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Capítulo 6 de 14
Psicometria — parte 4 de 12
Nos Domínios Maravilhosos da Psicometria · Osvaldo Polidoro
Uma vez que no lugar da adoração de Deus em Espírito e Verdade puseram as perversões, as simulações e as idolatrias; uma vez que no lugar do Amor e da Sabedoria puseram dogmas, fetiches e superstições; uma vez que no lugar da Revelação, a quem cumpre advertir, ilustrar e consolar; puseram a funcionar a blasfêmia contra a mesma Revelação, por certo tristes acontecimentos deveriam advir, não somente aos indivíduos em particular, como à Humanidade em geral.
O pouco que se vai mostrar é palidíssima visão do muito que campeia pela Terra e pelos seus rincões astrais, onde os mais dantescos cenários vingam, sem que as mentes e os corações terrestres possam por eles derramar uma lágrima, fazer uma prece ou lobrigar um pensamento de compaixão e prudência, de um modo porque são na maioria desconhecidos, de outro modo porque as causas pairam nos subterrâneos das próprias almas.
E como para a Lei e a Justiça não existem segredos, os fatos recônditos vêm à tona, emergem, comparecem diante do mundo em forma de senões, dores, grandes ou pequenos trabalhos ressarcitivos. Quem olhar para alguém que passa diante de seus olhos, curvado a pequenas ou grandes dificuldades, não tenha em dúvida o fato de ali estarem a Lei e a Justiça. Porque, para premiar ou punir, para isso é que existem e funcionam. E não será imensamente grandioso e confortante saber o que vai em nós, em matéria de Lei e de Justiça, como agentes íntimos de equilíbrio? Não é glorioso conter o filho as divinas virtudes do Pai? Não é majestoso saber que podemos acionar, em nós mesmos, as leis e as forças fundamentais do Cosmo, com o fito de crescer, de conquistar Luz, Glória e Poder?
Clarissa, que era aleijada dos pés, assim sendo de nascimento, mandou o seu par de brincos para ser psicometrada; e Zainer, tendo apanhado os objetos entre os dedos, fazendo oração invocativa, passou a ver a jovenzinha andando de muletas no quintal de sua casa. Aos poucos, remontou à infância e foi penetrando na história da mocinha, pois teve-a como vingativa mulher, por dominadora e truculenta rainha, na vida anterior, mandando muita gente ao martírio e à morte, por motivos políticos. Remontando ainda, ao pretérito longínquo, foi ver o tal espírito a semear discórdias tremendas, por sua influência havendo assassinatos e perseguições atrozes.
– É um espírito tremendamente endividado! – exclamou Zainer, para o mentor que lhe estava ao lado.
E o mentor, com bonomia e simplicidade, monologou:
– E como Deus é servido, que acontece? Eis que a reencarnação funciona, para que a Lei e a Justiça possam funcionar e o espírito, ressarcindo suas faltas, vá evoluindo...
– Que havemos de responder a essa jovenzinha? – inquiriu Zainer.
Ainda lacônico, porém conciso, respondeu-lhe o mentor:
– Que procure agir nos quadros do Amor e da Sabedoria... A Doutrina que ela vem de procurar fundamenta-se na Lei, no Amor e na Revelação, porque é o Caminho do Senhor reposto no seu devido lugar; que procure conhecer e, conhecendo, que se faça mansa e humilde, o quanto possa, desejosa de auxiliar o próximo.
– Com o defeito que tem, ser-lhe-á difícil! – retrucou Zainer, apiedado.
Abanando a cabeça, o mentor observou:
– Estará a Lei errada? Teremos aí a Justiça a desviar o curso dos fatos?
– Não quis dizer isso, mas apenas ponderar, pois a mocinha tem muita dificuldade em se locomover.
E o mentor aduziu:
– Quando era sã, inteligente, formosa e poderosa, que fez? Não usou de tudo para contraditar a Lei de Deus? Tudo quanto fez, como bem viste, não foi trair a si mesma, não foi acumular faltas e agravos?
– Concordo em tudo; apenas, como disse, tenho pena.
