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Capítulo 11 de 14

Feesp — parte 11 de 14

A Loucura Sob Novo Prisma · Bezerra de Menezes

Os que nos amaram e nos amam sempre, e os que nos odiaram e continuam a votar-nos ódios, acercam-se de nós, conjuntamente com os amigos e inimigos que fizemos na existência última, que perdemos. É uma renovação de afetos e de repulsões, tais como as que nos comovem na Terra, quando encontramos entes queridos, de quem estivemos por longo tempo separados, ou nos aparecem inimigos que supúnhamos mortos. É bem verdade, pois, que no mundo dos Espíritos há as mesmas relações que na vida material, com a diferença das que se perdem com o corpo. Há grupos familiares, ligados pela similitude de sentimentos, de pensamentos e de aspirações; os bons, ligados por bons intuitos; os maus, ligados por intuitos maus. Nós perdemos a lembrança deles quando os deixamos, para virmos a esta vida, mas eles nos acompanham com seu amor ou seu ódio, porque são livres e guardam a lembrança do que lhes fomos. Isto, que parece imaginário, podemos reconhecê-lo experimentalmente, e nós o temos feito centenas de vezes, e pode fazêlo quem o puser em dúvida.

Os amigos nos ajudam, atuando sobre nosso Espírito para o bem. Sobre a influência dos inimigos a nos arrastarem para o mal, temos tido provas destas: chamamo-los com o auxílio dos bons, e, com estes, quase sempre logramos convencê-los de que maior mal fazem a si do que às suas vítimas, e, desde que se arrependem e se reconciliam, suas vítimas, que sofriam por sua perseguição, ficam boas. Há seu tempo e em lugar próprio, daremos as provas autênticas desta verdade. Se um que volta à vida carnal é do grupo dos maus, nem por isto deixa de ter amigos, como de ter inimigos, pelo que terá proteção e perseguição.

Todos, pois, que descem à vida corpórea, tem em torno de si, por piores que sejam, Espíritos protetores, e, por melhores que sejam, perseguidores, inimigos feitos no tempo de seu maior atraso. Conseguintemente, em derredor de cada vivente, há uma luta constante, na qual triunfam, às vezes, os amigos, e, outras vezes, os inimigos, segundo o lado para onde pender o espírito vivente, porque seu livre arbítrio pode ser auxiliado ou embaraçado, mas nunca tolhido. Não é o mesmo que vemos em nossa sociedade? Os bons nos aconselham para o bem; os maus nos aconselham para o mal; e nós nos decidimos livremente por uns ou por outros. A diferença é que aqui conhecemos os que nos impulsionam. Resulta do que fica exposto que nesta vida temos amigos visíveis e invisíveis, que nos ajudam em nossa missão, sempre dirigida para o bem, e que temos inimigos visíveis e invisíveis, que procuram fazernos todo o mal. Uns e outros como operam? Procurando subjugar-nos a vontade, no sentido de seus intentos.

Nenhum tem o poder de coagi-la, mas, com arte, com astúcia, com seduções, tanto como pela sinceridade, pela razão, pelo ensino da verdade, chega-se a domar o leão. Não vemos, entre nós, indivíduos insinuarem-se no ânimo de outros e os arrastarem a desatinos? Pois é pelo mesmo modo que os Espíritos, aproveitando a pouco e pouco as nossas fraquezas, conseguem fazer da nossa vontade seu instrumento, e de nosso espírito sua vítima. É ocasião de darmos ao leitor os fundamentos que temos para afirmarmos coisas desta ordem, de cunho maravilhoso, que escapam às nossas vistas. Não queremos fazer deste trabalho, empreendido na mais pura intenção, coisa que se pareça com os contos fantásticos de Hoffmann.

