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Capítulo 36 de 47
Paz E Ventura — parte 12 de 13
A Volta de Jesus Cristo · Osvaldo Polidoro
Como padrão, ou média geral, a humanidade terrícola é, moralmente, fato bem chocante, bem deprimente; o grande número se importa com o mundo, com aquilo que pode ser visto pelos semelhantes, deixando de parte aquilo que só Deus vê bem, e, conseguintemente, só Ele pode recompensar. Além de não cooperar para a melhora do mundo, com tais imprudentes atitudes, todos deveriam saber que os hipócritas não herdarão o Reino de Deus. Cumpre, pois, custe o que custar, dizer e fazer o que é certo, na hora certa! Do ponto de vista doutrinário fundamental, todos deveriam saber o seguinte, para efeito de autoconduta: que jamais alguém poderá atingir os altos planos da erraticidade, e muito menos o Grau Crístico, sem enfrentar situações decisivas, sem ter que tomar medidas de fato, em certas horas. Aqueles, portanto, que pretendem ocultar verdades ou desleixar deveres, alegando interesses subalternos ou possíveis opiniões alheias, não se esqueçam de que, com isso, jamais conseguirão convencer a Justiça Divina. Quem não tem caráter para afirmar a Verdade não tem merecimento para subir aos altos planos! Foi preleção assim, caros irmãos, que vimos ser endereçada ao espiritista José, dois meses e meio depois de sua passagem, quando foi recolhido a um plano de muito relativa luz e para ser medicado num de seus hospitais. Que fazia o irmão José, com as suas faculdades e os seus trabalhos mediúnicos, com o jogo de suas conveniências materiais e as suas responsabilidades para com a Justiça Divina? As faculdades, pensava, eram o produto de suas boas realizações pretéritas, e podia usá-las à vontade e livremente, porque propriedades são propriedades! Como ferramentas, pelas quais teria que responder, ao desencarnar, não pretendeu jamais encará-las. Portanto, recebeu muitas pagas, presentes e tal, pelos trabalhos prestados. Suas conveniências materiais, em geral, fizeram-no passar por cima dos Mandamentos da Lei, em muitas ocasiões e para fins bastante comprometedores, chegando às raias da imoralidade, abusando da confiança que lhe atribuíam. Mal sabia, que, em tempo algum, alguém passará por cima da Lei! Entre a melhor conduta perante a Verdade, tal como a conhecia, e algumas injunções humanas, deixou a Verdade debaixo do alqueire e defendeu falsa moral humana. Teve o que dizer, muitas vezes, para dar o testemunho certo, mas os presentes e as festinhas que lhe fizeram nos ouvidos, autorizaram-no a silenciar, até mesmo a mancomunar com o erro! Em grau bastante elevado, portanto, foi apenas um mercador de práticas mediúnicas. Como, porém, seus conhecimentos foram maiores, muito mais ao pé da Verdade, em confronto com os de outros mercadores da fé, eis que foi chamado em tempo antecipado, e para enfrentar situação menos agradável. O mentor indicado naquele posto de socorro, que ficava bem nas divisas das faixas trevosas, disse-lhe: — Agora, irmão José, que sabe porque desencarnou antes do tempo, e que sabe quanto tempo irá trabalhar neste posto de socorro, para adquirir méritos, a fim de encarnar de novo, procure ser um esforçado trabalhador. Aportam aqui irmãos em estado desesperador, vindos das faixas inferiores. É um campo de trabalho, é um instrumento de ressarcimento, é uma graça de Deus! Entristecido, José perguntou: — Não voltarei ao meu antigo plano de vida, antes de reencarnar?
