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Capítulo 7 de 17
Vi. Relacionamentos Espirituais — parte 2 de 11
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 3
'Nem uma partícula'. 'E assim, se um boletim fosse emitido, poderia se ler assim: 'Nenhuma mudança pôde ser informada nas condições de Roger, a não ser que está se sentindo perfeitamente ajustado e em completa saúde. Ele está no mais feliz dos humores (e se sentindo bem), e neste momento está desfrutando tudo completamente – em sua face não há qualquer indicação do seu estado da mente. Ele gostaria de informar todos os teólogos que ele não sente nem a menor partícula de 'carolice' ou 'santidade', e é muito grato por se sentir ele mesmo, e ninguém mais". Você assinaria esta declaração, meu rapaz?’ 'Claro, Monsenhor, sem dúvida. Eu não trocaria estas paragens pela velha terra.' 'Intercambiar, Roger, intercambiar. Você tem que entender que "trocar" é uma palavra que nunca seria usada por uma entidade desencarnada; esperam que você fale o idioma mais perfeito, completamente livre de toda a gíria e vulgaridades, e que tudo o que você diz deve ser profundo em sua natureza e pesado na substância. Isso é que é esperado de nossos comportamentos pela maioria das pessoas da terra, - os ignorantes. Agora o grande ponto é que há nenhum sinal evidente de devoção ou santidade, ou até mesmo de religiosidade a ser visto aqui, nem nós continuamos a citar as escrituras ou outros textos, nem estamos nos comportando de uma forma completamente antinatural.’ 'Em resumo: nós não estamos morando numa instituição religiosa ou num mundo religioso, mas em um mundo são e sensato, de beleza incomparável, onde podemos trabalhar e brincar, como quisermos, e rir de coração aberto, e onde, acima de tudo, - e isto é vitalmente importante - onde nós podemos ser nós mesmos, e não como outros na terra, erradamente, querem que sejamos.’ 'Não é estranho que, quando tive tantos púlpitos à minha disposição para pregar, eu não tinha quase nada para dizer - como eu vejo tudo isto agora? E agora que tenho tanto para dizer, não tenho nenhum púlpito.’ VII. A LOCOMOÇÃO DOS ESPÍRITOS Estávamos passeando vagarosamente quando Roger virou-se para mim, dizendo: 'Caminhar é o único meio de se locomover?' perguntou. 'Eu não vejo nenhuma estrada em qualquer lugar, e o campo parece estender-se por milhas!' 'Estende-se por milhas', respondi; 'milhares delas. O que você quer dizer, Roger, é onde estaria o sistema de transporte, não é? A resposta é que cada um de nós leva nosso próprio sistema de transporte conosco, o mais eciente e o mais rápido no universo. E está além de caminhar. Até aqui, conamos em nossas duas pernas desde que o trouxemos para cá, mas tempo chegou, obviamente, de lhe mostrarmos o que realmente podemos fazer por aqui.' 'A locomoção pessoal é determinada pelo processo do pensamento, e é perfeitamente fácil de se fazer depois que se mostra uma vez como se faz; depois então se torna nossa segunda natureza. Pode parecer uma contradição nestes termos, mas o pensamento para a locomoção quase não requer pensamentos quando já estiver acostumado a isto.' 'Você pode se lembrar de quando você aprendeu caminhar na terra, Roger?' 'Não, não posso.' 'Eu suponho que haja não muitos que podem. Mas chegou um momento quando você pode manter-se verticalmente, sem cair. Desde então, você caminhou muitas milhas na terra, e um bocado de distância aqui também. Você já pensou nisto?' 'Suponha que você está sentando em uma cadeira e deseja subir e atravessar o quarto: você simplesmente sobe e caminha, sem pensar em todos os músculos que têm que ser controlados para fazer seus membros se moverem. Você faz tudo sem pensar, entretanto deve haver algum pensamento, obviamente, em algum lugar ou então você permaneceria cravado onde estava. Que linha em particular conduz o pensamento: que você tem que caminhar, ou que você deseja subir, ou que quer atravessar o quarto, ou todos os três? Não importa. Basicamente, o desejo é comunicar: o quarto - o outro lado do quarto - é seu destino. E isso é tudo que você precisa considerar por aqui, usando o processo de pensamento para se locomover.' 