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Capítulo 25 de 47
Paz E Ventura — parte 1 de 13
A Volta de Jesus Cristo · Osvaldo Polidoro
Estar em dia com as leituras sobre a Lei de Deus e o Evangelho não significa que se esteja em dia com aquelas obras que a Lei e o Evangelho concitam; porque é muito fácil conhecer, propalar, fazer berreiros aos semelhantes, mas não é fácil viver as lições e ordenanças que os dois excelsos documentos comportam. E é por isso que os abismos da subcrosta e os umbrais estão cheios de criaturas tituladas com as mais variantes colorações religiosas do Planeta. A bem pensar, ou pensando simplesmente, qualquer um pode chegar à conclusão de que, realmente, a Justiça Divina jamais poderia estar conforme com os exteriorismos que as religiões fabricam e exportam a bom dinheiro, quando nisso ficam, pois com eles costumam, acima de tudo, manobrar governos e impor suas imperativas ditaduras, na certeza de que, pelo fato de serem fabricadas e impostas em nome de Deus, todos as aceitam, cabisbaixos, submissos, pagando ainda para assim se revelarem ignorantes e ridículos. O único grande tribofe da História é, sem dúvida, o tribofe religioso, pois é aceito e pago, em nome de Deus, curvando-se as vítimas defronte aos tribofeiros, pelo fato de terem sido suficientemente ludibriados. Dir-se-ia alguém, bastante roubado, que viesse por fim a pedir uma ficha de estulto, para em apresentando-a, obter as palmas de uma assembléia de outros tantos infelizes. Já disse alguém, de vosso plano de vida, que se a metade dos que berram em nome do Evangelho no mundo, vivesse a metade do que o Evangelho ensina, desde muitos séculos a Terra não seria mais um mundo de guerras, pestes e fomes. Infelizmente, os temas evangélicos são comumente transformados em cabides de vaidades e interesses subalternos, sendo muitas vezes usados para ocultar os mais hediondos crimes. Tudo serve de reposteiro, no mundo, para ocultar vergonhosas ações; e os motivos celestiais, embasados na Lei de Deus e no Divino Exemplo do Cristo, são os preferidos, pois com eles costumam obter, não apenas a justificativa dos erros, mas também as ridículas curvações das próprias vítimas. Desde remotos dias, no início das Iniciações Fundamentais, e por infeliz acréscimo, depois da vinda do Cristo, grupos de homens, com manias clericais e desejosos de mandonismos a todo custo, deram de confundir entre a Verdade e os religiosismos. E de tal modo se aprofundaram no erro, e de tal modo apanharam sempre as gentes desprevenidas em matéria de conhecimentos da Verdade, que conseguiram burlar até mesmo a si próprios; porque muitos dos seus elementos, passaram a acreditar piamente nos engodos por eles mesmos fabricados. Parece impossível que um filho de Deus, chegue a não confiar na Verdade, no Amor e na Virtude, em práticas sociais, para acreditar em todos quantos macaquismos ritualistas uma plêiade de agrupamentos clericais conseguiu organizar; mas a realidade é simplesmente essa, pois há muitos que, para cumprir uma oferenda mentirosa ou comprar uma indulgência altamente criminosa, passam por cima dos mais comezinhos deveres de Justiça e de Bondade. E é por isso que, todos os minutos e segundos, o plano carnal remete a estes lados, criaturas que ostentam carradas de escapulários e tranqueiras adquiridas a bom preço e curvações, estando apenas em condições de chafurdar por longos anos nas regiões de sombra e de dor, não só a pagar as lesivas liberdades pretendidas à custa de formalismos pagos, como também o fato de se tornarem propositalmente idólatras. A Lei de Deus e o Cristo ensinam que a Libertação é filha das ações sociais corretas ou condizentes com eles mesmos, as duas testemunhas fiéis e verdadeiras de que trata o Apocalipse; ensinam a praticar o que é Verdadeiro, Bom e Belo; mas os lastros mistifóricos que a Humanidade consigo arrasta, fazem desprezar o que é justo e imperecível, para correr após aquilo que é caro, comprometedor e ridículo.
