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Capítulo 13 de 14
Rasgando O Véu — parte 12 de 13
O Grande Cisma · Osvaldo Polidoro
Ficou estabelecido que passaríamos, Bento e eu, por uma visão retrospectiva; um pouco de nossa história seria revisto, a fim de que pudéssemos compreender e resolver um problema de ordem moral e afetiva, que de longe nos toldava os melhores propósitos de trato social. Dias depois, frente a um aparelho complicado, começamos a ver as plagas percorridas pelo Precursor, e em seguida pelo Divino Mestre. Tudo se desenvolvia muito bem, até que um servidor daquela casa nos impôs as mãos, obrigando-nos a cair num esquisito transe, um semi-acordado, um misto de sonho, de semiconsciência. Já não víamos as imagens de longe, naquela imensa tela, onde a Palestina daquele tempo se apresentava viva, fragrante, palpitante, feita convulsão, um ambiente de expectativa, de clamores os mais contraditórios; nós ali estávamos, naquele reboliço vibrante, naquela fervente situação, tomando parte no frenesi discussional que aqueles dois homens fizeram estourar, obrigando a todos falar, cogitar, opinar, etc. Eu era eu mesmo, em consciência individual; mas não era eu como personalidade vigente ou clássica. Em mim sentia a sobreposição de uma outra personalidade, como se estivesse vivendo duas vidas ao mesmo tempo, duas personalidades conjuntamente. Assim sendo, tinha a vantagem de ver, de observar, e de viver, de tomar parte ativa na transbordante questão. Num plano de feliz expectativa, vimos o nascimento e crescimento de ambos os Profetas; vimo-los, depois, serem entregues, pelos pais e tutores, a um grupo de circunspetos homens, vestidos como os da Seita dos Nazireus ou Escola de Profetas de Israel. Vimos que se apartaram, forçados por aqueles homens, que os tratavam com profundo respeito. Foram focalizados em seus estudos e exercícios... Vendo o relacionamento que havia entre um e outro plano, podemos dizer que faziam Espiritismo, tal como o fazem, tal como o fazemos hoje. Ao longe de um local, sabia-se estar o Egito. Ali estava o Precursor fazendo seus preparativos. Um dia, quando fosse tempo, sairia e inflamaria a Palestina com o seu verbo inflamado, incontido, quase violento, dirigindo muitos homens, outros discípulos daquela mesma Escola. Distante, e não muito longe do Lago Salgado, estava Jesus. A natureza era superior, os aprendizados faziam-se e o tempo chegaria. Tudo obedece à lei dos ciclos, das movimentações ordenadas... O ambiente exterior corroborava, facilitava estados íntimos de recolhimento e ternura, de exaltação e sintonia... Jesus cresceu e fez-se homem adulto entre criaturas nobres e poesias naturais... Sua alma sonhadora não teve abalos graves na infância e juventude, a não ser aquilo de que se sabe, segundo relatos evangélicos, e de algum confronto menos completo, nalguma conversação em que se dedicava a tratar de assuntos espirituais, com pessoas estranhas. Cedo compreendeu a diferença conceptiva reinante, fator que um dia o encravaria num lenho infamante. Por isso, muito bem avisado pelas falanges iluminadas, evitou todo e qualquer contato, antes que fosse de fato chegada a hora. A hora chegou, porque para ela é que nasceu. Nesse tempo, eu e Bento, e muitos outros, alguns que já fizeram suas narrativas, já estávamos preocupados com as corridas tumultuosas de João Batista, orador inflamado, batizador em água, que dizia ser a moralização do batismo tradicional e a sementeira de um outro batismo, de Espírito e de fogo, que viria por intermédio de um outro, muito mais digno do que ele, e que se achava entre o povo e a caminho. Tudo isso, de par com as críticas que fazia aos elementos do governo, e principalmente contra Herodes e sua amante, mulher de seu irmão, punha a plebe em polvorosa, punha as autoridades em pânico e os mais sonhadores em devaneios místicos, havendo quem esperasse o fim do mundo para breves tempos. João Batista e seus homens passaram, como passa um furacão, deixando em seu caminho os vestígios mais patentes de sua tremenda ação; todos aguardavam o que vinha para Batizar no Espírito! Uma febre tumultuosa invadira Israel de ponta a ponta! Para afirmar ou para negar, mas todos conversavam a respeito. Ricos e pobres, cultos e incultos, autoridades e povo, todos viviam tecendo as mais desencontradas cogitações, porque João Batista falava com tremendo vigor, atacava o mundo e suas misérias, criticava o trono e prometia um nivelamento fantástico. O Profeta era de amedrontar!