— Não, tal é a ordem que está no seu relatório. Voltará daqui mesmo para o novo corpo, depois dos muitos anos que terá de aqui trabalhar, para ressarcir os erros cometidos por culpa de suas leviandades. José pertencia a um plano muito mais elevado; ninguém poderia negar o fato; mas ao mais conhecedor mais será exigido! É muito fácil ler o que se encontra na Lei de Deus, no Código de Conduta; é muito fácil ler sobre a significação do Divino Exemplo do Cristo; porém muito mais fácil é acreditar nos próprios conceitos, exaltando os próprios méritos, pensando que a Justiça Divina é apenas um sócio igual e nada mais, com quem se pode discutir à vontade e talvez até mesmo desfazer o compromisso! A honra do profeta está no compromisso para com a Verdade, o Amor e a Virtude, que são acima de religiosismos e conchavismos humanos quaisquer; para ser apenas um mercador de posições e vantagens, aparências e rótulos, o Céu não remete ao plano carnal criaturas com salientes faculdades medianeiras. Quando José saía, levado por um outro servidor, para iniciar longos anos de trabalho árduo naquele posto de socorro, o mentor indicado comentou: — Em nenhuma parte do mundo o Consolador restaurado atingiu a amplidão que atingiu no Brasil, a Atlântida redescoberta, o rincão que encabeçará o movimento espiritual da Nova Era, entregando a humanidade a um nível muito mais elevado na ordem vibratória; mas, é pesaroso dizer, que a todas as horas recebemos elementos de volta, cujos índices estão muito longe do esperado. Sempre desejando saber, perguntei: — Por quê, bondoso irmão? Ele invadiu o meu ser todo com aquele penetrante olhar, para depois responder, com um profundo acento de mágoa na entonação de voz: — Eu, pelo menos eu, que também errei no mesmo sentido, tenho certeza de que o maior dos males, irmão Artur, é a mania de querermos doutrinar os outros, enquanto deixamos para trás a própria noção de conduta. — Foi um médium relapso? Assinalou que não com a cabeça, tendo murmurado: — Não fui apenas um médium, mas um fundador de Centros e organizador de estatutos. Cuidei muito dos templos de matéria e não soube compreender muito bem os templos espirituais... Fixei programas para várias casas, mas não tracei melhor conduta para mim mesmo, em face da Lei de Deus e do Divino Exemplo do Cristo, Daquele Divino Homem que fugiu dos templos e foi praticar a Santa Vida Exemplar entre as gentes, até a hora de ser preso, espancado, falsamente julgado, insultado de todos os modos e por fim crucificado. — Tudo isso faz pensar muito! – disse-lhe eu. Levantou ele a cabeça, fitou-me bem e aduziu: — A humanidade não precisa de mais umas igrejinhas, irmão Artur... Não é a falta de outras modalidades clericais que o mundo reclama, para aquelas modificações que visam entregá-lo a plano superior de vida... Sem que cada um se compenetre da edificação pessoal no seio da VERDADE MAIOR, tudo serão igrejinhas, tabelinhas, pílulas e teorias engarrafadas! — Concordo, irmão, e levo em conta o seu cabedal de experiência própria, mas pondero que, em virtude da tamanha falta de cultura geral que avassala a humanidade,
bem pouca coisa poderá fazer o Consolador restaurado, mesmo que alguns abnegados façam da vida um campo de sacrifícios... Interrompeu-me ele, para observar: — Sim, sim, irmão Artur. Nesta fase histórica da humanidade terrestre, dois terços dela sofrem de analfabetismo e de fome!... As divergências de ordem econômica, disfarçadas em ordem política, construíram o maior monumento bélico, aguardando a hora propícia para o desencadeio do maior massacre de todos os tempos!... As crianças e a juventude, o fermento da humanidade adulta, que no amanhã deveria produzir o bom exemplo, está contaminado pelo gérmen do religiosismo idólatra e brutalizante!... E, enquanto isso, os representantes do Consolador restaurado só sabem fundar igrejinhas, pensar em filas de necessitados nas festas de fim de ano, repetir dentro de Centros as sentenças do Cristo e, como iguais, formarem na rançosa coluna dos que acham que Deus deve providenciar as reformas sociais da humanidade... — Como deveriam pensar e agir os espíritas, então? – perguntei. Vi-o sorrir, abanar a cabeça negativamente e dizer: — Como deveriam, isso não vou dizer... Mas eu sei que uns fundam igrejinhas e tabelinhas, para serem os de cima, e outros procuram as igrejinhas e as tabelinhas, para terem onde e com quem passar umas horas ou para pretenderem que os espíritos lhes consertem a vida!... As grandes reformas íntimas e as necessárias reformas sociais, em termos