Voltar ao livro Nos Domínios Maravilhosos da Psicometria

Capítulo 4 de 14

Psicometria — parte 2 de 12

Nos Domínios Maravilhosos da Psicometria · Osvaldo Polidoro

– Meu irmão, procura eliminar a dor com os recursos do Amor e da Sabedoria; o Bom Deus quer que sejamos amorosos e sábios, e não eternos sofredores. Os castigos que nos atingem, assim como temos concebido, são os resultados de nossas próprias ações. Quando soubermos nos valer das nossas faculdades latentes, das nossas virtudes psíquicas, iremos eliminando as dificuldades e as dores. Ninguém foi feito para ser eterno sofredor, mas sim para se tornar livre e luminoso. A dor é filha da desarmonia, é resultado da falta de equilíbrio íntimo.

Perplexo, Zainer comentou:

– Tudo isso é muito complexo... Por isso é que nunca tive jeito para aprender semelhantes coisas. Não basta a vida de cada dia ser tão trabalhosa?

O irmão abanou a cabeça, em tom de lástima, aduzindo:

– Tudo quanto é fundamental deriva de Deus; ninguém precisa criar coisa alguma que seja necessária, senão que deve saber, ou procurar conhecer, para manipular e usar do melhor modo. Lembra-te, pois, que a chamada Criação é completa, embora nós sejamos ignorantes de muitas realidades, aqui da Terra e dos outros mundos. O que nos importa, por isso mesmo, é fazer bom uso de nós mesmos e de tudo quanto venhamos a conhecer e a ter.

– Aí começa a complicação! – exclamou Zainer.

– Não vejo complicação alguma – replicou Félix – desde que se tenha conhecimento da Lei de Deus e se faça questão de pô-la em execução. Os Dez Mandamentos é que devem ser totalmente observados, para que se atinja o supremo grau de felicidade individual. Porque, escuta bem, ninguém virá a ser individualmente feliz, a menos que seja socialmente correto.

Zainer explodiu:

– Na Terra?!... Neste mundo?!...

– Na Terra, como não? – revidou Félix.

– Cristo não foi crucificado?!... – bramiu Zainer, alterado.

Sorrindo, Félix respondeu-lhe:

– Zainer, o mundo não é que deve prevalecer... Perante Deus, lembra-te, crucificados foram aqueles que crucificaram o Cristo. A vitória deve ser do espírito e não do mundo. E para tu saberes como se vence o mundo, deves aprender com Jesus como se executa a Lei de Deus, o Código Inderrogável.

Zainer encolheu os ombros, murmurando:

– Andei lendo o Evangelho, mas por alto...

Explicou-lhe o irmão, estreme de bondade:

– Zainer, fora da Lei tudo seria falho. Jesus veio para ser Modelo perante a Humanidade. Observa bem, Modelo na conduta perante Deus, Modelo na conduta perante Seus irmãos e Modelo em face de Si mesmo. Lei, Amor e Revelação, as bases da Excelsa Doutrina, n’Ele tiveram perfeita execução. E se quiseres bem compreender o que importa realizar, nunca te esqueças da Lei, do Amor e da Revelação. Porque é impossível estar com o Cristo, com o Divino Modelo, estando contra os fundamentos da Doutrina trazida por Ele.

Enigmático, Zainer balbuciou:

– A Lei assusta... A Lei é curta e difícil...

– Bem dizes, irmão, pois a Lei contém tudo em essência; ela ordena que se não cometam idolatrias; ela concita à mais perfeita conduta social; ela afirma a Revelação como sendo o instrumento de advertência, ilustração e consolo. Onde estiver a criatura inteligente, ali estará alguém que sabe ver na Lei a importância e a grandeza de se amar a Deus em Espírito e Verdade; ali estará quem sabe o que é ser decente na conduta social, para merecer de Deus as melhores graças; e ali estará quem sabe para o que serve a Revelação. Tens muita razão ao dizer que a Lei é curta e difícil; realmente, Zainer, a Lei contém o germe de todos os chamados Livros Sagrados, porque encerra as três máximas lições – como Deus deve ser amado, qual a conduta social entre irmãos e, por fim, como devemos encarar a graça que é a Revelação.

