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Capítulo 7 de 13

À Guisa De Introdução — parte 6 de 12

O Pentecoste · Osvaldo Polidoro

Eu sentia, em verdade, uma atração fantástica pelos grandes vultos da seara espiritualista. Comumente, vinha-me a necessidade indomável de ler trechos daquela gente, de seus trabalhos, de suas concepções, de suas doutrinas. Naquele dia, ou mais propriamente naquela noite, pesou-me na vontade ler alguma coisa de Orfeu, o iniciado délfico. Não sei quantas vezes li o seguinte trecho: “É então bem verdade que assim o queres? Escuta, pois. Na Tessália, no vale encantado do Tempe, eleva-se um templo místico, que está cerrado aos profanos. É lá que Dionisios se manifesta aos mistas e videntes. Convido-te para ali assistires à festa do ano próximo. Então, mergulhando-te num sono mágico, abrir-te-ei os olhos, para que vejas o mundo divino. Que, até lá, a tua vida seja casta e branca a tua alma. Porque é preciso que saibas, que a Luz de Deus apavora os fracos e mata os profanadores”. Não sei, verdadeiramente, quantas vezes repeti a leitura desse texto; mas sei que me fez bem, que me enveredou a um sono feliz, sublime, propiciando-me sonhar com o Céu. Era um Céu azulino, matizado de cores outras, de ultracores, tênues, cantantes, harmoniosas, deslumbrantes. Havia murmúrios divinos, bem ali a meus pés e nos cimos estelares! Tudo cantava, tudo sorria, tudo glorificava o Emanador. As coisas e os seres eram divinos, partilhavam normalmente de Sua Presença! Depois, num lance descendente afundei, atingi a treva, senti-lhe o gosto amargo. Partilhei daquilo, sem ver animais, sem ver almas, sem ver a vivente algum. Uma voz potentíssima estremeceu as trevas: — Anda! Marcha! Procura ver! Movido por força estranha, vaguei por sobre as trevas, deslizei, como se eu fosse miraculosa brisa, voluptuosa aragem, misterioso sopro de celestial criatura. Senti-me bailar no espaço, suspenso não sei por que força; a treva não tinha império sobre mim, não mais me prejudicava. Num repente, formidável corrente me arrastou, atirando-me a um vale sombrio, vale que eu via, que eu sentia, que eu vivia, sem saber como nem por quê. O terror foi surgindo, não de fora e sim de dentro, como se o inferno estivesse nascendo de minhas entranhas espirituais. Foi então que gritei, pelo Emanador e pelos Seus servidores. Chamei por Deus, pelo Divino Mestre, pelos servidores da Verdade. Nada vinha em meu socorro, tudo piorava, o terror crescia e tomava-me por inteiro. Gritei pela voz tonitruante: — Ó voz! Ó voz! Vem socorrer-me! Pelo amor de Deus! Minha esposa acordou-me. Eu estava bem, nada estava sofrendo, mas parecia ver tudo aquilo, dentro de mim, no meu campo áurico de visão. Adormeci depois de orar

