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Capítulo 22 de 70
Verdades Inamovíveis — parte 17 de 20
O Novo Testamento dos Espíritas · Osvaldo Polidoro
Até que Elias voltasse, para comandar os serviços restauradores, a partir da personalidade de João Huss, clerezias e trevas envolveriam o mundo. Ainda que aqui e além reencarnassem alguns grandes servidores de Jesus, exemplos de Virtude e desejosos de retornar à pureza primitiva; ainda que fossem tais servidores respeitados em suas qualidades, o fato é que, somente apelando para o trabalho martirizante, começou no século quatorze o movimento de retorno à Excelsa Doutrina do Caminho, edificada sobre a Revelação. Wicliff, Huss, Savonarola, Joana D'Arc, Lutero, Giordano Bruno; esses missionários abriram os alicerces da restauração, em companhia de muitas almas de escol, que para isso também encarnaram. E quando a sementeira estava pronta, quando os ideais de Reforma haviam atingido certo campo, em extensão e profundidade, voltam à carne alguns obreiros, arrastando a grande eclosão mediúnica ou profética dos meados do século dezenove, havendo sido elaborada a Codificação da Doutrina, que em obras informativas, entretanto, não ficou terminada, restando o seguimento, que ficaria, por ordem de Jesus, para o Brasil do século vinte. Querer praticar o Cristianismo, desprezando o mediunismo ou profetismo, é obra de blasfêmia e de blasfemos! Dizer que o capítulo quatorze, da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, ensina aquilo que fazem católicos e protestantes, isso é crime de lesa Verdade, é atraiçoar a letra e o espírito dos ensinamentos ali contidos! Se Jesus tivesse vindo ao mundo, para fundar uma religião, e fundá-la sobre clerezias, idolatrias, simulações, fetichismos, inquisições, imoralidades, roubos e politiquismos sanguinários; se tivesse vindo ao mundo para ensinar a fazer discursozinhos falazes; se tivesse vindo, não para Generalizar o Profetismo que adverte, ilustra e consola, mas sim para liquidá-lo, deixando no lugar aquelas clerezias e porcarias, então não teria sido Ele o Cristo, o Paradigma, o derramador do Espírito sobre a carne, mas teria sido, isso sim, o mais errado homem já vindo a este mundo! E poucos sabem, como sabemos nós, o que tem custado repor as coisas no lugar; o que é fazer voltar ao Pentecoste Vivo, à Excelsa Doutrina que foi edificada pelo Divino Mestre sobre o Sagrado Ministério do Consolador, da Revelação, da Comunicabilidade dos anjos, espíritos ou almas, cuja função é lembrar os ensinos de Jesus, cuja função é ir anunciando tudo quanto vá sendo possível. Ademais, por motivos evolutivos, em todos os mundos os dois planos se vão interpenetrando, infusando; e ninguém, portanto, poderá deter para sempre os fenômenos mediúnicos ou proféticos. Por todos os motivos, é melhor que todos procurem saber o que foi e é a Excelsa Doutrina do Caminho, para cultivá-la.
- 348 - “Corpos celestiais e corpos terrestres” - I Coríntios, cap. 15. Na antigüidade foi Pitágoras o mais profundo expositor das verdades atinentes ao corpo astral ou perispirital; falou com profundidade sobre o chamado carro da alma, o envoltório que, desde os primórdios da centelha manifestada, com ela marcha, até um dia atingir o chamado Segundo Estado de Deus, que é como em todas as iniciações qualificam a LUZ DIVINA. Sete coroas constituem o perispírito, em sua feição diagramática; porém, estas sete coroas se subdividem muito, formando zonas de elementos energéticos e substâncias de variada ordem, de variantes colorações e intensidades.
