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Capítulo 6 de 13

À Guisa De Introdução — parte 5 de 12

O Pentecoste · Osvaldo Polidoro

Estamos saturados de conhecimentos referentes ao espírito e suas validades. É dos confins da história humana a certeza de que somos portadores de todas as ordens vibratórias, de todos os matizes em potencial e cor. Tudo, porém, em estado latente, cumprindo desenvolver, desabrochar, expor. A LUZ INTERNA, pela qual confinamos com a LUZ DIVINA, que dizemos Deus e é Deus, devia ser o elemento mais em foco pela nossa objetiva racional. Devia ser o motivo primordial de nossas atividades psicológicas, porque tudo se resume, na vida do espírito, em surgir na esfera da LUZ DIVINA, em forma consciente, ponto final da escala evolutiva, colimação da vastidão dos trabalhos biológico-psíquicos. A mediunidade, que nos fundamentos é lei de relação, mas que se impõe sempre conforme o tom vibratório individual, alcançado pelo sujeito até o seu presente histórico, também é lei íntima que espera sortidas em demanda aos píncaros mais elevados da hierarquia espiritual. Esquecer essa lei é embotar os poderes de relacionamento superior, porque significa dormitar nas gamas inferiores, é entregar-se ao contato da mediocridade, é agarrar-se ao tabu do animalismo inferior, em detrimento do animismo sublimado. Todos somos, sem dúvida, portadores de herdades divinas. E quase todos cometemos, indubitavelmente, o crime de lesão evolutiva, de truncamento das liberdades e dos direitos teofânicos da centelha. Eu não falo aqui de abstracionismo algum; eu não menciono a vivência de poupamentos terrenos; refiro-me ao dever de cultivo espiritual, sem exageros, sem exorbitâncias, sem o feio lastro dos pernosticismos que aparecem muito nesta época, da parte de criaturas que, por simples influências astrais, puro mediunismo passivo, conseguem alguma coisa e se pretendem estimas superlativas. Eu afirmo que a criatura deve ser normal no campo das funções biológicas em geral; que use de tudo e jamais abuse de coisa alguma, nem mesmo da caridade, porque ninguém pode dar em excesso, sem que logo mais venha a sentir-se vazio, deprimido, necessitado. A LEI ordena o equilíbrio, e todos podemos compreender em que sentido — na ordem evolutiva, na marcha para a frente e para o alto, isto é, no rumo da LUZ DIVINA, através do templo interior, da sintonização psíquica. É comum, entretanto, haver disparates. Ao guante absorvente do sensualismo juventino, sucede o lirismo da decrepitude física. Quem viveu lascivamente, quem tomou a vida pelo prisma das funções biológicas inferiores, com a decrepitude animal, e mais alguma influência mediúnica, avançando no rumo das questões espirituais, muito facilmente chega a se julgar acima de tudo e de todos, falando bastante de si mesmo, sem ter tempo para tratar dos méritos alheios, pois que todo o tempo é pouco para encher papéis de autolouvaminheiras. Nem mesmo chega a compreender a mais simples questão — que bem pode ser apenas facultativa aquela função, a função de manter contato com o plano superior, ou mesmo com as ordens vibratórias mais intensas e, conseqüentemente, de mais proeminência intelectiva. E que, portanto, em lugar de ser um atestado de valor individual, um testemunho de alcance hierárquico, apenas faz o papel de quem representa, de quem entrega recado. O espírito de valor

