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Capítulo 9 de 14
Feesp — parte 9 de 14
A Loucura Sob Novo Prisma · Bezerra de Menezes
O essencial, porém, é saber-se que, se a alma manifesta perfeitamente seus dotes, quando livre do corpo, não o pode fazer do mesmo modo, quando presa a este. O perispírito não lhe falta em qualquer ocasião, mesmo no caso de idiotismo; mas de que serve, se o corpo pode ser tal, que nem transmita bem as impressões externas, nem possa bem receber as volições da alma? O perispírito nunca lhe falta, dissemos, e, para dissipar toda dúvida que possa inquinar as deduções que dessa proposição vamos tirar, precisamos demonstrar que ela encerra um princípio verdadeiro. A prova mais positiva da existência do perispírito, na união do corpo com a alma, é a bicorporeidade. A bicorporeidade é a faculdade, ou dom, que têm certos indivíduos de se apresentarem ao mesmo tempo em dois lugares distintos. Este fenômeno, que ainda provoca o riso alvar de muita gente, é evidentemente devido ao desdobramento momentâneo dos elementos constitutivos do homem: o corpo e a alma.
E não podia deixar de ser isso, porque o corpo não pode trasladarse, num momento, a grande distância, nem, mesmo que se admitisse este impossível, poderia estar ao mesmo tempo em dois lugares. O fato, pois, só pode ser explicado pela permanência do corpo no lugar em que está materialmente, e pelo desprendimento do Espírito, que pode ir manifestar-se noutro lugar. Já não se impugna o fenômeno do desprendimento, pois já é hoje conquista da Ciência, colhida pelo hipnotismo e pelo sonambulismo. Se, pois, a alma pode desprender-se do corpo, e se já sabemos que ela se apresenta com a forma corporal, que dúvida pode haver de ser a bicorporeidade um desdobramento dos dois elementos: corpo e alma? A questão é saber como o Espírito desprendido do corpo pode tomar a forma deste, e como, deixando-o, embora temporariamente, não determina a morte.
Já se sabe que o Espírito, para manifestar-se visivelmente, condensa, por atos de sua vontade, o perispírito, até que possa tomar as formas do corpo. Ora, se isto se verifica em Espíritos desencarnados, porque não ser o mesmo com os encarnados, desde que se desprendam? O fenômeno é devido ao perispírito, e tanto o Espírito encarnado como o desencarnado o produzem. Logo, tudo é o mesmo, tanto num como noutro caso. Quanto a não se dar a morte, fato é que já a Ciência explica, firmada em rigorosa observação. O Espírito desprendido nunca abandona completamente o corpo, fica-lhe preso por um cordão perispiritual, que mantém a vida, e, desde que há necessidade de animá-lo, ou acordá-lo, vem rapidamente a ele, advertido pelo cordão que o liga e lhe faz sentir a necessidade. Temos tido, nós mesmos, grande cópia de observações sobre desprendimentos espontâneos, que se manifestam, por médiuns sonambúlicos, tão bem como pelos Espíritos livres. E algumas vezes temos sido interrompidas no colóquio com esses, por terem eles necessidade de acudir ao reclamo do corpo.
Um destes deixou-nos, por tê-lo ido procurar, em sua casa, um indivíduo com quem ajustara fazerem uma viagem. Mas... quem afirma a verdade da bicorporeidade? É a questão cardeal, que reservamos para fecho da tese que desenvolvemos. O fato da bicorporeidade é atestado por testemunhas irrecusáveis, e já é coisa tão conhecida na Ciência, como o das manifestações. Citaremos aqui um, referido por Delanne. Seja o que impressionou a Dassier, sábio materialista, quando passou pelo Rio de Janeiro, e é por ele referido nestes termos: "Foi em 1858. Não se falava, na colônia francesa daquela capital, senão em uma aparição que ali se dera.