– Por ter sido veiculada pela Revelação?

– Justamente, Zainer, se não fosse a comunicabilidade dos espíritos, quantas verdades a menos conheceríamos?

– Eu sou pobre nessas coisas, bem sabe...

– Observa, em síntese, o que a Revelação ensina sobre Deus, a Emanação, as leis regentes e as finalidades de tudo quanto faz parte da chamada Criação, seja espírito ou matéria. Acima de tudo, lembremos o que tem ensinado sobre a necessidade de Moral, a importância total que tem na edificação do espírito, em sua obrigação de cristificação íntima. Não esqueçamos, também, que lembra ao espírito a sua condição de imortal, evolutível, responsável, reencarnável, comunicável e passível de habitar os mundos. Enfim, Zainer, a Revelação é quem é, porque sempre foi, o instrumento de advertência, ilustração e consolo. Desde priscas eras que vem ela esclarecendo as criaturas, do melhor modo, enquanto os religiosismos, os cleros, as oligarquias idólatras, ditas religiões, tudo fazem para desviar a Humanidade do rumo certo, dos verdadeiros ensinos.

– Então – inquiriu Zainer – você não acha que todas as religiões são boas?

Félix abanou a cabeça e sentenciou:

– Eu acho que todos devem procurar ser criteriosos, corretos discernidores, a fim de se fazerem dignos conhecedores da Verdade que livra. Em nome de Deus, meu irmão, todos os crimes já foram praticados. Basta que se aplique uma idolatria, ou se faça um tribofe, ou se arme uma arapuca, contanto que seja em nome de Deus, do Cristo e do Bem, chega para ser religião, basta para atrair gente crédula. Ora, a Verdade que livra jamais estará com tudo isso, porque ela não é amolgável ao chicanismo humano. Cumpre, portanto, a cada filho de Deus, procurar conhecer as melhores verdades, dentre todas aquelas que se fazem evidentes, a fim de poder ir atingindo o máximo em demanda à Verdade Total, à consciência da Unidade. Este é o estado de união, de sintonia com o Pai Divino, a que todos os filhos devem chegar por desenvolvimento íntimo, por iluminação interna.

Até certo ponto concorde, Zainer comentou:

– Quero entender, Félix, que haja diferença entre a Verdade e as religiões; é impossível que a Verdade, ou Deus, ande em harmonia com as religiões ou seus senhores. Nunca pude estar de acordo com as concepções humanas, com os ritos, com os sistemas inventados pelos cleros, como sendo aquilo que possa valer ao espírito, na hora em que tenha de se apresentar e responder pelos seus atos. Devo dizer, também, que tenho lido o último capítulo do Apocalipse, por instância de um espírita, encontrando ali afirmativa severa sobre o comportamento de cada um, para efeito de responsabilidade.

– Neste caso – argumentou Félix – não te é fácil reconhecer que a responsabilidade é individual, segundo as obras de cada um e não segundo os conceitos errados que venha a endossar? Isto é, que cada qual terá que responder por si, pelos seus atos, sem pretender que rituais possam livrá-lo de faltas cometidas?

Zainer silenciou, meditou e terminou dizendo:

– Bem, meu irmão, eu creio que haja uma Lei, uma vontade de Deus, Suprema e acima de cogitações, que não se envolva nas bagunças que os cleros inventam, bagunças que pretendem eles, possam valer como meios de libertação espiritual. Andei lendo, como disse, o Evangelho, tendo chegado a compreender que Jesus definiu perfeitamente a responsabilidade de cada um, segundo suas obras.