hierárquico inconteste não fala de si mesmo, trata de tudo na ordem geral ou focaliza as questões apresentando o homem universal. Menos do que isso, contam as suas inferioridades, como somos obrigados a fazê-lo, pois os que se acreditam acima de todos, como temos observado, caem em tremendas contradições, repetem demais e mergulham em confusões graves. Dei-me por feliz, na minha última encarnação, de haver nascido num ambiente espírita bem formado, conduzido por um dos mais eminentes e proeminentes valores do movimento espírita brasileiro. Nasci nos fins do século dezenove, no interior paulista. Cresci e aprendi os rudimentos, vindo a ficar órfão aos dezoito anos, tendo então de enfrentar a manutenção da família, auxiliado pelos esforços de minha mãe, que lavava e engomava. Graças a Deus, por esse tempo havia anos que me apareciam pela frente seres monstruosos, horríveis, bramindo, gemendo, blasfemando, alguns rogando preces e ajudas. Todavia, sempre vinha alguém bom, de paz e de trabalho, dizendo: — Camilo — este fora meu novo nome — ora por esse irmão. Não tenhas medo, eu estarei sempre contigo. Essa faina começou aos doze anos, poucos meses mais. Aos dezoito, quando meu pai falecera, minha bagagem de instrução espírita era bem grande, para a época, fica bem entendido. Devo salientar a importância que teve, na minha formação doutrinária, a obra OS GRANDES INICIADOS. Lendo-a, entrando em contato com aquelas entidades superiores, sentia reviver em mim acontecimentos idos. É que tal livro havia sido estudado, por mim, antes de reencarnar. Embora sendo uma obra falha, e nalguns pontos acentuadamente falha, encerra verdades sublimes. A linha geral é inatacável; os erros pairam na esfera dos pormenores. Para o tempo em que viveram aqueles vultos enormes, e para o que deviam fazer, sem dúvida foi bastante. O Cristo foi, talvez, o mais mutilado pela obra de Edouard Schuré. Como quase todos os biógrafos do Cristo, o Autor falhou muito na interpretação messiânica do biografado. Jesus não veio ao mundo para ser um INICIADO a mais, apenas, mas sim para legar ao mundo a regra total, por estabelecer o princípio doutrinário no Batismo de Espírito, na Igreja Viva. A Igreja Viva projeta a criatura no rumo da LUZ DIVINA e de todas as verdades DELA decorrentes. Um fenômeno marcante, que arrasta consigo o testemunho da Igreja Viva, da Revelação ostensiva, acha-se na seguinte expressão de Pedro, o Apóstolo, que não foi bispo universal, nem pai dos bispos e muito menos ainda papa. O seguinte texto ilustra integralmente a doutrina do Cristo e a função dos Apóstolos: “E como eu tivesse começado a falar, desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como também tinha descido sobre nós no princípio. E eu me lembrei então das palavras do Senhor, como Ele havia dito — “João na verdade batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo” — Pois

se Deus deu àqueles a mesma graça que também a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, quem era eu, para que me pudesse opor a Deus?” Essa mesma a missão do Cristo — legar à carne o instrumento, a ferramenta de capacitação instrutiva, ferramenta que se apresenta em graus e tonalidades infindas, conforme a evolução do indivíduo. A Revelação é o produto mais avançado, é o fruto do mediunismo psiquizado, é a conseqüência da maturação biológica. Existem tantos graus mediúnicos, e tantos matizes de ordem mediúnica, quantas possam ser as variantes hierárquicas individuais. Em todos os planos e reinos ela se encontra, forçando movimentações necessárias, ativando energias e contatos. Entretanto, cumpre avançar em seus domínios, atingir o mais e o melhor. Dispenso-me de tratar do assunto, porque existem obras de excelente alcance ao vosso dispor. A questão é querer saber, e isso é convosco, não conosco. Nós aqui estamos, graças a Deus, fazendo a nossa parte. Não é justo que cada um faça a sua? E se desejamos merecer o respeito de servo trabalhador, como não devemos prezar o merecimento alheio? Demais, lembremo-nos disto — quando Hermes viu a LUZ DIVINA, e a desejou de fora para dentro, que lhe disse o Mestre? Não mandou procurá-la no íntimo? Sabemos que a grande maioria quer um Espiritismo de favor, de milagres e de mistérios, o que constitui absurdo, talvez mais do que isso, uma vez que tudo é por LEI. Sabemos o quanto há de preguiça na grande maioria. Mas, sabemos também que a normalidade legislativa não nos permite pretender sequer tais favores. Não podemos impor doutrina nem devemos conceber o mistério e o milagre. Logo, que cada um se arme dos elementos de combate, que normalmente é deles senhor natural, e se proponha a conquistar a vitória final. Eu fui instruído assim, militei assim e encontrei-me, um dia, digno dos instrutores. Deus dá a seara, as ferramentas e as instruções; o mais nos cumpre.