"Uma família alsaciana, composta de marido, mulher e uma filha ainda criança, viajava para o Rio de Janeiro, em busca de compatriotas ali estabelecidos. "Na longa travessia, adoeceu a mulher, e, devido à falta de tratamento e de alimentação conveniente, faleceu antes de chegar. "No dia da sua morte, esteve por longo tempo em síncope, e, quando voltou a si, disse ao marido: - Morro satisfeita, porque não receio mais pela sorte de nossa filhinha. Venho do Rio de Janeiro e descobri a rua e a casa do nossa amigo Fritz. Ele estava à porta e eu apresentei-lhe a pequena. Estou certa de que, quando lá chegares, ele reconhecerá a pequena, e tomará conta dela. "Alguns minutos depois expirou, deixando o marido atônito com aquela história, a que, aliás, não deu crédito. "No mesmo dia e à mesma hora, Fritz, o alsaciano de quem acima falei, achava-se à porta de sua casa, no Rio de Janeiro, e viu uma mulher, que lhe pareceu uma de suas compatriotas, trazendo nos braços sua filhinha. "A mulher olhava-o com ar suplicante, e parecia apresentar-lhe a criança.
"Tinha as faces encovadas por extrema magreza, mas conservava os traços de Lota, esposa de seu amigo Schmidt. "A expressão de sua fisionomia e a singularidade de seu modo de andar, que parecia de uma visão, impressionaram-no vivamente. "Para assegurar-se de que não era vítima de uma ilusão, chamou um dos seus operários, também alsaciano e da mesma localidade, e disse-lhe: - Olha bem; não te parece que é Lota, mulher do nosso compatriota Schmidt? "- Não posso afirmar porque não a vejo bem, respondeu o operário. "Fritz a ninguém referiu aquele fato, mas guardou bem vivas as circunstâncias da aparição, real ou ilusória, principalmente as do dia e da hora.
"Alguns dias depois, apareceu-lhe Schmidt, com a filha ao colo. "Então se lhe avivou a lembrança da visita de Lota, e, antes de seu amigo falar-lhe, disse-lhe: - Pobre amigo, já sei que tua mulher morreu em viagem; que antes de morrer veio apresentar-me sua filhinha, para que eu tomasse conta dela, isto em tal dia e em tal hora. "Eram precisamente o dia e a hora em que se deu o fato a bordo." Esse fato, de que não se pode duvidar, por ser Dassier um dos mais intransigentes adversários do Espiritismo, especialmente das manifestações espíritas, dá pleno testemunho da bicorporeidade, pois Lota tinha o corpo a bordo, e se apresentou sob a forma corpórea, no Rio de Janeiro. E não pode ter senão a explicação que demos para a bicorporeidade em geral. Enquanto Lota estava em sono letárgico, seu Espírito desprendeuse do corpo e voou ao Rio de Janeiro, envolto no perispírito, que lhe deu a forma material de seu corpo, pelo qual foi reconhecida.
A natureza imaterial do Espírito é incompatível com sua materialização, já o dissemos; logo, este fato de Dassier, como o de Crookes, prova que, além da alma e do corpo, isto é, do imaterial e do material, existe no homem um terceiro elemento: matéria semiespiritual, se assim podemos dizer. Este elemento fluídico, repeti-lo-emos à saciedade, inseparável do Espírito, pois o encontramos nos encarnados e desencarnados, é que se condensa, e toma a forma e as propriedades do corpo. A alma não pode transformar-se em corpo, e, pois, no caso vertente, e, principalmente, no que foi descrito por Crookes, a transformação foi certamente do perispírito, transformação, ou, antes, condensação. Estes casos provam, portanto, primo, que existe em nós um terceiro elemento fluídico, que nem é puro espírito, nem pura matéria; segundo, que este elemento acompanha a alma em todas as suas
existências; terceiro, que, tendo as propriedades da matéria, embora no que hoje se chama o quarto estado, é que torna as condições e formas materiais nas manifestações dos Espíritos. Muitos outros casos, com o valor deste de Dassier, poderíamos colher de autores que trataram da matéria; mas seria levar muito longe o que já se pode chamar - prova provada. Entretanto, talvez por satisfazer vaidade pessoal, talvez por desejo de mostrar que, neste recanto do mundo, também se trabalha no cultivo da Ciência, vamos dar notícia de um fato tão valioso como o de Dassier, fato de que fomos observadores. Semanalmente fazemos em nossa casa, nesta cidade do Rio de Janeiro, uma sessão espírita de estudos experimentais, em que somos acompanhados pelos engenheiros Dr. Maia Lacerda e Dr. Abel Matos; pelo cirurgião-dentista Tiago Bevilaqua e pelo distinto industrial Drummond Júnior. O primeiro e o último destes cavalheiros são médiuns psicográficos, sonambúlicos e de outras espécies.
