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Capítulo 5 de 13
À Guisa De Introdução — parte 4 de 12
O Pentecoste · Osvaldo Polidoro
Essa é, realmente, a verdade mais respeitável, porque a mais consentânea com a realidade fundamental. Alegar que certos conhecimentos podem prejudicar, pelo mau uso, não significa que a ignorância deixa de ser a mãe de todos os prejuízos, em todos os sentidos. A Humanidade erra por ignorância, erra por abuso, erra por capricho e erra acidental e incidentalmente, por outros motivos, também. Esconder de alguém o Verdadeiro Conhecimento é o pior dos erros; ninguém tem o direito de se julgar mais e melhor, perante Deus. Digam o que disserem, estamos vendo, aqui, o quanto essa mania de presunção tem prejudicado raças, povos e indivíduos. Jesus profligou o procedimento daqueles que, ficando na porta, nem entravam eles nem permitiam a entrada dos que poderiam fazê-lo. De fato, quem se julga a si capaz, e a outros incapazes, é precisamente quem fica na porta... Os que estão dentro falam como o Cristo falou. E não se percebe, perfeitamente, que Jesus veio ao mundo para consertar os erros acumulados de muitas gerações? Suas palavras e Suas obras não ferem de frente o chicanismo clerical, radicado e cristalizado, feito o instrumento de ignorância e atraso das gentes? Notemos a inteligência destes poucos textos: “A minha doutrina não é minha, mas é daquele que me enviou”. “Eu sou o Princípio, o mesmo que vos falo”. “Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Justiça, e o mais se vos dará por acréscimo”. “Porque o vosso coração estará, onde estiver o vosso tesouro”. “Deus é Espírito, e em Espírito e Verdade é que deve ser adorado”. “Não vos deixarei órfãos; enviar-vos-ei um Consolador, que ficará convosco e estará em vós”. “Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. “A vós convém-vos que eu vá; porque se eu não for, não virá a vós o Consolador”. “Tenho ainda muitas coisas para vos dizer; mas vós não as podeis suportar agora. Quando vier porém aquele Espírito de Verdade, ele vos ensinará todas as verdades, porque ele
não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir”. Em lugar de acontecer, como aos antigos Grandes Reveladores, que se iam, deixando apenas um amontoado de regras e doutrinas enigmáticas, pretensamente ocultistas, ou esotéricas, Jesus retornou, como espírito, instruindo, estimulando e preparando o final de Sua missão, que era derramar o Espírito sobre a carne, tornandoa consciente das verdades fundamentais, sem aqueles atravancamentos anteriores, sem aquelas aparências de muita sabedoria. Retornando, como espírito, esclarece os Seus discípulos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, e em toda a Judéia e Samaria, e até às extremidades da Terra”. — Atos, cap. 1. Verdadeiramente, quem lê o Livro dos Atos, as Epístolas e o Apocalipse, encontra inúmeras vezes a expressão — EM VIRTUDE DO ESPÍRITO SANTO. Era o mediunismo em curso, depois da grande eclosão do Pentecoste, tão bem exposta no capítulo dois do Livro dos Atos. O Cristo contínuo, o Cristo eterno, a síntese das Revelações, tal significa o Batismo de Espírito. Sem raças, sem castas, sem mistérios, sem dogmas, sem esoterismos quaisquer, sem títulos e sem presunções repugnantes! Em face da precariedade cultural de alguns discípulos, reclama Jesus a presença do VASO ESCOLHIDO, de Paulo de Tarso, ao qual vence através de uma das mais belas manifestações mediúnicas da História. Nem o colóquio Dele mesmo, acompanhado de três discípulos, com Moisés e Elias, rendeu ou tem rendido tanto como tem rendido a conversão do grande Apóstolo. E o grande Apóstolo, como sistema de culto, manda repetir o fenômeno do Pentecoste. Não ordena clerezias, não ensina nem recomenda fetiches, não determina o culto de formalismos e explorações idólatras. Manda cultivar os dons espirituais e salienta a necessidade das práticas amoráveis. Três capítulos seus, doze, treze e quatorze, da Primeira Epístola aos Coríntios, valem pela síntese de todas as verdades proclamadas pelo Divino Mestre, porque constituem o caminho que a tudo mais pode conduzir. Não tivesse Roma, no quarto século, corrompido a doutrina do Consolador, e tudo estaria, hoje, muito diferente. Entretanto, por via do quanto foi adulterado, eis que surge no mundo o Espiritismo, como medida de ordem restauradora. Afinal, Jesus previra tudo isso, indicando os tempos. Alguns dos Grandes Reveladores, de fato, viveram a realidade teofânica. Mas o Cristo a legou à toda a carne, através do mediunismo consolador. Foi por assim entender que Pedro afirmou, no dia e na hora da grande eclosão mediúnica:
“... e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque para vós é a promessa, e para vossos filhos, e para todos os que estão longe, quantos chamar a si, o Senhor nosso Deus”.