Com o passar do tempo, isto é, dos vinte anos em diante, a minha vidência desapareceu. Restou a mediunidade falante, somente ela, nalguns casos dolorosamente ela. Digo assim, porque eu sentia assim, em virtude das contingências que tinha de sofrer. Uma aproximação astral equivalia, em muitos casos, a uma “débâcle” patológica. Esgotamento, dores, neurastenias, distúrbios pancreáticos, hepáticos, psicológicos e espirituais. Passei a vida sofrendo do estômago e o meu baço viveu inchado, dolorido, provocando náuseas contínuas. De longe em longe, como lenitivo, topava um desdobramento e era transportado a lugares lindos. Era o orvalho celeste amenizando a secura do clima ordinário. Era o ungüento bendito esmaecendo a ferida pertinaz. Em verdade, precisava pagar as instruções recebidas e as oportunidades conferidas. Alécio, o meu guia, respondeu-me certa vez, quando fiz queixa: — Não precisa me dizer o que ocorre. Eu sei. E você há de sabê-lo, um dia, ao vir para o nosso lado. É apenas um devedor, um grande devedor, em função ressarcitiva. Cumpra com o seu dever, eis tudo. Se voltar atrás, posso garanti-lo, as trevas o farão pasto de sanhas horripilantes. Enquanto sofrer pelos outros, nós estaremos consigo e você estará em paz de consciência; quando se furtar a isso, nós nos afastaremos e os trevosos continuarão chegando, chegando... Sabe o que é ser presa de alguns espíritos tremendamente inferiores, rebeldes, viciados? — Sou, então, condenado a estes sofrimentos? — E às glórias do porvir... Não deve discutir semelhante assunto. Trabalhe, repare que sempre vencemos. São muitos, já, os que vivem em paz pelo seu trabalho. Quanto mais semear, tanto mais colherá. Pense e aja com ânimo forte, que os amigos são muitos, que as alegrias são contínuas, da parte daqueles que lhe querem bem. — Eu compreendo. Mas sofro muito. — Se quer experimentar o abandono, faça-o. Não faremos oposição alguma. — Que sucederá? — Quem nasce para o que você nasceu, e com as faculdades com que veio, não é livre. Ou conserta aqueles que se aproximam ou sofre o desconcerto... Ninguém o livrará das influências daninhas, porque prometeu trabalhar e resgatar assim o passado delituoso. O que tem é seu, para bem e para mal, queira subir ou descer. Nós, que somos amigos, contamos com a sua fortaleza e consciência dos deveres. — Se ao menos eu soubesse do meu passado!... — Ora! E como não o pode entrever? Não percebe a qualidade dos espíritos que lhe são enviados? Acredita que Jesus Cristo seria receptáculo de entidades assim sofredoras? Fez um breve silêncio e deu por encerrado o assunto, afirmando:

