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Capítulo 13 de 14
Psicometria — parte 11 de 12
Nos Domínios Maravilhosos da Psicometria · Osvaldo Polidoro
– O Diretor Planetário, que foi apresentado pelo Pai Divino como sendo o Modelo a ser imitado, veio para executar a Lei e para tornar a Revelação generalizada. Procure nas Suas palavras o que disse sobre a Lei e não se esqueça de que veio ao mundo para realizar o grandioso fenômeno do Pentecoste, que foi o derrame de espírito sobre toda a carne. Cremos que qualquer pessoa, sendo honesta mentalmente, não precisará de interpretar o Cristo, porque ficará com Ele, com a interpretação que Ele a si mesmo deu. Isto é, Modelo em Moral, Modelo em Amor e Modelo em Revelação. Quem compreender isto, senhor Semir, terá a chave de tudo quanto foi mistério na antigüidade, deixando portanto os mistérios, para se apegar às leis e aos fatos, caminhando livremente pela trilha libertadora.
– Admirável! Admirável! – exclamou o sírio, satisfeito – Eu não sabia que o
Espiritismo fosse assim avançado e obrigasse a tamanhos estudos.
Zainer chegou naquela hora, tendo-lhe dito o presidente sobre as intenções do sírio riquíssimo; e havendo Zainer olhado para ele, refletiu no semblante a imensa alegria que lhe vinha das profundezas da alma, tendo ainda exclamado:
– O senhor traz consigo maravilhosas vibrações!... Que tem o senhor aí?!...
– Umas pedrinhas... Umas pedrinhas... – respondeu o sírio, satisfeito.
– Elas vibram de modo estranho e feliz! – disse Zainer, que por sua sensibilidade entrava em contato com as pedrinhas e com os pensamentos do seu portador.
– Quando poderemos psicometrá-las? – perguntou o sírio, interessado.
– Quando o senhor queira! – respondeu Zainer, imediatamente.
– Já? – fez o sírio, enfiando a mão no bolso, para tirá-las.
– Já! – endossou o psicômetra, estendendo a mão.
– Uma por vez! – sentenciou o sírio.
– Como queira – assentiu Zainer.
E lá se foram para a secretaria, onde os três homens se trancaram, para sondar em algumas pedrinhas alguns dos traços mais fortes da história terrícola.
– Primeiro esta! – apresentou Semir, colocando sobre a mesa a pedrinha que trazia um cartãozinho, onde se liam as palavras: “Estrada de Damasco”.
Zainer apanhou a pedrinha na mão direita, depois de havê-la desembrulhado, começando a expor os quadros que fora vendo:
– Vejo o senhor embrulhando a pedrinha, tendo outras ao lado, sobre uma secretária... O senhor ata o cartãozinho com a indicação, colocando o embrulho no meio dos outros... Agora enxergo a pedrinha, estando nas mãos de um homem, o qual viaja com o senhor, em um navio... Regredindo, vejo o senhor numa terra estranha, viajando, andando, comprando objetos, fazendo malas e despachando... Agora noto que alguém cava a terra onde o senhor aponta, e do meio de muitas pedrinhas, tira essa e observa-a com atenção... Guarda-a, com muito zelo, como se fosse relíquia...
Há um momento de silêncio, depois Zainer torna a descrever:
– Diz o Guia que essa pedra foi arrancada do local onde, segundo a tradição, Paulo de Tarso teve encontro com o espírito de Jesus...
– Justamente, conforme as indicações que obtive – respondeu o sírio.
Zainer prosseguiu relatando:
– Passam caravanas, gentes e mais gentes, de várias raças e de todos os modos... Ladrões assaltam, noctívagos dormem ao léu, piam as aves noturnas... Agora transitam legiões militares... Agora dão-se batalhas... Tudo passa... Um homem é morto e roubado... Surge um clarão imenso, um homem cai por terra e os outros acreditam-no enlouquecido, porque olham e nada conseguem ver... O barrigudinho está atônito, passa as mãos pela barba comprida, clama e apalpa as pessoas... Há tremor e pânico, há horror naqueles homens... Agora carregam o pobre cego, havendo alguém que foge, que abandona os companheiros, porque sente horror tremendo dentro de si...
