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Capítulo 29 de 47

Paz E Ventura — parte 5 de 13

A Volta de Jesus Cristo · Osvaldo Polidoro

da Origem Divina do espírito, do Processo Evolutivo, da Sagrada Finalidade a ser atingida e da Ressurreição Final do espírito. Informaram-no, ainda: — Lembre-se do Seu Batismo de Espírito, ou da Generalização da Revelação, no Pentecoste, depois de tornar como espírito. Leia com atenção o Livro dos Atos, porque a Igreja do Caminho, estabelecida sobre a Revelação, só começou depois do Pentecoste. Fomos dali, da conversa com o israelita, tratar do mesmo assunto com outros religiosistas, outros escravos de vícios sectários, cada um pretendendo estar de posse da Verdade, capacitado a ensinar a Deus em lugar de aprender com Deus. — Mas então eu fui burlado! Burlado!... – começou a berrar um ex-ricaço, que deixara estipulada no testamento, a quantia fabulosa que devia ser gasta em missas que deviam ser rezadas a seu favor. — Quem compra idolatrias é como quem as vende, irmão Borges. E pode render graças a Deus, de ter amparado obras de assistência social, isso que motivou sua vinda a este plano de relativa Paz e Ventura. E se tivesse confiado apenas nos exteriorismos ritualistas? — Quisera encontrar o bispo X!... – fremeu ele, pensando nos conselhos que o tal bispo lhe dera, para que deixasse a fabulosa soma com a qual, convertendo-a em missas, teria a Eterna Bem-aventurança. Ensinaram-no: — Basta ao errado o peso da própria culpa; ninguém precisa pesar mais sobre ele, nem tem esse direito, porque também não é um perfeito. E afora a questão pessoal, lembre-se de que o perdão é de ordem universal, porque se é certo a responsabilidade de cada um, também é certo que a humanidade é um organismo. Se uns não perdoarem aos outros, pelas mútuas falhas, como o todo virá a ser harmônico? Ainda amuado, perguntou Borges: — Então tudo é questão de fazer o Bem, em nome de Deus e pelas graças de Deus? — E não pode haver o verdadeiro Bem, onde não haja o verdadeiro perdão, o perdão que é ir ao encontro do culpado, para fazer-lhe o Bem. Ressentido, rogou Borges: — Deixem-me algum tempo isolado, para meditar... Afirmo que hei de perdoar a ele e a todos, para que Deus me perdoe... Mas preciso de tempo... Fomos a um outro, fardado de ministro de Deus, com as insígnias de certa organização sectária, fanático de repetir textos bíblicos, mas desleixado das devidas práticas, no trato com os semelhantes. Como fora a quinta conversação, a última segundo o programa, foi-lhe dito que as demais seriam em outros tempos, quando voltasse algum dia das trevas, pois para lá teria que ir inapelavelmente, se continuasse a pretender impor suas interpretações dos textos bíblicos, para safar-se de suas culpas. — Como assim!... Como assim!... – principiou a dizer, aturdido. Foi-lhe dito: — Um bom lugar para os teimosos discutirem com a Justiça Divina é nas trevas abismais... E uma boa conduta religiosa é a imitação do Cristo, que foi parar no meio das gentes sofredoras, a dizer palavras de consolo, a enxugar lágrimas, a curar enfermos, a lembrar a Lei de Deus, ela que não indica fanatismo sectário algum, ela que foi transmitida pela Revelação...