De tudo o que temos exposto, nada é produto de nossa imaginação ou da imaginação de alguém. Tudo, tudo, tudo, tem sido ensinado pelos Espíritos, a quem devemos a cosmogonia, que tão eloqüentemente fala à razão e ao coração. Dir-nos-ão, porém: Que crédito merecem esses ensinos de Espíritos, eles mesmos problemáticos? Não foi exclusivamente na letra do que eles ensinaram que firmamos nossa crença. A experiência, a prova experimental por que temos escrupulosamente feito passar cada idéia daquele ensino, é o fundamento sólido em que nos baseamos para dar a público, sob a responsabilidade de nosso nome, coisas tão maravilhosas. Da perseguição movida por Espíritos desencarnados aos encarnados, o ponto mais difícil de aceitar da nova cosmogonia, mas que, uma vez provado, explica todos os outros, fácil é ter-se a prova, prova inconcussa. Pelos processos espiríticos, que são rigorosamente científicos, pode verificar-se o fato com o mesmo rigor experimental com que Crookes, Lombroso e outros verificaram o fato das manifestações dos Espíritos.

A respeito das perseguições, possuímos grande cópia de observações, capazes de firmarem inabalável convicção em espíritos livres de preconceitos sistemáticos e de obcecação por fanatismo. Para não alongarmos, porém, este trabalho, citaremos apenas três, que preferimos às demais, por estarem vivas e presentes as testemunhas, caso alguém se abalance a impugná-las. Foi em presença do Sr. João Gonçalves do Nascimento, negociante da praça do Rio de Janeiro, em presença de sua respeitabilíssima senhora, do Sr. João Kall, comandante do cruzador da Alfândega "Orion", do Sr. Frederico Pereira da Silva Júnior, empregado público,

do Sr. Manuel Raimundo de Souza, capitão do Exército, e do major da Guarda Nacional, Severo da Cunha Machado. Além disto, a família de Raul Couto, estudante de medicina e objeto da nossa observação, aí está para atestar a verdade. Raul Cauto, havia cerca de dois anos, suspendera o curso de seus estudos médicos, na Faculdade do Rio de Janeiro, por ter sido subitamente acometido de loucura, com a idéia fixa de suicídio, pelo que a família o guardava em um quarto, com todas as precauções. Pediram-nos, depois de reconhecido que a loucura era obra de um inimigo do espaço, que fizéssemos o possível para restituir a razão ao pobre moço, e, prestando-se a isso o médium de incorporação, Frederico Pereira da Silva Júnior, demos princípio ao trabalho. O Espírito perseguidor veio enfurecido, declarando que já fizera acabar pelo suicídio o pai de Raul, e que ao mesmo fim levaria o filho, para vingar-se do mal que lhe fizeram em passada existência. Efetivamente, verificamos que o pai de Raul acabara pelo suicídio.

Longa foi a luta com esse Espírito, mas, par fim, depois de muitas sessões, que fazíamos semanalmente, conseguimos convencê-lo do mal que a si mesmo causava. Foi isso numa sexta-feira, e só na segunda-feira seguinte foi que pudemos ter notícia da que se passara com Raul, depois do arrependimento de seu perseguidor. Soubemos então, e tivemos a confirmação pessoal do seguinte: Na sexta-feira, pouco mais ou menos à hora em que o Espírito inimigo desistiu sinceramente da perseguição, Raul, em sua casa, à distância que vai da Gamboa, onde morava, ao Engenho Novo, onde trabalhávamos, talvez uns quinze quilômetros, despertava, como de um longo pesadelo; chamou a mãe e mais pessoas da família, por quem se tornara indiferente; saiu do seu isolamento, e tão bem se achou que na semana seguinte voltou aos seus estudos, por tanto