Estaca, silencia um pouco e logo mais prossegue:
– Outros acontecimentos... As turbas passam... Há fremor nas gentes, há coisas no ar... O anseio move homens, mulheres, crianças... Gentes fazem caminhadas longas, querem ver, saber... Doentes, aleijados, chaguentos... Há de tudo pelos caminhos, as estradas encontram-se abarrotadas... Passam cavalos, camelos, gente de todas as espécies, de todas as condições sociais... Agora surge uma nuvem de pó, é a multidão que se aproxima... É Jesus!... É Jesus... Túnica branca, sem mais nada... É nos pés, que tem um couro, um couro atado por cima... Seus discípulos afastam o povo, a multidão... Mas todos querem chegar, todos querem ver, todos querem pedir... Ninguém obedece, todos querem falar... Jesus pára, atende, impõe as mãos, sara!... Há gritos, louvores, brados... Gente ajoelha, chora, ri, exclama...
Cessa a visão, tudo passa, o psicômetra anuncia:
– Tudo se foi; voltam a transitar as caravanas, os homens a pé, os cavaleiros e os militares... É noite, piam as aves, cantam os galos, o tempo passa...
O senhor Semir anuncia:
– Creio que agora já são acontecimentos de antes do Cristo, nada mais nos interessando de fato. Vimos a história em sentido regressivo. Quanto à pedrinha, é originária do local onde dizem que Saulo caiu diante do Cristo ressurgido. Na minha última viagem, quis trazer algumas relíquias, pagando caro para que me fossem facilitadas essas conquistas. Eu mesmo acompanhei as buscas, tendo essa pedrinha sido extraída de um metro de profundidade, de um terreno à margem da estrada.
Zainer tinha vivo anseio, por isso reclamou:
– Dê-me outra pedrinha!
– Esta – apresentou o senhor Semir, pegando a esmo.
O presidente olhou bem e leu o cartãozinho, onde se lia: “Monte Tabor”.
Zainer colocou a mão direita sobre a pedrinha, passando a relatar:
– Os mesmos trâmites iniciais... A viagem de trem, de vapor, de carro... A subida ao Monte... Peregrinos, gente que reza, que caminha em orações... Rolam os dias, passam os tempos, gerações que se vão... Batalhas, guerras, mortes... Surge a palavra
“Napoleão”... Recuam os dias... Caravanas de crentes sobem e descem, fazem orações, rogam... Há noites e dias, chuva e sol, peregrinos que choram e mercadores que berram seus produtos... Há profundo silêncio, há muita paz... O dia está lindo, cai a tarde... É Jesus que vai à frente, pensativo, muito pensativo... Ele fala, eu não entendo... Todos oram, todos ficam quietos... Estremece o ar, vibra a atmosfera, vibram os corações... Os discípulos estão falando, tremendo, clamando, porque a luz domina!... Três homens brilhantes!... Há glória espiritual no Monte!...
Pára, observa e continua:
– Jesus fala e eles ouvem, temerosos e cheios de unção... Descem do Monte... Rolam os dias, as noites... Agora é Jesus, sozinho, quem sobe o Monte... É noite e as estrelas brilham... Jesus medita, ora; reveste-se de luz, de estranho brilho... Desce do Monte... Passam dias, e Ele volta ao Monte... Fala com vultos brilhantes, com espíritos aureolados de luz fulgurante... Tudo brilha, tudo se transforma em glória... Desce Ele do Monte... Passam os dias, rolam os tempos... Outras pessoas sobem, descem... Creio que são tempos remotos, porque tudo parece isolado, triste, lúgubre, deserto...
O presidente falou:
– Formidável! Jesus costumava orar, então, nesse Monte, antes de lá ir ter com os discípulos, para o grandioso fenômeno da transfiguração.
O sírio apresentou outra pedrinha, onde se lia: “Horto das Oliveiras”.
Zainer fez a mesma coisa, pousando a mão sobre ela, começando a dizer:
– Dão-se as visões iniciais... Vamos passar por elas... O senhor está caminhando com alguns homens, discutindo sobre coisas não espirituais... É uma espécie de briga...
O sírio adiantou:
– Nesse dia, por causa de algumas latas de azeitonas que mandara despachar, houve séria discussão numa praça... É isso mesmo.
Zainer continuou:
– Passam-se quadros, todos com referência à cidade... É do senhor, parece-me, que estão vindo os quadros... Quer ficar mais longe, por favor?...