Revimo-lo tal qual como fora, tal qual como o defrontamos um dia, prendendo-o, encarcerando-o. Eu e Bento éramos soldados, eu superior, ele subordinado. Com a prisão de João Batista deu-se a projeção de Jesus no cenário das movimentações. Eram fisicamente parecidos, mas eram diferentes de ânimo. Se em momentos de santo e exaltado furor, Jesus tomou certas posturas orais, ainda assim o fez de outro modo; a severidade maior surtia de um não sei quê, do poder vibrante que as suas palavras continham, da integral firmeza de seus conceitos. Todavia, em Jesus estava o perigo maior – curava! Arrastava legiões em suas pegadas! Sua fama avançava com a velocidade do raio! Os sacerdotes viviam atônitos, o governo estava de espreita e o povo das ruas exultava. Curava de graça, dizia coisas sublimes, cariciantes, divinas... Advertia aos ricos e potentados, enquanto que prometia o Reino do Céu aos mansos e humildes. Para que melhor Profeta? A onda turbilhonante crescia, avolumava, assustava. O clero muitas vezes lembrara o poder civil sobre as vantagens de fazer aquilo ter fim imediato. Os representantes de Roma, no entanto, viam naquilo uma questão religiosa, um movimento contra o clero, gente com quem eles também não simpatizavam, pois viviam a reclamar de tudo, querendo sempre mais, nunca satisfeita. Os poderes temporais, entretanto, sempre se entendem melhor; e Jesus foi, um dia, arrancado, violentamente subtraído à multidão. A grande violência foi a de ordem moral, pois a prisão deu-se num momento de quietação estranha. Eu havia morrido fazia uns seis meses, quando Jesus foi preso, naquela noite morna, lúgubre, de certo modo apavorante. Entre mim e Bento, então Jacó, havia muito em comum, porque éramos primos carnais, porque nunca fôramos muito religiosos. Os romanos eram pagãos e dominavam-nos, apesar de todas as prerrogativas de Israel, de seus Profetas e de seus sacerdotes. Diremos, como hoje se diz – respirávamos um ar todo militar. Uma vez morto, agarrei-me a Bento ou Jacó, mesmo porque era por ele atraído; e vivendo numa penumbra mental, num mundo áurico feito por mim e a meu inteiro gosto, nunca pude enxergar a divina claridade que envolvia o Divino Mestre. Por não merecer, ou por ser como me havia feito, continuei na mesma e com tendências a pioras sem conta. Já não podia andar sozinho... É que estava ligado ao primo, ao soldado, no dizer dos da mesma raça, a um judeu traidor, pois todo e qualquer judeu, que chegasse a se igualar, em pensamentos e atos, aos que pisavam o chão de Israel, era considerado traidor. Piormente, com relação aos romanos, pois esses não eram considerados apenas impuros, mas sim inimigos totais. Durante o seu tempo de pregação, repetia Jesus, de contínuo, dois acontecimentos; não era somente eu que assim os qualificava, mas todos quantos estavam longe de encará-lo como sendo o Cristo prometido, e portanto capaz de os cumprir, de os concretizar – eram considerados loucos tais acontecimentos! Quem, em sã razão tradicional, clássica, aceitaria as afirmações de um homem que prometia ressurgir dos mortos e derramar do Espírito sobre a carne? Quanta gente lhe não disse, em vida, para que em vida o fizesse? E tendo como resposta a negativa, pois afirmava a necessidade do próprio sacrifício, quem não tomaria suas palavras como evasivas, eivadas de manhas loucas? Eu não pude ver tais coisas, como teria sido bom vê-las e entendê-las, quando se deram e como se deram. Mas pude vê-las, na grande visão retrospectiva, em todo o esplendor possível – vi a ressurreição do espírito, a volta do espírito e o Batismo de Espírito. Tudo aquilo que afirmam os