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Capítulo 11 de 14
Psicometria — parte 9 de 12
Nos Domínios Maravilhosos da Psicometria · Osvaldo Polidoro
Desde os mais remotos Budas, tendo princípio em Ima, o mais remoto de todos os Grandes Iniciados, a Doutrina da Unidade, e da União, por evolução, dos filhos com o Pai Divino, tem sido ensinada. E Jesus, Aquele Celeste Ungido que veio abrir as portas da iniciação para toda a carne, através do seu batismo de espírito ou Revelação ostensiva, repisou a mesma doutrina, por ser ela simples, normal e necessária ao espírito. Isto é, por evolução dar-se-á a sintonização vibratória, a União no mais alto grau de consciência.
Trata-se, portanto, de elaborar a União no âmago, onde Deus está, como Divina Origem. Isto, irmãos, deveria ser a lição primeira, o marco inicial da aprendizagem total, da caminhada através das gradações evolutivas conscientes. Isto é, pelo menos depois que se entra na espécie hominal e se chega a ter algum conhecimento das leis de Deus. Deveria ser, dizemos, o início da escalada evolutiva, a primeira condição imposta pelo indivíduo a si próprio.
Que seria preciso fazer, porém, para tal coisa acontecer? Naturalmente, as coisas seriam outras, se houvesse um pouco mais de honestidade e boa vontade por parte, pelo menos, das religiões, daquelas agremiações que se dizem escolas de fé. Que se dizem escolas de fé, mas que são, em regra, verdadeiras concentrações de crédulos, entregues, quase sempre, a homens que são grandes amigos de suas vaidades, de seus orgulhos, de suas manias conceptivas, de seus títulos do mundo, de seus respectivos bolsos e estômagos.
Salientamos bem, por estas alturas, que não tomamos a sério as ditas boas intenções daqueles que fazem da religião meio de vida e carreira nobiliárquica; os simplórios costumam acreditar, ou pelo menos admitir, aquilo que fazem aquelas pessoas que se dizem ministros de Deus. Peço o favor de me não confundirem com isso, porque sou um cidadão desencarnado e que gosta muito de observar os homens de dentro para fora e não de fora para dentro.
Os encarnados vêem de fora para dentro, a certos homens que, se fossem vistos de dentro para fora, causariam grandes angústias e profundos abalos. Quando nada mais houvesse, reconheceriam que eles nem sequer sabem ser ignorantes sinceros, o que seria uma virtude, e que são matreiros na arte da simulação, pois dão-se a fazer que os outros confiem, principalmente os que pagam ou compram idolatrias, naquilo que eles mesmos não acreditam.
De um modo geral, irmãos, tende todo o cuidado ao lidar com aqueles que colocam elementos materiais, ou a matéria, a servir de instrumento intermediário de adoração a Deus. Tudo quanto é material é para ser bem usado materialmente, porque a matéria nunca será mais do que o espírito, para vir a ser adorada. E quando, portanto, alguém coloca a matéria como intermediária, já está cometendo crime de lesaespiritualidade, já está traindo o segundo mandamento da Lei de Deus.
E assim por diante, também os que se fanatizam pela forma, como por exemplo a dos livros ditos sagrados; porque a Palavra de Deus sempre foi a Revelação e nunca escrito algum, adulterável ou adulterado. A Lei, que é ou foi escrita, e que é o maior documento da humanidade, veio pela Revelação e nela encontra seu testemunho. Nenhum espírito consciente, fica lembrado, jamais dirá um ceitil contra o Código Divino. Jesus veio executá-lo, para ficar como Exemplo Vivo, deixando patente que ninguém poderá ser grande ou bom filho de Deus, se estiver agindo fora das encomendas da Lei de Deus. Os que obram a iniqüidade, fica dito, são os que aborrecem a Lei, são os que desarmonizam. Serão postos de lado, como Jesus afirmou, porque suas obras foram más, embora as palavras fossem boas.