Depois de fazer um curso desses, como já vos disse, é que fui admitido entre aqueles que iriam passar por umas experiências individuais. A grande VERDADE não se compreende bem sem ser através da vivência íntima. Estamos ligados a Deus, é claro, pelo embrião da ORIGEM SAGRADA, mas a visão íntima é quem prova certo e cabalmente. Na Terra e nos espaços inferiores, legiões vivem e bordejam ao redor dessa realidade simples. Entretanto, como tudo é feito em caráter intelectual, a solvência do fenômeno teofânico paira ao longe, muito ao longe. Juvêncio, um dos mentores, avisou-me: — Lembra-se bem da iniciação de Hermes Trismegisto? — Lembro-me. — Muito bem. Ele viu tudo fora, não é certo? — Assim foi que eu li. — Vocês irão ver dentro. O quanto lhes seja possível, remontarão à ORIGEM e passarão pelos ciclos vividos. — Tenho disso uma idéia perfeita; embora apenas intelectual, sei que é perfeita. Depois de ler muito sobre as Revelações Antigas, compreendi melhor a visão do aparelho revelador e as palavras de meu pai. Com Jesus, completei a medida. — Entretanto — repetiu Juvêncio — irá passar pela visão íntima. Depois nos dirá qualquer coisa, se fez diferença ou não. — Muito bem. Aceito e agradeço. Quando será? — Breve, muito breve, porém não nesta cidade. Como sabe, aqui temos os cursos teóricos e as perscrutações através de aparelhagens. Na vizinha cidade há um santuário, chamado o Santuário Azul. É lugar silencioso, de uma quietude parece que absoluta, além de comportar salas de variantes matizes em cores e em iluminação, podendo servir até mesmo a quem não oferece vantagens naturais, aqueles que necessitam de forçamentos. Você, que leu tudo o que temos a respeito, deve compreender o quanto está longe do melhor preparo interior. Vai ficar no santuário uns dias, vai comer o menos possível, vai beber da água que lá lhe darão, vai meditar, enfim, vai preparar-se mentalmente. Isso feito, será encaminhado à sala que lhe couber, onde os operadores magnéticos encarregar-se-ão de tudo. Posso garantir-lhe, desde já, que vai sentir calafrios estranhos, horrores, temores, arrependimentos e, também, grandes satisfações. Aviso-o, a fim de que seja forte, para que fique em guarda, ciente e consciente de que é necessário, em vista da falta de valores melhormente despertos. — Pressinto haver nisso alguma graça. — Há correspondência, apenas, pois revela-se trabalhador e pronto a servir, desde que sabedor das questões. Demais, tudo voltará ao normal, tudo será como dantes, assim que cessar a visão íntima. Restará somente a lembrança, por ora, e para
mais tarde restará apenas a noção intuitiva da Divindade e das leis regentes. Quando renascer, logo mais, poderá ser um bom discípulo do Senhor. — Quando eu renascer... Antes de fazê-lo, quero pedir alguma coisa a Deus e a todos vós. Não quero mais negar, não quero trair! É horrível!... Custa tremendos remorsos!... — E perde-se muito tempo, que com a vivência da fé poderia ser bem ganho. — Sim, sim. E como pode um homem negar tanto em abono do nada? Já não digo que afirme o conhecimento das verdades divinizadas; já não quero que saiba e viva o