Eis a razão por que os abismos da subcrosta e as faixas umbrosas que circundam o Planeta, albergam bilhões de criaturas rotuladas com todos os matizes das mais estranhas policromias religiosistas. Não se duvida de que, se os rotulismos tivessem préstimos, até o próprio Deus, se fosse individual ou antropomórfico, já teria sido derrotado por certos campeões da farândola ritualista. Sucede porém, e com vigor de Eternidade, ser a Justiça Divina acima de ginásticas humanas, bem ou mal intencionadas. Resta-nos pensar, todavia, quando a Humanidade terrestre irá aprender a lição do bom senso, para confiar na Verdade, no Amor e na Virtude, em obras sociais, em lugar de andar se esforçando para adquirir idolatrias, ou mesmo ouvir discursozinhos histéricos, sobre a Lei de Deus e o Divino Exemplo do Cristo, por parte daqueles que, fora disso, nada mais sabem fazer do que dar maus exemplos. * * * Cada centelha espiritual é um Cristo feito ou um Cristo em fazimento; se está feito, trilhou os milhões de anos de auto-elaboração e atingiu a Sagrada Finalidade; e se não está feito, quer dizer que resta fazer-se, tendo que elaborar o que ainda em si mesmo não elaborou. Em Deus tudo é Eterno, Perfeito e Imutável, e Seus Santos Desígnios não voltarão atrás. Faça, ou cuide o homem de seus deveres e direitos, que é tudo quanto lhe compete. Saiba, porém, que diante da Justiça Divina, jamais rótulos religiosistas formarão como elementos de outorga celestial, para garantir vantagens que em Espírito e Verdade não foram adquiridas. Pelo contrário, bilhões é que somam o número dos que vergam sob o peso de semelhantes e infernais enganosidades. Resta aqui prestar homenagem ao Bem-Fazer, ao Amor posto em prática nos atos sociais; porque aqueles que tenham exercitado a Bondade, se perdem na certa com as idolatrias, ou com os escapulários comprados à guisa de absolvições, ganham na certa pelo Amor posto em prática. Tudo é questão de atingir o devido grau de compensação vibratória, de movimentar no bom sentido a lei do peso específico. Dito isto, em linhas mestras tudo está dito; mas a História de uma galáxia, de um sistema planetário, de um povo ou de um espírito, é a História das movimentações coletivas, em leis, elementos e fatos indispensáveis. Não acredito que chegue alguém ao Grau Crístico, sabendo dizer tudo sobre todos os motivos de felicidade e de tristeza, que no seu caminho tenham aparecido, desde antes de ingressar nos reinos mineral, vegetal e animal, para no seio deste, ao ingressar na espécie hominal, terminar a sua longuíssima carreira. E como seria desprezível aquilo que fez vibrar, que forçou o despertar de uma consciência? Para outros fins é importante saber o que vai pelas trilhas do espírito, antes de ingressar na espécie hominal; para nós, entretanto, é a questão Moral que nos importa, porque somos funcionários de um Departamento que trata dos compromissos Morais dos espíritos. Os respeitáveis fatores que dizem respeito aos automatismos e reflexos apenas instintivos, esses não são os nossos, pois a nossa tarefa é lidar com aqueles filhos de Deus, nossos irmãos, que já atingiram a escala da razão, dos jogos intelectivos, das elucubrações mentais; lidamos com aqueles que lidam no seio dos conceitos de Passado, Presente e Futuro, aí se preparando, portanto, para algum dia ingressar no de Eterno Presente. * * * Quando alguém encarna cumpre um desígnio natural, submete-se ao determinismo de uma lei simples, cujo fim é fazer atingir a Sagrada Finalidade; se o sujeito sabe ou não, dos porquês, isso em nada importa à lei. Algum dia ele o saberá, e mais do que isso, pois terá que vir a ser um administrador de alta hierarquia, antes de atingir o Grau