dois primeiros capítulos do livro dos Atos, eu vi e compreendi intensamente. Jesus volveu, em espírito, e Batizou em Espírito, cumprindo a velha promessa. A minha situação, entretanto, nunca poderia ser pior; estava aterrado, comprometido, sujeito a reincidências tremendamente graves. Meu primo arrastou-me por muitos anos; creio que é melhor dizer de outro modo, pois em verdade eu o arrastei para um triste fim – a loucura! Ele era devedor, não resta dúvida, mas eu o fiz penar cruezas terríveis da semiconsciência, de um estado mental doloroso, que não permite o bom uso da razão, mas que impõe as torturas do desequilíbrio e suas conseqüências. Fosse um mentecapto total, ficaria livre de certas cogitações, de revoltas momentâneas, pois estaria inibido de suas
faculdades de raciocínio. Como era, porém, meio louco, meio são, tinha lá suas horas de consciência e de grandes sofrimentos. Terminou seus dias numa enxovia, longe de todos, esquecido e purulento. Sabem o que é deixar a carne em tal estado? Continuamos juntos, agarrados, trocando torturas, mesclando desgraças inenarráveis. Foram dezenas de anos, até que alguém nos falou, avisou e instruiu. Começou, então, a fase de ódios entre ele e eu. Acusava-me de tudo, de tudo me responsabilizava. É certo que o induzi a ser soldado, e que lhe meti na cabeça algumas idéias de revolta e descrença; mas ele não as havia aceitado? E eu não estava em grandes sofrimentos, também? De qualquer modo, aquele aviso, aquelas instruções, quando muito nos custaram sofrimentos de outras modalidades. Sabíamos de nosso estado e situação, mas onde encontrar o meio de solucionar o caso? Aquele instrutor sumiu, desapareceu, e em face de tremendos sofrimentos meu primo não fazia mais do que crescer em ódio contra mim. Foram anos torturantes! Foram tempos cruéis! Eu queria acordar daquele estado, pois, como já disse, em parte era eu mesmo a ver, a viver a trama, e em parte era aquela personagem então vivida; nada conseguia, porque o servo que mantinha a sua mão sobre as nossas respectivas cabeças era poderoso, ou agia segundo leis determinantes. Volvemos ao plano carnal, um dia, depois de cair em profunda letargia. Foi durante o século quatro da Era Cristã, quando se deu o grande cisma, quando os políticos de Roma decidiram interferir e liquidar com o culto do Batismo de Espírito, com o prolongamento do Pentecoste. A vitória de Constantino alçou o paganismo, em nome do Deus Único e de Jesus Cristo, tomando por base as regras levíticas, apenas escoimadas de algumas práticas litúrgicas. Foram perseguidos os cultores da Revelação, foram liquidados! Todos os que eram apanhados em práticas tais eram sumariamente liquidados! Levantou-se para isso acusação irrecorrível – o diabo era artífice de línguas diversas, de curas, de sinais, de profecias, de tudo quanto o mediunismo prodigalizava. Tais práticas eram consideradas crime contra o Império. E os novos senhores da fé, ou donos da nova ordem religiosa, muito bem pagos e garantidos pelo Estado, impunham-se com todo o rigor possível. Estava levantado, organizado e oficializado o grande cisma! Eu e o meu terrível inimigo, outra vez juntos, de novo tomamos parte no infeliz acontecimento. De novo amigos, para de novo tomar o pior dos partidos. Fomos, então, dos primeiros sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana, que assim teve o seu nascimento. Onde Roma governava, ninguém poderia prosseguir em conformidade com o culto dos Apóstolos; os ensinos de Paulo, como se acham na primeira carta aos Coríntios, capítulo quatorze, foram banidos como diabólicos. A Revelação era crime de morte!
