Voltar ao livro A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 3

Capítulo 2 de 17

Índice — parte 1 de 4

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 3

I - Prefácio -------------------------144 II - Uma passagem ----------------145 III - O acordar ----------------------147 IV - Primeiras impressões ----------149 V - Uma visita ----------------------152 VI - Relacionamento espiritual ----155 VII - Locomoção espiritual ----------157 VIII - A cidade ------------------------159 IX - Visitamos uma 'igreja' ---------162 X - Uma questão de idade -------164 XI - Uma lição de criação ---------167 XII - O homem no chalé -------------170 XIII - A Insensatez dos lósofos -----173 XIV - Uma casa na oresta ----------175 XV - Dois visitantes -------------------179 XVI - O governante dos reinos ------181 XVII - Epílogo – ------------------------185 I. PREFÁCIO O espírito comunicante deste livro era conhecido na terra como Monsenhor Robert Hugh Benson, um lho de Edward White Benson, primeiro Arcebispo de Canterbury, e estava no auge de seu renome, como padre e autor, quando o encontrei pela primeira vez. Depois que ele sai desta vida, muitas vezes me preocupei com seu bem-estar. Através de um amigo espiritual foi-me dito que ele estava bem e prosperando, e que, em tempo certo, eu o ouviria diretamente. Eventualmente, isso aconteceu e começamos uma série de escritos transmitidos por ele, no primeiro dos quais, A Vida nos Mundos Invisíveis, informou sobre os detalhes de sua passagem para lá. Ele descreveu como encontrou, ao ndar sua vida terrena, um companheiro antigo chamado Edwin, e foi levado por ele para o mundo espiritual, onde sua casa o aguardava, uma contraparte de sua casa terrena. Depois de um breve descanso, ele recomeçou suas explorações, sob a orientação de Edwin, pelo plano de sua nova vida. Durante seus passeios encontrou uma jovem charmosa chamada Ruth, também recém-chegada ao mundo espiritual, que se ajuntou a eles e assim têm estado juntos desde então, bastante próximos, nos trabalhos e no lazer. Nos escritos que se seguiram, Monsenhor abordou uma grande variedade de temas relativos ao mundo espiritual, nem de longe sendo de sua 'teologia', que teve que ser total e drasticamente revista. Sua principal ocupação é encontrar as pessoas quando de suas passagens, e conduzi-las ao mundo espiritual. Trabalhando com ele sempre estão seus amigos, Edwin e Ruth. Tem sido privilégio e prazer meu atuar como seu amanuense para o registro dos escritos. Através de outras fontes de comunicação, temos tido literalmente centenas de encontros, onde ele trouxe em sua companhia grupos de amigos espirituais muito simpáticos. Neste atual escrito, registrado por mim em 1951, Monsenhor conta como ele e Ruth, sem Edwin nesta ocasião, embarcaram para uma de suas visitas à terra numa tarefa de acompanhamento, desta vez de um jovem rapaz de 18 anos. Ao invés, entretanto, de transferi-lo para os cuidados de outras mãos, como usualmente acontece, eles o convidaram para que casse com eles em sua casa (onde acordara, pela primeira vez, no mundo espiritual), e depois disso, quando totalmente refeito, começaram um trabalho de 'acompanhamento' de outra espécie: através do reino onde vivem, para verem as maravilhas e encontrarem algumas pessoas. A.B. (Anthony Borgia) 4 - 144 II. UMA PASSAGEM Vocês vão ler, espero, as poucas palavras do prefácio que meu amanuense terreno escreveu concernentes a mim, permitindo-me, então, começar logo minha narrativa sem voltar em terreno já pisado. Agora já está fazendo quase quarenta anos desde que estive no limiar da nova vida, quando o momento de minha transição chegou. Durante a passagem da última década pude dar algumas informações sobre o mundo espiritual onde tenho a felicidade de viver. A vida, vocês devem saber, tem uma escala gigantesca por aqui, no mundo espiritual, de um gigantismo do qual vocês poderão apenas ter uma pequena concepção, até que venham morar entre nós. Mas dizer que sua magnitude seja vasta, não quer dizer que seja proporcionalmente complexa. De fato, quando chegamos a comparar o mundo terreno com o mundo espiritual, logo se torna aparente a complexidade da terra e o quanto mais simples é a vida no mundo espiritual. Pode parecer uma declaração espantosa, apesar de ser verdadeira. Entretanto, este é um assunto que discutiremos com vocês mais tarde. E agora, sem mais preâmbulos, iniciamos a narrativa. Situado na cidade, que não é longe de minha casa aqui, ca um amplo edifício que desempenha a função importante de ser um escritório de registros