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Capítulo 5 de 17
Índice — parte 4 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 3
Como a grande maioria da raça dele, ele reteve seu nome pitoresco, com alguma adaptação para as condições e as circunstâncias do mundo espiritual, de forma que ele é amplamente conhecido nestes e outros reinos de luz como Asa Brilhante, sendo o “brilhante” a adaptação à qual eu há pouco me referi. É auto-explicativo nisso – e o signicado deve-se ao uxo de luz que o observador vê saindo de seu cocar. Meus amigos da terra podem desejar saber por que deveriam ser usados cocares emplumados num lugar como o mundo espiritual. A resposta é simples: tudo aquilo que é bonito é preservado, e porque alguma característica, bonita por si mesma, pertence à terra, não há nenhuma razão por que deveria nos ser negada nestas terras. O fato é que não nos negam isto, nem nós nos negaremos qualquer coisa por causa, - ou por temor -, da desaprovação das pessoas da terra. Se a verdade for contada, nós não ligamos a mínima pelo que as pessoas de terra podem pensar sobre o que fazemos ou não fazemos, e certamente não receberemos ordens de tais mentes inferiores, ou, de fato, de nenhuma espécie de mentalidade da terra! Nenhuma pessoa por aqui é forçada a se submeter a qualquer coisa que desaprove. Todos têm a liberdade de buscar outro lugar, a m de evitar ofensas às suas suscetibilidades. Igualmente, ele sempre terá a liberdade de sair de sua obscuridade - ou exclusão - se sentir, eventualmente, que estava enganado. Isso é o que sempre acontece! O cocar de nosso antrião é muito bonito, exibindo uma série de matizes do arco-íris, nas nuances mais delicadas. As penas com as quais foi construído não foram retiradas de um pássaro. Elas teriam que ser retiradas de um pássaro vivo, se fossem mesmo retiradas – uma suposição impossível e indigna – já que não há nenhum pássaro morto no mundo espiritual. Então, todas as penas são fabricadas com a substância do mundo espiritual, e formadas por mãos e mentes hábeis com uma verossimilhança absoluta ao padrão real. Devo acrescentar que tal adorno de cabeça não é usado constantemente, mas apenas nas ocasiões mais formais. Nós já tínhamos explicado a Roger que o trabalho principal de Asa Brilhante era de curandeiro de seu povo encarnado, trabalho esse que ele continua, agindo através de um instrumento terrestre. Além disso, ele é um grande experimentador, procurando métodos novos para a aplicação dos vários recursos que ele domina, em muitas combinações diferentes. Nosso antrião nos convidou a entrar e, conhecendo algo de minhas predisposições para colher informações relativas às atividades de nossa vida aqui, percebeu que desejávamos ver algo do que estava acontecendo no seu departamento particular. Nós adentramos em um apartamento muito agradável, por todos os detalhes, o próprio 'retiro' particular dele, e lá ele explicou que, aparte do trabalho atual de cura, também treinava outros para as artes, principalmente jovens, muitos deles quase da idade de Roger, informou. Ele nos conduziu então no 'estúdio' dele, e fomos apresentados a vários jovens, os seus estudantes, e noviços, como ele os descreveu. Era uma câmara espaçosa; num dos lados havia muitas variedades de frascos, vidros e jarros pequenos, cada um deles contendo alguma substância, numa gama extensa de cores. Havia muitos diagramas grandes descrevendo as partes diferentes do corpo humano, enquanto vários modelos anatômicos coloridos estavam expostos em outras partes da sala. 'Você entenderá', explicou nosso antrião, 'que é essencial para nós sabermos todas as partes da anatomia humana e as funções do corpo, juntamente com as muitas doenças de que as pessoas de terra sofrem, antes que possamos até mesmo começar a curar. Nós somos nada diferentes, a este respeito, dos doutores da terra. Nossos métodos de tratamento, claro, são completamente diferentes. Nós usamos materiais e forças que os doutores de terra não possuem. Eles pertencem puramente ao mundo espiritual.' 