Mardoqueu tinha o livro na mão e para ele ficou olhando, sem dizer palavra, e o instrutor acrescentou: — O livro não tem culpa, ele ensina, apenas... Culpados são aqueles que fazem discursos longos, com o livro na mão, pensando que isso os desculpará de andarem de coração vazio... Culpados são aqueles que transformam o livro em cabide de suas vaidades e prepotências, aliando-se às politicalhas do mundo, usufruindo benefícios imerecidos, arrogando-se honras que o Divino Modelo não quis... Mardoqueu apertou o livro contra o peito, retirando-se de rosto banhado. Tinha, por fim, compreendido a Divina Lição que o Cristo em si mesmo é, da qual Divina Lição os escritos nem sempre avisam fielmente. E assim terminamos o dia de trabalho, advertindo, ilustrando e consolando o próximo, conforme o programa, isto é, colocando a Lei de Deus e o Cristo como medidas a serem observadas, para libertar os filhos de Deus do jugo infernal dos sectarismos religiosistas, do vício nefando das práticas ritualistas, que fazem esquecer o AMAI-VOS UNS AOS OUTROS. * * * O Cristo, como indivíduo, é um filho de Deus como os demais, que se elevou à Sagrada Finalidade, fazendo a evolução normal, isto é, cedendo ao Processo Evolutivo, através dos mundos e das vidas, portanto implicitamente sujeito às condições que os fatores circunstanciais jamais deixam de impor. O Cristo, como Cristo Planetário, é o seu Diretor, pois como todos os mundos têm o seu, a Terra não deixaria de ter; é aquele conhecido como Jesus. O Cristo, como funcionário encarnado, ou Jesus encarnado, funcionou como derramador do Espírito sobre a carne, ou generalizador da Revelação, tendo ainda testemunhado aquelas realidades que estão expressas no “CÓDIGO IMORTAL”, documento poderoso em síntese, mandado distribuir na Terra pela Mensageiria Divina ou Ministério do Espírito Consolador. Tudo isso dá muito para falar no Cristo. Porém, como o Cristo Programa é que importa, eis que muitos teóricos do Cristo sentem-se por aqui apeados. A mente é fértil em capacidade imaginativa, o arcabouço histórico é poderoso, mas o coração permanece vazio, raquítico, faminto. Foi Solano quem me convidou a visitar um sábio homem, recém-vindo da carne e sujeito a tratamento. Fora católico praticante, como poderia ter sido filiado a qualquer outra alcunhada escola religiosa, tendo passado a vida em ativos trabalhos de investigação, procurando a VIDA MAIOR, o porquê da infinita vida relativa que se estende pelo Cosmo Infinito. Um grande naturalista, um meticuloso dissecador, anotador de termos técnicos, etc. Se todos os homens, sábios ou ignorantes, lembrassem de que há uma Ordem Moral nos fundamentos de todas as demais ordens, todos procurariam manter em dia a obrigação máxima, o sagrado respeito pela vida, a ponto de elevar esse respeito aos extremos da misericórdia. Entretanto, como em todos os departamentos de serviço é possível que os trabalhadores se desvirtuem, em nome da Ciência e da Arte muitos erros e crimes são cometidos. E a Lei de Harmonia, uma vez ferida, reagirá no curso do Espaço e do Tempo, colhendo o faltoso nas malhas de acontecimentos para ele estranhos e dolorosos. A mania do complexo atrai as mentes novatas, assim como o gosto pela síntese coroa o pensamento dos espíritos mais evoluídos.

Toda e qualquer investigação deveria partir, portanto, da premissa de que em Deus tudo é Eterno, Perfeito e Imutável, nada havendo que possa conferir ao filho de Deus o direito de se julgar juiz de Deus ou da chamada Criação. O direito de evoluir, de procurar e de encontrar as Causas Determinantes, para saber como tudo funciona, do Micro ao Macrocosmo, não é proibido por Deus, visto que Seus filhos deverão, normalmente, crescer e participar da Ordem Divina, como colaboradores do Pai Divino. Existe, porém, muita diferença entre empregar ou não devidamente o trabalho de investigação. Orgulhos e vaidades podem prejudicar o bom êxito, bem como a rudeza no trato para com os seres vivos, pretextando austeridade científica. Nada deve ser encarado como apenas formal, quando se trata de manusear a vida, seja em que sentido for. A matéria inorgânica é uma, a orgânica é outra e as centelhas espirituais são ainda mais respeitáveis. Antes de mais nada, os termos técnicos do homem ou as suas concepções sobre a vida, não foram usados pelo Emanador, para manifestar de Si Mesmo a Emanação. Portanto, ninguém lida com o que é Emanado, sem se comprometer perante as leis regentes da Emanação. E o nosso irmão dissecador, exagerado dissecador, além de ser apenas isso, porque a sua religião era sujeitar-se aos formalismos litúrgicos, ainda rompia em blasfêmias horripilantes, por causa das dores que sofria. As cãibras o levaram aos fortes medicamentos, e estes à intoxicação, e esta ao desencarne. E tudo ficaria por aí mesmo, se o espírito fosse mortal... Por força das atenuantes, foi recolhido a um local de tratamento, porém sofrendo ainda horríveis ataques cãibrinos. E até a nossa visita, o tratamento ordenado fora o passe magnético, o sedativo passe magnético, nada mais. Que fosse lendo os bons livros de nossa biblioteca, nas melhores horas, pois devia muitos sofrimentos, que impusera a inocentes irmãozinhos, a título de encontrar a VIDA MAIOR no bojo das vidas infinitamente múltiplas. Há uma promessa do Senhor Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente, no Velho Testamento, sobre retirar da Terra o espírito imundo e os animais daninhos, quando os homens se tornarem mansos e humildes. E nós, por aqui, chegamos a conhecer lições tremendas, quando encaramos a vida e suas manifestações, pelo prisma da Ordem Moral. De tal modo a vida é respeitável, por aqui, que podemos afirmar que o respeito que a Ciência da Terra confere à vida é apenas formal e exterior, havendo quase nada de restrições em contrário. Portanto, a palavra da Revelação fica de pé, de modo algum estando aqui alguém que pretenda julgá-la! E o quadro, naquele momento, era estarrecedor, porque as dores cãibrinas interiores forçavam o sábio a caretas e trejeitos exteriores. — Venham!... Venham!... Eu morro!... Morro!... Solano informou, pela milésima vez: — Já morreu, já morreu... Mas, como sabe, a morte é aparente... — Raios! Mil raios... Dez mil raios!... Quinhentos mil!... Solano ordenou colocar as mãos na cabeça do sábio, projetando sobre ele tudo quanto fosse possível dos eflúvios benéficos individuais. E dentro em pouco estava bem, estava livre, sorria e conversava muito. Foi então que Solano avisou-o: — Hoje, irmão... é um grande dia para você; vai ver coisas de si mesmo, de sua vida, findando as dores cãibrinas...