O senhor Semir foi parar num canto da sala, tendo Zainer prosseguido:
– A pedrinha irradia, porém muito apagadamente... São quadros opacos e neles movimentam-se turbas humanas, um vai-e-vem contínuo... Deságua tremenda tormenta, com relâmpagos e negror no espaço!... Uma mulher rola pelas águas e clama por socorro... Tudo passa... Tudo passa... Transcorrem os dias... Creio que estamos no tempo... Muita gente no Horto; o Horto está mudado, somente árvores e pedras... Parece que vejo, ao longe, a multidão apinhada... O quadro aclara-se, os panoramas mudam... Várias vezes Jesus aparece, no meio de imensa multidão, que oprime, que se aperta... Agora estão agasalhados, Jesus está coberto de manto, e o manto é um tom de vermelho-claro... Os
quadros passam... Sucedem-se... Avançam pelo tempo... O Sermão da Montanha, não pude vê-lo e identificá-lo!...
O presidente lastimou:
– O maior poema que se disse na Terra!...
O sírio endossou, cheio de unção:
– A renúncia em forma de poema!... A conquista do Céu pela brandura e pelo perdão!...
Zainer comentou, dolorido:
– Se ao menos os senhores pudessem ver Jesus!... Que majestade, meus irmãos, dentro daquela doçura!... Parece um sonho divino!...
Comovido, Zainer derramou copiosas lágrimas; e a sessão psicométrica daquele dia teve o seu fim.
A outra pedrinha, apresentada no dia seguinte à noite, quando os três de novo se reuniram, estava com a legenda: “O batismo de Jesus”.
Zainer colocou-lhe a mão em cima, iniciando a revelação dos quadros que se iam desenrolando:
– Os mesmos quadros iniciais de viagem... A sua chegada à beira do rio, ao pôrdo-sol!... Um homem cava a terra, tira uma pedra, quebra-a e apanha um pedacinho... O senhor olha, mostra a outro homem e este faz sinal de não... O outro cava mais, afunda o buraco e tira dali outra pedra, esta bastante clara... O senhor olha, o outro homem também e aprova... Agora sucedem-se os quadros, mudam muito depressa.... Pescadores isolados, vagamundos, meninos brincando... Mulheres que lavam roupas, que apanham água, que fazem orações... Desabam aguaceiros e coriscos riscam as nuvens...
Assim vão os quadros, até que Zainer se alerta:
– Estamos, creio, no tempo!... João Batista está metido na água e vai com uma peça, uma casca, parece, derramando sobre muitas cabeças e dizendo palavras que eu não entendo... Agora muda-se o quadro e ele apanha a água do rio com as mãos em concha... Outros quadros surgem, um novo dia... Lá estão, conversando, os dois grandes vultos!... João, vestido de peles, queimado de sol, bastante moreno em confronto com Jesus, que está vestido com a túnica branca de sempre, um branco opala, simples, muito simples... Jesus é castanho-claro... Está maravilhosamente visível!... É manso, é sereno, é todo convicção!... Agora entra na água, é batizado por João... O espaço ilumina-se, brilha!... Ouve-se como que um trovão e muitos que ali estão se ajoelham!... Todos olham para cima, parece que desejando ver alguma coisa... O sol brilha, não foi trovão!...
Zainer cai em pranto, não fala mais; é o Guia quem o toma e explica:
– Quanta graça nas coisas de Deus!... Quem dera que os homens aprendessem a grande lição com as pedras!... Tudo está registrado, a natureza guarda de tudo a mais perfeita lembrança, porque está imantada, está magnetizada!... É sublime, é divino, irmãos, o que se está vendo e rememorando!... Louvemos o Pai Divino, que assim fez até as pedras, capazes de guardar semelhantes imagens. Quanto poderemos nós guardar, irmãos, em nossos corações, quando soubermos compreender e amar como dignos filhos de Deus?!...
Pouco depois, recomeçada a fala, Zainer relatou:
– É João, para trás, em outros dias, anteriores, quem ainda batiza, acompanhado de muitos outros homens, todos vestidos como os nazireus, os profetas de Israel... Passam os quadros... Perdem-se os dias no passado, tudo muito depressa, como se alguém estivesse precipitando...
Zainer volveu ao normal, apresentando o senhor Semir outra pedrinha; nesta, estava escrito: “Mar Morto”.
Depois dos quadros preliminares, viu o psicômetra:
– Eis-nos entre as montanhas e as praias desertas do Mar Morto, que se confundem com os dias cálidos e as noites de luar prateado e brilhante, porém tomados de angústia... Apresenta-se um letreiro, onde se lê a palavra “Vespasiano”... Apresenta-se outro letreiro, onde se lê esta sentença: “Fim do grandioso Cenáculo Essênio, um dos baluartes do profetismo hebreu”... Ainda outro letreiro, cujas palavras dizem: “Neste rincão maravilhoso, longe do mundo materialista e saturado de vícios, aguardou Jesus a Sua hora de entrar para o ministério a que viera, executando a Lei e batizando em espírito”...