Félix exultou, exclamando:

– Bravos! Em Jesus tu encontrarás sempre as três verdades básicas – a Lei que dignifica, o Amor que diviniza e a Revelação que adverte, ilustra e consola; se, portanto, quiseres conhecer a Verdade que livra, anda sempre por esse caminho, nunca te esqueças de prestar atenção aos deveres que te cumprem. E terás, conseqüentemente, elementos de sobra com que contar, para não cair em confusões. Porque, Zainer, toda a obra de Jesus foi apenas um simples testemunho das três virtudes fundamentais que a Lei de Deus contém. Pelo menos para mim, confesso, nada vejo no Cristianismo, na Excelsa Doutrina, mais do que Lei, Amor e Revelação. Jesus, que foi apresentado como Divino Modelo, nada mais fez do que exemplificar o respeito que todos os filhos devem às leis regentes que o Pai estabeleceu. Podes observar, portanto, que importa conhecer as leis, para aplicálas, sem se importar com os religiosismos humanos, sempre inventados para encher a pança, o bolso e fartar as vaidades daqueles que se dizem ministros de Deus, que são

apenas ministros de si mesmos, pois aqueles que transformam a fé em meio de vida jamais serão fiéis servos da Verdade.

– Então – concluiu Zainer – temos por obrigação afirmar que as religiões e a Verdade não andam de mãos dadas?

Ponderoso, Félix acrescentou:

– Todos os movimentos humanos tiveram seus demagogos; e a Religião, o verdadeiro culto da Verdade, não poderia ficar imune. Os religiosismos, os cleros, as traficâncias formalistas, tudo isso é demagogia. Deus, a Verdade, o Cristo e tudo quanto tenha acento merecedor de respeito, têm servido para garantir a função dos chicanismos humanos. Eu sou contra, eu fico à margem de tudo aquilo que não constitua respeito prático em favor da Lei, do Amor e da Revelação. E, para isso, como poderás analisar, não há necessidade de mercantilismos, porque essas virtudes ou leis, são de ordem íntima, nada devem aos sindicatos da mentira que se dizem religiões.

Zainer entusiasmou-se, proclamando:

– Agora começo a entender a coisa! Para ficar bem com a Verdade é preciso que se rompa com a mentira. E para fazer isso, ou conseguir isso, faz-se mister muito esforço, muita análise e devotamento à Verdade, porque as criaturas estão por demais viciadas no culto da idolatria e dos erros que passam por religião.

Félix assentiu:

– Eis aí, meu irmão, a razão por que não fico de acordo com aqueles que endossam o conceito de que todas as religiões são boas. A Verdade é boa e devem ser bons aqueles que procuram conhecê-la e vivê-la nas obras de cada dia. Quanto às religiões, não passam de acomodações convenientes a certos agrupamentos; no fundo, Zainer, existem outras coisas, pairam conchavos humanos, interesses de grupos, de políticas imperialistas. Minha opinião é, conseqüentemente, em favor da Verdade; e para ser da Verdade, nada como ser livre de maquinações de homens, nada como viver à margem de estatutos feitos por mercadores da fé alheia.

– Estou consigo, agora que o entendo, meu irmão – pronunciou-se Zainer.

Enquanto sentavam-se em torno à mesa, Félix comentou:

– Jesus quer elementos de fato, gente que se defina em favor da Verdade, que dê a vida, se preciso for, pela Causa Justa. Quem na Terra quer ficar com tudo, quem acha que tudo é religião, ou é ignorante ou é hipócrita. Ele, o Divino Modelo, não deu exemplo de comodismos mentirosos, de farsas e de acomodações hipócritas. Todos sabem que, a bem da Verdade, rompeu com os chicanismos clericais e se prontificou à crucificação! É preciso mais algum exemplo, para se saber como devemos proceder?

– Também sou de opinião – aventou Zainer – que os homens de bem devem definir-se. A Terra é por demais cheia de erros e de absurdos, para que em nome da Verdade fique alguém com tudo e se acredite digno discípulo de Jesus. Ignorância não é

programa libertador e hipocrisia não é virtude, não é medida que se apresente como expressão de boa vontade para com Deus e para com o próximo.