estado teofânico; mas, pelo menos, que conceba um Deus, uma Lei e uma Justiça, pois se assim fizer, concludentemente, passará a reconhecer as virtudes preliminares. É angustiante o problema da negação. — É apenas autotraição; mas é por ser possível. O impossível não existe e não acontece, quando se trata de validades legislativas e judiciárias. — Compreendo perfeitamente, agora, depois de muitos fracassos e muitas penas. Antes tivesse compreendido há mais tempo! — Você, Antônio, é um entre milhões ou bilhões de iguais. Já imaginou qual a repercussão de sua mentalidade, de seus conceitos, perante a Divindade interior? Tanta queixa parece infantilidade; não lhe diz isso o senso comum? Afinal, quem tem em si mesmo os valores para subir ou descer, e desce por vontade própria, de que se queixa? Dos Grandes Reveladores? Dos cleros subseqüentes? Das teorias e das regras posteriormente criadas e impostas? Eu creio que, para alguém se capacitar de um CENTRO GERADOR, e motivador de LEI e JUSTIÇA, basta encarar o Universo e os seus elementos com um mínimo de senso comum. Lembre-se disto — pode e deve criticar os outros, ou as instituições, aquele que sabe cumprir com os seus deveres. Devia raciocinar friamente e compreender esta grande verdade — nunca teriam os homens e as suas religiões, certas ou erradas, construído o Universo! Logo, seria ele o produto de uma Soberana Vontade e Poder. Se você podia criticar os homens, e as suas concepções, devia poder, também, observar a imensidade infinita da chamada Criação, procurando cotejar, conseqüentemente, o Seu Divino Autor e as Suas Virtudes, levantando protestos doutrinários, procurando melhorar a feição religiosa do mundo, conhecendo mais e reformando da melhor forma. Eu estava aturdido com aquelas observações, para mim inesperadas. E foi com a alma em choque, com a mente em sobressalto, que o ouvi finalizar: — Entretanto, portou-se como louco, fazendo pior ainda. Das práticas religiosas do mundo, sempre alguma coisa se aproveita; mas de suas atividades, que se aproveitaria? Quando muito, os sofrimentos de ordem pessoal, como testemunhas de que foi um tolo, só capaz de aprender à custa de castigos, de sujeições disciplinares, comprovando com isso a mediocridade do caráter, a pobreza intelecto-moral de que foi ou era portador.
Olhou-me com verdadeira piedade, e antes de me volver as costas, observou: — Pense bem nisso, Antônio, antes de enfrentar a visão interior. Perante o templo da consciência, seja como for, cada qual deve comparecer simples e humilde, por ser o verdadeiro templo onde se deve amar a Deus! Despediu-se e deixou-me ali, no banco do jardim, debaixo de frondosa árvore. E se não chorei muito, é porque outras criaturas passavam e me podiam ver. Por isso, fui para os confins da camparia florida, valendo-me da volição, para lá derramar copiosas lágrimas e arrepender-me de algumas coisas. Verdadeiramente, cheguei a uma conclusão — se muitos homens, por interesses subalternos ou não, enganam outros homens, também é certo que, estoutros homens, por comodismo ou coisa que por isso valha, deixam-se enganar e gostam do engano...
