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Capítulo 37 de 47
Paz E Ventura — parte 13 de 13
A Volta de Jesus Cristo · Osvaldo Polidoro
— Que trabalho fez ela? – perguntei. — Mãe de onze filhos, avó de setenta e nove netos, bisavó de centenas de bisnetos... Lavou muita roupa, cozinhou muito, distribuiu seus dotes de coração a milhares de irmãos... Deu conselhos a vida inteira e quantos exemplos pôde... Em lugar de pretender absolver os outros, com suas palavras simples orava e dizia ao Bom Deus que lhe perdoasse as faltas... Mesmo que lhe quisessem oferecer títulos e rótulos do mundo, ela os não aceitaria, porque o bom trabalho não lhe deixou o tempo para tais comprometedores devaneios... Enfim, Artur, essa velhinha, anônima para o mundo, foi bem lembrada pela Suprema Justiça... Portanto, diga aos nossos irmãos encarnados, que Deus não usa as viseiras do rotulismo humano. Retornando aos pagos espirituais, parti para um lugar isolado, entre as montanhas da nossa região, para meditar sobre muitas questões. Meu cérebro estava abarrotado de idéias e meu coração minado de sentimentos profundamente estimulantes. Queria, pois, ficar sozinho, para lembrar e reviver uma porção de fatos. Estava meditando, olhando de cima daquela cadeia de montanhas a planície que se estendia ao longe, onde a cidade sede da região estava localizada, com seus enormes prédios, hospitais, escolas, centros de estudos, etc. E uma sonolência me foi invadindo, invadindo, até que adormeci... Naquela sonolência gostosa e embaraçosa ao mesmo tempo, porque eu sabia que dormia e sabia de mim ao mesmo tempo, senti que viajei e que visitei a Jerusalém dos dias de Jesus Cristo. Tenho certeza que vi a trajetória do Cristo, da Manjedoura ao Calvário. Estive perto de todos, amigos e inimigos, confiantes e desconfiados, indiferentes e chorosos. Eu sentia as reações de cada um, como se fossem aparelhos de registrar, cada um vibrando numa faixa diferente, reagindo de modo diferente, em face do mesmo acontecimento, em face da mesma tragédia imortal, que se inscrevia de modo rigoroso na História do Planeta. Depois vi três magnatas da clerezia levítica, os três maiores inimigos de Jesus Cristo, que de alguns metros de distância, muito desconfiados, observavam os movimentos do Cristo, na cruz. Vi as Marias, vi e focalizei bem a Salomé, a sobrinha de Herodes, que desde a morte do Batista, se fizera uma das acompanhantes do Cristo, e que também pranteava aos pés da cruz. E quando, num esforço tremendo, vi Jesus bradar ao Pai que em Suas Mãos entregava o Seu espírito, vi-O deixar o corpo, ser recebido por uma corte maravilhosa que tinha o Profeta Elias na frente, e subir, sumir no Infinito feito de luzes e de esplendores celestiais. Depois, não sei como, apesar de ter sol tudo escureceu, ficou noite, tremeu, causou muito pânico!... Mas vi que um dos três era eu... Um dos grandes algozes do Cristo era eu... Portanto, irmãos meus, filhos do Altíssimo, eu vos convido às obras nobilitantes, ao abandono dos rótulos do mundo, porque o túmulo os enterra também, ficando o espírito cheio de responsabilidades, nada mais. Tende a vossa mente ligada à Mente Divina e o vosso coração ligado ao Divino Coração; se assim fizerdes, irmãos, estareis com Jesus Cristo e Ele, nessas condições, será realmente o Caminho, a Verdade e a Vida, porque representa a Lei e a Justiça Divina. Quanto ao mais, com a evolução dos espíritos os intercâmbios aumentarão, porque é o normal dos mundos e das humanidades; jamais alguém conseguiria obrigar o processo evolutivo a estagnar para sempre. Portanto, que se emendem de uma vez para sempre os adversários do Cristo Planetário, porque o Seu Batismo de Revelação marchará e triunfará. De todos os movimentos ditos espiritualistas, é o Espiritismo aquele que se estriba nas Verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis de Deus, não tendo motivo algum para
escravizar-se a instituições e a estatutos humanos, visto não ter grupos parasitas ou clericais, não admitir formalismos e idolatrias, vestes fingidas ou títulos nobiliárquicos, pois é notório que ninguém é proprietário da mediunidade e dos espíritos comunicantes. O Espiritismo vale pelo que é, como expositor das Verdades Fundamentais, não tendo coisa alguma com religiosismos quaisquer, antigos ou modernos; pelo contrário, ele coloca o filho de Deus frente a frente com a Realidade Total, deixando-o livre para agir, segundo o seu alcance intelecto-moral, em função de sua união vibratória com o Pai Divino, a Essência Divina Onisciente, Onipresente e Onipotente. O espírito missionário que devia vir repor as coisas no lugar, ou dar à restauração o caráter organizado que tem, não poderia inventar Verdades Doutrinárias e não as inventou; ademais, acima de todos os conceitos humanos, prevalece a condição universal da Excelsa Doutrina, tão universal quanto o próprio Deus. E por isso devemos afirmar que os homens vieram, por motivos cíclico-históricos, a conhecer o Espiritismo, mas o Espiritismo data da Eternidade, sempre conheceu os homens! O Espiritismo é Realidade Fundamental, é Cósmico e Anímico, queiram ou não os homens, crédulos ou incrédulos; se forem incrédulos, no Espaço e no Tempo terão que se apresentar perante a Realidade; e se forem crédulos, ataviados com os mil e uns aranzéis dos formulismos religiosistas ou supersticiosos, terão que se compenetrar de que o Pai é Espírito e Verdade, assim querendo que Seus filhos venham a ser. Isto é, fora de quaisquer fantasias e exteriorismos. E as duas testemunhas, fiéis e verdadeiras, continuam a testemunhar; quem é inteligente sabe o que elas querem. Porque a Lei de Deus é o Código de Conduta e o Cristo é o Modelo Divino, sendo as duas um misto de Moral, Amor, Revelação, Sabedoria e Virtude. Portanto, antes de um filho de Deus pensar em fazer trejeitos e aparências, pretendendo com isso agradar a Deus, lembre-se de que a Era da infantilidade já se foi. Viva socialmente como convém, como bom filho do Pai Divino e fiel irmão de seus irmãos. Ninguém atingirá o estado de plenitude, em PAZ e VENTURA, fora dessa linha de conduta. F I M
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.