Natália fora verdadeira fanática pelos formalismos, como sejam velas, imagens e amuletos, objetos e coisas ditas de bom resultado, para ter sorte na vida, em seus amores e negócios. Dizia ela, como tanta gente o diz, que Deus é Espírito e Verdade, Onipresente, Onisciente e Onipotente; mas, como tanta gente o faz, andava pendurando em Deus os seus simulacros; pretendeu, a vida toda, que Deus fosse o escravo e não o Senhor de tudo aquilo, daquelas quinquilharias e superstições.
E como todos os que encarnam virão a desencarnar, mais dia ou menos dia, a hora de Natália chegou. Depois de breves males, sem que ninguém percebesse, da parte dos familiares, Natália espírito abandonou o corpo; deixando Natália corpo para ser devolvido
ao laboratório da mãe Natureza, a fim de, conforme as leis da retorta telúrica, servir a outros fins, entrar na constituição de outros corpos, orgânicos e inorgânicos.
Que sucedeu com a Natália espírito? Em que condição e situação veio a se encontrar, em seguida à desencarnação? Uma vez que era muito crente, pelo ângulo em que podia sê-lo, que lhe coube por turno, ao reentrar no plano espiritual, depois de cinqüenta e poucos anos?
Natália não ficou muito tempo ignorando seu estado, porque continuou apelando a seus simulacros; mas o seu conhecimento do estado, nem por isso lhe fez sair dali, do ambiente doméstico ao qual se prendera intensamente, fosse pelo apego aos bens do mundo, fosse pelas imantações idólatras e supersticiosas. Ela se encontrava totalmente ligada a tudo aquilo, porque a tudo aquilo se ligara através de recalcados pensamentos e vibrantes empenhos psico-magnéticos.
Não que lhe faltasse fé; mas sim que a empregou de modo excessivamente material. Assim como se fosse alguém que, tendo bons gêneros, por não saber cozinhar, fizesse de tudo umas comidas intragáveis, cruas ou queimadas, etc. Aquilo, enfim, que o maior número faz, e repete vidas e vidas consecutivas, achando ainda que é como de fato se deve fazer!
Porque o erro, em credo, passa a ser um vício, assim como qualquer outro nefando vício, que enquanto agrada por fora, prejudica por dentro; isto é, enquanto farta o viciado em seu anseio, em sua morbidez, vai-lhe minando o espírito, vai-lhe custando agravos cármicos, porque vai-lhe embotando os surtos de fatos espirituais, as manifestações de real espiritualidade, a União com o Pai Divino, que é no imo que deve ser feita.
Quem recorre a ídolos, sejam quais forem, tira de si o direito de sintonia e o transfere ao que jamais poderá tê-lo! A Divina Essência, que é nosso fundamento, com quem devemos ir religando, infusando, sintonizando por identificação perfeita em poderes vibratórios, jamais deve ser feita menos do que a matéria. Quem adora a Deus através de elementos materiais, de qualquer forma comete ato de afronta, de humilhação a si mesmo, uma vez que a Deus ninguém consegue humilhar. É ato abominável, porque paus e pedras, amuletos e coisas que tais, nunca poderiam ter qualquer valor inteligente ou moral, para intervir como poder espiritual. E além da afronta moral, resta ainda, para o seu cultivador, a triste condição de indivíduo medíocre, de espírito atrasado, dividido contra si mesmo.
A irmã de Natália passou a vê-la, um dia, ajoelhada defronte a uma imagem, e com aspecto irascível, como quem exprime revolta por desatenção. Enquanto a viu, não teve medo, mas a seguir apavorou-se, saiu correndo a clamar por socorro. E o marido, preocupado, alarmado mesmo com aquilo, foi ter com Zainer, de quem era amigo, para fazer a sua deposição sobre o caso.
– Nunca dei crédito a essas coisas, mas a Zuleika ficou estarrecida! Por isso é que vim procurá-lo...
Zainer interrompeu-o:
– Nunca soube de tais verdades, diga assim. Todos os que ignoram tais leis e fatos,
contam a história do mesmo modo, pretendendo ocultar a ignorância. O fato, entretanto, é mera questão de desconhecimento de causa e algumas gramas ou quilos de brutalidade. Assim lhe digo, tenha paciência, para não conferir à ignorância aqueles foros de respeito que devemos somente à Sabedoria e ao Bem.
