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Capítulo 12 de 14
Psicometria — parte 10 de 12
Nos Domínios Maravilhosos da Psicometria · Osvaldo Polidoro
– Descem do alto espíritos servidores... Atraem e um monstro surge de dentro da terra!... Um grande bicho, uma coisa tremendamente feia!... Os espíritos servidores dominam, controlam o grande e monstruoso animal... Projetam-lhe descargas de força... Descarregam sobre ele jatos de luz verde-azulino... O monstro transforma-se... Vai se transformando... Surge o mesmo homem bronzeado... Está assustado, pasmo, tiritante... Os espíritos falam-lhe, dizem da hora que é chegada, dos pagamentos feitos através daqueles lugares tormentosos... Alçam o homem e lá se vão... Chegam a um plano espiritual, entregam o homem a dois outros, que o levam consigo... Dizem, agora, que vai preparar-se para reencarnar...
Finda a visão psicométrica, fala o Guia designado:
– Tendes aí, irmãos, uma prova a mais da Lei de Harmonia, que uma vez ferida ou contrariada, revida e força ao reequilíbrio. Mera questão de Causa e Efeito, mera confirmação daquela sentença que diz respeito ao – “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
O presidente interferiu:
– Com os agravos a mais, em virtude do conhecimento de causa?
E o Guia respondeu:
– Toda e qualquer culpa, irmãos, é segundo o ato e o montante de conhecimento de causa, conforme o Cristo assinalou em Seus ensinos. Vide o que está escrito no último capítulo do Apocalipse, pois através do Espaço e do Tempo, e no curso das vidas, todos acertarão suas contas e terão que progredir, até atingir o grau crístico, o Céu Universal desenvolvido no íntimo. Porque, fica repetido, nesta verdade estão encerradas todas as lições, provindas de todas as Grandes Revelações: “Todos os filhos do Pai Divino hão de em si mesmos realizar o encontro com Ele, e, pela União feita, ultrapassar o ciclo das reencarnações obrigatórias. A isto é que chamamos, entendei, realizar a penetração no Plano Crístico”.
– Temos perfeito conhecimento disso, pelas vossas lições – respondeu o presidente, satisfeito.
E o Guia aconselhou:
– Nós iremos libertar o rapaz, até certo ponto; porque a libertação total depende dele mesmo. Que aprenda as lições da Verdade e que faça quanto bem possa a seus irmãos. Que observe a Lei de Deus, porque fora dela jamais haverá quem possa triunfar; que siga o Divino Exemplificador! Que seja capaz de renunciar a si, até mesmo em caso de vida ou morte, assim como Ele deixou o Exemplo Modelar. Em verdade, como sabeis, o Modelo exterior foi apresentado, para que cada um tenha em que se modelar perfeitamente. Assim como sois conhecedores, assim mesmo façais aos vossos semelhantes, para que todos possam trilhar a via libertadora.
E encerrou-se mais uma sessão, com grandes proveitos gerais.
Qual seria o maior erro perante a Lei? Qual deles seria o menor? Em que poderia a fé do indivíduo, ou sua religião, dirimir-lhe em parte qualquer culpa que viesse a cometer?
Haveria, no lastro de quitandas compráveis e vendáveis, em matéria de religião, ou que passam por atos religiosos, alguma coisa de real, de verdadeiro, com qualidades ou capaz de absolver alguém de suas culpas?
Enfim, irmãos, teria algum ato de fé, ou ritual qualquer, autoridade para revogar ou derrogar a Lei?
Bem haveis de saber que, milhares de milhares de vezes, topamos com situações aparentemente embaraçosas, com irmãos em condições penosas, ou muito menos felizes do que aquelas em que poderiam se encontrar, pelas aparências ou em virtude da vida que levaram, que levam, fatos que aparentam prerrogativas, condições e situações que parecem valer por fatores dirimentes.
Todavia, quando se observam as questões de dentro para fora, dos fatos internos para com as aparências externas, temos que nos curvar e reconhecer que a Lei não respeita bandeirolas, simulações, ginásticas tidas como atos de fé.