e pesquisas. Aqui, o conhecimento pode ser obtido com uma gama innda sobre variados assuntos e tarefas. De todos eles, o que nos interessa mais de perto no momento é o departamento que lida com a passagem de pessoas da terra para o mundo espiritual. Parte de meu trabalho consiste em ajudar as pessoas no momento de sua morte física, pessoas de todos os tipos, de ambos os sexos, de qualquer religião – ou nenhuma – e de todas as idades, desde jovens até os idosos. Trabalhando em conjunto comigo estão meus dois velhos amigos, Edwin e Ruth. Algumas vezes, Edwin não vem conosco, mas Ruth e eu trabalhamos juntos quase sempre. Vocês podem imaginar como seria a forma pela qual sabemos quando nossos serviços são necessários, e quem, ou o quê, dirige tais serviços nos limites requeridos. A resposta é simples: o departamento de registros e pesquisas. Não é parte de nossas funções normais estar completamente familiarizado com todos ou alguns métodos que são empregados para a obtenção de informações do escritório central. Tudo o que pedem a Ruth e a mim para que façamos é noticar este departamento quando estamos livres para atender alguma tarefa que se apresente, e seguimos os procedimentos simples de espera por alguma noticação de que nossos serviços são desejados. Estávamos sentados, então, em certa ocasião, em casa – a qual é uma réplica da minha casa antiga na terra, quando veio um aviso dizendo que nossa presença era esperada no departamento central. Fomos logo para lá, e fomos cumprimentados por alguém que viemos a conhecer bem com o passar dos anos, assim como ele também, a nós. Este homem é uma alma genial, de grande bondade e compreensão, e seu conhecimento sobre os que trabalham para ele é prodigioso. É a aplicação de tal conhecimento que lhe faculta enviar alguns de nós a variadas missões, sempre aqueles que combinam exatamente com a tarefa especíca que apareceu. Pode parecer que há muita semelhança entre uma transição normal e outra, sob o ponto de vista dos olhos terrenos, mas do nosso ponto de vista as variações são enormes. Elas são tão variadas, de fato, quanto as variações nas personalidades humanas. O que para o observador terreno é o m da vida, para nós e os indivíduos pessoalmente envolvidos é o começo de uma nova vida. É com a personalidade que temos que tratar e, de acordo com a personalidade, com o conhecimento ou a ignorância dos assuntos espirituais da alma em transição, assim a nossa tarefa especial será conduzida e o curso de nossa ação será regulado. Resumindo, cada 'morte' é tratada e atendida com a observância absoluta aos requerimentos essenciais. Somos divididos nas nossas várias tarefas com vistas nas nossas capacidades e experiências que pudemos incrementar e ampliar pela longa prática. Como você pode imaginar, às vezes temos que exercitar muita paciência, quando nos confrontamos com mentes que se agarram tenazmente nas crenças e ideias antigas, as quais nada têm a ver com a verdade, os fatos e as realidades da vida espiritual, e que podem dar um trabalho árduo para libertar o recém-chegado daquilo que é inibidor mental e retarda espiritualmente. Você verá, então, a sabedoria na escolha dos instrumentos que se ajustam perfeitamente em todos os aspectos para o trabalho que começa, para que os casos mais delicados ou difíceis não se compliquem mais. O mundo espiritual nunca faz as coisas pela metade, para se usar uma expressão familiar, e o que pode parecer preciosismo ao encarnado, é claramente sabedoria a nós que nos encarregamos do trabalho. Não se desvia de nenhum problema. Temos uma innidade de tempo, uma vasta quantia de paciência, acrescidos dos serviços de uma multidão de pessoas sempre disponíveis. Não se faz nada malfeito; não há erros, não se deixa nada para a casualidade. Nosso chefe do departamento central, portanto, como nos conhece bem, manda-nos em missões na terra com completa conança por ter nos escolhido, enquanto que, de nossa parte, nós é que temos completa conança de que não nos foi dada uma tarefa além de nossas forças de ação. Depois de cumprimentos amistosos e bondosas inquirições, fomos diretamente ao assunto. Um caso perfeitamente claro, informou-nos, e não deveria apresentar características diferentes. 