tempo interrompidos, e tanto se aplicou, que colheu e publicou as lições feitas durante o ano pelo professor de anatomia da Faculdade. Durante os seguintes dois ou três anos, tivemos várias ocasiões de vê-lo e de reconhecer a completa integridade de suas faculdades mentais, fato que é comprovado pelas suas aprovações na Faculdade. A coincidência da renúncia do perseguidor com o reerguimento das faculdades mentais, é fato digno da maior atenção, e nós asseguramos que mais ou menos rápida, mais ou menos lenta, temos sempre observado esse fenômeno, desde que o perseguidor se converte. Passemos a outro caso: Os jornais desta Capital deram notícia de mais uma vítima do Espiritismo. Foi o caso de ter ido à casa de uma "curandeira" a esposa de um moço muito conhecido da nossa sociedade, o Sr. Canongia, e de ter saído dali louca, de não a poder ter o marido senão no Hospício dos Alienados. Foi, portanto, registrado por toda a imprensa da Capital Federal o fato da loucura da moça e da sua reclusão ao hospício.

O angustiado marido veio a nós e pediu-nos conselho, como médico e espírita. Reunidos, o Dr. Antônio Luís Saião, Dr. Francisco Leite Bittencourt Sampaio, Dr. Pedro Saião, cirurgião-dentista Tiago Bevilaqua, o negociante Pedra Richard, o guarda-livros José Augusto da Silveira Ramos, o negociante Matos Cid, nós e o médium Frederico Júnior, fizemos a evocação do Espírito perseguidor de Alice, nome da esposa de Canongia. Veio em fúrias e inconvenientemente, por tal modo que apenas adiantamos em saber que era ou tinha sido português, e que perseguia a moça, por tê-lo desprezado, quando ele tinha por ela uma louca paixão. Perseguia-a e persegui-la-ia por toda a vida.

Na sessão seguinte, oito dias depois, tendo reconhecido que não era mais vivente, como estivera persuadido até ali, esteve mais cordato, ouviu nosso arrazoado, e foi-lhe dado ver o quadro de sua anterior existência, ante o qual ficou horrorizado. - Agora reconheço, exclamou, que ela teve razão de sobra para me repelir. Reconciliado, pois, retirou-se do nosso meio, e desde aquele dia Alice começou a manifestar melhoras, até que, aos poucos, recobrou a razão, saiu do hospício e voltou a sua casa, onde vive perfeitamente, há já seis anos, com o marido e os filhinhos, sem mais sombras de perturbação mental. O fato de não ter a razão imediatamente voltado, e sim apenas despontado, logo que cessou a pressão, foi devido aos fluidos maus do perseguidor, que levam mais ou menos tempo a ser eliminados, segundo o grau de receptividade moral do perseguido. Apesar de retirada a causa, não cessou logo o efeito, porque o efeito já estava bem gravado e precisava de tempo para se desfazer. Isto é uma lei patológica, que não nos cabe aqui desenvolver.

O terceiro fato é incompleto, mas dá tanta luz à questão, que o preferimos a outros. Antônio José Bruno, porteiro da Escola Municipal de São José, nesta Capital, tem um filho de seu nome, que trabalhava como marceneiro numa fábrica de móveis da rua da Conceição. Um dia, fomos procuradas pela mulher de Bruno, para acudirmos ao rapaz, que se tornara intolerável, procurando rixas com as pessoas da família, e ultimamente fazendo atos de rematada loucura. O dia seguinte era o de nossos estudos experimentais, e, pois, desconfiando da existência de uma influência estranha, dissemos à mãe do rapaz que o trouxesse naquele dia, às dez horas da manhã, para que examinássemos antes da sessão, que era às quatro horas da tarde.