Domingos ficou chocado, mas agüentou a situação, porque era daqueles que blasonavam suas aversões pelas coisas espirituais. E foi Zainer quem lhe disse:
– Vamos falar com o presidente do Centro, que reside aqui perto, a ver se podemos fazer uma sessão na tua casa?
E como Domingos concordasse, para lá se dirigiram. Hora e meia depois, lá estavam reunidos, orando pela abertura dos trabalhos, preparando para comungar com o mundo espiritual ou exercitar a Revelação, o instrumento conferido por Deus, cuja finalidade é advertir, ilustrar e consolar.
Depois da comunicação dos Guias, trouxeram Natália, que de fato estava mesmo entrando em franco período de alteração mental.
– Fui crente em Deus e sou crente em Deus! Por que, então, Deus me abandona e despreza?!... Tem hora em que sinto vontade de negar tudo!... Tudo!...
Através de Zainer, um Guia falou-lhe:
– Que teve e tem a idéia de Deus, isso é inegável. Mas quanto a confiar e a cultivar, confiou e cultivou idolatrias e superstições. Mereceu, tempos depois de haver desencarnado, reconhecer o seu estado... Entretanto, porque cultivou práticas contrárias à Lei e à verdadeira espiritualidade, ficou entregue a elas. Cumpre saber, ainda, que não foi amante de fazer o Bem, pelos meios possíveis a qualquer encarnado, confiando plenamente em suas idolatrias ou simulações. Tivesse feito o Bem e teria tido outros recursos, embora continuasse em plano inferior, por estar desprovida de melhor espiritualidade.
Sem compreender, revidou:
– Eu sei que fui religiosa!...
O Guia advertiu-a:
– Ser formalista não é ser realmente religiosa. Podemos dizer, mesmo, que a Verdade não é religiosa, bastando-lhe ser Verdade. Por isso mesmo que, conforme as lições de Jesus, ninguém foi convidado a procurar ter esta ou aquela religião, e sim a procurar conhecer e cultivar a Verdade, que é libertadora. Se quiser saber, por acréscimo, procure na Lei de Deus a chave da questão – ela ordena que se ame a Deus em Espírito e Verdade, que se ame ao próximo como a nós mesmos, e concita a que se cultive a Revelação, pois veio por intermédio dos anjos ou espíritos. A Lei, o documento impassável, testemunhado por todos os Grandes Reveladores e pelo Cristo Planetário, não é religiosa, é simplesmente Verdade. Por isso mesmo, saibam ou não os homens, queiram ou não, quem contra ela estiver não estará bem consigo mesmo, porque estará contra a Lei de Harmonia Universal. Se você, irmã, julga poder ensinar a Deus, daqui iremos e a
deixaremos como tem estado e está.
– Pelo amor de Deus!... – bramiu, terrificada.
– Então – disse-lhe o Guia – prometa que virá a ser inimiga de idolatrias e de superstições, prometendo, conseqüentemente, que virá a procurar os caminhos do Amor e do Conhecimento, que são os produtores da Pureza e da Autoridade. Se fizer isso, reconhecendo que a Excelsa Doutrina tem por fundamento a Moral, o Amor e a Revelação, tudo andará muito bem. Usar essas quinquilharias materiais, irmã, isso é para os mercenários da fé e é para os espíritos errados e medíocres.
Natália derramou lágrimas a valer, prometendo, a seguir, que faria tudo para se libertar daqueles nefandos vícios. E foi-lhe dito, prontamente:
– Não é aqui, nem com simples promessas, que se dá testemunho de amar a Deus em Espírito e Verdade, no templo da consciência! Não é aqui, neste lado da vida, que se prova o Amor pelo próximo! Não é aqui, no plano espiritual, que se honra a Revelação, como instrumento de advertência, ilustração e consolo! É na vida carnal, no seio da encarnação, o lugar onde se provam os verdadeiros conhecimentos e as melhores intenções para com a Verdade que livra!