'É a passagem', disse, 'de um rapaz de dezoito anos. Um jovem animado, mentalmente alerta e receptivo. Escolhi este caso para vocês dois, porque penso que ele será útil a vocês mais tarde, quando se acostumar às coisas. Poderiam levá-lo para sua casa? Seria um plano muito bom'. Rapidamente, aquiescemos. Aí importunamos nosso amigo com umas poucas perguntas para que cássemos o mais completamente providos de informações possível. Parecia que o m terreno do jovem estava se aproximando rapidamente, e que ele não teria problemas concernentes à 'vida depois da morte'. Sua instrução religiosa seguira as linhas usuais, mas não deixara nenhuma grande impressão. Havia uma razoável tolerância entre ele e seus pais, mas nenhuma afeição forte demais para trazer qualquer complicação de natureza emocional. Os seus pais encarariam a 'morte' prematura de seu lho como sendo a vontade de Deus e, portanto, cariam submissos e acordes a isso. Concordamos que certamente parecia ser um caso bastante direto e não camos com pena, já que tivéramos transições bastante difíceis ultimamente, e festejamos este caso que recebemos, de características mais fáceis. Certamente vocês imaginam como somos direcionados ao começo de nossos 'trabalhos' na 'câmara da morte', para usar a frase mais lúgubre. A propósito, quanta sombra e lamentação isto relembra! Parece que as frases mais dolorosas cam reservadas especialmente para o ato tão simples de passar do seu mundo para o nosso. Claro que vocês não precisam me relembrar que do ponto de vista daqueles que estão deixando alguém querido, não é uma hora de alegria e 'muitas felicidades'. Mas se a verdade fosse sabida e compreendida, quanta diferença faria, especialmente se este estado de felicidade acontecesse no nal, para que todas as parafernálias tristonhas tão associadas com a transição fossem eliminadas drasticamente. O acontecimento já não é, nos dias de hoje, sucientemente angustiante por si mesmo, sem o aumento de escuridão que traz o uso de tanto preto? Tudo isto, temo, é uma ligeira digressão. Retornemos.

Dão-nos o nome, mas não o endereço, da pessoa que deveremos atender. De fato, todo o procedimento é muito simples, e dá um bom exemplo do que mencionei momentos atrás, com referência à simplicidade relativa da vida em nosso mundo comparada à complexidade da vida no seu. Tudo, dirão vocês, deve ter um começo, por isso alguma indicação deve ser dada em algum lugar, por alguém, para alguém, de que a passagem de uma pessoa em particular vai acontecer dentro, diremos, de uma hora ou duas do tempo terreno. Não é provável, do jeito que as coisas são, que uma mensagem direta fosse mandada a nós pelos da terra, clamando que a assistência está sendo desejada num desencarne iminente. Não é meu propósito, neste momento, seguir os fatos até a fonte, e, falando estritamente, nós que cuidamos deste tipo de trabalho, nada temos a ver com as minúcias da organização que terminam com a nossa presença ao lado da alma que irá desencarnar. Isto é parte das funções técnicas da economia que é comum nos planos espirituais. Entretanto, isto pode ser dito: o saber que uma passagem está para acontecer, juntamente com a localização precisa, é o resultado de uma transferência formidável de informações, passadas de um para outro, começando com aquele funcionário importante, o espírito-guia, espiritual, individual, e terminando em nós, que trabalhamos na tarefa de escoltar as pessoas da terra até suas casas no mundo espiritual. Entre o primeiro e o último há uma concatenação clara das mentes, se posso assim me expressar, numa troca de informações que acontece pela transmissão de pensamento, acurada e rapidamente. No presente momento, enquanto Ruth e eu estávamos sentados diante de nosso amigo do escritório central, tudo o que faltava era receber nossa 'rota de viagem'. Estas nos são dadas desta forma: nosso amigo envia uma mensagem – pelo pensamento, claro – ao espírito que está atendendo no lugar do desencarne, para avisar que estamos prontos para a tarefa, assim que ele achar conveniente. Isto obteve uma resposta instantânea. Nós podíamos perceber a luz que saía de nosso amigo, e, por uma espécie de conuência, fomos colocados no 'uxo de pensamentos'. Estávamos agora em contato direto com nosso amigo atendente 'na outra ponta', como diriam vocês. E agora – para usar uma linguagem não-cientíca – tínhamos apenas que nos projetar ao longo deste uxo de pensamentos para nos encontrar no local exato onde nossos serviços eram necessários. Como isto acontece, não tenho nem a mais remota noção. Tudo o que Ruth e eu poderíamos dizer é o que fazemos, como fazemos, mas não como isto acontece! Você acredita que poderia descrever em termos simples – ou em quaisquer termos – precisamente o que faz quando pensa e, depois disto, diga-me como acontece? Tente esta experiência 'simples' e depois vai entender o que quero dizer! Agradecemos