Félix estava meditativo, razão por que, a seguir, murmurou:

– Se Jesus quisesse ficar com todos, inclusive com o Sinédrio, não teria ido direto do berço ao Calvário... O mundo precisa de homens que se definam em favor da Verdade que livra. E para isso, Zainer, faz-se mister o rompimento com os ramerrões que passam por religiões, que pretendem estar com a Vontade de Deus, quando realmente estão apenas com as traficâncias humanas, com os engodos que foram inventados no curso dos milênios, em torno dos quais parasitam milhares de homens e de mulheres, verdadeiro exército de viciados em várias idolatrias. É o mundo materialista, animalizado e analfabeto que deve acabar, para que surja o mundo melhor, aquele mundo constituído de criaturas decentes, de filhos de Deus que se tenham feito mais puros e mais sábios, capazes de melhor conduta social, porque capazes de amar a Deus em Espírito e Verdade, sem se fazerem escravos de simulações e comercialismos degradantes.

Foi posta a mesa e todos fizeram a refeição. Muitas idéias foram trocadas, como não podia ser de menos, em torno do que vinha ocorrendo com Zainer; isto é, sobre as falas de Rosália, que cada vez mais se queixava.

– Tenho penado!... Tenho penado!... – lastimou Zainer, aflito.

– Dentro em pouco – aparteou a cunhada – faremos uma sessão; e se ela puder falar, teremos oportunidade para fazê-la consciente do estado e dos deveres que cumprem a um filho de Deus. Afinal, Zainer, lá vão três anos desde que desencarnou!... Como deve ter sofrido a pobrezinha!...

Zainer encolheu os ombros e balbuciou:

– Desde que nos conhecemos, nada mais fizemos do que sofrer... E não foi por falta de amor, pois a nossa união jamais poderia ser mais ideal e intensa. Nunca pensara em casar, até o momento em que a vira, por mero acidente. Foi como se tivesse encontrado a minha própria vida, o único e real objetivo da vida! E tudo acabou em dor!... E tudo foram desgraças e mais desgraças!... Ainda por cima, nem a morte acomodou as coisas... Nem a morte...

Convicto, Félix interveio:

– Os fatos relacionam e ligam os indivíduos, mesmo que os indivíduos nada entendam das leis de Deus. Portanto, Zainer, a morte, que é mero acidente transitivo, não pode fazer santos nem devassos. A morte e o nascimento fazem com que os indivíduos troquem de estado e posição, de modo exterior e passageiro, mas não fazem por si mesmos coisa alguma; é necessário que os indivíduos conheçam as leis, saibam como usá-las, para extraírem os benefícios possíveis. Caso contrário, sucedem-se as idas e as vindas, repetem-se os acidentes comuns a ambos os estados, sem que os espíritos colham vantagens.

Com ar de aceitação, Zainer monologou:

– Concordo... Concordo... Deve haver motivo...

A cunhada acrescentou:

– Nós conhecemos um pouco da sua história... Devem-se trabalhos de recuperação, porque em face da Lei andaram cometendo gravíssimas faltas...

Zainer ouviu aquelas palavras e tomou-se de grande interesse:

– Como é isso?... Por que não me dizem o que é?...

Félix aconselhou-o:

– Não tenhas tanta pressa, meu irmão; faz centenas de anos que vós viveis a bordejar a recuperação, sem acertar com o melhor modo de realizá-la. Por que, então, toda essa pressa, agora que ouviste Sara dizer do pouco que sabemos? Afinal de contas, lembra-te, o bom senso não te trouxe aqui... Se não fosse o sofrimento, se não fosse o medo, onde estarias tu? Estarias aqui, tratando das coisas do espírito, através das leis de Deus?

Amuado, Zainer queixou-se:

– Reconheço tudo isso... Todavia, serei o primeiro a buscar a Verdade pelas opressões da vida, por suas imposições?

A cunhada falou, comovida:

– Não... Não és tu exceção alguma. A Terra é um mundo inferior, bem o sabemos, cujas criaturas se lembram da Verdade e do Bem, somente quando a dor exige e força no sentido da necessária solução. A conduta certa seria procurar os caminhos do Amor e da Ciência, a fim de marchar para a suprema finalidade, que é a edificação íntima em base de Pureza e de Sabedoria; todavia, como os espíritos terrícolas ainda são brutos, muito dados a cultivar os mais baixos instintos, somente a dor consegue abalar as mentes e os corações, fazendo com que se lembrem dos deveres evolutivos, da finalidade a que cumpre atingir. E tu, Zainer, não és diferente dos demais filhos de Deus lotados neste Planeta, neste pobre mundinho... Por isso mesmo, não tenhas pressa, agora que vens de te chegar um pouco na direção da Verdade que livra; queira, de qualquer modo, andar pouco e com segurança.