'No princípio, você tem que fazer um esforço realmente consciente; você tem que pensar nisto. Com uma pequena prática, descobrirá que, assim que pensar, estará onde deseja estar. Soa bastante fantástico, não acha?' 'É, um pouco'. 'É com esse tipo de coisa que o povo cético da terra gosta de se divertir, e geralmente de forma ridícula. Grande piada... e surgem as gargalhadas. Esse mesmo povo deveria ler suas Bíblias e estudá-las um pouco mais, e então fazerem suas inteligências terem suporte para o que leram lá'. 'Grande parte de nossos costumes daqui são fonte constante de diversão entre os encarnados, Roger. Tendo a terra como o padrão para tudo, inclusive para a vida, eles não podem imaginar nada melhor, nem diferente. Claro que eles considerarão "céu" como um lugar ou uma condição de perfeição, mas a perfeição, isso eles não conhecem, e não podem imaginar. Eu diria seriamente a tais pessoas que não desprezem nosso mundo espiritual e o modo pelo qual fazemos as coisas, a menos que eles estejam preparados para fazerem melhor. Se há qualquer característica, ou fator, ou lei, com as quais eles nos vençam, deixe-os sugerirem imediatamente algo melhor, ou maior ou mais sensato, e todos nós daqui, no mundo espiritual ouviremos alegremente, e faremos com que as sugestões deles atinjam o departamento certo.' 'Nós não precisamos, claro, nos preocupar desnecessariamente com eles. Se houver qualquer coisa para eles censurarem quando vierem para cá, eles terão a liberdade de partir, de removerem a si mesmos, deixando-nos o prazer de nosso próprio modo de vida; e quanto a eles, que recorram a outro lugar e criem seu próprio deserto - e vivam nele'. Meus dois companheiros zeram seus olhos cintilarem e eu caí na risada. 'Você sabe, Roger', disse Ruth, 'o Monsenhor é muito severo em alguns assuntos. Ele retinha os olhos e as orelhas do público quando era padre, e desde que chegou aqui, ele faz a mesma coisa novamente, de um modo muito diferente. Ele sabe como é duro conseguir que as pessoas atirem fora as velhas e erradas convicções quanto à verdade, e isso realmente o constrange. Isso é, talvez, uma das penalidades, se se pode chamar assim, por se entrar em contato com a terra. Eu não sou assim, pois visito a terra ocasionalmente, com o Monsenhor, para dar assistência aos procedimentos e saudar nossos amigos de lá.'
'Os pensamentos são muito reais, Roger', continuou, 'e podem facilmente nos localizar aqui, vindos da terra, tão facilmente e tão seguramente quanto podem nos localizar por aqui, entre nós. E os nossos também podem atingir as pessoas de terra, entretanto eles nunca os notam'. 'Talvez isso é que conta na sensação que tive. Não sei descrever, mas parece ser um tipo de ânsia, se me entende; um tipo de desejo para ir – bem, - não sei aonde. Oh, isto é tudo terrivelmente vago. Eu me senti estranho; não doente, mas inquieto, acho'. 'Oh, pobre Roger', disse Ruth; 'penso que nós podemos diagnosticar sua "reclamação" sem diculdade. O problema é causado por amigos ou parentes, ou ambos talvez, enviando alguns pensamentos aitos. É natural, eles devem sentir muito sua partida, entretanto a tristeza deles não é profunda, ou você teria sentido isto muito sutilmente, e isso teria sido problema. Eu duvido que este sentimento que mais forte, mas se car, Roger, conte-nos e ajudaremos dispersar isto. Você não tem nenhum pesar pessoal, de nenhum tipo?' 'Nenhum, Ruth, agradeço-lhe'. 'Bom; isso é de grande ajuda'. 'Parece que vagamos um pouco, saindo da pergunta de Roger. Você recorda, Ruth, assim que chegamos aqui, como nós discutíamos a noção pitoresca de "seres" angelicais que têm asas? ideia estranha, não é, Roger? A única coisa que se imagina é que, há muito tempo, as pessoas, especialmente os artistas, devem ter desejado saber como "os seres" angelicais conseguiam circular pelas paragens. Pernas pareceriam irracionais, fora de questão por serem mundanas demais, - quero dizer para o propósito de passear. Mas se a pessoa eliminou o uso de pernas, o que sobrou? Nada, assim imagino, e suponho que isso é que desnorteou os artistas.’ 'Anjos devem poder se mover; eles não podem car enraizados num local para toda a eternidade. Isso, supõese, levou algum gênio a inventar asas enormes para todos os habitantes do mundo espiritual. Eu acredito que o próprio Satanás cou dotado de um par delas, já que, claro, era essencial para ele ser extremamente móvel para poder andar por aí, confortável e rapidamente, "buscando a ruína das almas", como está expresso numa bela oração.' 