Fomos, num grupo de cinco, transferidos para a cidade vizinha, com o fim de passar pelo fenômeno de visão íntima. Aparentemente significa isso muita importância; mas realmente não a tem, não a encerra. Por quê? Simplesmente por ser real, simples e rotineiro, como fenômeno mecânico. Não tem tudo por base uma DIVINA ESSÊNCIA? Não deriva exclusivamente Dela a Matéria? E não se dá o mesmo com o Espírito? Podem variar os graus de intensidade, densidade, dinamismo, hierarquia, vibração, etc. Mas tudo é um na UNIDADE BÁSICA. Se alguém puder, psicometricamente falando, sondar um punhado de terra, há de vê-lo remontar à UNIDADE LUZ, à DIVINDADE, através de graus múltiplos. E com o Espírito dá-se o mesmo. A questão é que, para nós, os espíritos, possui o fenômeno de visão íntima a vantagem, não só ilustrativa, mas também discernitiva, e com muito de observação disciplinar. Falando a meu próprio respeito, considero sobremodo este fator. Por meio da visão retrospectiva, e pela profundidade que alcançou, e nalguns casos pela minuciosidade, tenho por obrigação afirmar-lhe os grandes méritos. Fosse apenas para valer como ilustrativo, ou a fim de provar a ORIGEM DIVINA de tudo e de todos, e a conseqüente lei evolutiva ou dinâmica, chegaria a ser ociosa e até condenável. Agora posso dizer isso, embora venha dos rincões negativistas, por falsa educação; não posso conceber que o simples raciocínio não conduza o homem ao templo da certeza ou da consciência deísta. Todavia, dirão, se fosse possível fazer passar todas as criaturas por aquelas visões sublimes por que passaram os Grandes Iniciados, não seria maravilhoso? A isso respondemos, consoante a Lei, pelo prisma do mérito individual. Quem teve isso durante a vida carnal, marcando-lhe de maneira profundamente espiritual a passagem terrena, por certo assim o mereceu. Os Grandes Missionários não se fazem de um golpe. É fator indispensável a maturidade, embora esta possa vir mais ou menos breve, conforme a capacidade de trabalho íntimo. Procurando saber a respeito dos grandes vultos, fomos descobri-los na esteira das realizações milenares e multimilenares. Sondando a história dos Grandes Mestres da espiritualidade, ficamos sabendo da prolongada fermentação preparatória, dos lastros de valores somados e recalcados. Nasceram merecendo, porque haviam conquistado os méritos através de lutas e renúncias. Apesar disso, quem os dispensou dos tremendos sacrifícios? Não sabemos, porventura, a quantas vicissitudes se viram sujeitos e como largaram no mundo seus corpos? De um modo geral, podemos afirmá-lo, ninguém jamais foi incumbido de função messiânica, de menor ou maior monta, sem receber a sua devida porção de revelação preparatória. Chamaríamos, a isso, serviço de conscientização psíquico-messiânica. E não significa isenção de trabalhos e dores. Antes, toda e qualquer oferta preparatória constitui o quantum de poder embalador, de força projetora ou de instrumento lançador. Todos os Grandes Reveladores tiveram suas visões, tiveram seus sonhos, mantiveram contatos com o Plano Diretor. Rama, os Budas, Crisna, Hermes, Zoroastro, Apolônio,
Orfeu, etc. Todos tiveram os seus grandiosos avisos. A Bíblia relata os portentos havidos entre os seus grandes vultos e o Plano Diretor. João Batista e Jesus Cristo passaram pelo crivo da Seita dos Nazireus, a primícia dos Essênios, apesar das profecias que lhes diziam respeito. Foram preparados, como devem sê-lo todos os prepostos do Céu. Não entro em minúcias, porque outros já o fizeram, mas em nada exorbitaram à regra tradicional. Literalmente, ninguém é filho do milagre! Portanto, depois de ver em minha história a história das almas, fiquei ciente do processo comum e da rotina histórica. Eu não teria, em vida, ou durante a encarnação, lembrança alguma do pré-visto; mas o germe da imensa e gloriosa verdade simples estaria no recesso de minha estrutura, fazendo o serviço de guarda intuitiva. Seria a minha arma de combate à tendência negativista. Porque, como fora avisado, a embalagem do passado de quando em quando faria o seu aparecimento em minha esfera