— Bem, faça como quiser. Se quer trabalhar, compareça. Se não quer, fica em casa. Pelas conseqüências saberá dos motivos determinantes. Um bom espírito seria menos queixoso, sem dúvida. Fiquei amedrontado. Eu não sabia até onde seria um grande devedor; sabia apenas que era devedor. Mas achava que tinha direito a viver em paz, com saúde perfeita, sem tais embaraços. Outros médiuns trabalhavam menos, faltavam às sessões, não eram vítimas, como eu, de assédios astrais horríveis. Eles saíam bem dos trabalhos, sorriam, comentavam assuntos. Eu saía doente, esgotado em extremo, dolorido. Sentia, nas profundezas de mim mesmo, um gozo de espírito. Apenas isso. Aos quarenta anos, sofri um desastre e guardei o leito por dois meses e tanto. Não trabalhei e nada sofri. Não vi senão coisas boas e bonitas. Comecei, então, a pensar em descanso. Pensei bem e resolvi por o pensamento em ação, transformá-lo em obra vivencial. Ao deitar, numa daquelas noites, depois de vinte anos de ausência, tive um fenômeno de visão. Um terrificante fenômeno! Um homem alto, vermelho como a brasa, veio entrando casa adentro, bamboleante, gingando qual valentão. Eu pensei em Deus, no Cristo, nos guias, em Alécio. Mas, tudo em vão! Ninguém respondeu ao meu assustadiço apelo. O homem vermelho apanhou-me pela cintura, que ele conseguia abraçar porque sua mão era enorme, e fez-me gritar, estertorar. Os familiares vieram, socorreram como puderam, orando, rogando a Deus e aos guias. Lá veio um espírito luminoso, como nunca houvera visto igual até então, ordenando a saída do monstro. Fiquei grato, como em minha cintura ficaram as marcas daqueles dedos garrosos. Ficaram, também, pensamentos alertantes. Passei a noite bem, mas acordava de pouco em pouco e era obrigado a pensar mil e uma coisas. No dia seguinte, procurei o bondoso servidor encarnado, um dos maiores vultos do Espiritismo brasileiro, relatando-lhe o acontecimento. — Vamos fazer, hoje à noite, uma sessão em casa. Temos um caso de obsessão a tratar. Venha visitar-nos, venha trabalhar, que é hora. Isso não foi mau... O seu natural era a mansidão, a caridade e o estudo. Eu vi, em seu rosto, a estampa de algum conhecimento que eu não tinha, sobre mim mesmo. Fui e trabalhei, como tantas centenas de vezes houvera feito. Foi trabalho ótimo, mas tive que enfrentar o espírito, servi-lo, e por isso ganhar os meus inseparáveis sofrimentos, passando por maus bocados, sentindo estrangular-me a cintura. No dia seguinte, pelo meio-dia, ainda sentia o local dolorido. Devia, pensava então, ter resgatado um bom pedaço de minhas faltas pretéritas, somente com esse trabalho, apenas com aquela doutrinação. Daquele dia em diante, comecei a sentir mais o peso da função doutrinária. Os serviços cansavam-me mais e eu considerava-os superiormente. Entretanto, como mais

tarde vim a saber, com a maturidade física e o tempero psíquico, devia sentir fundamente a obra ressarcitiva. Entrava no vórtice da missão reparadora, cada passo à frente era um vinco na minha estrutura sensível. Tinha em mente que estavam canalizando a mim os elementos mais inferiores, e comecei a vê-los, novamente; eram seres embrutecidos ao extremo, deformados, transfigurados, feitos em ossos, desfechando ódios, fedores, repugnâncias! Eu orava, entrava em contato perene com o plano espiritual, buscava alento, colhia na fonte direta. Relia páginas do Evangelho, lia as obras do grande missionário local, procurava os trechos mais intensos e belos da obra OS GRANDES INICIADOS, mentalizando, invadindo mentalmente aquelas gamas superiores, recebendo em troca a penetração de vibrações sublimes. Contudo, durava até a visão de um novo monstro, de uma nova dor por veiculação mediúnica. Foram mais vinte anos de trabalhos, afinal, de graças celestiais, por serem de trabalhos árduos em prol dos mais necessitados irmãos. Por essa altura, deu-se o meu encontro com um senhor, amante de estudos astrológicos, homem dotado de raras qualidades de caráter, mas em excesso enfronhado na matéria que tanto o fascinava. Pediu-me os dados necessários, ano, mês, dia e hora de nascimento, fez os seus cálculos e pretendeu explicar-me os motivos de tantos sofrimentos, de relações tão fáceis com os mais sofridos elementos do mundo espiritual. De tal modo fez-me pensar, que desconfiando de meu bom guia Alécio, fui bater à porta de um médium de reconhecida idoneidade, a fim de consultar-lhe o esclarecido guia. Relatei-lhe o que ocorria. Ele sorriu, abanou a cabeça e julgou por si, dizendo ser a Astrologia passível de muitas falhas, por ter que agir sempre no plano geral, nada podendo explicar sobre o carma individual. Mas que, se eu quisesse, teria muito gosto em servir-me. Disse-lhe que sim, por cujo motivo entramos para a sala, eu, ele, sua senhora e uma filha jovem, também esta portadora de teor mediúnico apreciável. Quem me falou, em primeiro lugar, foi o guia da jovem, que, tendo sido médico, teceu um longo comentário sobre a ação dos fluidos malsãos, em minha natureza eletromagnética, atingindo por aí o sistema glandular, forçando-o, determinando a emissão de sucos e secreções alteradas. Mas, terminou afirmando a necessidade daqueles sofrimentos, embora reconhecendo o mérito da busca explicativa, pois ninguém tem obrigação de se entregar a trabalhos custosos, sem saber ao certo por quê. Em meu caso, disse ele, tudo estava lúcido, claro e necessário. Devia confiar no guia, acima de tudo na LEI. Com firmeza extrema sentenciou: — Seu caso é estritamente de LEI. Entre você e a LEI há um sério problema a ser solucionado. Prossiga, se não quiser perder tempo e a futura paz.

