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Capítulo 12 de 17

Vi. Relacionamentos Espirituais — parte 7 de 11

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 3

pode trabalhar o seu comportamento precisamente do mesmo modo que nós podemos trabalhar o nosso nestas terras adoráveis, para galgarmos terras ainda mais adoráveis. A lei é a mesma, lá e aqui, e aplica-se a todos nós - lá e aqui. E aqui está uma testemunha viva do que digo.’ ‘Você vê aquele chalé enfeitado lá em cima, Roger, com as duas árvores altas perto dele? Bem, eu não estou revelando nenhum segredo quando lhe digo que o morador daquele chalé uma vez morou em uma choupana terrível, não nos reinos escuros de fato, mas nas regiões escuras, desertas, que cam por perto deles – de um tipo de crepúsculo dos reinos escuros. Ah, nosso amigo nos viu'. Já tínhamos percebido o dono da cabana sentado em seu jardim, e agora ele estava acenando a nós. ‘Levaremos Roger para vê-lo, Monsenhor?' Ruth sugeriu. 'Isso seria uma lição importante, querida, se o Roger não se importar em escutar a história de nosso amigo. Não é longa, nem amedronta, ou qualquer coisa deste tipo. Mas tenho que lhe contar isto: é, em grande parte, devido a Ruth que ele pôde mudar seu destino, ou seja, sair da sua infelicidade. Assim, pode logo imaginar que ele considera a Ruth apenas um pouquinho menos que um arcanjo'. Ruth riu. 'Bem,' disse Roger, 'penso que o cavalheiro tem toda razão. Ele é um bom juiz, de qualquer maneira. Eu posso entender facilmente como ele se sente, pois vocês dois já zeram tanto por mim, mesmo neste período tão curto'. ‘Não, meu menino. Nós não zemos nada que milhões de outros não teriam feito. Mas temos que poupar os rubores de Ruth.’ 'Vou dizer algo, Roger. Se você tem vontade de escutar a história de nosso amigo, você estará fazendo a ele uma ação muito boa, porque ele sente que deve tanto pela ajuda que lhe foi determinada que acha que não pode fazer o bastante em retorno, e, contando aos outros sobre a sua reabilitação, crê ser uma pequena forma de mostrar a sua gratidão. Abençoe-o, o coração dele está na direção certa, e você verá que ele não se poupa também'. 'Eu pensei por um momento que você ia dizer "não poupe os cavalos"'. ‘Roger! Como pôde!' exclamou Ruth. 'Se o Monsenhor puser isso no papel - e é bem possível que o faça - o que diria o povo da terra?' 'Que tudo isso é simples 'lixo', meu querido;' eu disse. 'Espero que não pense, Roger, que eu disse que nosso amigo aqui seja uma pessoa enfadonha, velha e difícil. Longe disto. Mas neste caso, eu acho que a história simples dele responderá a várias perguntas suas, sem que tenha que perguntar'. 'E se eu não conhecesse, eu diria que o pouparia de muito aborrecimento, de um modo ou outro,' disse Roger com um sorriso. 'Glorioso, Roger; essa foi uma boa contra o Monsenhor,' disse Ruth. 'Ele o incluiu nesta frase, Ruth,' declarei. A esta hora já estávamos a pouca distância de nosso amigo, e ele veio rapidamente em nossa direção. 'Ruth, Monsenhor!', exclamou, evidentemente alegre, 'que prazer! Parece que passou muito tempo desde que eu os vi. E quem é nosso jovem amigo? Eu não tive o prazer de conhecê-lo antes'. Nós apresentamos Roger e explicamos as razões por que não o tínhamos visto ultimamente, já que estávamos mostrando ao Roger a sua nova terra. 'Como vai você? ' perguntou para a Ruth. 'Bem, meu querido, eu nunca me senti melhor em minha vida. Pense, é possível para nós sentirmo-nos ainda melhores que agora?' 'Isso é algo que gostaria muito de saber, senhor' disse Roger. 'Lá vai você, meu querido. Aqui está este jovem cavalheiro que me apóia em minha declaração. Agora então, o que diz esta cabeça brilhante? ' Nosso amigo enlaçou o seu braço no de Roger. 'Bem, não sei,' respondeu Ruth com um sorriso, 'mas não vejo como poderíamos nos sentir melhor do que já estamos. Talvez seja tudo uma forma de comparação'. 'Deve ser isto, e comparado com o que eu já senti antes, agora é a perfeição. Poderia ser chamado "Paraíso recuperado", se eu tivesse certeza de já ter tido tudo isso e perdendo, recuperei. Mas entrem, e deixemos que nosso novo amigo veja como é um chalé rural do mundo espiritual'. Esta pequena habitação era tão limpa e simples por dentro como era por fora, e tudo fora organizado com o maior gosto e renamento e, contudo, sempre de olho no conforto e prazer reais. No compartimento em que nós entramos diretamente do jardim, a mobília era do estilo antigo, bem feita e agradável de se ver. Estava sempre polida e reetia grandes vasos de ores que estavam expostos em todos lugares. Os outros cômodos, um no andar de cima e outro embaixo, foram semelhantemente decorados, e a casa inteira revelava o orgulho natural e o cuidado dedicado de seu dono. 'Não tenho nenhuma vergonha de lhe falar, Roger, meu amigo, que este lugar é muito diferente do que eu morei quando cheguei da carne ao mundo espiritual, como contam a você a Ruth e o Monsenhor e, claro, Edwin. Onde está o Edwin agora? Por que ele não está com vocês?' ‘Ele está muito ocupado ultimamente, 'respondeu Ruth', e nenhum de nós o vê muito além de uma visitinha passageira. Roger é um dos nossos próprios casos – se importa de ser chamado de caso, Roger? - e pensamos em economizar tempo mostrando-lhe as coisas'. 'Fazendo por ele o que Edwin fez por você e Monsenhor. Você se lembra de quando me visitaram pela primeira vez? - mas é claro que lembra. Eu nunca esquecerei disto'. ‘Se você se sentir disposto, conte ao Roger sobre isto'. Nosso amigo reetiu para um momento. 'Ora, claro que sim, se você deseja', disse, 'mas ele deveria saber primeiro porque, ao sair da carne, fui morar num lugar daquele, um lugar terrível como era'. ‘Quando morava na terra, Roger, eu era um empresário próspero. Negócios eram a minha preocupação na vida, pois eu pensava muito pouco no resto, e considerava corretos todos os meus modos de proceder em relação aos outros, já que eram estritamente legais. Contanto que eles fossem legais, eu julgava que o resto não importava. Eu era cruel, entretanto, para alcançar meus ns, e juntamente com um alto grau de eciência, alcancei grande sucesso comercial.