'Nossos métodos são muito mais simples. Por exemplo, olhe para os recipientes de vidro nessas estantes. Eles contêm vários unguentos para curar um número enorme de sintomas. As cores que você vê têm pouca signicação em si mesmas no atual assunto de cura. Elas são usadas para distinguir cada unguento, e o valor especial da cor é revelado quando nós misturamos um componente com outro, para que, assim que comecemos a mistura, naturalmente haja mudanças nas cores, da mesma maneira que as cores do artista mudam conforme ele mistura os seus pigmentos. Assim, você vê que nós podemos saber imediatamente a quantia precisa de qualquer substância que está sendo misturada com outra, apenas pelo tom da mistura. Deste modo, nós podemos modicar, aumentando ou diminuindo a quantidade de uma substância ou outra, de acordo com as exigências particulares do caso que estejamos tratando.’ 'Para os que têm bom olho para cores, estas misturas dão um prazer e alegria muito grandes, pois nossas misturas produzem uma g’ama quase ilimitada de belos tons.' 'À parte de aprender o A B C da arte curativa, meus amigos estudantes aqui também me ajudam a achar misturas novas, e com isto podemos achar um bálsamo curativo novo para nossos amigos de terra e suas doenças. O que você vê nas estantes são amostras de substância meramente espiritual. Quando nós assistimos um caso, onde quer que possa ser, nossos materiais sempre são misturados na hora. Por nossas experiências prévias e nosso conhecimento, saberemos que cores misturaremos para serem usadas, e assim nosso medicamento estará nas suas proporções certas.’ 'Isso é apenas uma parte de nosso método de tratamento. Outra é através de raios de luz, que nós não podemos pôr em frascos e garrafas em nossas estantes. Nós podemos lhe mostrar o que acontece, entretanto'. E virando-se para Roger. 'Você viu, meu lho, perto da casa de Monsenhor, um edifício grande com um raio azul luminoso uindo nele? Viu. Aquele raio azul tem um efeito calmante nas pessoas de terra, como também em nós daqui. Deixe-me mostrar para você. Fiquem em torno de mim, meus amigos.' Nós rodeamos nosso antrião em um círculo pequeno. Num momento percebemos uma luminosa faixa azul de luz descendo sobre nós, e sentimos imediatamente seu efeito calmante, - não , claro, que estivéssemos precisando disto! Asa Brilhante reduziu a faixa a uma pequena réstia de luz, enquanto focalizou-a sobre a mão de cada um de nós. 'Vocês vêem', disse, 'nós podemos dirigir a luz para qualquer área, e em qualquer largura que desejarmos, desde uma larga faixa até este raio pequeno. Depende da natureza do problema com que estejamos trabalhando.’ Era fascinante assistir às manobras e manipulações da luz, onde quer que se deseje que caia. 'Agora, aqui temos outro tipo de raio. Assista a isso!’
A faixa azul cessou e, em seu lugar, desceu um vermelho luminoso. 'Esta', ele explicou, 'é uma luz estimulante, provê energia: constrói não somente uma parte afetada depois de um tratamento, mas o corpo inteiro, e isso é muito necessário na terra neste momento. Nossos amigos não precisam temer, pois nós atendemos rapidamente!' Havia uma sensação distinta de calor no raio vermelho, e Roger observou isto. 'É assim mesmo, meu lho. Normalmente precisa-se de algum calor quando da aplicação do raio vermelho, mas nós temos raios de calor especiais, quando trabalhamos só com calor. A cor destes raios é mais para o propósito de se distingui-los, apesar de que a cor ajuda. Mas a força realmente está no próprio raio, em lugar de estar na cor.' 'Bem, agora penso que você viu tudo, exceto uma demonstração de nosso trabalho, e que, temo, não poderemos fazê-lo aqui. Mas preciso apresentá-lo para a minha família. Venha para o jardim'. Nosso antrião abriu uma porta que dava diretamente para o jardim, e fomos ao ar livre. Virando à nossa esquerda, entramos em um jardim mais primoroso. Era muito largo e com duas paredes longas dos lados. Nosso amigo explicou que estas paredes não eram para estabelecer seus 'direitos territoriais', mas somente esconder da vista as outras terras além. Além disso, eles formaram um apoio perfeito às plantas altas e arbustos que oresciam bem à sua frente. Espaçadas de forma igual ao longo do comprimento das paredes, havia aberturas bastante largas sob arcos arredondados, produzindo no total um efeito agradável de Antiguidade. Havia muitas grandiosas árvores que orescem no pleno vigor de seu crescimento celestial, livre dos ventos que deformam