cristãos, isso dá muito trabalho! Já não digo que custe martírios, como em outros tempos, pois se assim fosse, os tais modernos profetas abandonariam a arena antes de haver perigo! Tudo, portanto, irmão Artur, é questão de tirar proveitos pessoais... E o Reino de Deus, que é questão de Verdade e não de acomodações religiosas, também para os espiritistas já deixou de ser importante, para ser apenas um item do vasto programa da vida medíocre... Eu e dois outros, que fôramos entregar José àquele plano e posto de socorro, fomos logo embora, levando nos ouvidos aquelas palavras candentes, aqueles agravantes conceitos. Como cada um pensa como pode e não como quer, e tem dentro de si os seus problemas a resolver, melhor julgamos registrar os fatos, sem ajuizar sobre seus méritos ou deméritos. Apenas, como medida de prudência, afirmamos aos espiritistas, que há muita diferença entre falar ao mundo em religiosismos e falar ao mundo em termos de VERDADE. Ninguém confunda a VERDADE com os rançosos religiosismos, se não quiser enfrentar tristes situações ao desencarnar. Se tudo fosse a mesma coisa, Aquele que deixou a Igreja Viva do Caminho, edificada sobre o Imortal Pentecoste, ou Consolador Generalizado, não teria ido em linha reta da Manjedoura ao Calvário! Portanto, Espiritismo não é um religiosismo a mais, somando entre os conchavismos do mundo, e um espiritista, conseqüentemente, arrasta consigo muitas responsabilidades a mais. Conversinhas humanas podem afirmar o que bem queiram ou possam, mas nos altos planos da vida errática, todos sabem que o Pai Divino jamais deixou faltar no mundo a Tocha Iluminadora que é a Revelação; todos sabem o que foram os Grandes Iniciados, os Grandes Profetas que bradaram ao mundo os avisos do Céu; todos sabem da Divina Exemplificação do Cristo; e como, então, na hora em que cumpre à Revelação, ao Consolador reposto no lugar, o tremendo serviço de esclarecimento da humanidade, ter alguém que o transforme num formalismo como os outros? Aquele que não saiba separar entre uma questão de VERDADE e uma questão de religiosismo formal, que se não diga espírita! Uma escola de conscientização, que não se estriba em dogmas e formalismos inventados por homens, porque afirma diante do
mundo as Verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis de Deus, é digna de melhores arautos! * * * De um modo geral, cumpre aos homens deixarem para trás essa mania de pensar que Deus deve reger o Universo Infinito pelas suas tabelinhas sectárias, pelos estreitismos conceptivos de seus fanatismos religiosistas; devem reconhecer que a Terra é um planetazinho muito pequeno e atrasado, engastado no seio de bilhões de bilhões de mundos, diríamos melhor dizendo bilhões de bilhões de galáxias, e que os homens mais se parecem com formigas insignificantes, em virtude do atraso intelectomoral de que são portadores. E se em outros tempos, mais atrasados, idolatrias e superstições vogaram à vontade, fizeram praça e pareceram verdadeiros cultos superiores da fé, chegada é a hora de tudo modificar. Já não tem mais cabimento a Fé, a Esperança e a Caridade, porque o CONHECIMENTO, a CERTEZA e a BONDADE, desde muito que podem tomar a vanguarda das movimentações humanas, à custa de quanto o Consolador restaurado tem ensinado. Os enigmatismos das iniciações antigas, com as suas carradas de manias ocultistas e misteriosas; tudo isso, enfim, que cheira a terminologias eufêmicas, e mais as posturas físicas e as presunções iniciáticas, quando realmente são vazias ou apenas cheias de ilusões ocultistas e pretensiosas. Isso tudo é asneira querer conservar ou passar adiante, porque o Consolador restaurado, a Revelação tornada ostensiva, por ser absolutamente prática, ao alcance de todos e a par da vida dos filhos de Deus, tudo isso jogará por terra, queiram ou não os discípulos de todos os enigmatismos arcaicos ou modernos. A mania dos templos, das vestes fingidas, dos sacramentismos, dos rituais e das súcias clericais, com suas profundas influências nos domínios político-econômicos, produzindo o retardamento evolutivo da humanidade, tudo isso também já poderia estar nos depósitos de lixo da História. Embora os documentos oficiais provem que, neste meado do século vinte, dois terços da humanidade sofrem de fome e de analfabetismo, afirmamos que um terço da humanidade, sendo letrada, bem poderia conduzir os restantes dois terços para fora daqueles ignorantismos e atrasos. E aqueles que acham o Cristianismo nos longos discursos bíblicos e nos cânticos, pouco caso fazendo da Lei de Deus e do Divino