Quem puder, por meio de vidência psicométrica, penetrar o íntimo de um perispírito, pode dizer o que o indivíduo realmente é. Entretanto, os espíritos, de certo grau evolutivo em diante, podem comandar a forma exterior no mesmo. No íntimo, porém, o que é não deixa de ser, as marcas registradas não podem ser escondidas nem modificadas pelo simples impulso mental. As modificações terão que ser feitas, para melhor ou para pior, à custa de trabalhos, de ações. Quando a centelha parte da ESSÊNCIA DIVINA ou Deus, mergulha nos reinos inferiores com as coroas, com o seu carro da alma, todo de coloração fosca. E o seu movimentar, pelos reinos, mundos e vidas, vai normalmente trabalhando, elaborando interior e exteriormente. Muitos milhões de anos se passam, para que chegue ao nível de ostentar os chacras ou plexos, os centros energéticos através dos quais a centelha comandará o complexo geral, todo o sistema eletromagnético e físico. Ninguém disse, ainda, aquilo que corresponda a um bom conhecimento desse mundo intrincado que é o corpo astral, tão ligado ao espírito, à centelha, pelos mais profundos matizes energéticos. Mas a Lei de Equilíbrio, que das profundezas rege tudo, de tudo tem contas e de tudo providencia. Lesões maiores ou menores; a técnica teratológica dos Senhores do Carma ou daqueles Engenheiros que zelam pelas formas físicas, nos meandros da escalada biológica, sempre estão ligadas ao intrincado problema das coroas energéticas e substanciais que constituem o corpo perispirital das centelhas. Como há incidência total e perfeita, entre ações e condições do espírito, fácil é compreender o que se chama a lei do peso específico, das relações entre as qualidades eletromagnéticas dos elementos constituintes do corpo astral e o local onde o espírito tenha que estar. Sete faixas essenciais tem a Terra e sete coroas essenciais tem o corpo astral do espírito. Como as sete faixas ou sete céus se subdividem em múltiplas faixas ou subfaixas, assim também o corpo astral ou perispírito tem as coroas a se subdividirem. Qual o escopo dos múltiplos céus, das múltiplas subfaixas? É que tudo, por evolução, deve ir ter ou terminar no oitavo céu, na última das faixas, que é a opalina cristal, cujo brilho, cuja glória, excedem a todo e qualquer raciocínio humano! O fermento físico, exterior e circunstancial, também fermenta no sentido da sublimação; e por isso, o miolo do Planeta, as faixas interiores, devem um dia ser como o modelo exterior, como o oitavo céu! Ninguém poderá deter essa marcha, porque assim o é por Deus. Todos os cataclismos, todas as convulsões, conduzirão ao céu crístico exterior. A Terra terá que ser, um dia, um mundo fluídico, cristal e opalino, todo luz e glória! Qual o escopo das vidas e das provas da centelha espiritual? É que tudo movimenta, no interior do espírito, tendo reflexo no exterior ou no corpo astral, para que o estado de Luz Divina, o Segundo Estado de Deus, venha a ser a sua cor absoluta! Ninguém foi feito para ter aparência animal ou para habitar os céus ou faixas interiores; mas todos foram feitos para serem luz e glória, para brilhar mais do que qualquer Sol material. Entretanto, como nos trilhões de anos o mundo físico e o seu correspondente etérico vão marchando para o chamado oitavo céu, ou para a zona de Luz Divina Total, que é o chamado Céu dos Cristos, também é no curso dos trilhões de anos que a centelha chega a ser de uma cor e de uma só forma! A cor é Luz Divina e a forma é a de um Sol Espiritual! O Céu é o Crístico e cristificado está o espírito!
Eis a missão do carro da alma, eis a finalidade do corpo astral. Importa que cada filho de Deus, cada indivíduo lotado neste Planeta tenha disso a perfeita consciência, para não trabalhar contra si mesmo, através de atos criminosos, contrários aos Mandamentos da Lei de Deus. A Terra toda, o Planeta Integral, em matéria de astralidade, ou mundo espiritual, apresenta quatro regiões distintas, a saber: a - Os abismos da subcrosta, constituídos de quase setenta subfaixas, e para onde podem ir os espíritos, em virtude das obras, ou por imposição da lei do peso específico. Tudo por eqüidade vibratória, tudo pela lei de freqüência vibratória. Cada qual mergulha no seu campo vibratório exterior pelas suas obras, e dali, por obras, é que sairá. Quem fere será ferido, quem deve paga dívidas, quem acredita em graças e favores anda muito errado!... b - A zona da crosta, cuja parte mede uma faixa de uns setenta quilômetros, onde há uma promiscuidade tremenda. Aqui vivem os desencarnados, vivem os encarnados com seus corpos, e também os que vagueiam durante o dormir dos respectivos corpos. Tudo aquilo que Jesus viveu, sendo anunciado por Gabriel, expelindo maus espíritos, falando com Moisés e Elias, tendo os anjos ou espíritos subindo e descendo sobre a Sua cabeça, tudo isso é lição para as criaturas honestas e inteligentes. Porque os setenta quilômetros de faixa que circundam a crosta, vivem um burburinho tremendo, com encarnados e desencarnados a se misturarem. Espíritos amigos e familiares; espíritos afins em estado de dor e de tormenta; espíritos pertencentes ao Ministério do Espírito Santo ou Revelador; espíritos que sem querer agem no plano da Lei e da Justiça, exercendo vinganças; espíritos elementais; espíritos de escala inferior ou animais, que aguardam novas matrizes para reencarnar, etc, etc. É necessário orar e vigiar, em pensamentos, sentimentos