Zainer silencia, constrange-se todo e relata:
– Anunciam o ano de setenta, pairam no ar as tragédias cometidas por Vespasiano!... Há sofrimento até nas pedras... Os homens, as mulheres, todos aflitos, aprontam urnas e enterram-nas... Milhares de potes são postos em furnas, para que fiquem imunes ao vandalismo que se aproxima... Descem do Alto grandes e brilhantes estrelas! Celestes mensageiros informam!... Os Essênios deixam suas terras, seus rincões solitários e ungidos de sublime espiritualidade!... Marcham e espalham-se... Participam dos trabalhos do Caminho do Senhor...
Mais uma estacada, para Zainer anunciar:
– Estamos regredindo no tempo... Agora é um tempo de paz, de trabalho e de sublimes contatos espirituais... Os mestres do mundo espiritual assistem de modo ostensivo, deixam cair filamentos luminosos naquelas direções!... Estamos entrando... Vamos para uma sala cavada na rocha... Temos pela frente uma reunião de caráter mediúnico... Homens e mulheres encontram-se revestidos de luz gloriosa, de azul e ouro, de verde e opala, de amarelo brilhante!... O moço Jesus está no centro, sentado, cabisbaixo e todo aureolado de intensíssima luz opalina, cujos raios atingem longe, muito além das
pedras e dos lagos!... É fantástico!... É fantástico!...
Zainer derrama fartas lágrimas, de tanta comoção. A visão cessa por um pouco, até que Zainer se repõe. Pouco depois, continua, cheio de unção:
– Das alturas correspondem!... Legiões luminosas descem, envolvem o local e música divinal espraia-se pela Terra inteira!... Há luz, há esplendor por todas as partes!... O Céu envolve o mundo, o Céu cobre a Terra!... Agora termina a sessão... Cada qual toma seu rumo, com a alma em êxtase... Todos estão luminosos, todos brilham...
Zainer leu de novo o letreiro que lhe apresentaram, anunciando:
– Apareceu escrito no espaço: “Amai a Deus em Espírito e Verdade, amai o vosso próximo até a renúncia e cultivai a Revelação com inteireza de elevação, porque só assim estareis executando a Lei de Deus”.
Refeitos, pois a emoção fora tremenda, os três homens passaram alguns minutos comentando os fatos; quanto a Zainer, dizia que seus relatos estavam muito longe de refletir os fatos, os quadros vistos.
– Onde quer que Jesus apareça – disse ele – forma-se um halo de estranho e glorioso esplendor, uma estuância espiritual que não é possível refletir através de palavras!
O presidente considerou:
– Ser Ungido é ser Selado; é estar investido de Poder e de Autoridade, em um grau que transcende ao poder humano de concepção. É representar o Pai Divino, é ser Embaixador Celestial e, portanto, deve participar da Glória Divina e deve fíltrá-la de modo patente. Em um Cristo Planetário, digo eu, ninguém deve ver apenas o indivíduo celestializado, ou divinizado, mas sim o Delegado do próprio Deus!
Quando ele, o presidente, terminou a sua alocução, ecoou no recinto uma voz estrondosa, que disse:
– Assim deveis compreender! Um filho cristificado, apresentado como Delegado, a fim de constituir o Modelo Divino, o Molde Perfeito, para que os demais filhos tenham em que se modelar, para se irem aperfeiçoando!
Houve um grande tremor em todos, por causa daquela voz potentíssima. Tudo serenado, Semir apresentou outra pedrinha, cujo cartãozinho dizia: “Calvário”.
Zainer colocou a mão direita sobre a pedrinha, havendo imediatamente caído em grande angústia, por causa das vibrações que ela emitia.
– Que tristeza, meu Deus!... – exclamou o psicômetra – Há uma treva cobrindo a paisagem!... Tudo se desenrola debaixo de fúnebre cobertura!... Parece que a tristeza envolve, ainda, o local do tremendo crime!... E vão passando, vão entrando e saindo quadros... Tudo, porém, triste, muito triste!...