'Você pode imaginar coisa mais desajeitada e pesada que ter um par enorme de asas, xadas em você em algum lugar da região das omoplatas? Eu não consigo'. 'Eu devo imaginar', disse Roger, 'que um grande rebanho de anjos faria um vento terrível quando estivesse em vôo'. 'Roger, temo que você esteja sendo bastante irreverente, chamando um número grande de anjos de rebanho'. 'Bem, o que seriam, então?' 'Realmente não sei; não é fácil de achar uma palavra para o que não existe, exceto poeticamente, talvez. Mas você é severamente prático quando diz que uma grande multidão - isso é mais elegante que rebanho, perturbaria as condições atmosféricas, e isso é algo que os companheiros do artista nunca pensaram. É surpreendente como a ideia teve êxito originalmente e persistiu até o dia presente. O modo convencional de se retratar um ser deste mundo - e eles ainda não olham para nós como humanos; somente meio-humanos - e com duas grandes asas. Até mesmo simbolicamente é uma ideia bem pobre. Como meio de locomoção pessoal, asas seriam inúteis, uma impossibilidade prática, e nós deveríamos ser monstruosidades anatômicas. Todavia, nós não fomos construídos, obviamente, para tal aparato, as maravilhas do mundo espiritual glorioso.’ 'Anjos como seres com suas asas fantásticas é outro dos muitos erros sobre o verdadeiro modo de ser das coisas no plano espiritual; realmente não é de se espantar que no m, com todas estas ideias falsas, as pessoas nos considerem na terra como sub-humanos. Quanto mais alto avançamos no mundo espiritual, menos humanos nos tornamos, parece, e mais severos. Algum de vocês já viu um quadro de um anjo, ou uma escultura de um deles, especialmente em um cemitério, onde o artista tenha posto um sorriso na face dele? Sorrir não é celestial o bastante! Não é terrível para se pôr em palavras? Você não está feliz, Roger, que as coisas sejam como são, e não como poderiam ser se tivessem dado carta branca a umas pessoas?' 'Eu estou bem alegre, pensando assim', concordou o menino. 'Um alto Amém para isso', exclamou Ruth. 'Caso contrário', acrescentei, teríamos que levantar todas as portas para permitir liberdade suciente para nossas asas. A verdade é melhor que a cção, neste caso, Roger, e a verdade de se mover sobre estas terras pelo processo de aplicação do pensamento é o mais simples e o melhor. Agora suponho que deva tentar'. 'O que tenho que fazer?' 'Só um pequeno pensamento. Você precisa não car alarmado. Todo mundo tem que tentar em algum momento. A Ruth e eu camos deleitados com os resultados quando tentamos pela primeira vez, e com você será o mesmo'. Nós estávamos sentados na grama na ocasião, e sugeri que Roger desejasse estar perto de uma árvore que podíamos ver, distante uns metros. 'Você não precisa fazer um esforço gigantesco para ir, velho amigo', disse eu; 'somente pensar rmemente que gostaria de estar debaixo daquela árvore lá - ou em qualquer outro lugar que você imagina. Eu sugeri a árvore porque não é muito distante, e você poderá nos ver facilmente de lá. Como "um bom início já é meia viagem", Ruth e eu enviaremos um pensamento com você. Agora, então, saia!’ Claro que ele desapareceu de nossa presença, como sabíamos que faria, e nós o vimos embaixo da árvore distante, de onde acenou para nós. Nós acenamos em resposta e nos reunimos a ele. 'Bem, desfrutou a viagem, Roger?' perguntou Ruth. O menino riu: 'Não havia nada o que desfrutar; num segundo eu estava lá, no próximo, aqui. Mas é, entretanto, maravilhoso; não há como negar. Que sentimento maravilhoso de independência isso lhe dá. Como eu adoraria ter podido fazer isso lá na terra. Meu Deus, teria amedrontado a mamãe toda a vida, entretanto'. 'Sim, tem suas possibilidades na terra, e suas impossibilidades. Lá, revolucionaria a vida. Aqui faz parte da vida, e sempre foi parte dela, desde que há um mundo espiritual'. 'Agora me ocorre algo', disse Roger; 'se seria possível eu me perder. Eu quero dizer, suponha que eu saia do contato com você ou Ruth; o que, então, aconteceria?'
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.