Volvidos ao estado ordinário, tivemos de ser recolhidos ao leito, tal o cansaço, tal o grau de abalo geral. Ficara Bento muito pior do que eu. Dias depois, ainda em vilegiatura naquela esfera de esplendores, onde fôramos submetidos à visão retrospectiva, convidaram-nos para assistir uma conferência, que seria feita num dos amplos salões da cidade, por um mentor vindo de região ainda mais elevada. Que diria um mensageiro das esferas superiores? De que assunto trataria? Soubemos que faria uma palestra sobre os grandes eventos religiosos do planeta. E assim o fez, afirmando a unidade total entre os dois planos da vida, pois nem a morte faz milagres nem em Deus existem favores. Os problemas acompanham os espíritos, na Terra ou onde quer que seja, porque os problemas são de obrigação individual. As esferas de vida, nas regiões da morte, colocam os espíritos à frente de suas próprias questões, e nas condições inerentes, para que as situações forcem no sentido necessário, conclamem às resoluções devidas. O mentor não falou do Céu, a não ser do Céu que jaz em potencial no íntimo de cada centelha. E para bem compreendermos a importância desse valor, fez projetar numa tela o desenvolvimento de um espírito. A princípio não parecia interessar muito, absorvendo ele mesmo as atenções, porque era muito belo e radiante e sua palavra encantava; mas quando a centelha em avançamento ingressou no reino animal, e começaram os despertares da razão, mui lentamente, parece que numa tremenda luta íntima com o instinto, então se fez a lição maravilhosa, então prendeu as atenções. Aquilo sim é que foi uma lição zooantropológica! E como nunca falta o bom humor, de permeio com as graves lições, houve uma demonstração regressiva – apareceu um grande vulto, um verdadeiro Senhor, que espargia luzes e poderes, glórias e virtudes, numa intensidade que se não podia encarar livremente. O glorioso vulto, muito lentamente foi se apagando, diminuindo, reduzindo... Atravessou os reinos, as suas fronteiras, prosseguiu através das gamas e foi desaparecer numa poeira, para a seguir, num pasmo para nós, ou pelo menos para mim, aparecer no ESTADO TOTAL, ou Deus, sem ser definido, ou individual, mas ali estando naquela GLÓRIA INTEGRAL, tal como a pudemos ver e suportar, pois nos disse o mentor, que só nas esferas superiores podia ser apresentado AQUELE ESTADO, em grau mais avançado. Ele não disse total, disse mais avançado, apenas. No dia seguinte fomos devolvidos à nossa região, tendo iniciado os serviços rotineiros, armados, entretanto, de poderes algum tanto superiores. Bento ficou residindo conosco, mas sempre surdo-mudo, apesar de tudo aquilo, mesmo que apresentando um semblante confiante e feliz, fato que nos incutia surpresa, acontecimento que nos compungia, pois, em tantos anos de trabalhos socorristas, de curas e maravilhas, nunca se nos apresentou fato idêntico, fenômeno tão encruado, débito assim radicado, capaz de ter raízes tão fundamente penetradas num caráter humano. – É realmente um caso de surpreender – comentou um companheiro de trabalhos e estudos, quando tivemos oportunidade para uma conversa longa a respeito. – E dizer que fomos brindados com aquela tremenda lição, a visão retrospectiva que nos valeu por uma advertência, enquanto nos estimulou vigorosamente. Eu diria, então, ser o fim daquela tortura. Entretanto, ninguém por lá tratou do caso, nem eu tive coragem de abordar alguém a esse respeito, sabendo que tudo acontece por ordem, que acaso não existe. Aguardo, portanto, o que der e vier. Com firmeza, reforçou o companheiro de serviços e estudos: – Nem há com que fazer de menos! A Lei não age em função de particularidades, por mais que se represente nos indivíduos em particular. Pelo contrário, se assim é, comprova-se pela assertiva dos fatos, pois compele os indivíduos em particular à Ordem Universal, afirmando sempre a disciplina fundamental, a necessidade premente de compenetração unitária. Bento errou muito, na última etapa carnal, ao pretender justificar ações cruéis levadas a termo, cumuladas de reincidências, a custa das longas e fanáticas parolagens que mantinha em torno das verdades evangélicas. De que valem as sintonias teóricas, quando as ações refletem traição e vilipêndio? Não constitui, essa prática mais do que leviana, porque hipócrita e revoltante, um crime consciente? – Os homens estão muito versados na triste arte de honrar com a boca...