Zainer ouviu, moveu os lábios mas nada pronunciou; estava defrontando, naturalmente, problemas íntimos dignos de melhores atenções. Foi seu irmão quem falou, propondo:

– Queres, de fato, conhecer a Verdade que livra? Isto é, aquela porção que por ora e aqui na Terra é possível conhecer?

Frente a tal pergunta, feita com toda a convicção, Zainer respondeu:

– Se não estiver muito longe e não for muito difícil, quero.

Sara riu-se do modo dele falar, aduzindo a seguir:

– A Verdade que livra está dentro de cada um dos filhos de Deus! Quem se encontra, como espírito que é, encontra em si mesmo as leis regentes e pode começar com segurança e afinco o trabalho de edificação. Cada um de nós é um Cristo em processo de fazimento, em desabrochamento. O que importa, entretanto, é conhecer ao máximo as três realidades máximas, que são: ORIGEM, PROCESSO EVOLUTIVO e FINALIDADE. Quem conhece o programa de maneira teórica, nada mais deve fazer do que se empregar de modo prático a bem de sua execução.

Zainer fez um gesto de cansaço, exclamando:

– Pelo amor de Deus! Já se escreveram milhões de livros, em torno de não sei quantas centenas de milhares de filosofias, sem que a Humanidade se tenha encontrado e realizado celestialmente!

Félix aparteou-o, dizendo:

– Procura conhecer bastante sobre a Lei, o Amor e a Revelação. Porque daí é que derivam todos os conhecimentos fundamentais e necessários. Sem Deus não poderia haver a Lei de Deus. E a Lei contém, como já te disse, os três sentidos de que carecemos, para trilhar o caminho libertador. Jesus, que veio para servir de Modelo Divino, afirmou sobre a Lei tudo quanto tinha que afirmar. E nós temos sabido, pela Revelação, que ela concita à verdadeira conduta, quer para com Deus, quer para com o próximo. E aquele que sabe se conduzir para com Deus e para com o próximo, por certo está na trilha libertadora. Quanto à Humanidade, convém saber que pouco tem se importado com os seus reais interesses... Ou nada faz pelo melhor conhecimento, ou se entrega a idolatrias e comercialismos pagãos, acreditando que nisso estejam os melhores conhecimentos. Tu, por exemplo, és a prova do que dizemos... És ou não? Que tens feito para saber de tua ORIGEM, do PROCESSO EVOLUTIVO a que te achas obrigado e da FINALIDADE que deves atingir?

Zainer estacou, tendo feito apenas um gesto negativo de cabeça. Era apenas um, dentre os milhões de filhos de Deus que nada fazem para se reconhecerem tal e se entregarem, daí por diante, ao trabalho de crescimento íntimo.

Hora e meia após a refeição, em ambiente psíquico deveras favorável, pelas orações feitas e nobres sentimentos esposados por todos os presentes, procuraram eles entrar em comunhão com o mundo espiritual. Depois de breve leitura e alguns comentários do Evangelho Segundo o Espiritismo, Félix pronunciou palavras de fé e recomendou o máximo de concentração mental, para facilitar aos bons espíritos o contato ideal.

– Bem sabemos – disse ele – que os melhores espíritos sofrem restrições ao penetrarem a nossa atmosfera; mais ainda sofrem, porém, ao terem contato com o nosso ambiente áurico, por culpa de nossas condições mentais, quase sempre voltadas para as

coisas mundanas, para os animalismos prejudiciais. Vamos, pois, fazer o melhor dos esforços, a fim de nos tornarmos acessíveis, fáceis de contato, para obtermos a Graça da Revelação, isto é, suas lições de advertência, de ilustração e de consolo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.