E depois de tudo encerrado, em matéria de doutrinação, um outro Guia disse aos presentes, como complemento instrutivo:
– Usai a matéria como deve ser usada, para as reais necessidades físicas, mas não a façais intermediária em matéria de adoração ao Pai Divino, que tendes por Fundamento, Sustentação e Destinação. Não é possível que o espírito se diminua perante a matéria, sem incorrer em grave falta, pela qual terá que responder, mais cedo ou mais tarde. Ligaivos a Deus pelos elos do coração! Aumentai vossos créditos através das boas obras em sociedade! E fazei-vos grandes em Autoridade, pelo Conhecimento e culto das Leis Universais ou de Deus!
Fora, sem dúvida, uma grande sessão aquela, para todos nós; porque nunca é demais saber que devemos lavrar no íntimo a União, que devemos construir em nós mesmos a Celeste Conexão, tornando-nos também Espírito e Verdade.
Que poderá suceder a um indivíduo, pelo fato de, como filho de Deus que é, vir a usar mal as leis de que poderá usar, usando-se a si próprio de modo contrário à Lei de Deus?
Qual o montante de prejuízo que se causa, pelo fato de usar mal de si mesmo, de leis e de espíritos inferiores, inclusive de elementais?
Se a linha justa é amar e conhecer, para tornar-se Puro e Sábio, em que tristes coisas se embrenhará o espírito que, movido por forças mentais negativas, se lançará aos tremendos perigos da feitiçaria?
De um modo geral, saibamos, ninguém chegará a resolver o problema do Primeiro Mandamento, sem se tornar capaz de executar os outros Nove Mandamentos; porque o caminho que conduz à realização do Primeiro são os restantes. Aquele que transgride a Lei perante seus irmãos, jamais será capaz de executá-la perante Deus.
E enquanto for alguém assim errado, ficará sujeito às leis de ida e volta, de mergulhos na carne, de provas e de expiações.
Porque o espírito reencarna por estes motivos básicos, a saber:
a) Evoluir normalmente, quando não tenha nenhuma culpa a resgatar; isto é, ir-se tornando Puro e Sábio através das experiências comuns;
b) Para efeito de provas, quando tenha falhado em alguma coisa, ou mesmo que tenha cometido algum deslize de somenos importância;
c) Para efeito de expiação, quando tenha cometido ações tenebrosas, chegando a perder de todo, pelo tempo que durem as culpas, o direito de relativo livre arbítrio; e,
d) No caso dos Cristos e dos abnegados, que de si mesmos queiram tomar certos encargos, com o fito de auxiliar a Humanidade ou certos irmãos. É questão missionária, que sempre arrasta consigo grande soma de graças e poderes, em virtude da soma de renúncia que empregam na função.
Celestino, um dos irmãos diretores do Centro, apresentou em uma das sessões o caso de Evandro, um jovem que vinha definhando, morrendo aos poucos, sem que os médicos pudessem minorar-lhe sequer os mais graves aborrecimentos.
Evandro sofria apenas de fraqueza tremenda e terríveis acessos de angústia; o seu abatimento era de causar pasmo e as suas angústias faziam pensar em coisas infernais. Pela fraqueza caía por terra e pelas angústias gemia desesperadamente.
Preparamos, junto aos irmãos encarnados, uma sessão apropriada ao seu caso, depois de havê-lo psicometrado através de Zainer.
Que viu Zainer, a respeito daquele rapaz sofredor?
– Vejo o moço envolvido por negra fumaça e levando, pendurado no pescoço, um bicho estranho... A fumaça é infernal e o bicho sofre muito, caindo em tremenda angústia... Agora muda o quadro... Vejo o jovem, mais ou menos com dezoito anos, dançando com uma jovem morena, esbelta, porém muito mal acompanhada... Vultos de má catadura acompanham-na, parecem presos à sua aura, à sua história, aos seus pensares e às suas intenções... Aparecem os dois brigando, trocam-se palavras ásperas, batem-se...
Ficou quieto alguns segundos, depois continuou:
– Observo a jovem andando, subindo uma colina, entrando numa casa com ares sinistros... Vultos negros, indefinidos, montam guarda a essa casa... A jovem entra, fala com alguém que chama de tio, a quem pede bênção... O homem, que se acha muito mal
acompanhado, mas que se satisfaz com a companhia, ergue os olhos e diz-lhe palavras de bênção... Parece estranho que um tal homem pronuncie o nome de Deus e que pretenda abençoar alguém...