– E a Lei não percebe limites de ação, porque de fato os não tem. Resumindo, a vida se constitui de semear e colher, nada mais; e por Lei se colhe conforme a semeadura. Queixar contra quem e como? – Bem, vamos aguardar o desfecho. Estou muito curioso a respeito, pois Bento e eu temos bastante em comum, por história. Afinal, tomamos parte em dois grandes crimes – um na crucificação do Divino Mestre, outro na ereção do mais errado cisma, pois foi trevosa ação lavrada contra a função messiânica do Mestre. Verdadeiramente, meu amigo, não sei qual dos dois crimes será o maior, se o praticado contra a pessoa física do Cristo, se o levado a cabo contra a Sua missão, que era edificar Doutrina sobre o culto ostensivo da Revelação. – As palavras do Cristo são incisivas – serão perdoados aqueles que pecarem contra o Filho do Homem, mas não o serão aqueles que pecarem contra o Espírito Santo. Quem ler, com inteligência, os dois primeiros capítulos do Livro dos Atos e os capítulos doze e quatorze da primeira carta de Paulo aos Coríntios, poderá saber perfeitamente o que seja o Espírito Santo, como síntese da Revelação ou do seu vastíssimo mecanismo. – Em face de tão profundos erros, dou-me por feliz!... Encarou-me o amigo e companheiro, com certa gravidade, indagando: – De quantas vidas pretéritas tem conhecimento? – Exatamente, para falar com certeza, apenas duas; aquela em que tomei parte nos acontecimentos do Calvário, e aquela em que fui grande protagonista, no quarto século, com o aparecimento do cisma romano, da corrupção prevista pelo Cristo contra a Sua Doutrina. Naquela, pesando como espírito trevoso nos ânimos de meu primo, fi-lo vergastar o Mestre durante o curto mas violento período processual; e na segunda, a fim de firmar os propósitos de Roma, e cimentar as prerrogativas daí decorrentes, ordenei extermínios inflexíveis, liquidações em massa. Essas duas vidas, posso dizer que as conheço muito. – Nada mais? – Minha última vida, como sabe, foi exemplar. De outras vidas não tenho ainda conhecimento. Apesar de tudo, não sei de outras etapas carnais. Por que me pergunta? Sabe alguma coisa de outras vidas que terei tido, como encarnado? – Certo mentor, ontem, fez referência à sua pessoa histórica. Relatando, para efeito de aula, certa passagem dos capítulos religiosos do planeta, referiu-se a você com entusiasmo, pela capacidade evidenciada na hora dos resgates, assim como o denodo posto em prática nos momentos de testemunhos urgentes, quando chegou a hora da restauração profetizada pelo Divino Mestre. Eu não sei se me é devido falar-lhe, mas tomou parte muito ativa nos acontecimentos que envolveram a personalidade mística de Joana d’Arc, vindo mais tarde, como personagem feminina, a tomar bom posto na confecção dos livros básicos da Doutrina Espírita, servindo como aparelho mediúnico respeitável. Ora, tudo isto nobilita um espírito, fá-lo desgastar os erros e construir monumentos de verdade interior. Fui obrigado a verter lágrimas de satisfação. Como poderia ser de menos? O réprobo, um dos fomentadores da corrupção doutrinária, indicado para servir, sob a égide Daquele traído Divino Mestre, nos serviços de restauração! Embora sabendo que a reparação é sempre na razão direta da lesão, isso foi maravilhoso de saber. Rendo graças, hei de rendê-las eternamente!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.