Veio com extraordinária relutância, e veio por nos dever respeito e obediência, em razão de sermos antigo médico da família, que o vimos nascer e crescer. Veio, mas olhava-nos com olhos de tigre. Não lhe arrancamos nem uma palavra, mas aproveitamos o tempo, moralizando-o, e principalmente ao seu perseguidor, que não tivemos dúvida sobre sua presença ali. Em meio daquele trabalho, entrou na sala, onde se achava conosco o Comendador Domingos Gonçalves Pereira Nunes, o médium Brito Sarmento, que, mal foi tomando uma cadeira sem saber do que se tratava, foi acometido pelo Espírito, com tal fúria, que, se não fora Brito médium perfeitamente desenvolvido, teria sido tomado. A hora da sessão, tendo o rapaz voltado para casa, reuniram-se na sala dos trabalhos o Dr. João Batista Maia de Lacerda, Comendador João Gonçalves Pereira Nunes, Lourenço Rodolfo de Ataíde, professor, e outros. O médium Brito recebeu o Espírito que antes quisera tomá-lo de surpresa, o qual começou, dizendo-nos: - Venho pagar-te o sermão de hoje de manhã.

Não houve argumento, não houve razão, não houve esforço que abalasse o infeliz. Firme como uma rocha, deu-nos o seu ultimato: - Não há poder capaz de suspender minha vingança! - Há, respondeu-lhe, pelo médium Lacerda, um Espírito superior, há o poder da justiça do Senhor, que, em vista da humildade com que tua vítima tem sofrido tua perseguição, retira-o de tua ação, para não mais poderes fazer-lhe mal. Fazendo juras de mostrar seu inquebrantável poder, saiu o perseguidor, mas o caso foi que o perseguido apresentou-se-nos cinco dias depois, em perfeito estado mental, e disse-nos que vinha agradecer-nos a cura, e que dali seguia para a fábrica onde já havia retomado seu lugar.

Dissemos que esta observação não foi completa, porque temos sempre conseguido a reconciliação da vítima com o algoz, o que nos foi impossível neste caso. Entretanto, também dissemos que dela ressaltava muita luz, o que se patenteia pela comparação com as duas anteriores. Do que fica exposto, resulta que a alma se relaciona com o corpo pelo perispírito, que é este que transmite, a um, as impressões, e, a outro, as volições, que é ele que dá aos Espíritos desencarnados a forma e caracteres do corpo que tiveram. Por este modo fica, no presente capítulo, satisfeita a 4.ª interrogação da Introdução, como, no capítulo precedente, o foram a l.ª, 2.ª e 3.ª. O que, porém, sobreleva do que nos ocupou nesta parte do nosso trabalho, é a evolução dos Espíritos, que aí deixamos longamente descrita, e que põe em relevo o seguinte notável fato: O mesmo caráter moral do homem, nesta vida, é o do seu Espírito, na outra vida.

Daí a seguinte conclusão: Assim como na Terra os bons nos chamam para o bem, e os maus para o mal, assim no espaço os bons e os maus agem sobre nós, por meios fluídicos. Vivemos, pois, cercados de amigos e de inimigos, que atuam sobre nós, em bem e mal nosso. Com isto, queremos fazer bem patente que os inimigos invisíveis não se diferenciam dos visíveis, na sanha de seu ódio, senão quanto aos meios que empregam para satisfazê-lo. A influência maléfica dos primeiros, se não sabemos ou não tentamos rebater, por um procedimento em tudo reto, e pela energia de nossa vontade, toma tal império sobre nossa alma, que a domina, e dirige, como a um autômato.

É a isto que se chama - obsessão -, de que vamos tratar no seguinte capítulo.

Capítulo III

Obsessão

A Cosmogonia espírita, esboçada no precedente capítulo, enche uma lacuna da Ciência, quanto à fisiologia do cérebro. Vimos, com efeito, que a loucura coincide às vezes com uma lesão daquele órgão, e que, outras vezes, não acusa a mínima lesão dele. Se é fácil explicar a perturbação mental, quando o órgão transmissor do pensamento está lesado, o mesmo não acontece nos casos notados por Esquirol, de coincidir ela com a perfeita integridade do cérebro. Esquirol, portanto, revelou à Ciência fatos que não são explicáveis pela lei a que se atribuem todos os casos de loucura. Se é o cérebro que transforma as impressões em concepções, ou se é ele que gera a pensamento, como produzir tão delicado fenômeno, como haver pensamento harmônico, reflexão raciocinada, razão esclarecida, achando-se tal órgão em condições de não funcionar regularmente? Por outro lado, que razão pode haver para perturbar-se completamente sua função, achando-se ele em perfeito estado fisiológico? É tão natural a loucura, no primeiro caso, como é inexplicável no segundo, uma vez admitido que o cérebro é o gerador do pensamento. Entretanto, a verdade é que há casos bem verificados de perturbação mental sem lesão orgânica do cérebro, o que diz bem