mental, reclamando atenções, fazendo-me correr certo risco. E foi assim que me preparei, a fim de volver ao plano das formas densas, como filho de minha filha. Perguntarão — “Que viu, afinal?” Responderei — Vi as almas serem lançadas da LUZ DIVINA, mergulharem na incomensurável vastidão dos elementos, agitarem-se, promoverem-se, lutarem, irem, de variantes modos, mas sempre nos âmbitos da Lei, de uma Lei, irem subindo, irem ganhando caracteres pronunciadamente inteligentes. Vi a LUZ DIVINA projetar de si raios, estes se fazerem multicores, avançarem, tornarem-se densos, fumacentos, aquosos, sólidos; vi-os no nascedouro, a se esparramarem pelos espaços infindos, lucilantes e belos, pequeninos e imensos, variando em colorações e tons. Presenciei o nascimento dos mundos e das almas! Vi-os crescer e tornarem-se majestosos, fulgurantes, gloriosos! Acima de tudo, porém, devo considerar a natureza e a história das almas. Não há nos blocos de matéria, seja em que grau for, substancial ou concreto, o valor psíquico, a flâmula idealista, o poder espiritual. Nos espíritos há, e deve ser reconhecido como superior, o elemento divino individuado, a centelha, o ser íntimo que aguarda a estruturação da personalidade. O que vi de mais sublime foi Deus como LUZ DIVINA, infinita em tudo, absorvente de tudo, tal como nenhuma linguagem humana poderá jamais descrevê-lo. Mas isso, eu tinha a certeza anterior, pelo que havia lido e já visto, e tinha a consciência intuitiva, espiritual, só assim poderia sê-lo. A DIVINDADE seria, de qualquer modo, para além dos alcances da psicologia e da racionalidade humana. A LUZ não me cegou, não me aniquilou; tudo engrandeceu, porque eu sabia e sentia, e por isso vivia, ser parte dela e estar nela. O que vi, porém, de mais observável, de mais imediatamente necessário, foi a movimentação das almas, foi o trabalho de autofazimento, foi o burburinho dos jogos
biológicos, psíquicos e francamente espirituais. Parece-me ter visto, num golpe de visão sintética, legiões de irmãos em fermentação evolutiva, saindo da LUZ ESSÊNCIA, envolvendo-se em auras escuras, caindo no remoinho da natureza, atravessando os graus incontáveis da escala, forçando o caminho ascensional, num arrebatador esforço, caindo e levantando, sulcando as asperezas do mundo interior, vencendo as sanhas da animalidade, surgindo sempre, aqui e ali, em novas e renovadas fases, para novos e mais concretos estados de saber e viver, até irem atingindo, de novo, aquela LUZ ESSÊNCIA, mas agora em grau de consciência, em plenitude psíquica, marchando paralelamente à LEI, estando no plano da JUSTIÇA, tomando parte nos serviços universais, como potências celestiais, colaborando com o ESTADO BÁSICO. Eu vi os dois Universos, o material e o espiritual, e vi-os por dentro e por fora; vios saindo de Deus, estando em Deus, sendo em Deus! A LUZ, que é o ESTADO BÁSICO, era tudo em todos, e bem se via que tudo e todos eram parte DELA em diferentes estados e graus de manifestação. E isso tudo muito interessante, por haver em cada ser, em cada mundo, a marca distinta de sua individualidade, como que a ordem superior de ser distinta, desfrutando o direito de ser independente, embora na obrigação de ser parte do TODO, e de manter suas atividades em harmonia com as demais partes, num fenômeno biológico fantástico. Não sei o que teria sido de mim, na última encarnação, não tivesse reencarnado com esse lastro imenso de atração espiritual! Embora não merecendo a consciência prática dessa fantástica realidade, passei pela nova imersão carnal sustentado por inabalável fé, a ponto de sentir em demasia o auxílio do Céu. Sofri, é certo, com as obrigações mediúnicas. Vinham a mim os mais brutos indivíduos, em muitos casos ocasionando males físicos quase insuportáveis. Dos confins de mim mesmo, porém, surgia uma como voz longínqua, surda, grave, repetindo a necessidade, a urgência de esforços em prol da confraria. E quando pedi conselho a guias espirituais, a resposta foi de acordo, vinha em confirmação da voz interior.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.