No plano carnal e por aqui, nas esferas inferiores, peregrinam irmãos que consigo arrastam cargas de aparente religiosidade, montões de gestos, fardos de simulacros, vasta bagagem de rituais os mais engenhosos e extravagantes. Nem por isso, todavia, a Lei os recomenda, eleva-os na escala hierárquica. Eles a si mesmos se convencem, mas não convencem a Lei de Harmonia; é que, em verdade, estão fartos por fora e passam fome por dentro... O problema da iluminação interna, o verdadeiro problema, esse não os tocou ainda! Eles não quiseram conhecer as trilhas do Amor e da Sabedoria, para conseguir os galardões da Pureza e do Conhecimento; eles se agarraram aos institutos do mundo e aos seus conceitos, eles andaram vivendo para aqueles simulacros que os homens para si
fizeram, como disse o Profeta Habacuc, no seu inolvidável capítulo dois.
Assim foi o caso de Joana, irmã de Josias, o paralítico.
Este Josias, depois de quinze anos de paralisia, deu-lhe na mente recorrer ao Espiritismo; e como tivesse amigos espíritas, não lhe foi difícil dizer a Raimundo, um seu amigo de infância:
– Sabes, Raimundo? Eu gostaria de conhecer a opinião de um espiritista, sobre a minha paralisia, que aos poucos toma conta de meu corpo. Já não basta que me atrofie as pernas e os braços, pois observo que me congela todo e me faz ter calafrios na espinha. Como sei que és espírita, bem poderias me trazer aqui alguém que tivesse como consultar os espíritos...
Raimundo, assustado, revidou:
– Agora é que pretendes isso?!... Sempre disseste coisas terríveis contra o Espiritismo!...
– Minha religião... Eu nunca disse nada, a bem dizer... – replicou Josias, de modo convincente.
– Um homem deve ser mais do que um pouco de fanatismo sectário! – esbravejou Raimundo, preocupado.
– Deus andaria de turras comigo, por isso? – inquiriu Josias, pensativo.
Raimundo meditou e pronunciou-se:
– Não se trata de turras por parte de Deus... É que atuações prolongadas terminam em casos patológicos. Isto é, a influência espiritual, sendo longa, provoca alteração no físico, chega a estropiar de todo.
Josias raciocinou, murmurando:
– Bem, ninguém assume compromisso algum... Quero apenas consultar um espírito, assim como consultei tantos médicos e centenas de curiosos. Se nada der certo, é apenas um fracasso a mais, um como centenas de outros, está bem?
Raimundo, que se revelava triste, considerou:
– Sempre respeitei a tua convicção religiosa. Se soubesse que tudo terminaria assim, creio que teria feito contigo uma briga muito grande. Afinal de contas, a dor também não tem cor sectária... Todos sofrem, porque todos nascem e morrem... E ao menos por causa do sofrimento, ninguém deveria ser fanático religioso!
– Boa filosofia! – exclamou Josias, sorrindo, apesar do sofrimento.
– Trarei aqui alguém – prometeu Raimundo, satisfeito – todavia, vai orando, para ver se consegues alguma coisa, depois de tantos anos de sofrimento.
Admirado, Josias perguntou-lhe:
– Acaso não tenho eu orado, dias e noites a fio?!...
Fleumático, Raimundo respondeu:
– Aqueles a quem Jesus andou curando, também viviam fazendo orações de dia e de noite; entretanto Jesus veio, para eles, no tempo certo... Eu penso assim, e creio estar certo, pois sou de opinião que para tudo há lei neste mundo. Diz um velho ditado, que manda quem pode e obedece quem tem que obedecer, não é isso? E eu tenho por certo, Josias, que ninguém vem, da parte de Deus, sem ser na hora certa.
Ainda sorrindo, Josias aduziu:
– Nesse caso, Raimundo, na hora certa deixei de ser fanático.
– Concordo – anuiu Raimundo, com bonomia.
Meditativo, Josias adiantou:
– Há vinte anos atrás, Raimundo, eu tinha o Espiritismo em conta de coisa realmente diabólica!... Depois, com o passar dos dias, fui mudando um pouco. E já consigo acreditar que não seja lá tão diabólico assim... E se for, tome nota, é um diabismo que tem Deus, que ensina lições divinizantes...
– Estás a me adular? – perguntou-lhe Raimundo, sorrindo.
