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Capítulo 5 de 14

Feesp — parte 5 de 14

A Loucura Sob Novo Prisma · Bezerra de Menezes

todos, em pé, agitando as cortinas com a mão. Enquanto a observávamos, dissipou-se, e as cortinas cessaram de mover-se." Passemos ao segundo caso: "Uma figura fantástica avançou de um canto da sala; foi tomar um harmônio e o tocou. "Esta figura foi visível por muitos minutos, a todos que viam, ao mesmo tempo, noutro ponto, o médium Home. "O fantasma aproximou-se de uma dama, sentada fora do círculo dos assistentes, e desapareceu logo que ela deu um grito de medo." Como se vê, a Inteligência que produzia os fenômenos observados e descritos por Crookes vai-se afastando tanto da imaginária força psíquica, quanto caminha veloz, para confundir-se com os Espíritos ou almas dos que morreram. Continuemos e teremos prova cabal de não ser ela outra coisa. Leiamos o que observou o ilustre sábio sobre a materialização daquela Inteligência, fenômeno surpreendente, embora já por outros observados, e que e devido à condensação do corpo fluídico, que reveste os Espíritos.

"A sessão foi em casa de Luxmore, e o gabinete, onde ficou a médium, era separado da sala em que estavam os assistentes, por um reposteiro. "Satisfeita a necessidade de inspecionar-se a câmara e de examinarem-se as fechaduras, entrou a médium para o gabinete. "Pouco tempo depois, apareceu Katie, o Espírito materializado, ao pé do reposteiro; mas retirou-se, dizendo que sua médium não estava bem disposta, e por isso não podia, sem perigo para ela, cair em sono que desse para ela se manifestar. "Eu estava a poucos passos do reposteiro, atrás do qual estava sentada a Srta. Cook, a médium, e pude bem ouvir seus gemidos e queixumes.

"Suas fadigas continuaram por todo o tempo da sessão, e, uma vez, achando-se diante de mim a forma de Katie, ouvi distintamente um gemido de Cook. "Entretanto, a prova positiva de que os gemidos vinham do gabinete, onde se achava Cook, embora Katie estivesse fora, era coisa muito séria, para ser baseada em suposições." Eis aí a Inteligência invisível manifestada por um Espírito visível, que fala que anda, e que (vê-lo-emos) é tangível como qualquer pessoa viva, tendo a propriedade de desfazer-se rapidamente, como o fumo. O prosseguimento destas extraordinárias experiências levou o sábio a dizer: "Sou feliz por poder assegurar que obtive, enfim, a prova absoluta do que avancei na precedente carta. "Como obter aquela prova? "Por enquanto não falarei da maior parte das provas que me forneceu Katie, nas numerosas ocasiões em que Cook se prestou às sessões, em minha casa, e não descreverei senão as que recentemente colhi.

"Havia já algum tempo que eu experimentava com uma lâmpada de óleo fosforado, no intuito de fazer visíveis alguns fenômenos misteriosos do gabinete, tendo para isto boas razões, que Katie partilhava. "A 12 de Março, em uma sessão, em minha casa, e depois de Katie ter passado por entre nós, e de nos haver dirigido a palavra por algum tempo, vimo-la retirar-se para detrás do reposteiro que nos separava de Cook. "Pouco depois, chamou-me, para dizer-me: Entre e levante a cabeça da minha médium, que está pendida para o chão. "Katie estava, então, diante de mim, com seu constante vestido branco e o infalível turbante.

"Imediatamente dirigi-me para Cook, afastando-se Katie, para me dar passagem. "Realmente, Cook tinha escorregado um pouco do sofá, e sua cabeça, pendente, estava em penosa posição. "Ergui-a e coloquei-a em posição cômoda, tendo, apesar da escuridão, a viva satisfação de verificar que ela não estava vestida como Katie, mas, sim, com seu vestido habitual de veludo, e, mais, que se achava em profunda letargia. "Não eram decorridos cinco segundos entre o momento em que vi Katie de vestido branco e me achei com Cook e acomodei-a no sofá. "Voltando ao meu posto de observação, apareceu-me Katie e disseme que lhe era, talvez, possível apresentar-se-me conjuntamente com sua médium. "O gás foi quase apagado, e ela me pediu a lâmpada de óleo fosforado, a cuja luz se me apresentou por alguns segundos, entregando-me e dizendo: Agora entre e venha ver minha médium. "Segui-a de perto, e, à luz da lâmpada, vi Cook deitada no sofá, como a tinha deixado; mas, olhando em torno de mim, não vi Katie, a quem chamei, sem resposta.