Por aqui é muito fácil rir ou chorar, porque a sensibilidade aumenta tremendamente. E quando ouviu dizer que ia sarar, assim como praguejava fácil, também facilmente começou a render graças a Deus, derramando copiosas lágrimas, pronunciando palavras de agradecimento. Três servidores trouxeram um aparelho, colocaram-no ao lado do enfermo e logo mais ligaram-no à corrente elétrica. Nós fomos colocados ao redor, com a incumbência de fornecer elementos fluídicos para as imagens que deviam ser refletidas no painel. Assim acontecendo, o sábio viu ele mesmo a fazer dissecações, torturantes e longas dissecações, observando os tremores, as repulsões, os desmaios, tudo aquilo que as torturantes dores causavam nos pobres animaizinhos. Havia nele um bem acentuado gozo por aquilo tudo, chegando a fazer tais experiências, mais por sadismo do que mesmo por gosto e por finalidade científica. Ao término, cabisbaixo, murmurou: — Quanta tortura, meu Deus, causei aos pobrezinhos!... Solano comandou: — Repitam o trabalho! E tudo começou de novo, porém com um acréscimo, que era penetrar mais nos fatos, pois os espíritos eram vistos sair dos corpos, com a morte, depois dos tremendos sofrimentos. Eram coelhos, lebres, tatus, sapos, répteis, ratos, jacarezinhos, peixes, aves, etc. Todos tinham algo de essencial, de espiritual, que abandonava os respectivos corpos, saindo alegremente, correndo, disparando, etc. O sábio tinha o rosto banhado em lágrimas, quando fomos embora, deixando-o entregue aos pensamentos, com a certeza de que não mais sofreria ataques de cãibra. E como era de supor, Solano foi-nos dizendo muito em termos doutrinários, sobre a vida essencial e as realidades de Deus, que não dependem de tecnologias humanas, e da Paz e da Ventura que viremos a usufruir um dia, quando soubermos colocar o Amor acima de tudo, para jamais causarmos uma dor, seja em quem for, maior ou menor na escala evolutiva. Apesar das lições, comentei o fato de ser a Lei muito rigorosa em suas cobranças, razão por que Solano lembrou-nos: — As verdades doutrinárias fundamentais são sempre as mesmas, desde milênios; isto é, desde que foi sendo possível ministrá-las. Por exemplo, considerem o que ensinavam e ensinam as tradições hindus, às quais estamos profundamente ligados, nós do Brasil, em virtude da Atlântida. E por lá diziam e dizem, que a Verdade é cortante como o fio da navalha, e que o verdadeiro por ela anda, sem se cortar. — Isso diz respeito à Perfeição que o espírito deve atingir? – perguntei. Solano sorriu, dizendo após: — Sim, à Perfeição que ainda está bem distante de nós, que ainda palmilhamos os rincões menos evoluídos da vida. Assim sendo, como viram e como vêm em nós mesmos, a Justiça Divina não nos pede nada em sentido absoluto. Não temos a Perfeição realizada e não sofremos pelo que ainda não temos de dívidas. A Justiça Divina, portanto, age em nós e para conosco relativamente, sendo forçoso dizer que é bem-aventurado quem conserva o menor resquício de boa vontade em suas obras, pois por esses resquícios virá a ter a sua dose de compensação. — Então, ainda estamos ensaiando andar sobre o fio da navalha? — Sim – respondeu ele – creio que andamos sobre largos trilhos, por ora, como exercício ou treinamento, para irmos aprendendo a andar sobre o fio da navalha, isto é, para vivermos segundo a Reta Suprema, que é a Verdade que livra. Tudo, portanto, em