Quando se fora o médico, e viera o guia do médium, que servia noutra esfera de serviços, contei-lhe o que me havia dito o astrologista, sobre ser errado emprestar o corpo a espíritos, principalmente a espíritos inferiores. O bom guia sorriu, explicando: — Há um plano estabelecido, você bem sabe disso. Esse plano verte da Autoridade de Jesus Cristo, que prometeu a Revelação a todos. Com isso, aprendem todos, vão todos sabendo a respeito das leis fundamentais. Rasga-se o véu dos tempos; a quantos queiram saber é dado penetrar naquilo que antigamente era conceituado secreto e misterioso. Antes de mais nada, cumpre ser discípulo fiel. Infelizmente, porém, muitos querem ser mestres, quando ainda não conseguem ser bons discípulos. De tua parte, porém, respeita o programa de Jesus. Nele não há secretismos, nem mistérios, nem ocultismos, precisamente porque a Sua função messiânica foi rasgar o véu dos tempos, tornando acessível a todos o melhor aprendizado possível. Se é certo que temos a lastimar a muita falta de estudos, não é menos certo que contamos com a direta orientação do Divino Mestre. Deixe, pois, falar aos que se julgam mestres, mas que ficam em meio do caminho, por não se porem a par do plano estabelecido pela Diretoria Planetária. Trabalhe, e sofra, que assim há de fazer jus ao futuro brilhante que a todos aguarda. Noutros casos, teríamos outras palavras a dizer; mas no seu caso, cumpre apenas dizer o que temos dito. Semeou o mal, espargiu a dor, negando e ensinando a blasfemar... A dor testemunha a marca de espírito que é... Tenha paciência consigo mesmo, coloque a razão acima de tudo, que com a ilustração de que é senhor, com pouco se capacitará de que é um grande devedor em serviços ressarcitivos. Amenizou o tom da voz, considerando: — Há, porém, que considerar a obra já feita, o merecimento da trabalheira levada a termo. Já fez muito por si mesmo... Consulte o seu íntimo, que lhe dará a resposta devida. Amigos, muitos amigos, sentem prazer na sua obra! Não caia na asneira de trair e ser traído. Avante. Prossiga. Já venceu o pior! Meus olhos encheram-se de lágrimas, porque meu coração fremeu a impulsos de um contentamento íntimo indescritível. Saí da casa amiga, sentindo o Céu na esteira de minhas dores. Compreendi a extensão de minhas faltas, concebendo a necessidade daquela purgação em trabalhos; mas senti Deus na empreitada, dispondo os compromissos conforme os reclamos de Sua Soberana Justiça.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.