Crístico. Todavia, é bom perguntar de onde vem, como vem e para o que vem, não de modo genérico, porém específico. Quando alguém desencarna, também cumpre desígnio simples, porque sair da carne é medida que cumpre a quem encarnou; resta saber, porém, de onde veio e como e para o que fazer, e para onde e como irá, em virtude do que fez ou deixou de fazer. Existem os abismos da subcrosta, com sessenta e oito subdivisões, tudo pertencente ao Segundo Céu, pois a crosta ainda está a ele sujeito. Portanto, pode o encarnado vir daí, de uma dessas subdivisões, depois de ser convenientemente preparado. Somam bilhões os habitantes desses lugares e são os que mais necessitam voltar às lides carnais, em termos de provas evolutivas e de expiações necessárias ao reequilíbrio Moral. Pertencentes ao Terceiro Céu temos sessenta quilômetros de atmosfera terrestre, temos mil e duzentos quilômetros de faixas umbrosas e temos as primeiras zonas de sombra, que dão acesso gradativo aos primeiros rincões de acentuada celestialidade, porém lugares ainda próprios de organizações hospitalares e outros socorros. Daí para cima ou para fora do Planeta, temos o Quarto Céu, que indo até às fronteiras do Quinto, vai entregando o espírito a elevados níveis vibratórios, até entregálo, um dia, ao chamado Oitavo Céu ou Céu Crístico, quando a lei das reencarnações obrigatórias cessa, só vindo a reencarnar em condições de toda liberdade. Considere-se que mais reencarnam os mais necessitados, e observe-se que todos devem sair de algum lugar, em tais ou quais condições, para tomar um corpo, uma nova ferramenta. Assim mesmo, quem desencarna irá parar nalgum lugar, para baixo ou para cima, ou poderá ficar muito tempo na atmosfera terrestre, no duplo astral de tudo quanto a Terra tem, sabendo ou sem saber que é um desencarnado. Tudo pode ser dividido em três partes: a) A Origem Divina, a chamada saída de Deus ou da Essência Divina, ou do Ato de Manifestação da centelha, por parte de Deus, fato que excede ao que por ora a nossa objetividade pode alcançar, para discernir; b) O Processo Evolutivo, a longa jornada através dos reinos, espécies e famílias, até atingir a espécie hominal, no seio da qual realizará a plena conscientização; c) A Sagrada Finalidade, o Grau Crístico ou de Unidade Vibratória com a Divina Essência Onipresente, Onisciente e Onipotente, que tudo rege por leis Eternas, Perfeitas e Imutáveis. Só isso, apenas isso, nada mais do que isso, embora isso, por ora, esteja acima de nosso poder de análise. Para definir isso, lembremos, teríamos que saber analisar totalmente o Emanador, a Emanação e todas as leis determinantes da marcha evolutiva dos espíritos, além de termos que analisar o Espaço e o Tempo, que para Deus são apenas como se não fossem, além de termos que analisar os infindos mundos, todos e cada um em particular, em tudo aquilo que importe em suas verdades intrínsecas, em realidades e valores que a ciência terrestre desconhece. E ainda assim, quando soubéssemos aplicar toda a terminologia técnica ou científica, explicando assim todas as razões e valores de todos os infindos mundos, estaria o fator Moral, o Centro de Gravidade dos espíritos, a nos sujeitar ao seu desiderato final, pois a Ordem Moral é aquela que realmente importa, é aquela que significa a Balança da Harmonia, da qual ninguém jamais poderá se livrar, porque ela está presente sempre, no espírito, seja ele um Cristo, seja ele alguém que se arrasta nos abismos da subcrosta, purgando hediondos crimes. Se a Ordem Cósmica ou física é aquela que o Cosmo apresenta, como vedes, façam idéia do que seja a Ordem Anímica, a Ordem Moral, que do imo de cada centelha tudo vigia e determina, em matéria de direitos e deveres.