– Pena maior causaria – interpôs o mentor – se estivesse nas trevas, sem a possibilidade de reencarnar para resgatar as faltas e ir forjando sua edificação, sua autoglorificação. Portanto, Zainer, mande-a ler bons livros, para que se torne consciente das leis fundamentais e regentes do Cosmo; faça com que conheça as virtudes latentes de que é herdeira natural, para que vá, por meio de bons procedimentos, dirimindo as culpas e exaltando as graças. Se todos soubessem, e quisessem ativar seus recursos naturais, ninguém precisaria cair nessas condições. Como porém as criaturas cometem arbitrariedades, a Lei aciona a Justiça e as culpas tomam forma de variada ordem. Uma vez que importa acertar as contas até o último ceitil, melhor é que se o faça com todo o conhecimento de causa possível. A restauração do Cristianismo, tendo a Revelação por instrumento de base, não é obra do acaso nem da vontade do Homem; isso foi de Ordem Superior, para efeito de advertência, ilustração e consolo. O problema evolutivo é problema que atinge a tudo e a todos; por isso mesmo, aconselhe-a que estude, a fim de saber como deve pensar, sentir e agir, a bem de si mesma.
A jovem quis falar pessoalmente com o mentor, pelo que lhe marcaram dia e hora favoráveis; ao estar presente, foi-lhe dito:
– Teus pais e os médicos pretendem que teu nervosismo seja em virtude do mal que te aflige desde o nascimento; nisto, menina, há muito engano, pois é do teu caráter ser impetuosa, voluntariosa e até violenta. Somos de opinião, pelo quanto conhecemos do teu histórico, que te faças mansa e humilde, compreensiva e bondosa. Caso contrário, poderás acumular mais faltas. Lembramos as boas leituras e as melhores provas de bondade, para que aproveites de fato a nova passagem pela carne. Reencarnar é assomar aos portais da renovação e do progresso, é entrar na linha de possibilidades que conduz à edificação do Céu interior. É, pois, com o máximo em senso de responsabilidade, que focalizamos o problema da reencarnação, que lhe exaltamos o uso. Quem não sabe respeitar a lei de reencarnação, pode-se afirmar, não sabe usar bem de si mesmo! Quem pretende tapar a fonte, por certo que faz obra de imprudência, causando a sede e a desgraça!
– Que me aconselha ler? – perguntou a mocinha.
– Para quem pode discernir à vontade, a Lei de Deus, em seus três sentidos, encerra tudo; porque ela concita a que se ame a Deus em Espírito e Verdade, a que se ame ao próximo até à renúncia, e a que se cultive com honra a Revelação. Para quem saiba ler o Novo Testamento, ele contém tudo isso de modo prático, através do Divino Exemplo de Jesus Cristo. E para quem pretenda conhecer mais, muito mais, entrando por aquelas verdades que Jesus não pôde dizer naqueles dias, por incapacidade assimilativa
dos contemporâneos, os livros espíritas aí estão, cheios de Sabedoria e Amor, de Graça e de Verdade.
Foi o início de uma bela jornada, porque a jovenzinha se tornou mulher e teve uma vida exemplar em todos os sentidos. Aos vinte e três anos teve sua mediunidade exposta, vindo a tomar parte em boníssimos trabalhos.
Maurício, que segundo os médicos enlouquecera, fora um caso interessante, embora comum na ordem das leis de Causa e Efeito. Aos dezoitos anos dera para andar sozinho, fugindo de todos, procurando os cantos e escondendo o rosto. E a família começou o seu roteiro de sofrimentos, de tristezas e de profundas desilusões.
Um dia, conversando sua mãe com outra senhora, ouviu-a dizer:
– Já procurou o Espiritismo?
A pobre mulher arregalou os olhos, estacou e não quis falar.
A outra repetiu:
– Ainda não?... Por quê?...
Foi então que ela disse, falando baixinho:
– Somos crentes...
– Protestantes?
– Sim...
Depois de breve silêncio, disse a senhora conselheira:
– Antes de tudo, senhora, não seria melhor procurar a Verdade?
A mãe do rapaz respondeu:
– O Evangelho é a Verdade.
A conselheira retrucou:
– Evangelho não é a letra, Evangelho foi a exemplificação de Jesus, do Ungido que veio viver a Lei, o Amor e a Revelação. Não é certo que Jesus veio para cumprir a promessa do derrame de espírito sobre a carne, como estava nos Profetas? Não é certo que foi anunciado por Gabriel, um espírito? Não é certo que andou expelindo maus espíritos, para curar os enfermos? Não é certo que foi ao Tabor conversar com Moisés e Elias?...