nosso superior por este novo caso, e, ao ouvirmos sua ordem de que o tempo estava próximo, imediatamente seguimos adiante. Ruth e eu nos vimos num quarto de uma casa de dimensões modestas, despretensiosa, e moderadamente próspera, no que concerne às posses terrenas. Uma enfermeira estava atendendo e os pais estavam bem próximos. Era evidente que eles acreditavam que o m estava próximo e o doutor parecia ter feito tudo o que podia para fazer as coisas mais fáceis para seu paciente. Parecia também haver evidências de que o ministro da igreja deles saíra havia pouco do quarto. Havia sinais distintos de que as orações foram feitas, mas foram expressas nos termos usuais do obscurantismo teológico e, ainda mais, foram totalmente despropositadas diante dos eventos a terem lugar, foram completamente inecazes para atingirem qualquer propósito além de darem uma satisfação duvidosa aos ali presentes. Esta era uma tarefa, entretanto, que Ruth e eu estávamos habilitados – e qualicados – para darmos cumprimento rapidamente. Assim o zemos, orando por eúvios de poderes necessários para suplementar os nossos recursos e habilidades naturais. Eles vieram instantaneamente e foram claramente observados nas colunas brilhantes de luz que se difundiam em torno de nós. Era fácil de ver que, num curto espaço de tempo, nosso amigo estaria se ajuntando a nós. Adequadamente, começamos nossas poucas preparações. Ruth colocou-se à cabeceira da cama para alcançar a cabeça do rapaz, e pôs suas mãos sobre suas sobrancelhas, gentilmente acariciando suas têmporas. Nós nunca camos certos de que nossas aplicações são percebidas ou sentidas, a menos que o 'paciente' revele algum sinal ou outro de que ele – ou ela – as recebeu. Neste caso, cou patente que Ruth estava fazendo uma emissão forte, porque coincidentemente com o seu colocar de mãos na cabeça do rapaz, ele virou seu olhos com um movimento, como se buscasse ou tentasse perceber de onde aquela sensação agradável e confortante vinha. Era possível que ele realmente pudesse ver Ruth; e, se fosse o caso, tanto melhor. Nós dois tínhamos assumido uma réplica das roupas terrenas anteriores, estando a Ruth com um alegre vestido de verão, de aparência bem natural e normal, e ainda bem charmosa. É necessário deixar enfatizado tudo isto, já que foi – e ainda é – nosso desejo aparentar diferentemente dos 'seres celestiais', se nossas presenças forem observadas, como é possível que sejam. (Quando Edwin veio encontrar-me em minha transição, ele se revelou a mim vestido em sua vestimenta terrena costumeira. Se ele tivesse se apresentado a mim em suas roupas espirituais, há muitas razões para se crer que eu teria cado sucientemente aterrorizado para imaginar que, se o pior ainda não viera, não deveria demorar muito!) Empoleirei-me aos pés da cama do rapaz e dirigi meu olhar para ele, e havia sinais evidentes de que ele me via. Sorri para ele e acenei gentilmente com as mãos, para tranquilizá-lo. Até ali, as coisas estavam acontecendo de forma favorável – quem dera todas as passagens fossem assim tão serenas. O grande momento da vida do rapaz tinha chegado agora. Movi-me até o meio da cama, no lado oposto ao de Ruth. O rapaz caiu num sono leve. Conforme isto aconteceu, seu corpo espiritual elevou-se lentamente acima de seu corpo físico inerte, ao qual ele estava atado por um cordão prateado brilhante – o cordão vital, como é chamado. Coloquei meus braços embaixo da forma utuante; houve uma momentânea contração muscular muito leve, o cordão se destacou por si, retraiu e desapareceu. Para os pais no quarto, o rapaz havia 'morrido' e 'partira'. Para Ruth e eu, ele estava vivo e presente. Segurei-o em minhas mãos, como o faria com uma criança, enquanto Ruth novamente impunha suas mãos sobre sua cabeça. Um movimento gentil de suas mãos por um minuto ou dois para assegurar que o garoto estaria confortavelmente em paz, e estávamos prontos para partirmos em nossa rápida jornada para nossa casa. Durante o trânsito, Ruth segurou uma das mãos dele, dando-lhe assim energia e força, enquanto eu o sustentava em meus braços. A jornada, como todas as outras assim, logo terminara; havíamos deixado o leito de morte e estávamos em nosso lindo plano e em nossa casa. Silenciosamente, e gentilmente, deitamos o rapaz num sofá bastante confortável, Ruth sentando-se bem ao lado dele, enquanto eu ocupei uma cadeira aos pés, encarando o nosso recémchegado. 'Bem, meu querido', observou Ruth com evidente satisfação, 'eu realmente penso que conseguirá'.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.