muito, de invocar Alécio, o bom guia. Estava, agora, seguro pela mão. Eu não via Alécio, nem quem fosse, mas tinha a certeza do apoio e estava corajoso, armado de coragem invulgar. As trevas apareceram, mas não me causaram pavor. Eu apertava aquela mão, não podia imaginar em largá-la. Sentia que, sem ela, tudo seria de novo terror. E a corrente voltou, arrastando-nos, atirando-nos em algum lugar. Agora havia cheiro ruim, cheiro de espíritos malsãos, cheiro de inferno. Eu sabia, agora, que o inferno tinha o seu cheiro característico. A voz trovejou, ao longe, perdida não sei onde: — Deus é Pai! O Cristo é Mestre! Mas todos têm necessidade imediata de um guia individual! Avante! Avante! Deus age indiretamente! Alécio falou, eu lhe ouvi muito bem a voz, mas não pude vê-lo. Eu nunca o vira durante a minha encarnação. Via outros espíritos, mas não via o meu guia, o amigo mais íntimo do plano relativo. Disse-me ele: — Este é um lugar de treva. Existem muitos lugares de treva. Nós, porém, lidamos aqui. É daqui, é deste lugar que retiramos os sofredores a quem você dá entrada, ou passagem, a fim de serem encaminhados e libertos, relativamente libertos. Você nada vê, mas aí sofrem miríades de irmãos; foram errados pertinazes, foram cruéis; odiaram, mataram, cresceram para a brutalidade. — Gostaria de vê-los — opinei. — Eu o farei enxergar. A treva pode ser vencida. Há ordem para tanto. Naquele momento comecei a enxergar. Estranho fenômeno, pois eu via a treva e enxergava através dela! — Vamos descer — disse Alécio, que sempre estava oculto. Descemos. Comecei a ver alguma coisa. Vi, a seguir, muitas criaturas rolando, xingando, blasfemando, grunhindo, uivando. Uns espancavam a outros, alguns mordiam e das feridas corria sangue, tal como aconteceria na carne. — São os que pecaram contra a LEI? — perguntei. — Sim. Mas através do próximo. Verdadeiramente, Camilo, ninguém erra sozinho nem sozinho acerta. Há sempre algum próximo em nossas obras, que sofre ou goza conosco. É por isso que convém nos amarmos. Deus é base, a Lei é base, a Justiça é base. O Amor e a Ciência são meios, são instrumentos de vitória. Temos que nos valer do Amor e da Ciência, para sintonizar com Deus através da Lei e da Justiça. Quem erra está longe, está separado, não sintoniza. Há erros, entretanto, de vários graus e matizes de graus. A Lei, porém, aciona a Justiça na razão direta. Os que se acham aqui são errados de alta monta... Por isso, custam dores... Mas custam a quem deve, a quem

também tem muito por que responder... Agora, vamos embora, que ainda tenho muito a fazer. Acordei em paz, mas cheio de pensamentos. Acima de tudo, não me saía da mente aquele trecho do profeta Orfeu, um dos precursores do Cristo, uma das mais belas páginas da espiritualidade terrestre. À noite, encontrando-me com o grande confrade, relatei-lhe o acontecido. Ele, opinando, disse-me: — Camilo, em Deus não há ocultismo algum. Nunca houve. Quem procura acha e quem despreza se afasta, a menos que razões cármicas forcem em contrário. Você, por intermédio do trecho citado, entrou em consonância com o plano espiritual, e dele recebeu a devida resposta, por ressonância. Qualquer texto, no caso, faria o mesmo, daria resultado, se a ordem de pensamento-desejo fosse a mesma. Ao deitar daquele dia, sentindo-me cansado, recostei-me a uma espreguiçadeira. O Sol pendia, lento, cor de ouro, por entre nuvens flocosas, muito alvas. Tudo convidava a pensar, a desejar celestes realizações. Meu pensamento vagou, roçou por acontecimentos, reviveu fases, sentiu velhas lições da vida. Sensível que era, meu campo magnético refletia os estados, fazia-me estremecer, e conforme o fato lembrado feria-me com dores agudas. Por fim parou na visão da noite anterior, vagueou por alto, depois penetrou pelos detalhes, esmiuçou as particularidades. Teci cogitações e senti vontade renovadora. Apanhei a obra já citada e busquei reler um trecho. Que profeta? Que trecho? Achei o que julguei convir; era um trecho de Rama: “Rama fez o que o seu Gênio lhe ordenava. E, mal o facho passou às mãos do homem e a taça às da mulher, logo aquele se acendeu de si próprio sobre o altar, e os dois, transfigurados sob o seu clarão, resplenderam como o Esposo e a Esposa divina. Ao mesmo tempo, o templo alarga-se; as suas colunas sobem até ao Céu; a sua abóbada perde-se no firmamento. Então, Rama, arrebatado pelo seu sonho, viu-se transportado ao cume duma montanha, sob o céu todo estrelado. De pé, junto a si, o seu Gênio explicava-lhe as constelações e fazia-lhe ler, nos sinais acesos do Zodíaco, os destinos da Humanidade. “Espírito maravilhoso, quem és tu?” — diz Rama ao seu Gênio. E o Gênio responde: — “Chamam-me Deva Náhuxa, a Inteligência Divina. Tu espalharás o meu fulgor por sobre a Terra e eu acudirei sempre ao teu apelo. No entanto, segue o teu caminho. Vai”