A mãe do jovem doente revidou:
– Nós, os crentes, acreditamos de outro modo... O Evangelho é a Palavra de Deus, trazida por Jesus Cristo.
A conselheira explicou:
– Oitenta e sete livros foram escritos sobre Jesus, sendo que nenhum deles foi escrito por Ele mesmo. Desses oitenta e sete, minha amiga, Jerônimo separou vinte e oito, fazendo deles um resumo de quatro, que são os de Mateus, Marcos, Lucas e João. Como pode ver, se o Evangelho da letra é a Palavra de Deus, muitíssimos erros humanos teve Deus que aceitar, pois é certo que cada um viu e escreveu como pôde, além daquilo que andou sendo alterado, em benefício do clero romano e do próprio Império Romano. Creio, portanto, que melhor fora não aceitar tudo quanto se escreveu e se compilou, como sendo o Evangelho do Cristo. Ademais, onde foi parar o Consolador, o informante? Onde está a promessa do Velho Testamento, que Jesus cumpriu, batizando em espírito, no Pentecoste? Em que lugar se encontra o sistema de reunir dos Apóstolos, como está expressa na Epístola de Paulo aos Coríntios, Primeira Epístola, capítulo quatorze?
A mãe do jovem respondeu, acanhada:
– Eu sei, senhora, que os crentes dizem como eu disse... Mas eu não sei muito bem dessas coisas...
A conselheira advertiu-a convicta:
– Tenha cuidado, pois o mundo está cheio de gente que mais pretende ensinar a Deus do que aprender com Deus; de gente que se fanatiza com o seu modo de acreditar, que se vicia na interpretação errada, fazendo de suas manias erradas verdadeiro ramerrão obcecante...
A mãe do rapaz interrompeu-a:
– Bem, a gente precisa ter uma religião, não é?
Ao que a conselheira interpôs:
– Mais importa, minha senhora, conhecer e cultivar a Verdade que livra. Se é em Jesus que pretende basear suas convicções, lembro que, mesmo nas letras que dizem ser o Evangelho, ninguém encontra Jesus mandando procurar religiões estas ou aquelas. Ele, que foi o executor da Lei, teve em conta total três verdades de fato irrevogáveis: a Lei que dignifica, o Amor que diviniza e a Revelação que adverte, ilustra e consola. Queira estudar o Evangelho, se pretende que a letra o seja, e terá provas cabais do que lhe digo.
A mãe do rapaz murmurou, tímida:
– Não sei muito bem dessas coisas, minha senhora.
E a conselheira aduziu, em tom fraterno:
– Sabe, entretanto, que seu filho está recolhido a um manicômio... E deve saber, ou pelo menos pensar, que deve haver uma causa justa, a menos que Deus seja um Pai Divino desprovido de um pouco, de um nada de sentimentos nobres.
A mãe do rapaz murmurou, aflita:
– A Vontade de Deus está sendo feita...
A outra observou:
– Deus, que é todo Verdade, Amor e Justiça, nunca iria ter vontades erradas, vontades incoerentes; cumpre, pois, a cada filho procurar amar a Deus de todo o coração e de toda a inteligência. Ninguém deve acreditar naqueles homens que pretendem escravizar Deus a seus comodismos dogmáticos, a seus tacanhismos conceptivos. Deus é Infinito em tudo, não poderá jamais ser escravo da ignorância humana, das infantilidades que os homens inventam e às quais se escravizam.
Ao cabo da tertúlia, disse a mãe do rapaz:
– A senhora é espírita?
A interlocutora respondeu, ponderosa:
– Para ser bem espírita, minha amiga, é necessário ser capaz de viver integralmente os três sentidos da Lei de Deus. Eu ainda estou muito longe de repetir as palavras de Jesus, quando afirmou que veio ao mundo para executar a Lei. Meus pensares e meus sentires, entretanto, pairam em favor da Moral, do Amor e da Revelação. Faço, conseqüentemente, o que está no meu alcance.
– A senhora é médium? – perguntou a mãe do rapaz doente.
– Que pensa a senhora dos médiuns? – replicou a conselheira.
