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Capítulo 13 de 13
À Guisa De Introdução — parte 12 de 12
O Pentecoste · Osvaldo Polidoro
Prieto desenvolveu a contento as suas faculdades mediúnicas; e não era apenas capaz de ser um bom médium falante, com marcada tendência a servir espíritos de calado vibratório assaz inferior; servia, também, nos serviços que para estas regiões se prolongavam, quando havia necessidade de alguns elementos fluido-eletromagnéticos. Era primorosa fonte de ectoplasma e com os seus fornecimentos pudemos, em variantes casos, atender a muitos necessitados, daí e daqui. Trabalhamos, portanto, vinte e dois anos em conúbios consoladores. A previsão de Alécio cumpriu-se integralmente, porque ele lhes conhecia o programa. Deviam passar por tudo aquilo e passaram. Foi realmente agradável tê-lo como comparsa de serviços. Mais do que isso, pois a sua companhia é, agora, motivo de reconhecida importância executiva e penhoroso testemunho de aplicação fraterna. Quanto ao contato que cheguei a ter com os meus familiares, dias depois do nosso primeiro serviço em mesa doutrinária, devo dizer que muito me fez defrontar contraditórias vicissitudes. Foi um não saber como agir; foi uma verdadeira balbúrdia emotivo-mental; alegrias e tristezas fizeram-se irmãs, saudades e satisfações chocavam-se, situando o estado de alma num torvelinho de altos e baixos incontroláveis. Em meio a sofridas lágrimas, pude sorrir ao Céu e render graças pelo encaminhamento deixado. A semeadura não era aquela de antes, da vida anterior, quando edificara nas mentes a muralha negra da negação e do erro; semeara agora a boa semente, levantara nos cérebros e nos corações o templo da fé e o pedestal do amor aos semelhantes. Se me angustiava a separação, alegrava-me a comunhão de propósitos celestiais e o embalo oferecido. Lacrimejando, embora, pela distância formal que o meu desencarne impusera, colhia os frutos do exemplo imortal e no imo de mim mesmo rendia graças a Deus. Estavam todos aureolados; ninguém apresentava aura menos recomendável em coloração. Ao vê-los, senti o prazer da trilha que vinham seguindo, em minha companhia e sob a minha orientação. Por isso, depois de Alécio avisar que meus parentes teriam a satisfação de minha primeira palavra, e os amigos e confrades a oferta de meus humildes préstimos, tudo quanto pude fazer foi encostar no médium e dominá-lo, para derramar penhorosas lágrimas de gratidão ao Céu. Depois, passado o transe de funda emoção, falei-lhes com alguma veemência, em grande parte sob a influência de Alécio. De tudo quanto disse, resumindo, a linha mestra apontada foi o culto da fé científica e produtiva em obras de amor. No meu campo áurico, naquele momento, apresentou-se a visão gloriosa do Pentecoste, do Batismo de Espírito; vi o Cristo redivivo, no alto, enviando Seus mensageiros, primeiro fazendo-os proclamar Suas verdades através dos Apóstolos reunidos, depois a se estenderem por toda a face da Terra, atingindo os seus extremos. Eu havia, em vista dessa visão, feito pausa em meu discurso; não seria possível a continuação, preso que me senti, e absolutamente absorvido por aquela gloriosa manifestação. Quando quis prosseguir, já não era senhor de mim, já algum outro poder se me impusera, obrigando-me a ceder.
Agi, então, como se estivesse na Terra, servindo qual médium — e aquele poder que me tangia fez o relato da gloriosa visão, entrando depois a dissertar sobre a significação do memorável acontecimento bíblico, do mais exemplar de todos os ensinos de ordem religiosa de que a História se faz registro. Aquela noite foi um tempo de ceifadura inolvidável! Sofri angústias pela separação sentida; regozijei-me com a lavradura feita e pelo encaminhamento dado aos mais queridos entes; e vinculei meu caráter religioso, de uma vez para sempre, à trilha reta que o Senhor Planetário abriu, a fim de que todos possam cultivar os valores fundamentais do espírito, sem os embaraços da idolatria em geral. Foi um dia memorável, foi um tempo feliz! A sessão findou e nós rumamos aos nossos domicílios astrais. Eu viajava nas asas do éter e dos mais lindos pensares. Minha alma rendia graças, meu cérebro estava iluminado. Tinha a impressão que milhões de anos poderiam passar, sem que eu tivesse necessidade dalguma outra atenção ou atividade. O eterno presente, assim vivido, empolgava-me e seduzia-me completamente. Como era deleitoso viver aquela situação! Eu desejaria jamais sair daquele deslumbrante estado, tal a infusão celestial que me fornecia! — Camilo! Camilo! — ouvi Alécio exclamar, ao atingirmos certa região. Senti, então, que algo me abandonava, de mim se desprendia, deixando-me ao natural, que era e é feliz estado, mas que está muito longe daquele vivido em tal circunstância. — Que foi? Onde estamos? — respondi, assim que pude falar. — Olhe para o local... — Maravilhoso!... E bem melhor do que... Avançou ele, sentenciando: — Aqui será tua nova morada, embora deva continuar muito tempo naquele mesmo serviço. Os seus também virão, não se preocupe. Encantado com as dádivas do Céu, exclamei: — Senhor! Hoje foi um dia de maravilhas sobre maravilhas! Que eu jamais te desmereça, meu Senhor! Recebe em teu divino seio o meu preito de gratidão! Alécio colocou-me a mão direita sobre o ombro, indagando: — Pode esperar tudo isso da parte do Senhor. Mas, sabe o que foi dito a Orfeu, o que em verdade aconteceu ao Grande Místico, durante a sua preparação terrenodoutrinária?
— Eu sei, meu grande amigo, que estando em transe mediúnico, mostraram-lhe a LUZ DIVINA, e que ele desejou nela penetrar e fazer morada eterna. Sei, também, que o Glorioso Instrutor lhe dissera: “AGORA QUE SABES, VOLTA E TRABALHA. ENSINA AOS HOMENS TUDO QUANTO PUDERES, PARA TE FAZERES DIGNO DA LUZ QUE NOS GERA, SUSTENTA E DESTINA.” — E daí? — perguntou-me Alécio, com viva inteligência. — Orfeu, diz a obra que eu li antes de reencarnar pela última vez, fazendo minha preparação histórico-religiosa, voltou e foi cumprir sua missão entre os homens, foi tratar de merecer a LUZ DIVINA. Com significada entonação, comentou ele: — Compreendamos bem. Estando em nós como FUNDAMENTO, devemos trabalhar com todo o amor possível e com toda a inteligência para fazê-la esplender. E é isso que devemos fazer. Portanto, voltemos agora para as nossas devidas atividades, e façamos tudo quanto nos esteja ao alcance, em obras de sabedoria e de amor, a fim de brilharmos como estamos destinados a brilhar. Abraçamo-nos, entre clarinadas espirituais, e fomos a seguir repousar um pouco, a fim de estarmos a postos na hora das obrigações. Sem preparação e sem trabalho, que se poderia conseguir? F I M
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.