E num gesto de sua mão, o Gênio aponta o Oriente.” Como um dos precursores do Cristo, Rama fez aquilo que talvez seja impossível conceber integralmente. Mas, para mim, no momento, nada fez. Esperei, reli, tornei a ler, mas nada de novo ocorreu. Levantei-me, meio aborrecido, e fui deitar à sombra de frondosa amoreira, onde centenas de pássaros vinham comer e brigar. Adormeci, sob o impulso de um frêmito gostoso, de uma suave e incorpórea música, que parecia vir de longe, do alto, das nuvens ou mesmo do Céu. Quando me vi livre, envolvido num sentimento de liberdade e paz que nenhuma palavra humana jamais poderia explicar, por superar os restritos sentidos de Espaço e Tempo, a figura bondosa de meu pai apareceu, cheio de felicidade, estuante de felicidade. Foi para mim um gozo extremo. Quis falar, mas não o consegui. A garganta estava truncada, embargada. Meus olhos derramavam lágrimas quentes, minha mente recitava uma prece. Eu sentia, sem querer, estar ali uma graça de Deus. — Vem comigo — disse-me ele, estendendo-me a mão direita. Dei-lhe a mão e acompanhei-o. Subimos espaço acima, lentamente a princípio, depois mais ligeiro, a seguir velozmente, como se vento celestial nos estivesse embalando no rumo dos Céus superiores. Onde iríamos parar? Para quê? Meu pai olhou-me com extrema bondade, respondendo ao meu pensar: — Não te importes. Acaso Deus não sabe o que faz? Quis responder, mas ainda não podia falar. Um nó de garganta tolhia-me a fala e fazia-me pensar, pensar e nada mais. Todavia, subíamos, íamos varando fronteiras, atravessando regiões, escalando planos astrais. Num mundo róseo, feito de fragrantes vibrações, onde a natureza era acima de explicações humanas, porque tudo era por demais celestial, pousamos. Eu estava extasiado, incorpóreo, esquisito, feito música divinal e não como homem, e não como espírito. Meu pai brilhava, eu brilhava, o ambiente fazia-nos brilhar; a fala saiu-me, eu falei algumas palavras, depois fui obrigado a silenciar, porque o Céu se fez mais brilhante, por fim abriu-se, e dele vieram luzes, luzes de todas as cores, de todos os matizes, simples e compostas, numa festa de brilhos e de sons, como jamais se imaginaria existir. Nossos olhos queimavam, porque éramos obrigados a semicerrá-los. Mas, queríamos ver, apreciar, sorver aquela majestade celestial. Aos poucos, aquelas luzes se fizeram seres, e divinizados, esplendentes de luz e de som. A caravana estacou no meio do céu-espaço. Formaram filas, dispuseram-se em linha, olharam para as alturas brilhantes, ofuscantes. Trombetas vieram, feitas de luzes, coruscantes, e que pareciam tocar por si mesmas. Todavia, cada ser apanhou a sua e colocou-a na boca. Houve, então, um silêncio profundo. O céu espiritual cessou a sua vida ruidosa. O céu-espaço,