– Não. Tenho pensado muito, meu amigo, em tudo quanto tem acontecido no mundo, nestes últimos vinte e poucos anos. Já não há casa que não esteja dividida, já não há mais uma só família que pertença a uma só religião. Há de tudo, em todas as famílias, sendo que o Espiritismo está levando as suas vantagens. Isto eu digo, Raimundo, com toda a sinceridade de que sou capaz. Ainda ontem, para me referir à minha família, aqui estiveram minha irmã e dois sobrinhos, que se passaram para o Espiritismo. E quando fui dizer umas tantas aos meus sobrinhos, mais por esportividade do que mesmo por convicção, eles riram de mim, dizendo que eu nunca aprendera a ler o Evangelho, apesar de ter mais de cinqüenta anos. Vê no que dão as coisas, Raimundo, quando a gente pensa que anda certo, pelo fato de encarar toda a Verdade pelo ângulo estreito das convicções humanas...
Raimundo interrompeu-o, intercalando:
– Estou de pleno acordo, Josias. Ninguém deve, pelo fato de encarar a Verdade pelo seu estreito ângulo de visão, pretender que está vendo e conhecendo a totalidade da Verdade. Os dogmatismos andaram cometendo tremendos crimes, por fazerem isso, enquanto a Humanidade foi bastante analfabeta para não saber pensar um pouco mais. Com a instrução, as coisas foram mudando e os donos de religiões não andam muito contentes. Enfim, Josias, a Verdade não quer o homem religioso e sim o homem cheio de virtudes e de conhecimentos; a Verdade quer que se acabe com todos os formalismos, os da letra e os outros, aqueles que são piores ainda...
Agora foi Josias a interrompê-lo:
– Isso é uma verdadeira revolução! Haverá tanta virtude e tanto conhecimento assim no mundo?
Raimundo abanou a cabeça e disse:
– Nós, os espíritas, pensamos em termos de eternidade! O que é, ou isso que agora é assim, deverá ceder lugar ao que há de ser, com a evolução normal. É por isso que somos contra tudo quanto tem base nos conchavismos e comodismos humanos. A tudo aquilo que cheira a ranço, importa que se chegue o crisol do progresso e da renovação. E quando o homem não evolui por bem, o tempo e a vida se encarregam de fazê-lo evoluir pela dor. Aos maus alunos se impõe o castigo, não é isso?
– Que carapuça! – exclamou Josias, surpreso.
– Bem – prometeu Raimundo – trarei alguém aqui, para dizer-te algumas palavras de conforto.
E na noite seguinte, ele e o presidente do Centro conduziam Zainer à beira do leito onde se achava Josias.
Ao ser apresentado a Zainer, disse Josias:
– Tenho ouvido falar de suas faculdades maravilhosas.
O presidente interveio, satisfeito:
– Enquanto a Terra existir, e gente sobre ela, existirão profetas. Porque a Palavra de Deus é a Revelação.
– Nesse caso – observou Josias – Deus não fala há muito tempo com os Seus filhos. Pelo menos, que eu saiba, a começar de trezentos e vinte e cinco, quando Roma fundou o catolicismo, para atrair o dinheiro e a obediência de que carecia.
Raimundo ficou pasmo, e com ele os demais, ouvindo Josias dizer aquilo.
– Como sabes isso?! – perguntou-lhe Raimundo.
– Andei lendo umas tantas coisas, meu velho. Meus sobrinhos deixaram aí uns livros... E andei folheando alguns deles.
O presidente acrescentou, volvendo ao tema anterior:
– Bem que previu o Profeta Amós, na sua visão maravilhosa, como relata o capítulo oito, que a Revelação seria banida do meio das gentes, por causa dos muitos erros acumulados. Está dito, ali, que haveria fome e sede, mas não de pão nem de água, e sim da Palavra de Deus, que é a Revelação.
Josias exclamou, enigmático:
– Quer dizer, então, que hoje Deus me visitou? Porque vocês se acreditam os modernos profetas do Senhor.
Raimundo comentou, convicto:
– Se os dons espirituais para nada servissem, para que Deus nô-los teria dado? Se o batismo de espírito, trazido por Jesus para toda a carne, é obra de inconsciente, por que devemos ser cristãos? Entretanto, Josias, nós sabemos do que estamos tratando, falando e fazendo. E por isso dizemos, que melhor seria para a Humanidade, deixar de blasfemar contra a Revelação, dizendo-a coisa diabólica. Ou seria o diabo, se ele existisse, capaz de fazer coisas mais interessantes do que Deus? E se fosse a Revelação coisa diabólica, como não seria Jesus diabólico, Ele que foi anunciado por Gabriel, Ele que andou falando com Moisés e Elias, Ele que andou expelindo maus espíritos, Ele, enfim, que veio derramar do espírito sobre toda a carne?