A uma das sessões de trabalho, faltou Maia Lacerda, por ter viajado para o Estado de Minas, para ponto distante da nossa residência cerca de 600 quilômetros. Manifestou-se, pelo médium restante, Drummond Júnior, um Espírito que batalhava conosco sobre certos pontos do Espiritualismo, em geral, e particularmente do Espiritismo, acusando pesar, por estar ausente aquele nosso companheiro, com quem mantinha, de anteriores manifestações, especial teima. Minutos depois, e já se achando em renhida discussão conosco, suspende a argumentação, surpreendido de ver que o ausente estava presente. Ficamos em dúvida, porque podia aquilo ser um embuste para nos enganar, mas, em outra sessão, a que não concorreu o mesmo Dr. Maia
Lacerda, tivemos a certeza da presença de seu Espírito, por nos ter dado a prova, dirigindo-nos a palavra. Muitos outros fatos desta ordem temos tido em nossos trabalhos particulares, pelo que nenhuma dúvida nos ensombra a crença do desprendimento do Espírito, durante a vida corpórea, especialmente durante o sano. O desdobramento ou lei da bicorporeidade não pode mais ser posto em dúvida, assim como sua explicação pelo Espiritismo. Com esses fatos temos provado, embora perfuntoriamente, o incompreensível fenômeno do imaterial ligar-se ao material, para funcionarem de acordo. Resta-nos, agora, em obediência ao plano que traçamos sobre as relações dos dois elementos apostos explicar como, depois de separada do corpo, a alma toma ou pode tomar a forma material deste, apresentando os próprios sinais físicos que caracterizaram na vida corpórea o indivíduo que ela animou. Este problema já tem sido grandemente esclarecido em toda a discussão precedente, não nos faltando, para sua completa elucidação, senão reunir e metodizar o que se acha esparso pelas páginas anteriores.
É mais um passo que vamos dar para chegarmos, aparelhados de todos os instrumentos, à questão magna, que foi posta como o objeto deste pequeno trabalho, que outros, mais bem providos de saber, que não de boa vontade, desenvolverão em bem da Ciência e da Humanidade, até hoje cegas completamente a tal respeito - até hoje, confundindo no diagnóstico, e, portanto, no tratamento, as duas, tão diferentes, espécies de loucura.
Não é mais lícito duvidar hoje de que os Espíritos revestem, para se nos manifestarem, a forma do corpo que tiveram na vida. Pôr em dúvida o fato das manifestações, atestado por uma infinidade de caracteres respeitabilíssimos, é só dar crédito ao que se vê, é recusar o testemunho, a tradição, é passar uma esponja sobre todo o passado e destruir de um traço a História da Humanidade. Reconhecida a realidade da comunicação dos Espíritos, reconhecida fica a do modo pelo qual se manifestam, isto é, a forma que tomam para se fazerem visíveis e serem reconhecidos. É verdade que nem todos possuem a faculdade de vê-los; mas os que a possuem suprem, pelos pormenores com que os descrevem, a deficiência dos outros. Se o leitor, que não é vidente, receber de um médium, que o é, a descrição minuciosa dos sinais, às vezes característicos, da pessoa em cujo nome se apresenta um Espírito, pode deixar de crer que é o próprio, uma vez que o médium nunca viu aquele que descreveu?