e atos, porque os perigos de aproximação não são pequenos!... c - De setenta quilômetros para fora do globo, há uma faixa constituída de uns mil e duzentos quilômetros, que são os umbrais, as trevas exteriores, um pouco menos terríveis do que os abismos da subcrosta. Aos poucos, essas trevas levam aos postos de socorro das primeiras faixas de luz. Porque essa faixa, como as outras, se subdivide em subfaixas, por imposição de leis vibratórias, e para que a lei do peso específico faça irem transitando os espíritos, até irem ter aos primeiros postos de socorro, ali pelos mil e trezentos quilômetros. Se é bom agir bem, orar e vigiar, para não ir ter nos abismos da subcrosta, também é bom cuidar dos deveres, para não ficar mal na crosta nem nas faixas umbrosas!... d - De mil e trezentos quilômetros para fora, começam os postos de socorro, os planos de luz, os céus que vão se tornando cada vez mais brilhantes e gloriosos. Até o Céu Crístico, ou Oitavo Céu, quatro céus essenciais existem, que entretanto se subdividem em múltiplas subfaixas, ou subcéus, favorecendo estada a cada matiz de grau evolutivo, ofertando casa a todos os níveis de vibração, por imposição da lei do peso específico. Quem vai orando e vigiando bem as suas obras diuturnas, tratando de viver os Dez Mandamentos, como Jesus o fez, por certo que vai tornando o seu corpo astral cada vez mais eterizado, luminoso e glorioso, para ir tendo penetração em tais céus. Porque outro recurso não há!... Que é a lei do peso específico, que em tudo está e a tudo impõe condição? Ninguém discutiu nem jamais discutirá com a Lei de Equilíbrio ou com a Justiça Divina; porque em Deus tudo é Eterno, Perfeito e Imutável, de tal modo Fundamental e Inamovível, que somente por lei a tudo rege, sem falar e sem discutir. E como Seus
filhos são realmente semideuses, contendo poderes ou virtudes divinas em potencial, aos poucos vão expondo tais poderes e virtudes, aos poucos vão tomando conhecimento daquilo que são, daquilo que podem, para irem comandando cada vez melhor os seus mesmos destinos. A lei do peso específico é o que de mais sério devia haver, para cada filho de Deus ponderar, a fim de usá-la com o máximo de precisão. Porque através dela, queira ou não, cada um é chamado a ser Juiz Em Causa Própria. Todos os pensamentos, por mínimos que sejam, por menos intensos que sejam, acionam ou forçam o corpo astral em algum lugar, em alguma região, e para algum efeito. É a lei do peso específico que ali está agindo, saiba ou não o seu portador, queira ou não o seu dono! E como sejam bons ou ruins os pensamentos, assim virão a ser as obras, vindo a lei do peso específico a registrar tudo no mesmo corpo astral, no carro da alma, para constituir o grau vibratório do seu dono. E é por isso que, ao desencarnar, irá ter a uma das subfaixas, da subcrosta, dos umbrais ou dos céus luminosos. Pensou, sentiu e agiu, criando em si a condição, por imposição da lei do peso específico; isto é, sabendo ou não sabendo, movimentou a Lei de Harmonia ou Equilíbrio, forçando a Justiça Divina a determinar em tal ou qual sentido. Para facilitar o entendimento, façam de conta que a lei do peso específico é a mesma Justiça Divina, agindo dentro de cada um, tomando nota dos pensamentos e das ações da pessoa, registrando na própria pessoa, para que ela seja eternamente o seu mesmo juiz, sem poder negar os seus mesmos atos e merecimentos. E quem quiser ler os capítulos dezoito de Ezequiel e o vinte e dois do Apocalipse, encontrará essa verdade em perfeita exposição. Que faz o corpo astral, o carro da alma ou perispírito? A centelha deve crescer em si mesma, deve exteriorizar a divindade em potencial que contém, que dorme em si mesma, a princípio, por Vontade de Deus. E nunca poderia fazê-lo sem ser através do corpo astral, onde tudo registra, para efeito de caracterização. O corpo astral é o retrato fiel do filho de Deus, em seu estado presente, contendo em si tudo, para í-lo conduzindo ao Céu Crístico, ao Supremo Grau! Quem bem age, bem cuida do seu carro imediato. Porque o corpo astral nunca jamais abandonará o seu dono, por Vontade de Deus! Quando o espírito, a centelha divina, tenha transformado o seu corpo astral em Luz Divina, em Segundo Estado de Deus, terá penetrado na Divina Ubiqüidade, no poder de estender suas virtudes de modo quase infinito. Tais são os Cristos! Deus é, em SUA ESSÊNCIA, indefinível; mas o Seu Segundo Estado, que é a Luz Divina, bem que O exterioriza, transformando o Infinito em um verdadeiro e perfeito Infinito Oceano de Luz e de Glória, tal como a mente humana é incapaz de poder definir. E pensem, então, naquilo que vem a ser e a poder, um espírito que tenha, em seu corpo astral, se igualado à Luz Divina, a esse Infinito Oceano de Luz e de Glória! Ele brilha mais do que qualquer sol material, porque o seu brilho invade o Infinito, enquanto os sóis materiais são pobremente limitados, só podem iluminar corpos sólidos e a curtas distâncias. E resta dizer, ainda, uma sublime verdade - o sentido Moral da Luz Divina, quem o poderá definir? Que sol material poderá se parecer com o sentido Moral de uma alma que se fez Una com o Sagrado Princípio Emanador, que através da Luz Divina se tornou um prolongamento do próprio Deus? Como são estultos os pensamentos daqueles que julgam o Cristo Planetário, como um filho especial de Deus, um filho unigênito ou primogênito de Deus!