Josias admirou-se:
– Vós conheceis bem a Escritura!
Zainer avisou-os:
– Assim diz o Guia: “Estamos prontos para o trabalho”.
– E nós – disse o presidente – prontos para cooperar.
O psicômetra iniciou o relato:
– Josias tem ao lado uma freira... Ela sofre do mal que lhe causou a morte, a paralisia que lhe invadiu o corpo todo, até atingir o coração. E um Guia diz que o caso é pura questão de Espiritismo, de Cristianismo de fato, porque é necessário afastar o espírito sofredor para o doente melhorar... Ele acentua a palavra melhorar, explicando que o mal está por demais avançado, é caso crônico ou de patogênese radicada.
– Como se chama a paralítica? – perguntou Josias.
Ela quer falar mas não consegue; e o psicômetra responde:
– Façamos oração, porque ela está muito mal e pranteia copiosamente.
Houve grande movimentação no chamado ambiente psíquico, pelas orações feitas, havendo, inclusive, chegado um grupo de espíritos mais competentes do que nós, em matéria de tais serviços. Eles é que foram lidar com a irmã paralítica, descarregar sobre ela energias potentíssimas, até que falasse. E quando falou, pronunciou a palavra “Joana”.
– Joana! Seria minha irmã?!... – exclamou Josias, espantado.
– Afirma que sim – respondeu Zainer.
– Morreu num convento!... Passou a vida em orações!...
O Guia falou e Zainer repetiu:
– A grande oração é cumprir a Lei de Deus! O filho amado é aquele que toma a Lei por base e a executa o quanto possa. Quanto à sua irmã, depois de sofrer aquele fracasso, aquela infelicidade, refugiou-se no claustro. Sua obrigação seria, entretanto, enfrentar a situação, vencer e ser mãe de alguns filhos. Suas dívidas pretéritas deverão ser resgatadas. Sem dizer que tenha feito mal algum, dizemos que sofreu por causa do desvio a que se entregou, procurando fugir às suas mais prementes necessidades.
Após breve lapso, endereçou-se a Josias:
– Quanto a você, irmão, tem contas a acertar sobre o mesmo crime cometido por ela no passado... Ambos tramaram e praticaram perversões... Induziram ao pecado contra a virtude... Todavia, bastante fizeram nesta vida, porque sofreram com paciência... Sempre conseguiram bastante, embora com evidentes fracassos.
– Não entendo dessas coisas, porque pouco sei de Espiritismo... – balbuciou Josias, cabisbaixo.
O Guia falou e Zainer repetiu:
– Deus é a Suprema Autoridade e o Espiritismo é a Escola da Verdade; procure conhecer e cultivar o batismo de espírito, trazido pelo Cristo Planetário para toda a carne, e saberá muito mais do que isso. Porque o Espiritismo é apenas a reposição das coisas no lugar, consoante as promessas do mesmo Jesus. E se bem quereis saber, quem recebeu a incumbência de mentorar a restauração, imensamente grato se encontra de haver feito aquilo que lhe foi ordenado, estando ainda em grandes trabalhos complementares, que compreendem a consolidação e a extensão, que deverá abranger os extremos da Terra, conforme se encontra assinalado no primeiro capítulo do livro dos Atos.
Houve silêncio, ninguém interferiu, razão por que o Guia disse, prosseguindo:
– Raimundo que receba a paralítica.
Os servidores deslocaram a irmã doente, que causava mal ao irmão sem o querer, e esta começou a gemer, a clamar por Deus, como era do seu natural, desde que ficara entrevada e também depois de haver deixado o corpo. E uma vez feita a doutrinação, ela ficou pronta para falar, embora sem conhecer os porquês de tudo aquilo, porquês que estavam lá para trás, nos erros antanho cometidos.
– Quantos mistérios! – exclamou Josias, admirado de tudo.
E o Guia esclareceu:
– Da Ordem Divina estão excluídos os mistérios e os milagres, porque prevalecem as leis e os fatos. Aprendei a conhecer a Verdade, conforme os ensinos do Modelo apresentado pelo nosso Pai Divino; aprendei com a Verdade, irmãos, e abandonareis a tudo quanto vos torna fracos e sofredores, inconscientes e infelizes.