E, pois, os que não podem ver por seus olhos, podem ver, pelos de outros, Espíritos revestidos de um corpo que tem os sinais característicos do que os revestiu na vida material. Isto não pode ser hoje contestado, porque é fenômeno ao alcance de quem quiser ver. A questão é saber-se como o Espírito, que é imponderável e invisível, pode tornar-se visível e tangível. Para o leitor já não é isto novidade, pois, no correr do nosso estudo, temos tratado da espécie, a vários propósitos, principalmente a propósito da bicorporeidade. Assim como a alma, durante a vida corpórea, se destaca do corpo, e vai, fora dele, apresentar-se, revestida do perispírito, com as formas do seu ser hominal, assim, e pelo mesmo modo, perdido o corpo carnal, ela o supre, quando quer, pelo fluídico ou perispiritual.
É sempre o perispírito que representa o papel do corpo, tanto nos casos de bicorporeidade, como nos de manifestações. Como se opera tal fenômeno? Os Espíritos ensinam que o perispírito é tirado pelo Espírito do fluido universal que envolve nosso planeta. Daí vem que, segundo já se disse, o perispírito de um habitante do Planeta ou mundo mais atrasado que a Terra, é mais grosseiro, em razão de serem tais mundos e seus habitantes mais atrasados, e de modificar-se o fluido universal de conformidade com o maior ou menor grau de progresso dos mundos que envolve. Pela mesma razão, é mais delicado o perispírito dos habitantes de mundos mais adiantados que a Terra. O meio, sempre em perfeita relação com o grau de progresso dos Espíritos que nele vivem, varia de mundo a mundo, e concorre para a mais grosseira ou mais fina organização do perispírito. Por esta lei, um Espírito, que habitou em mundos superiores à Terra, não poderá descer a nós com seu perispírito natural, incompatível com o meio terrestre.
Também, se um Espírito terrestre pudesse subir a um mundo superior, enquanto seu grau de progresso não o livra da Terra, não suportaria a superioridade daquele meio, com seu perispírito grosseiro. Mas, o fato dá-se: da passagem de Espíritos por mundos que não são da ordem do seu, como no-lo provam a vinda, entre nós, dos anjos ou puros Espíritos, habitantes das regiões etéreas, e a do Cristo, o puro dos puros; logo, há de haver lei que harmonize o princípio acima estabelecido com os fatos aqui indicados. Terá o Espírito o poder de modificar seu perispírito, de modo a constituí-lo em condições de tolerar vários meios em que precise manter-se, ou de tornar seu perispírito harmônico com esses meios?
Ensinam elevados Espíritos que a vontade é força irresistível, de que se servem eles para jogar com os fluidos, combinando-os de modo a obterem as precisas condições perispirituais para aquele fim. Efetivamente, a Ciência já possui muitos, e nós temos presenciado alguns casos comprobatórios dessa verdade. É, portanto, a vontade o princípio motor da condensação e materialização do perispírito, a maior modificação que o Espírito lhe pode imprimir, e de que não temos o direito de duvidar, em vista das experiências públicas de Crookes. Dissemos - públicas -, porque foram presenciadas por muitas pessoas de alto valor científico. O motivo é a vontade; mas o modo de operar ou a lei pela qual o Espírito consegue aquela transformação, esta ainda não é conhecida. Sabemos, entretanto, que, para consegui-lo, precisam os Espíritos do fluido vitalizado dos encarnados, que eles não possuem, e lhes é preciso retirá-los de encarnados que têm a faculdade de desprendê-lo de si, isto é, que são médiuns especiais.