idem. A Terra não existia, não se via. Tudo eram quietudes, profundas quietudes, silêncio absoluto! Houve expectação. Um segundo valia por um milênio. Os seres divinizados olhavam para as alturas brilhantes, ofuscantes, mas entregues àquele silêncio absoluto, infinitamente silencioso. Em dado momento, romperam as trombetas os seus toques. Eram sons vivos, coloridos, furta-cores, ultracores. Clarões sobre clarões fizeram-se, nas alturas de si mesmo claras, ofuscantes. Duas estrelas surgiram do centro fulgurante, duas estrelas divinamente majestosas, gloriosamente sublimes, deslumbrantes a mais não se poder avaliar. Vieram descendo, descendo, até pararem no centro dos seres que faziam sonir as trombetas, cujos sonidos se estendiam ao infinito. Ali fizeram parada. Aos poucos, entretanto, as luzes cederam, foram se ofuscando, deprimindo, restringindo. Com isso, as duas estrelas fizeram-se pessoas brilhantes, que aos poucos se tornaram simples, bem assim como toda aquela imensa corte de espíritos superiores. O Céu era, agora, igual a nós. Apenas, não tínhamos certeza de quem fossem, e principalmente quem seriam as duas estrelas. Senti vontade de avançar, de vê-los de perto. Ato contínuo, um deles falou, estendeu a mão, convidando. Sua voz rompeu pelos espaços em fora, atingiu as profundezas de tudo e de todos. Era feita de luz, era música, era poder. Meu pai conduziu-me, subindo, subindo, até o meio do céu-espaço, onde ele se achava, onde todos se achavam. Olhei-os. Estremeci. Senti indomável ímpeto de ajoelhar, de adorar através de forma, de gesto. Meu pai susteve-me de pé, não me deixou ajoelhar. Mas eu sentia a minha pequenez. Estava dobrado de alma. Estava contrito. Contudo, minha intimidade sentia o Céu, minha alma gozava a luz de Deus, que deles emanava. Não era mais aquela luz ofuscante, era a Luz Poder, era a Luz Glória, era a Luz Justiça. Acima de tudo, convenhamos, eu sentia a Luz em sua expressão de Justiça. Era tão profunda e intensa a noção de Justiça, tão penetrante, que eu senti a Lei emergir do meu próprio íntimo, ferir-me, fazer-me sentir a integralidade responsável de todos os atos e de todas as conseqüências. Ele, o Divino Mestre, falou então, com brandura indiscernível: — Vê? Tudo está em todos. Eu passei à frente o programa redentor, para que cada um realize a sua própria salvação. Não sou, porém, responsável pelas liberdades individuais. Dei-vos o exemplo e, segundo a Vontade do Pai, enviei-vos o Consolador, o Paracleto, a Revelação. A minha Igreja está sobre ela estabelecida. Ninguém a corromperá eternamente, porque os tempos novos virão e os meus discípulos a farão ressurgir, cada vez mais ampla, mais profunda, mais intensa. Ele fez silêncio e o silêncio invadiu o infinito. A seguir falou, ordenando, num tom de autoridade e amor:

— Vai. Repara as faltas semeando a boa semente da Verdade entre os irmãos. O Céu fez-se brilho, sons e glórias. Todos passaram a brilhar. Aqueles espíritos superiores começaram a fazer sonir as trombetas e o céu-espaço encheu-se de vida, de melodias, de glórias. Os dois fizeram-se estrelas, de novo, e foram subindo, subindo, até sumirem na Luz Plena, parece que em Deus, na Divindade que, embora sendo íntima em tudo e em todos, não pode ser vista nem partilhada pelos que ainda são inferiores. Fomos descendo. Em caminho, prestes a chegar, indaguei: — Papai, quem era aquele que Lhe estava ao lado? — Rama. Devo dizer-te, porém, que Rama teve muitas vidas mais, sempre militando na seara espiritualista. Posso avançar, também, que viveu a personalidade de um dos maiores profetas hebreus, tendo vindo, também, como precursor do Senhor. — É encantadora a doutrina da Verdade! — Pelo menos, nada se perde; tudo é contado, seja o bem ou o mal, seja a sabedoria ou a ignorância. Resta-nos é respeitar a Lei, porquanto, em sã verdade, Deus está acima de cogitações, o Cristo faz a vez de Mestre, a Justiça se impõe, e, o espírito, nós, tudo quanto temos é em comum com a Lei. Podemos fazer de conta que nada importa mais do que a Lei, porque ela é quem, em tudo e por tudo, nos garante o que bem entendermos de querer, seja a paz ou a tormenta, seja a sabedoria ou a ignorância. — Como, porém, tudo é em Deus... Ele interrompeu-me, para emendar: — Como, porém, tudo é Deus, o relativo tende a se integrar no Absoluto. — Deveras. Tudo é uma só UNIDADE, que se expande ao infinito. Chegamos. Ali estava meu corpo, estirado, respirando, vivendo a sua vida vegetativa. Meu pai, olhando-o, observou: — Esse instrumento bendito já não irá muito longe. Trata de fazer o quanto possa, porque vale a pena... Não é mesmo? Olhei o meu corpo, envelhecido, cansado, esgotado. Senti alguma coisa estranha invadir-me. Era um sentimento de respeito, de gratidão, de amor por ele, pela imensa serventia que me oferecera. Meu pai disse: — Vai. Vai e faze o quanto podes. O Gênio de Rama assim ordenou, na primeira hora. Eu te digo vai, na última, porque não sou o teu Gênio, e sim o teu irmão, que no rol das funções terrenas foi o teu pai. Há, porém, muito amor em mim... Corriam-lhe, pelas faces, uns filetes brilhantes.