Mais uma pausa e uma vez mais torna à fala:
– Muda-se o quadro... Vejo o tal homem, conversando com os vultos negros e pronunciando o nome do rapaz... Escuto o que lhe falam os maus espíritos, ordenando que faça umas tantas coisas... Muda-se o quadro outra vez... O feiticeiro está arrancando alguma coisa de dentro de um gato preto... Arranca-lhe o coração e sorridente leva-o consigo, depois de atirar o gato morto no mato...
Pára mais alguns segundos e prossegue:
– Abre o coração do gato, coloca nele uma carta, uma carta que deve ter sido escrita pelo rapaz... Fecha o corte, amarra o coração, enquanto vai fazendo gestos e vai dizendo palavras... Diz que o rapaz fique, venha a ficar como o coração do gato... Que está atado, amarrado, para secar ou morrer... Muda-se de novo o quadro, vejo o homem procurar uma árvore e ali amarrar o seu despacho... A seguir fala alto, clama ao sol que seque o coração e que faça o rapaz pagar pelo seu crime... Clama, com todo o vigor, que os infelicitadores devem pagar pelo abuso, devem morrer por causa da desgraça feita a uma jovem...
Torna a silenciar e logo mais volta a dizer:
– Outro quadro... O feiticeiro entra numa caverna cavada no meio do mato, e ali acende velas de cabeça para baixo... Evoca seus espíritos, que presentes se encontram, que o atendem... Ordena-os e eles obedecem-no... Coisas esquisitas passam-se, porque os tais espíritos ruins entram nas pedras, nas árvores e pela terra, trazendo seres vivos, alminhas que gemem, que emitem guinchos tristes... Ao pronunciar ele certas palavras, com vigor, vai colocando num pano preto cascas de árvore, punhados de terra e alguns cascalhos de pedra... Apanha um vidro, uma garrafa... Derrama... Derrama sangue... Faz a sua mistura, prende as alminhas, cria uma nuvem negra, nuvem que envolve tudo aquilo, todo aquele pacote de imundícies, formando uma peça infernal, uma liga tenebrosa... Agora anda com aquilo, desce o morro e enterra o despacho num buraco recentemente feito... Depois de tapado o buraco, estende as mãos e pronuncia palavras de condenação... Reclama que morra o malvado, que pene como aqueles espiritozinhos amarrados, que apodreça como tudo aquilo que é matéria e deve apodrecer...
Cessada a visão, o presidente rogou a causa de tudo aquilo, dizendo o Guia encarregado de presidir ao trabalho:
– No passado está a razão; o psicômetra que observe mais, olhando bem para o jovem.
Zainer fixou os olhos no rapaz continuando a relatar os quadros:
– O jovem regride em idade... Passa a ser um velho... Um jovem, uma criança, nada... Reaparece como adulto, um homem de pele bronzeada, vestido como indiano, também muito mal envolvido... Quadros repetem-se, ele é feiticeiro... Usa de tudo... Terra
de cemitério, flores, ossos... Mata animais, tira-lhes o sangue e entrega-se a terríveis práticas... Entra no mar, passa embrulhos debaixo de ondas, pronuncia palavras e é acompanhado de tristes vultos negros... Vejo-o enterrando coisas, pacotes, animais, sapos enormes espetados em paus... Fica velho, todo rodeado de sombras negras, que o dominam inteiramente...
Silencia, demora um pouco e continua:
– O velho morre... Tem uma visão horrível e clama por Deus!... Aqueles vultos, aquelas centenas de vítimas clamam contra ele... O velho corre, assim como pode, querendo fugir... Afunda, afunda na terra!... Corre para todos os lados, vai de ponto em ponto, amarrado aos embrulhos que enterrou... Vive clamando, bramindo, uivando tenebrosamente!... Parece uma fera subterrânea!... Os vultos perseguem-no, não lhe dão trégua, causam-lhe pavor!... Nada mais vejo...
Depois de nova parada, volve à fala:
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