A tal senhora encolheu-se, meditou, pendeu a cabeça e nada respondeu.
– Que pensa a senhora dos médiuns? – tornou a perguntar a conselheira.
Entredentes, a mãe do rapaz doente balbuciou:
– Os pastores dizem que são... Que são endemoninhados!...
Depois de sorrir à larga, a conselheira perguntou:
– Que dizem os clérigos e os fariseus de Jesus? Não está escrito, no livro de leis dos Rabinos, que na véspera da Páscoa foi Jesus crucificado, por se entregar à magia e seus sortilégios?
A pobre mulher silenciou para, com muito custo, depois de nova pergunta feita pela conselheira, responder com acanhamento:
– Os pastores dizem assim...
Ao que a conselheira respondeu:
– Estude, minha senhora, para que deixe os pastores cegos de um lado, indo em busca da Verdade que livra, onde quer que esteja, livre de injunções humanas, de vícios conceptivos tacanhos. Saiba que a blasfêmia contra a Revelação é imperdoável, porque sempre foi ela o Divino Instrumento Informativo. E se quiser pensar bem, lembre-se de que Jesus teve por missão, no mundo, trazer a Graça da Revelação para toda a carne.
A pobre mãe estava aflita, sem ter o que falar. A conselheira estendeu-lhe a mão, em sinal de despedida. E foi quando ela disse, comovida:
– Como poderia, minha senhora, fazer por mim alguma coisa?
A conselheira prontificou-se:
– Traga um objeto que tenha sido usado pelo rapaz, quando quiser, a mim, que lhe farei conhecer quem lhe fale o que convém. Temos um bom médium psicômetra, um profeta moderno que muito pode ver, quando Deus lhe concede a graça...
– Profeta?!... – fez a pobre mãe, admirada.
A senhora conselheira explicou-lhe, bondosa:
– Profeta é médium, nada mais; é pessoa com faculdades intermediárias entre o mundo carnal e o mundo espiritual. Para haver intercâmbio, para a Revelação de fato funcionar, há que ocupar elementos humanos apropriados; e os tais elementos humanos apropriados são os médiuns ou profetas. Não se importe, senhora, com os falatórios dos tontos que se acreditam mestres das coisas de Deus, nada sabendo senão de seus vícios idólatras, de seus ronceirismos interpretativos, isso que é fanatizar pela letra e blasfemar contra a Revelação, ela que sempre foi e é o instrumento informativo e consolador.
– Quer, então, algum objeto que tenha pertencido a meu filho?
– Sim, algum objeto que tenha sido imantado pelo seu magnetismo, a fim de haver contato entre o médium psicômetra e o seu rapaz.
Separaram-se as duas senhoras, mutuamente obrigadas; uma a trazer um objeto imantado pelo filho, a outra a levar esse objeto a ser psicometrado, para haver estudo sobre o rapaz e o seu mal, por parte do médium psicômetra.
Dias depois, a pobre mãe comparecia, trazendo uma camisa e perguntando se poderia ser útil.
– De tudo quanto andei apanhando nas mãos, nada me pareceu mais adequado do que esta camisa...
– Desmanchou-se de tanto usar? – perguntou a outra, vendo que a camisa estava esfiapando.
A pobre mãe é que se desmanchou em lágrimas, pelas recordações que a camisa lhe trazia à memória.
– Vamos ao rapaz – convidou a conselheira – que vem agora para o almoço.
E lá se foram, trocando idéias, confrontando pontos de vista.
Zainer acabava de chegar e estava almoçando, quando elas chegaram; como vinha acontecendo, por ser muito serviço, nós o mantínhamos sob vigilância e conforto. Nossa presença era contínua, em tais casos, como recompensa ao seu devotamento. Embora fosse ele um grande culpado em trabalhos ressarcitivos, tinha o mérito de ser leal servidor do seu próximo, abnegado irmão de seus irmãos sofredores.