Como são ridículos os pensamentos daqueles que pensam a respeito dos Verbos Divinos, dos Representantes do Sagrado Princípio, como se fossem feitos especialmente ou por um favor de Deus! Como são caricatos os pensamentos daqueles que acreditam em salvação de graça e de favor, em virtude do favor, de quem foi feito também de favor! Não! Em Deus não há filho especial, ninguém é produto do acaso e tudo é regido por leis fundamentais e inamovíveis! Nos infindos mundos, aqueles que se apresentam como Modelos Celestiais representam a Origem Divina, representam o Processo Evolutivo e representam a Sagrada Finalidade! O Cristo Terrestre começou como todos os filhos de Deus começam; fez a Sua escalada evolutiva através dos mundos e das vidas, curtindo condições e situações, galgando postos lentamente, até chegar a merecer a Direção de um Planeta. Antes que o mundo terráqueo fosse alguma coisa existente como fenômeno físico, Jesus já era um espírito cristificado. Isto é, o Seu corpo astral já havia atingido o Estado de Luz Divina, o Segundo Estado de Deus, estando, portanto, em estado de sintonia com o Pai Divino. Para chegar a ser Uno com o Pai é que todos foram feitos; e o Pai Divino apresenta, como Divino Modelo, alguém que é de fato um Divino Modelo, em Origem, Evolução e Finalidade! Quem tem a Jesus por Divino Modelo é quem O procura imitar; os que vivem fazendo clerezias, idolatrias, simulações, discursozinhos falazes e outras coisas fanáticas e sectárias, não são cristãos, são apenas corruptos e corruptores, são traidores da Lei. Quem quiser vir a ter o seu corpo astral brilhante e glorioso, procure viver a Lei de Deus, vivendo a Moral, o Amor, a Revelação, a Sabedoria e a Virtude. Fora disso não há Cristianismo, há muita palhaçada feita em nome de Jesus Cristo. Já dissemos, em outro livro, o que mandou Ele dizer:
- 349 - “Fui o humilde transmissor e vivedor da Excelsa Doutrina do Pai; deixei, portanto, a seara e a liberdade de ação; cada um é, por lei, responsável pelas suas obras; não sou, nem poderia ser, o responsável pelas vossas liberdades e obras individuais.” Todas as verdades doutrinárias cabem nestas três verdades essenciais: a Origem Divina; a realização do Cristo Interno, pela Divina Modelagem do Cristo Externo; e a igualdade da Lei, perante quem ninguém é especial.
- 350 - “A carne e o sangue não herdarão o reino do céu” - I Coríntios, cap. 15. A humanidade terrestre ainda é, em matéria de verdades espirituais, muito pouco sábia; ainda interpreta absurdos como se fossem pura religião; ainda faz de tudo quanto sejam asneiras e ignorâncias, o seu roteiro de fé; ainda vive olhando para trás, mais do que para frente; ainda acha que Deus tudo fazia e podia no passado, enviando emissários e profetas, e que depois ficou longe e mudo, sem ter como agir nem por quem fazê-lo. É muito possível, pois, que haja quem pense que os quatro vultos bíblicos que não deixaram corpos, tenham ido para o Céu, ou para os planos erráticos, com os respectivos corpos. Ora, o Reino do Puro Espírito é o avesso da Matéria Densa, está em
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