É esta a razão por que, sem médium, nenhum Espírito pode manifestar-se visível, e muito menos tangível ou com o perispírito condensado até a materialização temporária. Eles estão em constante relação conosco, porém só se manifestam onde e quando encontram médium de tais efeitos, e manifestam-se mais ou menos nitidamente, segundo o médium é mais ou menos capaz de dispensar-lhes fluido vital. Sabido isto, compreende-se facilmente que, para se mostrarem, eles se supram do fluido vital do médium, e que, por meio desse agente, produzem em seu perispírito uma alteração molecular, de moda a fazê-lo opaco, de transparente que é naturalmente. É, diz Delanne, coisa análoga a da hidrófana, que, mergulhada na água, perde a opacidade e fica transparente, ou ao que se passa quando se embebe em óleo uma folha de papel.
A opacidade é devida à luz, que, uma vez penetrando num corpo, em vez de ser refratada, produz a transparência. Por aí se compreende como pode o perispírito materializar-se sob a influência da vontade e mediante o fluido vital de terceiro. Na bicorporeidade não há necessidade de médium, porque o corpo fluídico, que reveste o Espírito, se supre do fluido vital do próprio organismo, ou antes, na bicorporeidade o médium é o próprio indivíduo que se desdobra. Nas manifestações visíveis, sim; porque o Espírito livre não dispõe de fluido vital. Os Espíritos não gozam somente o poder de dar-se a forma que tiveram em vida, pela modificação de seu perispírito. Eles, apesar de imponderáveis, possuem também o de exercitarem estas funções materiais, em virtude das leis já expostas. É assim que transportam objetos pesados, fazendo-os até atravessar a matéria. Crookes refere o fato de uma visível mão fluídica, que, diante do auditório, tomou de um vaso um lilás e fê-lo passar, com o alongado pecíolo, através de uma mesa de mogno.
Allan Kardec, na Revue Spirite de Abril de 1860, refere este outro, que foi transmitido a Krotzoff, de S. Petersburgo, pelo barão Tcherhazoff, que garantiu sua autenticidade: "Escapa-me o nome do industrial, parece que inglês. Probo, humano e em boas condições de fortuna, ele dava tanto valor à boa qualidade de seus produtos, como à conveniência de seus operários, com os quais vivia na mais perfeita harmonia. "Segundo o costume da Rússia, ainda hoje vigorante, eles tinham, na fábrica, casa e comida à custa do patrão. "Uma manhã, ao levantarem-se de suas camas, alguns não encontraram a roupa que haviam despido.
"Não podendo pensar em roubo, questionaram uns os outros, acreditando ter sido brincadeira. "Enfim, depois de muitas buscas, foram descobrir a roupa no celeiro, na chaminé e até sobre o telhado. "Debalde procurou o patrão descobrir o autor da brincadeira. Todos protestavam por sua inocência. "Algum tempo depois, o fato se repetiu sem que se pudesse ainda descobrir o autor. "Pouco a pouco foi amiudando, até dar-se todas as noites, o que causou sérios cuidados ao patrão, que via perturbar-se o trabalho, e temia perder os operários, já assombrados. "Por conselho seu, organizou-se uma ronda noturna, para surpreender-se o culpado; mas com isto nada se adiantou, reproduzindo-se o fenômeno. "Para subirem a seus cômodos, tinham os operários de passar por escadas escuras, e aconteceu que alguns receberam aí empurrões e bofetadas, sem descobrirem quem lhos dava. "Então o patrão aconselhou que se dividissem em dois grupos, para ficarem um em cima e outro embaixo e cercarem o mau gracejador. "Ainda foi inútil essa providência, sendo ambos os grupos batidos, e acusando-se um ao outro.
"Dessas acusações passaram a lutas sangrentas, pelo que julgou o patrão necessário fechar a fábrica. "Uma noite, achava-se ele sentado em meio da família, triste e a cismar, como todos os seus, e eis que ouviram grande rumor no quarto próximo de seu escritório. "Levantou-se precipitadamente, a ver o que era, e a primeira coisa que viu, abrindo a porta, foi seu gabinete aberto e a vela acesa, quando, havia pouco, o tinha fechado e apagado a vela. "Aproximou-se da secretária, e descobriu aí um tinteiro de vidro e uma pena, que não eram os seus, e uma folha dc papel, em que
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