tanto as árvores na terra, e que aqui exibem a sua verdadeira forma na natureza não-agressiva. No centro desta clareira, havia uma lagoa de lírios abaixo do nível do chão, com calçadas largas pelos entornos. Não podíamos ver nenhuma evidência de família, mas, respeitando a uma chamada de nosso amigo, atravessaram, saltando no extenso gramado, duas lindas criaturas, uma era um grande cachorro, e o outro, um puma. Eu omiti mencionar-lhes que, conforme nós saímos do laboratório, o pequeno pássaro que Roger tinha nas mãos, voou em linha reta para uma árvore enorme. Ele saiu agora, trazendo com ele um corvo e uma arara. Asa Brilhante ofereceu os seus braços e os dois pássaros ali se empoleiraram imediatamente. O pássaro pequeno voou atrás de Roger. 'O que acha você de minha família?' Asa Brilhante perguntou. 'O cachorro, o corvo e a arara são meus. O pássaro pequeno que você tem lá, meu lho, pertence a amigos que ainda estão na terra, e este puma adorável, da mesma forma, pertence a um deles que também é meu instrumento na terra.’ As cores da arara contrastavam vividamente com o corvo negro e o macio e cinzento pardal. Roger estava, obviamente, um tanto tímido diante do puma, sem dúvida por suas lembranças sobre este tipo de animal na terra, mas nosso antrião assegurou-lhe imediatamente: 'Você precisa ter nenhum medo, meu lho', disse ele. 'Veja, ela não tem a selvageria característica dela, e não causa dano a ninguém. ' Ruth tinha se inclinado e estava acariciando e brincando com a criatura adorável que era, tão suave quanto um cordeiro. 'Ela não é a única deste tipo por aqui, de qualquer forma', continuou nosso antrião, 'mas as suas inclinações são todas as mesmas: são animais inofensivos e brandos. Você vê, os animais têm dois fatores terrestres principais que não estão presentes quando eles vêm para este lado: a necessidade de comida que os faz atacar outros, e o medo das criaturas de sua espécie e dos humanos. Retire estes dois fatores e veja o resultado. Eles são uma grande alegria para nós - e para eles. Tente você, meu lho.’ Roger se ajoelhou ao lado de Ruth, e em um momento tinha perdido toda a prevenção, acariciando a pele grossa do puma. 'Ela é brava', disse Asa Brilhante, 'e mantém sempre todos os outros "na rédea". Veja-a agora com o pequeno pássaro.’ Roger levantou sua mão e o pardal voou no ar, só a distância curta do chão, mas alto e provocante o bastante para estar fora do alcance do puma. A esta altura, ele voou de uma maneira um pouco irregular, para cá e para lá, sem parecer estar em qualquer curso direto. O puma saiu em perseguição imediatamente, e como o pássaro seguia em zig-zag, seu companheiro do chão tentou pegá-lo. A acrobacia que lhe obrigaram executar nos fez darmos risada, enquanto admirávamos a agilidade da criatura no chão. O puma nos espantava pelos saltos no ar, evidentemente seguro de conseguir pegar o pequeno amigo pela asa, mas errava sempre, pois o pássaro movia-se mantendo um afastamento de uma polegada ou duas, para esquerda ou para a direita. 'O que aconteceria', perguntou Roger, se o puma realmente alcançasse o pássaro?’ 'Ora, nada', respondeu Asa Brilhante com um sorriso; 'seria impossível, até mesmo se eles não fossem os melhores amigos, mas claro que são. Não há nenhum inimigo aqui.' Porém, o jogo terminou depressa, com o pássaro se abaixando até o puma e descendo sobre sua cabeça, e este trotou atrás de nós, rodando na grama, com satisfação evidente pelo desempenho. Asa Brilhante virou-se novamente para Roger: 'Agora você sabe onde eu vivo, meu lho, eu espero que nos visite sempre que desejar. Meus meninos e eu sempre caremos felizes em vê-lo. Ou, se desejar, ande um pouco no jardim e desfrute-o com minha família. Você nem sempre os achará todos aqui; às vezes estes dois', disse ele elevando ligeiramente os braços com os dois pássaros grandes, 'e o cachorro vão comigo quando eu estou em minhas missões na terra. Mas você conhece o pássaro pequeno, e o puma de meu amigo está por aqui na maioria das vezes, e pronto para brincar!' Roger cou feliz com este convite, e agradeceu ao nosso amigo calorosamente, como zemos Ruth e eu, por ele passar tanto tempo, tanto conosco e com nosso novo tutorado.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.