Depois de breves relatos, vendo gente subir ruas e orar aqui e ali, chegou o tempo certo, o quadro tenebroso:
– Eis que chega o tempo!... Há tumulto em toda Jerusalém!... As ruas estão apinhadas!... Gentes comentam o fato, com medo uns, com entusiasmo outros... Os ares estão conturbados por baixo, mas há muita luz e muito esplendor em cima, nas alturas!... A Terra está em trevas, mas no astral distante há festa entre os espíritos de eleição!... Agora descemos, descemos... Estamos diante do Calvário, estamos na frente de três cruzes, todas elas ainda ocupadas!... Horror e trevas!... Prantos lancinantes de muitas mulheres!... Soldados aparvalhados!... Clérigos que olham aquilo com sarcasmo e raiva!... Autoridades que não sabem como agir!...
Zainer estacou, constrangeu-se todo e gritou:
– Meu Deus!... Estão pregando!... Crucificando!... Há gritos tétricos, há horror de morte em tudo aquilo!...
Como os quadros eram regressivos, logo após recomeçou:
– A multidão acotovela-se!... Jesus caminha, todo roto, todo sujo, todo maltratado, carregando a cruz nas costas!... Tudo se mescla, tudo se divide!... É que alguns choram, enquanto que outros se alegram loucamente!... Soldados chicoteiam!... Alguns homens cospem no rosto de Jesus!... Ao longe, algumas mulheres se entregam ao pranto e à oração, porque Deus, somente Deus poderá saber de tudo e de tudo dispor!... Em suas almas, em seus corações, bem estamos vendo, há treva e há esperança!... Jesus havia dito tudo, havia prevenido de tudo quanto ocorreria!...
Mais um lapso, breve lapso, e tudo recomeça:
– Jesus diante de Pilatos!... Jesus defronte a Herodes!... Jesus devolvido a Pilatos!... Está ferido, maltratado, ensangüentado!... Mas está impávido, está celestial!... Envolvem-n’O as luzes de cima, das legiões que O cercam!... É Deus!... É a Luz Divina que O ilumina e sustenta!... O mundo cometeu um crime, porém terá que resgatá-lo!... A Lei de Deus paira no ar, balouça como se estivesse clamando por Justiça!... Vejo as tábuas da Lei, que vibram no alto, bem no alto, anunciando tempos de treva e de dor!...
Mais um breve silêncio e prossegue:
– Estamos no Horto! ... É noite... Judas vem na frente, Jesus espera-o e dirige-lhe algumas palavras... Judas beija-O... Jesus torna a lhe dizer duas ou três palavras... Muitos homens, armados, cercam e prendem a Jesus!... Há tumulto e correrias... Alguns homens querem espancar!... Judas brada que não!... Judas detém alguns homens exaltados... Jesus é amarrado e conduzido preso...
O Guia anuncia a Zainer o fim dos quadros; de fato, cessam as visões transmitidas pela pedrinha.
O sírio riquíssimo apresenta outra, cujo cartãozinho diz: “Monte Sinai”.
Zainer coloca a mão direita sobre ela, enquanto que a voz potentíssima volta e
anuncia:
– Entre Jesus e a Lei de Deus não há diferença, porque o Cristo é a Lei vivida em condição humana! A Lei contém a Moral que dignifica, o Amor que diviniza e a Revelação que adverte, ilustra e consola! Em Jesus, sabei-o, há isso mesmo, além de haver o derrame de espírito sobre toda a carne!
Passado o momento de exaltação, Zainer começa a relatar:
– Surgem os quadros preliminares... Vão se repetindo os fatos, regressivamente... Estamos vendo o Monte Sinai!... No alto está coberto de nuvens densas, como se fossem densas fumaças fosforescentes... Um grande povo estende-se pelo vale!... Fremem os ares com o pavor, com o terror que medra naquela gente toda!... Surge Moisés!... Parece-se com João Batista!... Digo ser João Batista, pelos traços fisionômicos!... É frágil de corpo, mas a energia vem do mundo espiritual que o envolve!... Legiões de almas luminosas envolvem-lhe a personalidade e dizem-lhe o que fazer... Moisés reflete um estranho poder!... Dele partem chispas de luz!... Moisés é um homem cintilante!... Suas faculdades mediúnicas parece que incendeiam!...
Houve uma parada e o quadro mudou-se:
– Moisés fala ao povo e o povo teme a sua presença!... O povo afasta-se... Moisés dirige-se ao Monte... Procura o caminho, sobe, sobe... Entra naquela nuvem fosforescente... Sua presença causa movimentos reluzentes... Almas de escol cercam-no, motivo por que Moisés brilha, brilha!... Há estremecimentos nos ares e há muita alegria no plano espiritual!...
Zainer silencia, para depois continuar:
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.