"Voltei para o meu lugar, onde Katie me disse que não tinha saído de junto de mim. "Perguntou-me então se não poderia ensaiar uma experiência, e, tomando-me a lâmpada, foi para junto de Cook, pedindo-me que não a observasse. "No fim de alguns minutos, entregou-me a lâmpada, dizendo que não conseguira resultado, que esgotaria todo o fluido da médium; mas que, posteriormente, conseguiria seu intento. "Meu filho, rapaz de 14 anos, que estava sentado defronte de mim, em posição de ver o que se passava no reposteiro, disse-me que viu distintamente a lâmpada flutuando no ar, por cima de Cook,

derramando luz sobre ela, deitada no sofá, mas que não vira quem a suspendia. "Passo à sessão em casa de Hachney. "Nunca aparecera Katie tão perfeitamente. "Durante umas duas horas, passeou na sala, conversando familiarmente com as pessoas presentes. "Muitas vezes tomou-me o braço, e a sensação que me deu foi a de uma pessoa viva, que se apoiasse em mim, e não a de um visitante do outro mundo. "Aquela sensação foi tão forte que tive ímpetos de fazer uma nova e curiosa experiência. Refleti, porém, que, se era um Espírito, era em todo o caso uma senhora, e pedi-lhe permissão para tomá-la em meus braços, a fim de verificar as interessantes observações que alguém havia recentemente feito referido vagamente. "Graciosamente foi-me dada à licença, de que me servi convenientemente, como homem bem-educado. "M. Valkman ficará contente em saber que pude confirmar sua asserção, de ser o fantasma, que, aliás, nenhuma resistência opôs ao exame, um ser tão natural como Cook. "Katie disse-me, então, que se julgava com força para mostrar-se juntamente com sua médium.

"Diminuí a luz, tomei a lâmpada e penetrei onde se achava a médium. "Tinha, porém, previamente pedido a um dos meus amigos presentes, hábil estenógrafo, que grafasse tudo que eu falasse no quarto, porque eu sabia a importância que se liga às primeiras impressões, e não queria confiar somente em minha memória. "Entrei cautelosamente e procurei, tateando, a médium, que descobri sentada no chão.

"Deixei penetrar ar na lâmpada, e via moça vestida de veludo preto, como no princípio da sessão, parecendo completamente insensível. "Elevando a lâmpada, olhei em torno e vi Katie por detrás e bem junto de Cook, vestida de roupas curtas e flutuantes, como se apresentara naquela sessão. "Segurando uma das mãos de Cook, movi a lâmpada de modo a iluminar todo o corpo de Katie e a bem reconhecer que era realmente ela, a que eu tive em meus braços, e não uma criação de cérebro doentio. "Ela não falou; mas, com a cabeça, fez sinal de compreender-me." Pelo que se conhece, hoje, sobre as propriedades do perispírito, poder-se-ia supor que foi um desdobramento da médium que produziu a dupla aparição; prossigamos, porém, e reconheceremos a verdade da manifestação tangível de um Espírito. "Antes de terminar - é Crookes quem fala - desejo fazer conhecer algumas diferenças que observei entre Katie e Cook. "O talhe da primeira é variável.

Em minha casa, vi-o 1,5 cm maior que o de Cook; ontem, porém, tendo os pés descalços, era apenas maior um centímetro. "Ontem, à noite, Katie esteve com o pescoço nu, e mostrava uma pele macia ao tato, enquanto Cook tem uma cicatriz bem visível, que torna a pele áspera. "As orelhas de Katie são muito mais longas e seu rosto mais comprido. "A cor de Katie é clara. Cook é morena. "Há sensíveis diferenças nos modos das duas, até quanto a se exprimirem." Diante da minuciosa exposição do sábio observador, desaparecem as suspeitas de serem as duas a mesma pessoa, quer por dolo da médium, quer por desdobramento (bicorporeidade) dela.

Os desdobramentos são fenômenos hoje conhecidos da Ciência, e seu característico é que a imagem em nada pode diferir do corpo material, quanto aos sinais físicos. Seriam as provas da aparição daquele Espírito, tão minuciosa, escrupulosa e cientificamente colhidas, pura ilusão do respeitável sábio? (1) (1) Posteriormente, muitos outros sábios realizaram experiências semelhantes. (N. E.) Além de que todas as suas experiências foram feitas em presença de muitas pessoas tão respeitáveis quão competentes, aí vem sua última carta desfazer qualquer vacilação. Crookes refere aí como conseguiu, por indicação de Katie, e em presença de todos, tirarem fotografias do Espírito e da sua médium, juntas. Durante esse trabalho, os assistentes tiveram ocasião de ver, bem distintos, o Espírito e sua médium Katie e Cook. "Tenho a mais absoluta certeza de que Cook e Katie duas pessoas distintas, ao menos quanto ao corpo. "Quando chegou o momento de deixar-nos, eu pedi Katie o favor de ser o último que a visse. "Ela chamou, um por um, todos os presentes, aos quais dirigiu palavras afetuosas e conselhos.