caráter relativo, tanto os méritos como os débitos, e por conseguinte o plano de Paz e Ventura em que nos encontramos, que virá a ser, com os progressos contínuos, de plena Paz e de plena Ventura, assim como nenhuma palavra humana pode interpretar. Quando chegamos ao Departamento, havia um aviso para mim, ordenando comparecer à sede da Governadoria, assim que os trabalhos permitissem; e a permissão veio de Solano, que me liberou por alguns minutos. * * * Chegado à Governadoria, fui informado de que Noêmia estava com a volta marcada para breves horas, tendo o Governador nomeado uma comissão de recepção, pois Noêmia saíra de sua esfera de vida espiritual, que era muito acima daquela em que nos achávamos, onde ele desempenhava a função de Governador da Região. Todos já devem saber que muitos são os que desempenham funções em esferas inferiores, por variantes fatores; mas é de salientar que os Governadores o são por indicação de Autoridades Superiores, visando a influência vibratória, o tom hierárquico indispensável. Um Governador é mais do que um simples administrador formal, porque os visos da Divina Paternidade se escoam pelos elos decrescentes, a começar do Cristo Planetário, passando pelos Seus Imediatos e por aí adiante, até chegar ao que diríamos ser o último da escala administrativa. Na face da Terra as coisas se passam de modo diferente, porque a brutalidade da matéria densa encontra apoio na inferioridade moral dos espíritos; e assim sendo, em tudo se curvam ao imediatismo das formas, dos rótulos, das aparências, de modo a truncar a influência essencial, os méritos da Verdade, do Amor e da Virtude, que são aqueles que deveriam tutelar todas as atividades humanas, a fim de criar, conseqüentemente, um ambiente realmente cristão. Todavia, como o ideal é a Perfeição, ainda no erro se encontram os vestígios do que é Certo, pois quem pensa em depor uma autoridade, pensa de antemão em colocar uma outra no lugar. O mal é que tudo parte do imediatismo formal, objetivando vantagens materiais, ou mesmo despeitos e desforras, quando tudo deveria visar os supremos destinos do espírito. E é por isso que vemos nos abismos da subcrosta e nos umbrais, elementos fartos de sabedoria formal, autoridades em política e terminologias científicas. Não é que o mal esteja em querer ser sábio ou administrador, pois todos terão que aprender de tudo, que essa é a Finalidade Sagrada do espírito; porém, sem partir do Amor como premissa, jamais alguém atingirá o Divino Epílogo. Desta sorte, qualquer mente pode imaginar a função do Cristo quando encarnado, ou de Sua conduta, pois sendo o Administrador Planetário, renunciou a todos os títulos e dispensou todas as prerrogativas do Reino do Mundo, em troca do Reino do Céu, que Lhe custou a crucificação. É que sabia muito bem para onde costumam ir os mandatários do Reino do Mundo, em sua imensa maioria, que é para as regiões de sombra e de dor, de pranto e ranger dos dentes! Tudo pode servir de ferramenta perante as realizações que nos cumpre colimar, porém é bom lembrar o quinteto máximo: Bolso, Estômago, Sexo, Orgulho e Egoísmo. E como ninguém poderá atingir o Grau Crístico, sem usá-los a todos, devemos estar sempre alerta, para controlá-los, e não para sermos controlados por eles. A Lei de Deus e o Divino Exemplo do Cristo, somente disso é que tratam, nada mais e nada menos, embora os traficantes de mercadorias religiosistas possam dizer em contrário o que bem quiserem, para defender suas traficâncias. Mas, lembrem-se, também a respeito deles podemos e devemos afirmar que as regiões de treva funcionam em benefício do Reino do Céu. Eles, mais até do que outros, costumam fazer longos estágios nos lugares tenebrosos!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.