Afirmar que Deus, de Seus filhos, apenas espera Amor, isso é repetir a receita imortal, é aconselhar o que todos aconselham aos outros... Entretanto, ninguém se verá um dia no Céu Crístico, por ter apelado para outro fator básico. Se empatar tempo em muitos outros afazeres é importante, nada é tão importante como produzir atos de Bondade Pura, de perfeita Renúncia. Até onde conheço dos Altos Planos da Vida, a regra do viver é fazer todo o Bem possível, jamais passando pela mente de alguém, prejudicar o seu irmão. A simples idéia de Mal, se houvesse, faria sombra à Luz Divina com que se vestem as almas cristificadas. * * * Vivia eu a minha vida de advogado novato, em pequena cidade do interior, sem ter a menor idéia de casamento. Pensava, é certo, contrair matrimônio algum dia, quando as coisas andassem economicamente melhores. Mas como a cada dia basta a sua preocupação, segundo os ensinos do Cristo, também a cada dia compete apresentar o seu coeficiente de novas questões e oportunidades. Nem poderia ser de menos, pois em um mundinho tacanho como a Terra, como haveria progresso, sem que o Emanador fizesse jorrar, continuamente, novas modalidades de acontecimentos na vida de Seus filhos? Como irem Seus filhos à Verdade Integral, sem que ela se revelasse, todos os dias, em novas peculiaridades? Bailes, eu os tinha dançado, e moças prendadas já havia muitas no rol de minhas amizades; mas Noêmia apareceu, naquela noite festiva, naquele aniversário de gente amiga, e em face de qualquer coisa estranha que sua presença espiritual revelava, disse eu a mim mesmo, que com ela iria me casar. Quem encarna mergulha as lembranças de sua história num véu de esquecimento, enfumaça a vista do espírito e veda a passagem de suas observações mais íntimas; porém o sentimento, a impressão que entra pelo coração, mostra com mais facilidade os horizontes da história e dos fatos que ela registra. Assim é que vemos alguém, não entendemos esse aparente estranho, mas de pronto o coração diz alguma coisa, queiramos ou não. E se a razão precisa trabalhar para revelar, o coração abre ou fecha portas repentinamente, causando muitos esforços às modificações porvindouras, quando se fazem necessárias. Noêmia teve em mim todas as portas abertas, desde a primeira visão, quando a vontade de dançar me fez girar para trás; porque ela estava a um metro, se tanto, de mim, e ao virar tive-a diante de mim, como se fora uma aurora de luz, despontando ao meu espírito, dentro daquele salão de danças, em casa de família amiga. Ela atendeu, sorridente, e nós atravessamos a noite em danças e conversas felizes, porque seus pais ali estavam, eram tios da jovem aniversariante, e uma vez feitas as apresentações, ficamos unidos por fortíssimos sentimentos de amizade. E com o progredir de tudo, marcamos casamento dois meses depois, para ser realizado um ano adiante, como de fato aconteceu, para um roteiro feliz, para uma vida repleta de graças do Céu. E como não é possível conhecer mais pessoas sem enfrentar mais problemas, o casamento com Noêmia lastreou três cunhados, um dos quais era padre de profissão e de exercício; isto é, assim ganhava a sua vida e punha, ou julgava pôr, em prática a sua devoção. Era simples, aparentemente manso, tendo para mim bem saliente uma duplicidade de modos, que ocultava com muito engenho. Ocupava a condição de padre, a de familiar e tinha, também, aferrada tendência à política, manifestando fortes evidências ditatoriais, pois nunca entrava com suas livres opiniões, e sim com suas truculentas exigências, ainda que apenas teóricas. Tudo porém indicava que, se um dia fosse eleito e tivesse outorga executiva, muito mais lhe agradaria mandar com exigência do que observar a lei com elevada reverência. Entre todos os familiares e ele, para efeitos de religiosidade, as coisas andavam pelas vielas do comodismo eufórico; ele o padre, o salvador da família e o orgulho da
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