"Terminadas as despedidas, convidou-me a segui-la ao quarto da médium, para permanecer com ela até ao fim. "Depois de ter corrido o reposteiro, conversou comigo por algum tempo, e foi ter com Cook, inanimada. "- Desperta, disse, que é chegada a hora de deixar-te. "Cook ergueu-se, banhada em lágrimas, e suplicando-lhe que se demorasse por mais tempo. "- Não posso minha querida; está completa a minha missão. Deus te abençoe.

"Conversou com Cook até que as lágrimas desta lhe tolheram a voz. "Fazendo como me havia recomendado, eu corri a sustentar Cook, que ia cair convulsivamente, e, olhando em torno, não vi mais Katie, com seu vestido branco." É preciso admitir que se possa conversar com a própria sombra, para ter a idéia de que Katie era desdobramento de Cook. É preciso admitir que Crookes e seu respeitável auditório foram tomados, ao mesmo tempo, de insânia, ou que homens da maior responsabilidade combinaram-se para darem por verdade uma mentira, miserável embuste, para ter-se o pensamento de que o médium e o Espírito são a mesma pessoa. Seriam as experiências insubsistentes, sem o rigor das observações científicas? A resposta está na obra de Crookes. Por mais que choquem as crenças gerais, os fatos atestados por Crookes, o nome e a alta competência do observador se impõem aos mais refratários.

E, como os fenômenos observados por Crookes dão testemunho irrecusável de um Espírito sob a forma corporal, e que a tomava e deixava, instantaneamente, à vista de todos, pode-se dizer, materialmente provado, que há Espíritos, que o Espírito é imortal, e que o ser humano, cuja essência é o Espírito, não acaba na morte, conservando sempre a consciência de sua individualidade. É verdade que Dassier, emperrado materialista, obrigado a confessar que viu aparições espirituais, arma sofisma à sua própria consciência, imaginando que o Espírito é a figura do homem material, que ainda subsiste depois da morte, por não se ter ainda de todo extinguido o fluido vital!!! É necessário decidido propósito de repelir a luz, para formular tais e quejandas hipóteses.

Se o fluido vital ainda subsiste, subsistir deve a matéria vitalizada: - o corpo; portanto, não pode verificar-se a morte. Além de que uma figura ou imagem, que fala, que raciocina, que toma na mão uma lâmpada, que dá conselhos, que faz, em suma, o que fez Katie, não é coisa mais estupenda do que admitir no homem uma parte que morre e outra que é imortal, duas substâncias distintas? Para todo homem sensato, confessar Dassier que viu aparições, é confessar verdadeiros os fatos citados por Crookes. Esta confissão, de tão insuspeita origem, vale pela mais robusta prova que possam dar os processos positivistas. O fato é tão real que um materialista da intransigência de Dassier não lhe pôde negar seu testemunho! Com o que temos longamente exposto, fica plenamente elucidada nossa tese. Não será, porém, ocioso corroborar as experiências de Crookes com as de outros sábios. Aos estudos de Varley, ajuntaremos os de Wallace, por ele próprio publicados em uma notável carta dirigida ao Times, para explicar como e por que se fez espírita.

O venerando sábio, que disputava a Darwin a descoberta da lei do transformismo, escreveu: "Como tenha sido increpado, por muitos dos vossos correspondentes, como um homem de Ciência, que acredita no Espiritismo, peço licença para dizer-vos em que fundamentos assenta minha crença. "Comecei minhas pesquisas, há quase oito anos, por uma feliz circunstância que me facilitou experimentar, em minha casa e em larga escala, com a assistência de pessoas da maior confiança, sendo, então, muito menos freqüentes e acessíveis os maravilhosos fenômenos. "Tive a satisfação de provocar, por numerosas e rigorosas provas, movimentos inexplicáveis por causas físicas conhecidas ou por imaginações.