Depois de breves palavras a mais, Joana seguiu em companhia de um grupo de irmãos servidores. E o Guia disse a todos os encarnados:
– Não adianta clamar: – “Senhor! Senhor!” O que importa é fazer a Vontade do Senhor, cuja Lei de tudo contém, porque encerra a Moral, o Amor e a Revelação.
Fomo-nos dali, como sempre muito satisfeitos. Nem poderia ser de menos, uma vez que o Evangelho reinante era o vivo, o das obras, o Evangelho que contém as leis e os fatos.
Semir, o sírio riquíssimo, andara lendo qualquer coisa sobre a psicometria; e encantado com o assunto, procurou o presidente e perguntou-lhe sobre a possibilidade de fazer algumas experiências.
– Trata-se de alguém doente? – perguntou-lhe o presidente.
– Não, trata-se de umas pedras... Desejo saber se os objetos, de fato, guardam as marcas dos acontecimentos, de acordo como dizem certos livros.
– Há verdade em tudo isso – respondeu-lhe o presidente – mas considerando a intensidade do fenômeno segundo a capacidade do médium psicômetra. Deve saber que a Humanidade é constituída de seres, e que os seres variam muito de gradação hierárquica, variando conseqüentemente a gradação em geral, mormente no campo das faculdades mediúnicas. Quanto ao seu caso, o das pedras, vamos ver o que podemos fazer...
Semir interrompeu-o, para ressalvar:
– Não pense o senhor que pretendo saber de fortunas; as pedras não são desse gênero, são pedras vulgares, que talvez tenham alguma coisa interessante em seus registros psicométricos.
– Seja como for – assentiu o presidente – é fácil psicometrá-las; se nada resultar, nem se acabarão as pedras nem a psicometria, não é isso, senhor Semir? E se houver alguma coisa de útil, tanto melhor para todos nós, porque não teremos empatado o nosso precioso tempo em vão.
O riquíssimo homem arregalou os olhos, concordando:
– Tem razão o senhor, pois não devemos empatar mal o tempo... Tempo é muito mais do que dinheiro...
O presidente ouviu, pensou e pingou os “ii”:
– Zelamos muito, senhor Semir, o emprego dos trabalhos mediúnicos, porque o número de enfermos é muito grande. E para nós, devo informá-lo, a grande questão é
fazer todo o bem que se possa, por aqueles que não contam, muitas vezes, sem ser com as graças do mundo espiritual.
– Então – disse o homem riquíssimo – a primazia cabe aos trabalhos de assistência social em geral?
O presidente respondeu, concorde:
– Nem poderia ser de menos, senhor Semir, dadas as verdades doutrinárias fundamentais que são intrínsecas à Lei de Deus; por ela sabemos como nos devemos portar para com Deus, para com o próximo e para com a Revelação, que sempre foi o órgão instrutivo, de advertência e consolo. Portanto, tendo na Lei tudo quanto é necessário em matéria doutrinária, fazemos questão de ocupar bem a tudo quanto sejam elementos, recursos e oportunidades.
– Filosofia interessante! – bocejou o homem riquíssimo – e de Jesus, que me diz o senhor? Porque, pelo visto, os senhores são muito rigorosos em se tratando de religião.
– O senhor não o é? – perguntou o presidente, sorrindo.
– Eu sou maronita... É o catolicismo libanês, é uma religião como outras o são, porque tudo dá na mesma.
O presidente sentiu-se constrangido, mas observou:
– Toda a Verdade, em síntese, está contida na Lei, quando se falar em sentido teórico-doutrinário. Para amar a Deus em Espírito e Verdade, importa que o espírito se eleve a tal grau, que faça a sua escalada evolutiva; para amar ao próximo como a si mesmo, terá que alcançar elevada noção de responsabilidade; e para honrar a Revelação, que foi o seu veículo, terá que praticá-la, de onde resultará conhecer as leis básicas, que são: imortalidade, movimentação, evolução, responsabilidade, reencarnação, comunicação e habitação universal. Depois de saber isso, em conseqüência do cultivo da Lei, tudo o mais é mera questão de minúcia.
– E Jesus? Como interpretam a função de Jesus?
Bondosamente, o presidente explicou-lhe:
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.