Exemplo do Cristo nas suas obras sociais, esses também precisam mudar e bem depressa, pois o Consolador vai assaltando a humanidade com os seus FATOS, dando da Lei e do Cristo o devido testemunho. Estes conceitos, nós os manifestamos em virtude de um aviso recebido e dos últimos dois trabalhos levados a termo, antes de terminar esta narrativa, da qual fomos incumbidos por um mensageiro de muito alta hierarquia, que veio em nome da Grande Mãe. O convite foi de Silvestre, para que estivéssemos em sua residência na hora indicada. Lá estando, disse ele: — Artur, a narrativa está a findar; o pensamento da Grande Mãe, ou daquela que simboliza a Maternidade, ou tudo que é Feminino neste Planeta, está radicado em letras de forma, para constituir graciosa mensagem de aproximação entre os homens e as altas esferas da vida espiritual, tudo com vistas ao Novo Ciclo. Portanto, tenho dois casos a lhe apresentar, para que com eles encerre a obra mensageira. Terá apenas que observá-los e descrevê-los, para que a lição fique nos ouvidos e nas consciências, nada mais. Como já lhe foi dito, nossa obrigação é lançar a semente na terra, para que esta, conforme seja melhor ou pior, favoreça a germinação, o crescimento, a floridura e a
produção. Isto é, nós temos apenas a obrigação de falar às mentes e aos corações, ficando eles responsáveis pelos resultados positivos ou negativos. — Muito bem, tal é a sentença do Cristo. — Vamos hoje, então, ao primeiro caso. E fomos observar a saída do corpo do mais alto dignitário clerical, de quem a imprensa em geral falou muito, tendo-o chamado de “Santo” para cima. Todavia, ninguém o amparou, depois do corte do liame fluídico que o prendia ao corpo. Como que atingido por uma força invisível, foi parar numa capelinha humílima, em um interior da Itália, sem saber que desencarnara e sofrendo terrível geleira pelo corpo, que ele não sabia que era o do espírito. E com ele se trasladou uma tremenda multidão de outros clérigos e de outras gentes, formando uma nuvem horrenda, um cortejo macabro. — Que monstruoso espetáculo! – exclamei, assustado. Silvestre encarou-me, assentiu com breve aceno de cabeça e murmurou: — A justiça humana é vesga, mas a de Deus nunca o será!... — Quando sairá dali?!... E que acontecerá com essa legião igual a ele?!... Sem perder tempo, Silvestre aduziu: — A Justiça Divina é absoluta e todos os fenômenos se desenvolvem no Espaço e no Tempo, nada mais. Apenas, como conseqüência de tudo, ele virá a dizer que serviu a Deus, enquanto os mensageiros socorristas lhe provarão que ele foi apenas muito bem servido, adulado, festejado, mimado, obedecido e tido como autoridade temporal e espiritual... Provarão a diferença entre ele e seus títulos e o Divino Exemplo do Cristo, que títulos não aceitou e terminou a carreira carnal crucificado, por outros tantos falsos ministros de Deus!... E por fim, lhe mostrarão o caminho de trabalhosas e difíceis jornadas carnais... No dia seguinte, na hora certa, estava eu a postos, aguardando o momento de verificar outro acontecimento, sem ter a menor idéia do que fosse. — Vamos embora! – comandou Silvestre, todo feito alegria, planando em faixa vibratória que não tinha coisa alguma que ver com os umbrais. Num abrir e fechar de olhos, estávamos dentro de uma casa singela, repleta de gente chorosa, povoada de multidões espirituais maravilhosas. Entre as lágrimas dos encarnados e as alegrias do mundo espiritual, somente pairava a fronteira carnal, a parede formal; menos isso e todos, encarnados e desencarnados, festejariam o desencarne de uma velhinha muito magra, encarquilhada ao máximo. Silvestre fez um gesto de reverência, diante das grandes almas presentes e se disse o mensageiro da libertação. Todos abriram alas e ele chegou, elevou a sua mente, no que foi acompanhado por todos, tendo havido, então, uma profusão de vozes, palmas, cânticos, sorrisos de boas-vindas, uma verdadeira tempestade de glórias! Solta entre milhares de braços amigos, formando uma nuvem azulino-dourada, a velhinha foi subindo, subindo... Mas ela foi deixando a velhice para trás, foi passando por uma transformação celestial, até que lá nas alturas, para nós, vimos a Grande Mãe vir e envolvê-la com a vastidão do seu manto brilhante, tão brilhante que, mesmo de longe, ofuscava as nossas vistas espirituais. — Que espírito maravilhoso! – exclamei. Silvestre sorriu e corrigiu: — Que trabalho maravilhoso, isso sim, pois espíritos maravilhosos todos o somos, já que o Pai Divino nos fez semideuses!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.