positivamente que a loucura não depende essencialmente do estado mórbido do cérebro. Se assim é, e não pode ser cientificamente contestado, a conseqüência irrecusável é que o cérebro não gera o pensamento, é que, independente daquele órgão, pode o pensamento sofrer perturbações. Como quer que seja, estes fatos de observação nos arrastam ao seguinte princípio: A moléstia dos nervos sensitivos impede o sentimento ou perverteo, e ninguém ignora que o anestésico evita que sintamos a dor. A alma é o princípio causal do pensamento; ou, antes, é ela quem pensa e o transmite pelo cérebro, seu instrumento. A alma é que possui, no homem, a faculdade de pensar, tendo, por suas relações com o corpo, enquanto lhe estiver presa, necessidade do cérebro, para transmiti-lo, donde a inevitável coação, toda a vez que o instrumento não estiver em boas condições. Assim é, quando a loucura coincidir com a lesão cerebral. De fato, como fazer-se obra perfeita com instrumento incapaz?

Com a vista, com o olfato, com a audição, com o paladar e com o tato, dá-se a mesma coisa, em virtude da mesma lei. E tanto é procedente este juízo, que todas as faculdades e sentidos humanos se perturbam, quando os órgãos corporais, que lhes servem de instrumentos, sofrem em sua integridade. Quando os instrumentos da sensibilidade são perturbados ou paralisados em sua ação, por lesão orgânica ou por influências perturbadoras de suas funções, a sensibilidade ou faculdade de sentir se interrompe, por todo o tempo da moléstia ou da influência perturbadora. Dir-se-á que é por entorpecimento do cérebro.

Decerto que é, em muitos casos, porque ele é o órgão condensador das impressões que dão à alma o sentimento; mas, e nos casos de anestesia local? A impressão não chega ao cérebro, pois os nervos condutores são entorpecidos. E nós já provamos que a sensibilidade e a insensibilidade são da alma e não do cérebro, com o fato de recebermos um ferimento e não lhe sentirmos a dor, senão quando a alma descansa de suas preocupações, embora o cérebro haja recebido a impressão. Este fato, só por si, torna evidente que o nosso centro sensitivo está fora do cérebro, conquanto seja este o meio natural, o instrumento do sentimento físico. Nota-se, pois, com relação à sensibilidade, a mesmo que com a inteligência: há perturbações intelectuais, quando o cérebro não pode trabalhar regularmente, e, às vezes, mesmo que possa trabalhar.

Se o olho sofre, de não poder receber a impressão da luz, dá-se a perturbação da visão e até a cegueira, mas, tanto não é o olho que vê, que muitas vezes os objetos ferem a retina e não são vistos, e os sonâmbulos, encerrados em quatro paredes vêem objetos a centenas de léguas a distância. Conhecemos uma, que é cega de todo, mas que, em estado sonambúlico, descreve fielmente o que está e o que se passa em torno dela. Há, portanto, cegueira por lesão do órgão da visão, e há cegueira ou falta de visão, mesmo que o órgão esteja são e receba a impressão dos objetos exteriores. Quantas vezes passamos por um objeto, encaramo-lo, mas, concentrados em um pensamento, não o vemos? O mesmo acontece com a audição, que, só depois de muito tempo, é que temos o conhecimento de nos terem dito coisas que não ouvimos

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