cristo Cósmico, basta entender esta chave – o Pai, o Filho, a Lei e a Virtude, tudo isso em unidade inseparável! Porque ninguém jamais conseguirá separar os quatro fatores básicos, que são representados pelo Emanador, pela Emanação, pela Lei e pelos Santos Espíritos. Aí estão a Origem Divina, o Espírito e a Matéria, o Movimento e a Evolução! Para bem entender a Lei como trilha infalível e o Cristo como Modelo Integral, basta focalizar em cheio a Finalidade do filho de Deus. Porque na Finalidade do espírito está contida a sua Origem Divina. E o Processo Evolutivo é apenas uma simples decorrência da Origem e da Finalidade. O Cristo é a súmula de tudo, quer da Origem, quer do Processo Evolutivo, quer da Sagrada Finalidade.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.