"Familiarizado, assim, com aqueles fenômenos, cuja realidade não pode ser posta em dúvida, tive ocasião de compará-los com as manifestações dos médiuns de profissão, e de reconhecer que existe, entre uns e outros, perfeita identidade de causa. "Pude, igualmente, obter, pela mais paciente observação, as mais curiosas e seguras provas da realidade, cujas minúcias exigiriam volumes. Ser-me-á, porém, permitido descrevê-las ligeiramente, a fim de mostrar como se pode evitar a fraude. "Uma dama, que nunca vira fenômenos espíritas, pediu-me, e à minha irmã, para acompanhá-la a um médium afamado. "Obtivemos uma sessão em pleno dia. "Depois de grande número de pancadas e movimentos, coisa muito comum, nossa amiga perguntou se era possível evocar-se uma pessoa com quem desejava falar. "A resposta afirmativa, a dama começou a ler as letras do alfabeto impresso, enquanto eu tomava as que eram dirigidas para formarem o nome. "Nem eu nem minha irmã sabíamos o nome do homem evocado: nem sequer conhecíamos os dos parentes mortos. "Também ela nunca tinha visto o médium.

"As letras que tomei, foram: Y, R, N, E, H, N, O, S, P, M, O, H, T. "Logo que foram designadas as três primeiras, a dama exclamou: isto não significa coisa alguma. É melhor começar de novo! "Justamente naquele momento, as pancadas designaram o E, e veio-me ao pensamento, por já ter lido um fato semelhante, o que podia ser; e disse: Continue, que suponho saber o que significa isto. "Quando a dama acabou de proclamar as letras, eu lhe apresentei o papel em que as tinha tomado; ela, porém, não lhes descobriu sentido. "Operei, então, uma divisão pelo primeiro H; e pedi-lhe que lesse cada seção de trás para diante.

"Apareceu-lhe assim, com grande espanto seu, o nome de Henry Thompson, seu filho morto, que ela evocara. "Esta experiência, cuja exata descrição garanto, foi e é, a meu ver, a completa refutação a todas as explicações até hoje dadas a respeito dos meios empregados para indicar por pancadas os nomes dos mortos..." Este fato, garantido por um homem da estatura moral e científica de Wallace, e escudado nas observações análogas de Robert Chambers, do professor William Gregory, do professor Hare, do Dr. Guilly de Malvern e do juiz Edmonds, a não ser repelido por mentiroso, é de convencer os mais refratários. Continuemos. O barão Guldenstubbé publicou, em 1857, um livro curioso, intitulado A realidade dos Espíritos e o fenômeno maravilhoso de sua escrita direta. Conta o Autor como foi levado a fazer experiências. Andava à procura de provas palpáveis, ao mesmo tempo que inteligentes, do mundo dos Espíritos, para demonstrar, por meio irrecusável, a existência da alma. Colocou papel e lápis numa caixa, que fechou à chave, e a ninguém comunicou esse ensaio. Para maior segurança, guardou consigo a chave.

Esperou em vão doze dias; porém, ao décimo terceiro dia foi surpreendido pelo aparecimento de alguns caracteres. Repetiu a experiência, dez vezes no mesmo dia, para convencer-se de que não fora vítima de ilusões. Deu parte a seu amigo, conde d'Ourches, de sua maravilhosa descoberta, e, juntos, fizeram repetidas tentativas, obtendo o conde uma comunicação de sua mãe, morta havia cerca de vinte anos, cuja letra foi reconhecida.

Oxon, o sábio professor que experimentou por cinco anos, sobre a escrita direta, exprime-se nestes termos, em sua obra - Coisas do outro mundo: "Há cinco anos sou familiarizado com os fenômenos de psicografia, que tenho observado por médiuns conhecidos e por damas e cavalheiros de força medianímica. "No curso de minhas observações, vi psicografias obtidas em caixas fechadas (escrita direta), sobre o papel escrupulosamente marcado e colocado em lugar especial, donde não pudesse ser removido, papel metido em envelopes fechados, e em ardósias dobradas. "Vi escritas produzidas quase instantaneamente; e essas experiências me provaram que todas eram sempre obtidas pelo mesmo processo. "Ao passo que se vê, algumas vezes, o lápis correr como se fora guiado por invisível mão, vê-se, outras vezes, aparecer a escrita, sem intervenção de lápis." E o caso observado por Crookes, de uma luminosa mão arrancarlhe o lápis e escrever à sua vista.

Zoellner, o sábio alemão, firmando suas asseverações no testemunho de pessoas respeitáveis, como os professores Fechner, Weber e Schreibner, as expõe assim: "Na noite de 16 de Novembro de 1876, coloquei numa sala, onde o médium Slade nunca tinha entrado, uma mesa e quatro cadeiras. "Eu e o professor Braune, Fechner e Slade sentamo-nos ao redor da mesa, e, desde que fizemos uma cadeia pela ligação de nossas mãos, deram-se pancadas na mesa. "Tinha eu comprado uma ardósia, e Slade colocou-a numa borda da mesa, tendo em cima um lápis. "Notamos que este não se moveu.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.