Entrando na sala, foram apresentados. A protestante fitou-o bem, procurou algum resquício dos Profetas hebreus no dedicado Zainer. Não viu nele Isaías, nem Daniel; não viu uma nova edição do Precursor e não reconheceu em Zainer vestígio algum de qualquer dos Apóstolos. Porque essa gente, que seria capaz de crucificar de novo o Cristo, sob a alegação de ser feiticeiro, tem a mania de dizer que os médiuns são apenas homens e mulheres... Esquecem, portanto, em benefício dos tacanhismos a que se devotam, e tacanhismos fanatizados, que os Profetas, o Precursor e o Cristo, nada mais foram, como humanos, do que homens. Isto é, não sendo capazes de julgar segundo a reta justiça, ou segundo as realidades espirituais, julgam cegamente, fazem obra de Caifás ou de blasfêmia.
Entretanto, Zainer disse, antecipadamente:
– Dê-me, senhora, a camisa de seu filho... Meu Guia diz que ele está recolhido a um manicômio... Diz, também, que isso devia acontecer, porque o seu fanatismo sectário não aceitaria coisa alguma sobre as verdades de Deus, a menos que um tremendo sofrimento assim obrigasse.
Lívida, a pobre mãe entregou a camisa, sem desembrulhá-la, sequer.
– Aqui está... Seja feita a Vontade de Deus...
Atuando sobre Zainer, fizemos que respondesse:
– Para haver de fato prevalência da Vontade de Deus, cumpre que não se imponha contra ela o ignorantismo humano. Lembre-se de que o Sinédrio encravou Jesus num lenho infamante, como feiticeiro, contra a Vontade de Deus. Não se faça, pois, em nome de Deus, aquilo que contraria a Sua Vontade.
A protestante pretendeu observar:
– Não acho fácil conhecer bem a Vontade de Deus... Tanta coisa há que dizem ser a Verdade, que dizem ser de Deus, e que a gente vem a descobrir em contrário.
Ainda uma vez fizemo-lo dizer:
– A Vontade de Deus expressa-se através da Lei de Deus; se todos os filhos de Deus quiserem, na conduta humana em geral, dar-se ao trabalho de executar a Lei, teremos todo o respeito possível pela Moral, pelo Amor e pela Revelação. E onde houver tais respeitos, por certo não haverá religiosismos, clerezias, dogmas, simulacros, fanatismos de letras, etc. Porque a Lei de Deus, o documento irrevogável, não manda fazer coisas contraditórias.
A senhora protestante confidenciou:
– Desde três dias que tenho lido a Lei de Deus... Realmente, ela não fala em religião alguma, ordenando que se ame a Deus e que se ame ao próximo. Também acho que ela veio pela Revelação, como esta senhora me falou, contendo, portanto, afirmação em favor da Revelação.
Zainer disse-lhe:
– Essa coisa nós sabemos e cultivamos, logo não temos por que discuti-la.
E passou a dizer, com referência ao filho dela:
– Vejo o seu filho recém-nascido... Observo que o cercam vultos negros, embuçados... Reparo que ele vai crescendo, crescendo... Noto que o menino fica mocinho e que os vultos negros se aproximam... Vejo uma balança, como sendo o símbolo da Justiça Divina, que pesa sobre ele... Isto faz que os vultos embuçados se aproximem, dominem e o transformem em uma pessoa alterada... Agora é um anormal, por motivos espirituais, nada conseguindo a medicina em tal caso...
Parou, leu o que lhe foi mostrado e tornou a falar:
– Sobre ele aparece uma faixa, tendo esta legenda: – “Procurem, para sanar o mal espiritual, o remédio espiritual; tirem-no do manicômio o quanto antes, pois há cura para ele, desde que se proponham os pais e ele, quando for hora, ao conhecimento das leis de Deus”.
Haviam cessado as visões psicométricas, quando foram ditas estas palavras, endereçadas à mãe do rapaz:
– Leia O LIVRO DOS ESPÍRITOS o quanto antes.
A mãe do rapaz disse que sim, tornando a voz a dizer, por intermédio de Zainer:
– Não tenha receio algum, pois Jesus veio para batizar em espírito, e não para deixar letras que não escreveu, letras adulteradas e adulteráveis.
– Muito bem – disse ela – eu farei isso.
– A Revelação é que é a Palavra de Deus – disse a voz, retornando – as letras, para serem fiéis, devem testemunhar a Revelação como sendo o instrumento informativo,
instrumento que adverte, ilustra e consola. Busquem o conhecimento das leis de Deus, através da Revelação, e livrar-se-ão de todo o mal.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.