Sob aquela influência despertei, sentindo a presença do Céu em mim. Depois daquela visão do Cristo, e pelo quanto o corpo estava exangue, fisiologicamente a findar, minha vida psicológica mudou muito. Havia tido visões, entrara pelos infernos, investigara as zonas relativamente felizes. Porém, a visão do Cristo marcara de modo estranho o meu caráter. Surtira, em mim, daquele dia em diante, uma nova feição da Verdade, um novo conceito do Bem, e, acima de tudo, a mais vigorosa consciência da divindade interior. Realmente, posso dizer o que vale a vivência de Deus e do Cristo, quando se a tem de tal modo manifesta na própria estrutura psíquica, por tê-la intensamente vivido. O espírito transpõe os umbrais do racionalismo frio, ou quente se é sectário, enveredando pelos rincões ultraclaros da mais sã espiritualidade. Vislumbra o Céu exterior através do interior, fremendo de gozo indefinível, saturado de sentido moral sublime, capaz de, por si só, dispensar todos os argumentos do mais devotado cálculo. É a ultrafania que vive no ser espiritual, por ressonância vibratória. Não há mais que investigar e discutir; apenas, para todos os efeitos, importa ceder ao impulso divino que sustenta e embala a nova característica psicológica, por constituir o grau dinâmico esplendente, ou, como dizem modernamente, ultrafânico. Vivi, portanto, mais dois anos por entre os embaraços carnais. Isto porque, a ser fiel para comigo mesmo, não existe quem viva na carne o melhor grau ultrafânico, a mais subida expressão espiritual. Pelo contrário, quanto mais a alma se sente em sintonia com o plano superior, a ponto de cair em êxtase, tanto mais se ressente dos grilhões carnais. Dizer em contrário é criar contradições, é fazer o que há sido feito, dizer e desdizer, numa torrente pernóstica sufocante, através de raciocínios forçados, muito calculados, mas plenos de erros e contradições. Vejam que, apesar de querer esconder, quem isso faz se afirma acima do mundo, enquanto que também se diz sofredor, comprimido pela mesologia grosseira e vítima de incompreensões. A verdade, entretanto, é que realidades são realidades e aparências são aparências. Quem por verdadeiro dinamismo espiritual alcança sintonizar com o grau aqui chamado crístico, por certo repete com o Cristo: “O FILHO DO HOMEM VEIO DO CÉU E ESTÁ NO CÉU.” Mas a carne que precisou de pastos animais intensos, viveu normalmente a plenitude biológica, que usou da terra as suas delícias físicas, por certo não é quem pode falar em superações de ordem carnal. Nem mesmo pelo vencimento do ciclo viril, nem mesmo pela decaída fisiológica em geral. Podemos afirmar o que é marcação, o que é vinculação física e perispirital. Quando muito, é bem o caso, a criatura pode se afirmar como sensitiva, médium ou facultativa, um agente passivo para certas influências positivas. O meu corpo experimentava esgotamento, cansaço, diminuição em geral e em toda velocidade. O pensamento, entretanto, relembrava prazeres antanho realizáveis e muito desejosos. Enquanto isso, o espírito lutava em abono do Cristo interno, cuja

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