‘Em minha casa, havia só uma pessoa que devia ser considerada, que era eu. O resto da família fazia o que eu mandava - e eu mandava.' ‘Eu sempre doei generosamente para a caridade pois pensava tirar o maior benefício disso creditando tudo para mim, já que não mantinha anonimato em nada do que fazia. Se qualquer doação fosse dada, eu cuidava em manter meu nome sucientemente proeminente. Claro, sustentei a igreja do bairro onde eu vivi, e, às minhas custas, algumas partes do prédio foram acrescentadas ao edifício principal com a devida ênfase ao doador.’ 'A casa onde morei era minha, e com tamanho e status de acordo com a minha posição no mundo. Sob todos os aspectos, Roger, eu me considerava um deus. Só quando vim para o mundo espiritual que descobri que era... o deus mais arrependido, feito de lata e o mais roto que já existiu.' ‘Tinha passado um ano ou dois da meia idade quando uma doença me pegou e, nalmente, “morri”. Eu tenho todas as razões para crer que me zeram um funeral magníco, com todos os enfeites habituais, luto satisfatório e assim por diante, entretanto, aprendi desde então que não havia uma alma que se preocupou um centavinho com a minha ida. Pelo contrário, caram alegres. Alguém declarou que anal o diabo levou o que era dele. Outros disseram que eu era uma justicativa para a existência de inferno, e que a terra cou mais doce com a minha saída. Tal era a memória fragrante que deixei para trás. E onde você pensa, Roger, que eu estava durante todas estas lamentações tristes sobre a minha partida?’ 'Eu despertei na mais suja choupana esfarrapada que você pode imaginar. Eu poderia levá-lo para lhe mostrar o lugar agora, porque ainda está lá. A casa – a cabana - era pequena, e parecia menor ainda em comparação com a casa enorme a que eu estava acostumado na terra. Ela foi construída num local horrível, deserto, sem jardim ou qualquer coisa viva ao redor. O interior estava de acordo com o exterior, pobre e parcamente mobiliado.' ‘Vendo-a pela primeira vez, alguns poderiam pensar que o problema era a pobreza. Assim era - pobreza da alma - porque eu nunca havia feito qualquer coisa para qualquer pessoa na terra, a não ser em meu próprio benefício, não deles.’ 'Mesmo as roupas que eu estava usando eram puídas e sujas. Neste buraco sujo eu me encontrei, queimando sem chama de tanta raiva que, mesmo sendo inconcebível, me reduzi a total estado de esqualidez. Eu não parecia capaz de encarar as premissas; eu me sentia colado na casa. Contemplando pelas janelas eu não podia ver nada além de chão estéril, com um manto de névoa não muito longe. Uma perspectiva severa e escura, num sentido literal. Eu gritei e delirei, e estava nesta situação que Edwin me achou. ‘Ele veio a mim um dia, e eu o tratei como costumava para tratar os que considerava meu inferiores na terra. Agora sei que Edwin era a última pessoa com quem poderia ter falado daquele jeito. Você ainda não o conheceu, Roger, meu menino, não é? Uma personalidade branda, amável mas rme. Ele não me dizia nenhuma tolice, posso lhe armar, mas o meu humor naquela hora não permitia nenhum progresso.’ ‘Eu me consumia de raiva, uma raiva agravada pelo fato que eu não sabia a quem culpar a minha situação presente. A última pessoa que eu pensei em culpar era eu mesmo. Porém, eu me consolava de alguma forma jogando a responsabilidade onde imaginei que estivesse a parte maior causa de tudo isto, a Igreja, porque eu sentia que tinha sido enganado. Eu não tinha doado generosamente dinheiro para a Igreja, e não tinha sido levado a acreditar que as minhas doações fariam uma considerável diferença na balança e me poriam de pé em lugar muito bom quando chegasse meu tempo de partir da terra? Considerei que tinha sido vítima de uma injustiça muito séria, e que a Igreja, da qual eu me considerava um pilar dos mais ornados, tinha me enganado notoriamente, e que agora eu pagava pelo seu engano.’ ‘Para quem eu me voltaria com os meus problemas? Eu estava perfeitamente ciente do que tinha acontecido; em outras palavras, de que estava «morto". Mas o mero conhecimento deste fato era de muito pouco proveito.’ 'Suponho que devo ter emitido algum pensamento amável num pedido de ajuda. Fosse lá o que fosse, percebi um homem se aproximando da casa, e o homem era Edwin. Era a primeira de muitas visitas que ele me fez, e todas com o mesmo resultado. Eu era inexível. Era também extremamente rude. Mas Edwin não era do tipo que se intimida diante de alguém como eu, e ele me tratava tão bem – ou melhor – quanto eu o tratava! Ele sempre podia dar a última palavra, por assim dizer. Ele simplesmente marchava casa adentro e me deixava quando eu cava muito intratável.' ‘Finalmente, um dia ele voltou, mas desta vez não estava só, porque trouxe com ele dois amigos (e outro a quem eu já tinha visto algumas vezes na redondeza), os mesmos dois amigos que estão cuidando de você, Roger - Monsenhor e Ruth.’ ‘Encarando o passado, sei que essa visita foi o momento decisivo. A Ruth e Monsenhor caram nos fundos de meu quarto, muito discretamente, enquanto Edwin falou comigo. Eu comecei a me sentir um pouquinho menos bravo, e meus olhos continuamente voltavam-se para Ruth, quando então tive meus primeiros lampejos de luz, se posso me expressar assim.’ ‘A presença de Ruth serviu para lembrar que eu tive uma lha, entretanto eu a tinha tratado abominavelmente, como os demais. Não havia nenhuma semelhança física entre a Ruth e minha lha, era mais uma semelhança no temperamento, até onde eu pudesse julgar. Com tudo isto, já comecei a me sentir diferente. Tudo isto, combinado com o que Edwin havia falado comigo em tantas ocasiões, teve seu efeito. Depois que minhas visitas foram embora, uma solidão terrível se abateu sobre mim, como também um remorso profundo, escuro, tão intenso que eu gritava alto, agora em desespero, pela presença de Edwin, o qual eu rejeitara tão frequentemente, e com desprezo, porque já podia ter pensamentos bons.’ ‘Você pode imaginar minha alegria e a minha surpresa quando eu percebi que Edwin vinha vindo para a minha casa no momento de meu grito. Eu o encontrei à porta, e, como ele diria, eu era um homem mudado.' 'A primeira coisa que z foi lhe agradecer que tivesse vindo assim, tão rapidamente - e eu não tinha o costume de agradecer às pessoas por qualquer coisa que fosse. Em seguida, desculpei-me junto a ele por tudo que tinha dito e feito a ele. Mas ele recusou minhas palavras com um sorriso brilhante em sua face, o que claramente traduzia seu enorme prazer porque, anal, eu estava a caminho de ser algo muito diferente do grande egoísta e vilão espiritual que era quando cheguei nos planos espirituais.' ‘Edwin sentou-se imediatamente comigo e começou a discutir modos e meios de me tirar do buraco infernal que era o meu domicílio. Um plano de ação cou decidido. Foi Edwin quem tomou as decisões porque eu me pus totalmente nas mãos dele, e por ora cou combinado que eu permaneceria onde estava por um curto espaço de tempo, e que se o chamasse, ele viria.’ ‘Depois que ele se foi, eu contemplei em torno de minha casa, e de alguma maneira extraordinária, ela parecia muito mais luminosa do que era. Estava inquestionavelmente menos suja, e minhas roupas estavam menos rotas, e esta descoberta me fez sentir muito mais feliz.'

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.